Estão abertas na Universidade de Brasília (UNB) as inscrições para o único programa no Brasil em nível de mestrado voltado especificamente a pessoas oriundas de comunidades tradicionais. O Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais (MESPT) visa à formação de profissionais para o desenvolvimento de pesquisas e intervenções sociais, com base no diálogo de saberes (científicos e tradicionais) e em prol do exercício e fortalecimento de direitos, da vida, do território e do meio ambiente; da valorização da sociobiodiversidade e do patrimônio cultural de povos indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais.

De acordo com a professora Mônica Nogueira, coordenadora do programa, o curso surgiu quando a Universidade percebeu que “havia uma demanda por parte de profissionais graduados em diversas áreas, vindos de comunidades tradicionais, e que desejavam ter um espaço de reflexão, de suas práticas, de desenvolvimentos de pesquisas orientadas à transformação positiva da realidade desses povos e comunidades em todo o Brasil”.

O MESPT é um curso semipresencial, com carga horária de 420 horas e duração de 24 meses. As atividades presenciais são realizadas nas instalações da Universidade de Brasília (nos campi Darcy Ribeiro e Planaltina) e distribuídas em 7 momentos presenciais, com variação de 1 a 5 semanas. O curso é gratuito e as inscrições encerram dia 8 de maio.

O que são povos tradicionais?

De acordo com o Decreto 6040, que instituiu a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT), os povos e comunidades tradicionais são definidos como “grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos por tradição”.

Entre os povos e comunidades tradicionais do Brasil estão quilombolas, ciganos, matriz africana, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco-de-babaçu, comunidades de fundo de pasto, faxinalenses, pescadores artesanais, marisqueiras, ribeirinhos, varjeiros, caiçaras, praieiros, sertanejos, jangadeiros, ciganos, açorianos, campeiros, varzanteiros, pantaneiros, caatingueiros, entre outros.

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