ACONTECEU COMIGO – MEU ENCONTRO COM JESUS

“Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério.” 1 Tm 1.12

Lindelvan Costa, indígena da etnia Baré e missionário da WEC Amazônia/Projeto Amanajé (Foto: arquivo pessoal)

Quando paro para meditar nesse texto do apóstolo Paulo a Timóteo, o que me vem à memória lendo é a minha trajetória de vida. Esse versículo me traz a certeza e a plena convicção do chamado de Deus na minha vida, nos versos de 12 a 17 Paulo conta em resumo a sua história de vida antes de sua conversão, isso me faz lembrar do estado em que me encontrava quando conheci o evangelho de Cristo, em 2006.

Primeiramente irei me apresentar. Meu nome é Lindelvan, sou indígena da etnia Baré, nasci em uma comunidade indígena no interior de São Gabriel da Cachoeira, município do Amazonas, região do Alto Rio Negro. Vivi nessa comunidade até os meus oito anos de idade. Foi então que meu pai decidiu nos trazer, eu e meus irmãos, para a cidade; com o objetivo de nos dar uma condição de vida melhor, nos capacitar, nos dando uma boa educação escolar, pois não tínhamos esse privilégio de uma boa condição de estudo na comunidade indígena.

Passei a maior parte de minha vida na cidade de São Gabriel da Cachoeira, por isso perdi um pouco de minha identidade cultural, pois passei a vida mais no contexto do não indígena do que do indígena. Fiz o ensino médio e comecei a trabalhar, infelizmente tive a infelicidade de cair no vício do alcoolismo e isso me trouxe muita dor e frustração. Quando criança sonhava em estudar e ser alguém importante na vida, mas, esses planos foram destruídos e o instrumento dessa destruição foi a dependência química, que acabou com a minha vida. Acho lindo um texto que Jesus diz; o ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; “eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

Em um ato de desespero e já sem esperança, sem ter uma saída, tentei suicídio várias vezes. Achava que tudo tinha acabado e que já não tinha jeito para mim, a única solução seria a morte. Pensava: “isso vai me trazer paz e descanso, tanto para mim como para minha família.” Afinal de contas o problema não afetava só a mim, os meus pais também sofriam junto comigo. Em meio a essa tempestade toda conheci uma missionária chamada Elisangela Silva. Elame tratou de um jeito diferente, acabei me tornando seu amigo e logo depois amigo de seu esposo, Cácio silva. Eles começaram falando do amor de Deus e, lembro que no meu discipulado, Cácio me falava da queda do homem e do plano de salvação de nosso Deus, que todos pecaram e carecem da glória de Deus. A partir daí comecei a abrir o coração a ele, contando de minha dificuldade, que bebia muito e não me controlava, mas que a minha vontade era de ter uma vida normal, e que queria ser liberto.

Vi em Cristo uma porta para a liberdade, já tinha tentado de tudo para ser livre. Então em dezembro de 2007 resolvi batizar e começar uma nova vida, pena que não durou muito tempo. A dependência química já tinha me dominado, por mais que tentava firmar na igreja eu não conseguia – o bem que eu queria fazer não fazia, mas o mal que não queria fazer isso eu fazia. O máximo que conseguia era ficar alguns meses sem ingerir bebida alcoólica, mas qualquer luta que vinha eu não conseguia me conter e caia novamente. Até que um dia decidi sair da igreja porque não conseguia firmar, fiquei praticamente quase dois anos sem entrar em uma igreja evangélica. Sou grato a Deus pelas vidas de Cácio e Elisangela, porque mesmo tendo me afastado da igreja eles nunca desistiram de mim. A Elisangela, nos finais de semana, sempre ligava para minha mãe para saber como eu estava. Sempre que me sentia mal corria para casa deles e eles sempre me atendiam bem e com muito amor.

Em um conversa com Cácio ele me perguntou se eu não toparia passar por uma clínica de recuperação para dependentes químicos. Fui um pouco resistente no início, mas depois aceitei a proposta. Em outubro de 2011 fui para Belo Horizonte (MG) fazer o tratamento químico, e lá dentro daquela clínica de recuperação tive um encontro real com Cristo Jesus. Isso mudou a minha vida e consequentemente a minha história. Então Jesus me deu vida estando eu morto nos meus pecados e delitos, me deu planos e abriu portas. Em oração a Deus tive a convicção que Deus havia me trazido para Belo Horizonte para que eu pudesse me encaixar no propósito dEle, naquilo que ele tinha preparado para mim, e logo me veio na mente e no coração a vontade de fazer um seminário teológico. Faltando um mês para minha saída da clínica de recuperação, entrei em contato com Cácio para ver se havia uma possibilidade de ficar em Belo horizonte com o objetivo de estudar. Ele entrou em contato com o missionário Everaldo Fraga, do Projeto Tairú, e o missionário me aceitou, me dando moradia e alimentação.

Em agosto de 2012 comecei o seminário teológico, no Cristo Para as Nações, realizando assim aquilo que Deus havia preparada para minha vida. Fiquei no projeto Tairú até agosto de 2014, depois fui morar com dona Alva Couto, amiga de meus pastores, e me tornei membro da Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte. Comecei a me envolver com a distribuição de sopa para moradores de rua e também do retiro com Deus. Jesus cristo me abençoou muito, posso olhar para trás e dizer que até aqui o Senhor me ajudou. Formei em dezembro de 2015 para honra e glória de meu Deus.

Hoje sou formado em Bacharel em teologia pelo Seminário Cristo Para as Nações, com ênfase missiológica, e missionário do WEC Amazônia/Projeto Amanajé, atuando no trabalho de evangelização de povos não alcançados pelo Evangelho no noroeste do estado do Amazonas. Pelos desígnios de Deus voltei para São Gabriel da Cachoeira para dizer ao meu povo que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

• Lindelvan Costa, missionário da WEC Amazônia/Projeto Amanajé.

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