O Portal Ultimato republica o desafiador trecho do capítulo 08 do livro A Igreja Autêntica do saudoso John Stott. Leia a seguir.

***

Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.
(Mateus 5.13-16)

 

JS_11_05_15_saleiroTanto o sal quanto a luz são produtos efetivos. Eles transformam o ambiente em que são introduzidos. Assim, quando o sal é introduzido na carne ou no peixe, algo acontece; a deterioração por bactéria é evitada. E também, quando a luz é acesa, algo acontece; a escuridão desaparece. Além disso, pode-se argumentar que o sal e a luz têm efeitos complementares. A influência do sal é negativa; impede a deterioração bacteriana. A influência da luz é positiva; ilumina as trevas. Do mesmo modo, Jesus deseja que a influência dos cristãos na sociedade seja tanto negativa (impedindo a disseminação do mal) quanto positiva (promovendo a disseminação da verdade e da bondade e, em especial, do evangelho).

Assim, por que nós, cristãos, não exercemos um efeito mais saudável na sociedade? Vemos as tendências à deterioração à nossa volta. Vemos injustiças sociais, os conflitos raciais, violência nas ruas, corrupção nas altas esferas, promiscuidade sexual e a praga da Aids. Quem é o culpado? Temos o costume de culpar a todos, exceto a nós mesmos. Mas deixem-me colocar isso de outro modo.

Se a casa está escura à noite, não faz sentido culpar a casa por estar escura. Isso é o que acontece quando o sol se põe. A pergunta a fazer é: onde está a luz?

Do mesmo modo, se a carne se estraga e se torna intragável, não faz sentido culpar a carne por se estragar. Isso é o que acontece quando as bactérias são deixadas livres para se multiplicar.

A pergunta a fazer é: onde está o sal? Assim também, se a sociedade se torna corrupta (como uma noite escura ou um peixe que cheira mal), não faz sentido culpar a sociedade por sua corrupção. Isso é o que acontece quando o mal humano não é restringido e refreado. A pergunta a fazer é: onde está a igreja? Onde estão o sal e a luz de Jesus?

É hipocrisia arregalar os olhos e dar de ombros, como se a responsabilidade não fosse nossa. Jesus nos mandou ser sal e luz na sociedade. Se, portanto, a escuridão e a putrefação sobejam, em grande parte é por falha nossa, e precisamos aceitar boa parte da culpa. Também precisamos aceitar, com nova determinação, o papel que Jesus designou para nós, ou seja, ser sal e luz da sociedade.

Não são apenas os indivíduos que podem ser mudados; as sociedades também podem. É claro que não conseguiremos uma sociedade perfeita, mas podemos melhorá-la. Os cristãos não são utopistas. Até Cristo voltar em glória, não haverá uma sociedade perfeita de paz e justiça. Mas, por enquanto, a História está repleta de exemplos de desenvolvimentos sociais – melhoria de padrões de saúde e higiene, maior disponibilidade de alfabetização e instrução, emancipação de mulheres, melhores condições nas minas, fábricas e prisões, e a abolição da escravatura e do comércio de escravos.

Não podemos afirmar que todos esses desenvolvimentos se devem inteiramente à influência cristã. Mas podemos afirmar que (por meio de seus seguidores) Jesus Cristo tem exercido uma influência enorme para o bem.

Nota:
Trecho do livro A Igreja Autêntica, p. 132-134, do teólogo inglês John Stott.
Leia também
As controvérsias de Jesus (lançamento)
A Igreja, o país e o mundo: desafios a uma fé engajada
Para que serve a espiritualidade?

  1. “Tanto o sal quanto a luz são produtos efetivos [sic]. Eles transformam o ambiente em que são introduzidos. Assim, quando o sal é introduzido na carne ou no peixe, algo acontece; a deterioração por bactéria é evitada.” (Stott).

    Corre na internet a observação de que o Paraíso será onde:
    • Os policiais são ingleses,
    • A comida é francesa,
    • Os mecânicos são alemães e
    • A organização é feita pelos suíços.

    O Inferno é onde:
    • Os policiais são alemães,
    • A comida é inglesa,
    • Os mecânicos são franceses e
    • Tudo isso organizado por italianos.

    Diz a Wikipedia, “Sir Arnold [pai de John Stott] foi um importante médico na famosa rua de Harley Street. Ele era agnóstico enquanto sua esposa, Emily Stott, era uma luterana que frequentava a paróquia vizinha da igreja anglicana de All Souls, Langham Place”.

    Talvez tenha Stott aprendido com a mãe, mulher de igreja, sobre o valor do sal, no sentido figurado, e certamente nada aprendeu com o pai, sobre o valor do sal para a saúde. O sal é hoje o inimigo da saúde. Reduzi-lo ao mínimo é o que hipertensos tem procurado fazer sob recomendação médica.

    Aqui no nordeste não há carne de charque, de sol e carne seca que não leva sal. Sal é bom demais!

    CHARQUE é produto tipico do Rio Grande do Sul, diferente de outras carnes, pela quantidade de sal usada no seu preparo, muita. CARNE DE SOL, ou carne do sertão, leva esse nome, porque antigamente era feita salgando-a ligeiramente e secando as peças (mantas) ao sol. CARNE SECA, essa sim, é típica da região norte e nordeste do Brasil, é parecida com a carne de sol, mas passa por uma desidratação bem mais intensa. A quantidade de sal usada será maior, e o tempo de cura também.

    De que fala Stott?
    Menciona o sal introduzido no peixe (bacalhau?), mas sem saber exatamente (não era cozinheiro) seu sentido e valor real, e menciona que o sal evita a deterioração da carne.

    A observação do grande John Stott faz sobre o sal e, por ser superficial, ele carreia-a para o texto bíblico, faz-me pensar que realmente a cozinha inglesa é realmente considerada a pior da Europa, portanto.

    Sal, milenarmente, era usado com o valor de moeda, por isso a expressão, do latim ‘salarium’ que significa ‘soldo’. No Império Romano o pagamento dos soldados era, via de regra, feito em ‘sal’, daí ‘salariu’ e consequentemente ‘salário’.

    Aqui eu arrisco a dizer que pagar um soldado com sal era duplicar o soldo: recebia o que era de direito, e ainda poderia com o ganho, temperar a sua vida, alegrar-se. Esta não seria ‘in-so-ssa’, isto é, sem sal. Agora no duplo sentido.

    Acho encantador que Jesus tenha iniciado seu ministério em um casamento e este com vinho. O casamento ele alegrou, e mais alegrou ainda transformando um ‘sangue-de-boi’ da vida em um Romanée-Conti. Os comensais ficaram impressionados!

    A referência ao sal aparece deste a antiguidade, mesmo antes do cristianismo, nos templos da Grécia antiga. Era o produto mais importante que se oferecia aos deuses.

    Alguns anos atrás estive em Israel. Fui até ao mar morto. Entreguei-me naquela água, se se pode dizer, para ‘nadar’. É sal que não acaba mais. Isto é, cloreto de magnésio, cloreto de sódio e cloreto de cálcio.

    É sal de altíssima qualidade porque, se o leitor não sabe, sal tem variações de qualidade. Aqui em Macau, bem próximo onde moro, o sal produzido é um dos melhores do mundo.

    Pois não é que os Israelenses estão pensando em explorar aqueles jazidas de sal de alta qualidade que devem durar por uns três séculos de exploração ininterrupta no Mar Morto? Quer dizer, sal dá dinheiro, e muito. É tanto sal, dado o alto índice de evaporação, que exala um permanente fedor de ovo podre, fruto da altíssima concentração de enxofre, potássio, bromo, fosfato, magnésio e sódio, entre outros minerais. E aí mora o dinheiro tanto da exploração destes metais, quanto do turismo. Sal não tem esse valor moral todo não, tem contentamento, trás prazer, delícias e alegria.

    Agora volto a Stott e leio seu artigo que foi extraído de A IGREJA AUTÊNTICA.

    Uma tentativa, como diz uma resenha, é um livro que trata “… sobre esta e outras questões da vida da igreja que John Stott, com o coração de pastor e a habilidade de mestre, desvenda a sabedoria bíblica e a torna prática para todos os que enfrentam os desafios de ser e viver nas igrejas dos nossos dias. Para John Stott, precisamos começar com os fundamentos bíblicos e depois aplicá-los à cultura. A Igreja Autêntica apresenta esses fundamentos essenciais, que devem estar presentes nas igrejas em todo tempo e lugar”. http://www.skoob.com.br/a-igreja-autentica-363772ed409572.html

    Menciono duas coisas para encerrar:

    [1]. O Reino Unido, anteriormente o grande império britânico, reduziu-se à sua forma atual onde até o ano de 2022 corre o risco de perder um de seus membros, a Escócia, tradicionalmente Presbiteriana. Isto é, o império está reduzido. E vai reduzir-se mais. Este período, do qual os avós de John Stott ainda viveram, acabou. Ficou insosso. Nem por isso devemos menosprezar o legado enooooorme que todos nós herdamos. O falecido bispo Robinson Cavalcanti vem desta tradição. Este artigo pinçado de Stott parece uma expressão sem graça, sem sal, insossa, do que este homem produziu. Quer dizer, ULTIMATO não escolheu a melhor qualidade do sal. Foi de insosso mesmo. Há quem goste? Há. Os ingleses não comem a sua própria comida, tida como a pior da Europa? “De gustibus non est disputandum” (gosto não se discute).

    [2]. A pontuação sobre o sal que Stott fez guarda relação direta com a comida inglesa, é insossa. Não apenas poderia ter dito mais sobre o sal, como poderia ter abordado o assunto não tanto pela vertente moralista, como fez. A HIPOCRISIA DE NÃO SER SAL E LUZ é, a meu sentir, uma leitura moralista, insossa, além de infeliz. A ausência do sal reduz muito a vida cristã à sua riqueza, onde hipocrisia casa com outra vertente e não a ‘in-sal-ubridade’ que muito se faz dela.

    _____________
    PS. Queria fazer uma sugestão a ULTIMATO: Stott tem uma enorme produção literária, e muito do que ele escreveu, nem um terço está em português. Seria oportuno uma pesquisa mais detalhada para produzir composições que este nobre inglês de fina estirpe evangélica produziu. O ‘copia-e-cola’, ainda mais para vender livros, não enobrece a produção deste grande servo de Deus e pastor. Apenas faz ele vendido como comida inglesa, insossa.

  2. EXCELENTE VISÃO CRISTÁ , AMIGO. QUE TDOS QUE ENTENDEM O VALOR DA CRUZ E QUE CARREGAM MARCAS TB DESTA CRUZ. JÁ ESTÃO VIVENDO ESTE MARTÍRIO COMO IGREJA E SENTEM HONRADOS DE SEREM TB CHAMADOS DE CRISTÃOS COMO ACONTECERAM AOS CRISTÃOS DA IGREJA PRIMITIVA,LOUVAMOS A DEUS,POR ESTE CHAMADO E POR ESTA COMPREENSSÃO, QUE MUITOS JÁ TEM ENTENDIDO…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may use these HTML tags and attributes:

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>