Em João 8:3-11 temos o relato de um momento no ministério de Jesus em que ele se encontrava no templo e lhe é trazida pelos religiosos da época, uma mulher que havia sido pega em adultério. O flagrante não deixava dúvidas que o erro havia sido cometido e precisava de uma “punição” – pelo menos assim pensavam aqueles que trouxeram a mulher até Jesus.

Dedos em riste e pedras nas mãos, a turba apontava para a mulher e gritava:

– Adúltera! Morte para a adúltera! Imoralidade! Vergonha para nosso povo! Apedrejem!

Diante de toda a confusão e solicitado para dar um aval genocida (afinal os religiosos estariam sendo puristas, cumprindo a lei e eliminando o mal), Jesus desloca sua mão para o chão e o dedo, ao invés de apontar para a mulher impura, aponta para o solo; as mãos, ao invés de se tensionarem para agarrar pedras, se distendem afagando a areia onde começa a escrever com o dedo…

Jesus não nega a culpa da mulher, nem tenta dar justificativas acusando o marido desta de não ter dado a atenção a ela, que ela estava carente, que impulsos sexuais são difíceis de controlar… Não! Ele simplesmente aguarda até os mais exaltados baixarem sua ansiedade homicida e sob a expectativa de uma resposta, valida a leitura legalista dos seus arguidores:

– Vão em frente, executem o que diz a lei! Porém, emenda o Mestre, que a execução se inicie por aquele que julga que jamais cometeu qualquer falha diante de Deus!

Penso nas inúmeras vezes que aqueles que prezam pela MORAL, pelo PURISMO, pelos FUNDAMENTOS DA FÉ, hoje em dia não agem de igual forma aos contemporâneos de Jesus, com dedos em riste e pedras verbais prontas para amaldiçoarem os que cometem pecados sexuais. Quantas pessoas são “executadas”, apedrejadas, dilaceradas, expostas publicamente, em nossos templos ou em reuniões eclesiásticas: tudo em nome da “não contaminação do rebanho”!

Muitas vezes me pergunto por que os ditos “pecados sexuais” são tratados de forma tão diferenciada de outros pecados, especialmente dos pecados de fofocas e desejos de poder! (que são mais severamente advertidos na Bíblia e causam estragos profundos em comunidades – Tiago 3: 2-13).

Como parece difícil livrar-se de certos ranços vitorianos e lidar com a sexualidade de forma tranquila, não colocando os pecados sexuais como os ‘mais abomináveis’, antes os tratando com os critérios iguais aos que tratamos as fofocas ou maledicências!

Isso não significa fazer “vistas grossas” para os pecados sexuais, de forma alguma. Somente devemos trata-los com a mesma graça e misericórdia que Jesus tratou e estar atentos para não coar os mosquitos e engolir os camelos! (Mateus 23:24).

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