Por Inés Caballero

MD_3.2A população da Bolívia é formada por muitos grupos étnicos e culturas. A desigualdade é comum, resultando em pobreza e falta de oportunidades. Nas áreas montanhosas rurais, as atividades agrícolas estão sofrendo devido aos padrões climáticos imprevisíveis e aos contínuos períodos de seca. Assim, muitas pessoas estão migrando para cidades como Oruro e Potosí. Infelizmente, estes migrantes raramente conseguem encontrar bons empregos, porque o seu baixo nível de instrução e treinamento não satisfaz os requisitos dos trabalhadores urbanos.

 

Migração das áreas rurais para áreas urbanas

Famílias inteiras migram das áreas rurais para as cidades, esperando melhorar sua vida.

Os homens procuram um trabalho que lhes proporcione uma renda suficiente para que suas famílias sobrevivam na cidade, aceitando qualquer emprego para o qual estejam capacitados. Alguns destes empregos são: construção, carregamento e descarregamento de produtos nos mercados, venda e limpeza de carros e trabalho nas minas.

As mulheres trabalham no comércio informal, como, por exemplo, vendendo produtos de pouco valor nas ruas. Elas também procuram trabalho limpando casas ou lavando carros. Em muitos casos, quando não conseguem encontrar trabalho, elas passam a pedir esmolas com os filhos nas ruas das cidades.

As crianças também desempenham um importante papel na economia familiar. Calcula-se que sua contribuição econômica seja de 30 por cento da renda familiar. Elas começam trabalhando em empregos semelhantes aos dos pais quando muito jovens, o que as força a deixarem de frequentar a escola.

A mineração é a principal fonte de trabalho nas cidades de Oruro e Potosí. Muitas empresas de mineração não levam em consideração questões como a segurança dos trabalhadores. A mineração também representa um alto risco para a saúde das famílias na cidade.

As famílias que migraram das áreas rurais para as cidades frequentemente se tornam vítimas de abusos dos direitos humanos e sofrem maus-tratos. Elas também sofrem quando se dão conta de quão difícil é continuar com os seus antigos costumes e hábitos.

O maior número de migrantes rurais encontra-se nas áreas da periferia das cidades. Com frequência, eles não têm previdência social, saneamento básico e auxílio para criar os filhos. O desapontamento pode resultar em problemas como a violência doméstica e o alcoolismo.

 

MD_3.1Trabalhando com crianças migrantes

Viva Juntos por la Niñez (Rede Viva – Juntos pelas Crianças) é um programa que responde à pobreza em Oruro e Potosí. Com o apoio da Tearfund, em Potosí, e da Toybox, em Oruro, foram desenvolvidos dois projetos, cujo objetivo é cuidar de crianças e adolescentes em situações de risco e evitar que as crianças corram risco. Estas crianças podem ser:

  • crianças migrantes
  • crianças trabalhadoras, como as que trabalham nas minas
  • crianças que vivem nas ruas.

Em Oruro, o objetivo do Proyecto Encuentro Temprano (Projeto Encontro Cedo) é reduzir o número de crianças que vivem nas ruas, inclusive as que migraram de áreas rurais. Como parte deste projeto, são criados centros de cuidados preventivos nas igrejas locais localizadas nas áreas de maior necessidade. Estes centros identificam e trabalham com crianças necessitadas antes de elas correrem risco.

O objetivo do projeto Red de Desarrollo Integral Familiar (Rede de desenvolvimento integral familiar), em Potosí, é trabalhar com crianças que vivem na periferia da cidade. O projeto dá oportunidades para que elas desenvolvam totalmente suas habilidades e oferece às famílias treinamento e educação através de centros de apoio.

Ambos os projetos trabalham através das igrejas locais. Estas igrejas abrem suas portas para servir estas pessoas de maneira integral. Foram criados centros de apoio e centros de cuidados preventivos, os quais são geridos por igrejas locais em áreas estratégicas das cidades, onde as crianças são mais vulneráveis. Em ambas as cidades, cerca de 1.000 crianças estão sendo beneficiadas com o programa.

As crianças vão à igreja três vezes por semana e recebem treinamento, educação e apoio em diferentes áreas:

  • saúde
  • educação
  • aconselhamento
  • nutrição
  • crescimento pessoal
  • desenvolvimento de interesses e habilidades
  • desenvolvimento espiritual.

Também está sendo feito um trabalho com as famílias das crianças. Por exemplo, estão sendo criadas escolas para as mães e os pais, e os pastores familiares de cada igreja estão trabalhando com as famílias. Este trabalho fortalece a estrutura familiar, de maneira que a família permaneça unida.

 

Trabalhando juntos

O programa Viva Juntos por la Niñez trabalha com igrejas e autoridades locais. Acreditamos que, trabalhando juntos, as famílias, as organizações, as igrejas e as autoridades podem reduzir o número de crianças nas ruas e os riscos aos quais as crianças migrantes estão expostas.

Incentivamos o trabalho em rede entre as igrejas, pois, assim, elas podem falar sobre as atividades que realizam para lidar com os problemas das crianças e de suas famílias.

A Viva Juntos por la Niñez acha que a família e a igreja representam pilares fundamentais, que ajudam as crianças e os adolescentes a realizarem o plano perfeito de Deus para suas vidas. As igrejas podem alcançar as crianças e as famílias cujos sonhos de uma vida melhor foram destroçados com uma mensagem de transformação e esperança, atuando como uma voz eficaz para a promoção da justiça para as crianças em risco.

 

Inés Caballero é a consultora regional dos Andes para a Rede Viva – América Latina


 

Artigo publicado originalmente no Passo a Passo 78, em junho de 2009 pela Tearfund.

  1. “A população da Bolívia é formada por muitos grupos étnicos e culturas.”

    E o presidente cocaleiro aproveitou-se disso e criou uma monstruosidade, o “ESTADO PLURINACIONAL DA BOLÍVIA. Seu presidente atual é um disfarçado ditador que quer ser re-eleito pela terceira vez.

    A Bolivia não tem saída para o mar, perdeu a única para o Chile. Tem muito gás, e a parte que realmente gera riqueza fica na fronteira com o Brasil. O altiplano é pobre de marré marré de si.

    Por conta de golpes de estado intermináveis, mais de 100, a Bolivia, mesmo rica, não resolve seu problema de problema em parte porque sempre foi dominada ora pela direita burra, ora pela esquerda malanda.

    A Bolívia é o típico país rico que gosta de ser pobre. Com tanto gás, ouro, minério, e agora petróleo, e uma população pequena, teima em fazer parte do grupo de países de esquerda — Venezuela (narcotráfico), Argentina, Brasil e Peru — está condenado a sofrer as piores mazelas possíveis.

    Quem padece são as crianças, cercadas de riqueza.

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