Por Carlos Queiroz

edicao15_p.4Jesus Cristo ensinou muitos princípios universais aos seus discípulos. Os principais são o amor e a justiça. Aliás, falando de amor, ele deixou bem claro que este é o maior mandamento, o único mandamento, pois o amor é a fonte das demais virtudes.

Para Jesus o amor é a marca, o selo dos seus seguidores. Ele afirmou que seus seguidores serão reconhecidos e identificados como seus discípulos pela capacidade de amar (Jo 15.7-12). Falhamos em amar as pessoas quando confundimos amor com sentimento. Mas amor é mandamento, e mandamento existe para ser obedecido. Portanto, amar é uma ação, uma atitude.

O discípulo ama por compromisso com Deus, com a vida e consigo mesmo. Sua capacidade de amar não depende dos outros. Sua indignação com a injustiça não o faz ferir as pessoas. Em qualquer situação, o discípulo respeita a dignidade humana, até mesmo dos ímpios. Seja redimindo ou punindo os injustos, ele pratica a justiça, sem deixar de respeitar a dignidade humana; e age assim por causa do amor.

Na teologia cristã, Deus é a fonte do amor plenamente justo.

“Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19).

Só conseguimos amar a Deus, a quem não vemos, se amamos as pessoas a quem vemos (1 Jo 4.20). De um lado, sentimos que pertencemos e fomos acolhidos por Deus. De outro, como reação a esse amor do Pai, nós também amamos o nosso próximo. Quem ama, simplesmente exala das entranhas o amor que lhe é natural e peculiar. Quem ama, não consegue odiar nem com muito esforço, por um pouco de tempo que seja. Quem sempre odeia, nem com muito esforço será capaz de amar, por um pouco tempo que seja. Se desejamos amar como reação ao amor divino que recebemos, necessitamos ser transformados pelo caráter amoroso de Deus. Somente em Deus os seguidores de Jesus Cristo experimentam a liberdade plena para amar. Fora do oceano de amor, somos eternos escravos de outro habitat.

O discípulo ama a si mesmo e gosta dessa responsabilidade de cuidado com a humanidade que começa dentro de si. Mas ele sabe também que a humanidade depende da preservação e do desenvolvimento do outro ser humano. Assim, amar a humanidade é amar a si mesmo e ao próximo.

Quando cometemos um erro, continuamos cuidando de nós mesmos, apesar do pecado que cometemos. Mas, quando o erro é cometido por outros, tendemos a abandoná-los. Amar é cuidar do outro mesmo quando ele erra, do mesmo modo que cuidamos de nós mesmos quando erramos. Amar é não permitir para os outros o que não queremos que aconteça conosco. Se não queremos passar fome, não deveríamos permitir que outras pessoas passassem. Se não queremos os nossos filhos sem alimentação e escola, não deveríamos assistir a fome e miséria de nossas crianças com tanta indiferença. Quem ama, cuida; quem ama perdoa; quem ama protege; quem ama fica indignado com a injustiça; pois o amor só reina em plenitude no oceano da justiça.

Aos queridos agentes de transformação social que vivem entre os sofridos e injustiçados, expresso o meu apelo para que continuemos obedecendo o mandamento de amar a todos os meninos e as meninas; amar a todos os empobrecidos; aos que foram submetidos aos becos, à margem de uma vida com dignidade.

Em comunhão com Deus, “cristificados” pelo exemplo de Jesus Cristo e ungidos pelo poder do Espírito Santo, amemos para que a justiça corra como um rio que não para de correr.

Que Deus nos batize com amor e justiça!

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Publicado originalmente na Revista Mãos Dadas, Edição 15

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