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Deus estava, em Cristo, evangelizando o mundo. Esta boa nova, certamente, não era desconhecida, insuspeita; já havia sido profetizada muitas vezes e de diversas maneiras. A encarnação aconteceu na história, resultado de muita preparação; na plenitude de tempos e movimentos de homens, anjos e do próprio Deus.

Entretanto, Deus estava, agora, consumando seus propósitos, concebidos em tempos imemoriais. Oferecia-nos a sua reconciliação, a sua paz, por meio do estreitamento dos laços, da proximidade, de gestos de amor dadivoso.

Sim, agora seu método seria o de se fazer um conosco, por meio de seu Filho, achado em figura humana. Emanuel. As distâncias insuportáveis a quem ama foram eliminadas e o único imponderável seria se lhe permitiríamos tal proximidade, se o aceitaríamos em nossos espaços íntimos, se o receberíamos em nossas casas.

Talvez fosse esperar demais de gente que lhe dera tantas provas de soberba e independência. Seríamos capazes de abrir mão da nossa aparente autonomia para aceitar seu senhorio? Não seria esse um plano destinado ao fracasso? Não haveríamos de rejeitá-lo para preservar nosso maior tesouro, o nosso ego?

Sim, talvez fosse um plano maluco. Entretanto, há que se considerar o amor com o qual nos amou. Um amor tal que o moveu a dar-se. E assim fez. Vimos o menino, conhecemos o homem e contemplamos a cruz. Nela estava a prova cabal desse amor quase incompreensível. Se considerarmos as perspectivas de reciprocidade, as chances eram pequenas.
 Deus estava, em Cristo, evangelizando o mundo.
Contudo, assim foi e assim se fez. E o que os nossos olhos viram, e as nossas mãos apalparam, isso nos transtornou. Como que por milagre, trouxe-nos nova vida. Porque ouvimos palavras de vida, porque nele estava a vida, sua luz nos iluminou. E isso quisemos anunciar.

Entretanto, se é assim o caminho da evangelização, e se aceitamos o encargo de sermos seus ajudadores, por que o fazemos tão à distância? Por que permitimos as separações físicas e emocionais que nos afastam do modelo? É bem verdade que as cartas, os livros, os sermões para as multidões e outros meios não foram invalidados. Serviram e servem ao propósito reconciliador. Porém, ficou provado que, se eram necessários, não foram suficientes. Foi preciso encarnar. A encarnação, essa sim, se mostraria necessária e suficiente.

Onde tem origem toda essa saga? No coração paterno amoroso e sacrificialmente dadivoso. Um coração disposto ao que for necessário para salvar alguns. Lavar pés, se preciso; enfrentar a morte, certamente (ambos foram requeridos).

Talvez a nossa preferência pela isenção afetiva esteja relacionada a uma equivocada percepção do Natal. E nossa imitação se enfraquece, pois já não sabemos ou não queremos amar como ele amou. Talvez já não compreendamos o quão essencial é o pulsar do coração por proximidade pessoal, por intimidade, para a evangelização evangélica.

Onde encontrar o ensino sobre uma atitude tão altruísta, profunda, integral? Examinemos, cuidadosamente, o Natal e a Páscoa. Esses eventos nos falam do amor de Deus em ação entre os homens.

  1. Cada vez mais aumenta o abismo entre o pastor e seus membros. Ora, por conta de atividades fúteis, dígnas da agenda moderna; o “fast food”. Ora, pela fama e pelo sucesso conseguidos que faz com que , obrigatoriamente esse círculo, que antes era público, seja, agora, privativo.
    Jesus adiou ao máximo esses elementos que não foram convidados para o seu ministério, mas apareceram.
    O presente artigo nos fala da impotância e do desafio de ter que fazer uma escolha.
    Nesse ponto vejo a vantagem de fazer parte de uma comunidade pequena e simples, pois alí há valores que não se pode trocar por nada, ainda que sejamos tentados a uma mega aigreja. É claro que nem sempre o tamanho ditará a dinâmica.
    No ambiente do Reino a proximidade deve ocupar um lugar proeminete.
    Grato.

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