[Elifaz]

A Deus eles [os maus] diziam: ‘Deixa-nos em paz!’ E comentavam: ‘O que pode o Todo-Poderoso fazer em nosso favor?’ Foi Deus quem encheu de coisas boas as casas dos maus, porém eu não quero pensar como eles… as riquezas dos maus são destruídas e que as sobras são devoradas pelo fogo.

Reflexão

Novamente, a fala de Elifaz, amigo do Jó, está correto, embora o seu pressuposto, que Jó seja um destes maus, seja errado. Muitas pessoas, no nosso tempo e no tempo de Jó, não estão “nem aí” com a religião. É como se falassem para Deus, “deixa-nos em paz! O que pode o Todo-Poderoso, ou até mesmo a religião, fazer em nosso favor?” Isto descreve muito bem a atitude de muitos dos nossos vizinhos, colegas de trabalho ou de estudo e até mesmo amigos. Não querem nada com a religião e se irritam ou se aborrecem se a gente fala alguma coisa nesta direção.

Mas se aborrecer é até bom. Pois indica que a pessoa está incomodada, e se está incomodada, provavelmente seja por causa suas convicções mais íntimas não são tão ateístas. Não que isto seja carta-branca para a gente aborrecer as pessoas demasiadamente “em nome da fé.” Claro, devemos sempre estar prontos para dar uma boa palavra a respeito das nossas convicções. Mas normalmente a “ousadia de falar” rende mais quando temperada pelo tato e sensibilidade genuína.

Elifaz acerta, sim, nesta observação a respeito dos maus, mesmo errando na aplicação para o caso de Jó. Mas apesar deste acerto, Elifaz, mais adiante, acaba tirando conclusões equivocadas a respeito dos próprios maus. Pois, se ele afirma (corretamente) que “foi Deus quem encheu de coisas boas as casas dos maus”, o que dizer da sua conclusão contraditória no versículo 20, “as riquezas dos maus são destruídas…”? Mais correto ainda é a perspectiva do Jó no capítulo anterior inteiro onde os maus continuam bem até à velhice (por exemplo, 21.7). O fato é que Elifaz e Jó conhecem, pelas suas vivências, casos em que os ricos se dão bem até a morte e outros casos que se danam. Claro, é fácil concluir que quando se danam é pelo castigo de Deus. Mas como interpretar os muitos casos em que os maus se dão bem (materialmente) o resto da vida?

Para Jó a teologia simplista dos seus amigos, que os bons prosperam e os maus se danam, não dá porque não explica a vida real. E certamente não explica o sofrimento que ele estava passando.

Por que será, temos a tendência de adotar explicações fáceis e depois aplicá-las tão facilmente à vida dos outros… sem sensibilidade?

Oração

Pai amado, o Livro de Jó continua a desafiar as nossas pressuposições. E ressalta a necessidade de nos aproximarmos de Ti. Dá-nos o coração de Cristo para ouvir melhor a Tua voz e atender melhor as vozes de angústia ao nosso redor. Em Cristo Jesus, Amém.

 

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