São muitos os que dizem a meu respeito: “Deus nunca o salvará”. (Sl 3.2.)
Não há quem não ouça vozes de dentro, silenciosas e insistentes: as vozes da alma, as vozes da carne, as vozes da infância, as vozes dos traumas, as vozes da memória coletiva, as vozes da tradição religiosa, as vozes dos pais, as vozes do amor, as vozes do sexo, as vozes de Deus. Não há silêncio interior. Ao contrário, o que há lá dentro são muitas vozes ao mesmo tempo, muito barulho, às vezes, um verdadeiro tormento.
O pior é que uma voz diz isto e a outra diz aquilo. Elas têm recados opostos, conflitantes. E nenhuma das vozes desiste de insistir. Percebe-se claramente que uma delas está pregando uma grande mentira. A questão é descobrir a voz que não faz uso da mentira.
Como qualquer mortal, o salmista teve de enfrentar o problema da vozinha chata, aquela que sussurra sem parar: “Deus nunca o salvará” (Sl 3.2). Ao mesmo tempo, o salmista ouvia a voz contrária, a voz abençoadora, a voz que desmente a vozinha chata, a voz que afirma categoricamente: “Eu, o Senhor, sou o seu Salvador, seu Redentor, o Poderoso de Jacó” (Is 49.26.)
Descobrir a voz que vem da boca de Deus não é tão complicado quanto se pensa. Quando a palavra audível não entra em choque com a palavra escrita, conforme se acha nas Sagradas Escrituras, então essa voz é a voz de Deus e não a vozinha chata!
>> Retirado de Um Ano com os Salmos. Editora Ultimato.



