Oração em família: duas razões essenciais para motivar você a orar com a sua.

As crianças têm “fome” de Deus:

Veja o que Sophia Cavalletti diz em seu livro O Potencial Religioso da Criança sobre a “fome” que as crianças pequeninas demonstram ter em relação a Deus.

As manifestações de alegria serena e pacificante, dadas pela criança em contato com o mundo de Deus, nos permitiram constatar que a experiência religiosa responde na criança a uma “fome” profunda.
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O exemplo que se segue trata-se de uma menina de três anos, crescida sem o mínimo elemento religioso: não frequentou o jardim de infância; em casa, ninguém, nem mesmo a Mayaraavó (ela prórpria ateia), nunca lhe falou de Deus; nunca foi a uma igreja. Um dia ela pergunta ao pai sobre a origem do mundo: “De onde vem o mundo?”; e o pai responde coerentemente às suas ideias, com uma afirmação de caráter materialista, acrescentando em seguida: “Tem gente, porém, que diz que a origem de tudo vem de um ser muito poderoso, chamado Deus”. A esta altura a menina começa a correr vertiginosamente pelo quarto, manifestando extrema alegria, exclamando: “Eu sabia que não era verdade o que você estava falando; é Ele! É Ele”! Neste caso, nos perguntamos se se pode falar de processo lógico (com três anos) ou se nos deparamos aqui com a expressão de uma relação diferente da criança com Deus, relação que se manifesta não somente na enunciação de uma verdade, mas através de uma alegria, que parece envolver a criança profundamente. Fatos como este induziriam a pensar que religiosidade da criança pequena é tão forte a ponto de – diferentemente do que acontece no adolescente – não se deixar afetar por condições ambientais negativas. Ter-se-ia aqui uma anulação daquilo que a psicologia afirma, isto é, de que o homem é de alguma maneira filho do ambiente. Existe na criança uma misteriosa realidade de união com Deus?
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Trata-se, evidentemente, de momentos fugazes, e nos perguntamos que grau de consciência a própria criança tem a respeito. Isto não impede que eles constituam verdadeiros fatos de vida, que podem às vezes fermentar durante muito tempo, no profundo da alma, sem que a mente se dê conta disso.

 

As crianças aprendem por imitação:

Veja o que John M. Drescher diz em seu livro Passando aos filhos a tocha da fé, sobre importância de cultivar uma prática de oração no seu lar:

Em 1960, a Suprema Corte Americana eliminou a leitura da Bíblia e oração nas escolas públicas. John F. Kennedy, que era o presidente, expressou a esperança de que os pais renovariam os seus reforços para ensinar aos filhos, em casa, o que havia sido banido das escolas.
Foi uma afirmação boa e necessária. A responsabilidade principal de ensinar as Escrituras e a oração não pode ser empurrada para a escola ou até mesmo para a igreja. Os fundamentos da vida espiritual devem ser ensinados em casa. Deus quer que seja no lar que as pessoas comecem a aprender a adorar e a amar a Deus.
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Para que a oração seja uma prática constante no lar, a atitude dos pais é de extrema importância. O ambiente criado pelo casal mostrará o que é importante para os dois. Se ambos valorizarem a oração, ela será valorizada no lar.
É nos primeiros anos da infância que a criança aprende quase tudo na vida. Do mesmo modo, a oração é mais adquirida do que ensinada. A criança é sensível a ambientes, atitudes e expressões de toda a espécie. Ela percebe rapidamente o que é importante para os pais, seja um fator positivo ou negativo. Portanto, os pais precisam orar se quiserem que os filhos orem, se quiserem que a família ore em conjunto e esteja com os olhos fitos no Senhor.
A oração é mais formal na hora das refeições, na hora de dormir e na hora do culto doméstico, entretanto os exemplos mais eficazes de oração geralmente acontecem nos momentos mais comuns ou informais. Se a oração for importante somente nos momentos formais, a criança começa a dividir a vida em secular e sagrada. Em vez de estimular essa divisão é preciso que enfatizemos que a vida toda é sagrada. Qualquer lugar pode ser um cenário de oração. Podemos nos chegar a Deus em oração a qualquer momento.
Nossa filha Sandy, nosso genro John e seus filhos Maria (seis) e Jônatas (dois) estavam sentados no chão em frente à lareira. Tinham-se mudado há pouco para aquela para ____ aquela casa modesta, porém prática. Ali sentados, com luzes apagadas e apenas com a claridade da lareira, falavam sobre a bondade de Deus em guiá-los para aquela casa. Comentavam a maravilha de ter uma lareira em frente à qual podiam reunir-se.
Maria perguntou: “Podemos dizer que foi um milagre?”. O comentário, feito por uma garota do jardim de infância, levou-os a falar sobre os atos de Deus. E a pequena família fez, naquela noite, uma oração de agradecimento.
Muitas vezes os pais deixam de aproveitar a oportunidade de introduzir a oração na vida familiar. Certa vez, disse um amigo: “Tentamos capturar momentos de beleza todas as vezes que aparecem, onde quer que estejam, e relacioná-los com Deus e o universo. Muitas vezes, as preocupações e os interesses dos filhos nos levam ao limiar da adoração”.
As crianças também percebem rapidamente as necessidades daqueles que as rodeiam. Embora pequenina, ela pode ter uma preocupação profunda por outros. Quando ouve uma oração mencionando a necessidade de alguém ou de alguma causa, ela se lembrará daquele pedido por vários dias.
Quando encorajamos a oração dentro da família, desenvolvemos espiritualidade dinâmica e compromissada. Tal dedicação a Deus penetra em todas as fases da vida, atual e futura.