st-clara1O Conde Favorino Scifi caminha agitadamente pelo palácio da família na cidade de Assis. Ele está muito aborrecido. É que sua filha Clara não aceita se casar. Ela tem apenas 12 anos de idade. Clara é sua filha mais velha e acaba de perder a chance de um casamento milionário.

Mas o susto maior para a família veio seis anos depois, quando Clara tinha 18 anos. Após ouvir um sermão de Francisco de Assis, ela colocou na cabeça que seria freira. Assim, fugiu de casa de noite e foi, acompanhada por sua tia Bianca, até a pequena capela de Porciúncula encontrar-se com o Francisco e seus monges.

Ali, ela trocou suas vestes ricas e coloridas por uma túnica surrada e um capuz grosseiro. Clara também cortou seus cabelos e tornou-se uma freira franciscana.

Como freira franciscana, Clara renunciou a todas as riquezas a que tinha direito como filha de um conde naquela época, terras, tesouros, vestes nobres… Francisco de Assis deixou Clara sob os cuidados das irmãs beneditinas do convento de São Paulo em Batia.

st-clara6A família de Clara tentou trazê-la para casa, mas não conseguiu convencê-la a quebrar os votos que ela havia feito. Foi uma decisão difícil, mas ela sabia que era preciso seguir o plano de Deus: e achar consolo em Sua família.

Poucos meses depois a sua irmã Agnes juntou-se a ela e tornou-se freira também Franciscana. Isto trouxe grande alegria ao coração de Clara.

Dessa vez o pai mandou doze homens para agarrar e trazer Agnes de volta, à força. Clara ficou apenas orando a Deus. O pai voltou para casa desapontado mais uma vez.

Como muitas outras mulheres foram se unindo a Clara, Francisco de Assis reconstruiu uma casa antiga para que ali funcionasse a primeira comunidade de mulheres franciscanas. A casa ficava fora da cidade de Assis, perto da igreja de São Damião.

Clara foi designada para ser a abadessa da nova ordem que se chamou a Ordem das Pobres Claras, uma comunidade marcada pela piedade e que vivia só de esmolas que o povo dava.

st-clara4Com a morte do marido, a mãe de Clara foi se juntar à filha no convento. A outra irmã de Clara, chamada Beatriz, e até a sua tia Bianca também se juntaram a ela.

Muitas jovens foram se unindo à ordem das Pobres Claras. Assim, muitos mosteiros foram abertos pela Europa.

A vida de Clara foi marcada por intensa contemplação, santidade e sabedoria. Ela reservava grande parte do seu dia para a oração e para a meditação espiritual.

No convento, ela recebia a visita de muitas pessoas em busca de um conselho, de uma palavra de orientação e consolo. Diversos líderes, até mesmo líderes espirituais, buscavam as palavras sábias de Clara.

Por duas vezes Clara salvou a cidade de Assis. Certa vez a cidade foi cercada pelas tropas do Imperador Frederico II. Eles queriam invadir a cidade e já estavam subindo pelos muros.

Clara estava enferma, mas teve que sair da sua cama e foi até os muros da cidade, levando consigo os sacramentos, para falar com os soldados.

st-clar7Quando os soldados viram Clara no muro ficaram assustados e fugiram apavorados, como se vissem algo muito sagrado. O povo da cidade ficou muito aliviado e feliz por ter Clara morando com eles.

Mais tarde, o exército retornou sob o comando do general Vitale de Aversa, que não tinha vindo junto na primeira vez. O general chegou com um exército bem maior dessa vez.

Clara se ajoelhou e começou a orar a Deus pedindo socorro, e suas irmãs ao redor dela também se ajoelharam e começaram a orar. De repente surgiu uma grande tempestade e derrubou as barracas dos soldados, deixando todos em pânico.

Os soldados fugiram novamente, e dessa vez não voltaram mais.

Clara ajudou Francisco de Assis em seus momentos de dúvida e angústia espiritual. Ela insistiu para que ele continuasse sua missão junto ao povo simples, para que ele não ficasse apenas contemplando a Deus mas pregasse e ensinasse ao povo carente.

Depois de 27 anos de intensa vida espiritual e de uma saúde bem frágil, Clara já não conseguia sair mais da cama, mas mesmo assim pedia para as irmãs a ajudarem a se sentar na cama. E assim, reclinada, ela fazia fios para que depois se fizessem roupas para os pobres.

No seu momento final, Clara estava rodeada de pessoas que amavam. Ela pediu que lessem as Escrituras Sagradas, justamente na passagem que fala do sofrimento de Cristo pela humanidade.

Clara noite, eu vejo cada estrela

Passeando solta nos braços do céu.

Calma lua, tão clara e sorridente

Para o meu poente por trás do seu véu.

.

Eu vejo cores por todo canto,

Eu vejo flores em cada campo

E seus odores são como o favo do mel.

O céu da noite iluminado

Parece um parque todo enfeitado

A dança leve do giro de um carrossel.

.

Cada dia, eu vejo uma constelação

De tanta gente que passa por mim.

Pés descalços, crianças indigentes

São como pingentes de um mundo sem fim.

.

Eu vejo um riso em cada rosto,

Apesar do gosto de cada dia.

Eu vejo um dia de uma alegria geral.

Eu quero todos de roupa nova,

De braços dados cantando a trova

Na dança-roda de um mundo novo e sem mal.

12-Track-12

st-martin2Um soldado romano vem caminhando pela estrada. Ele está indo se juntar ao resto da tropa que está acampada a alguns quilômetros dali. Está usando a armadura completa, com a espada amarrada na cintura, o capacete, a couraça, o cinto e a capa nos ombros. O soldado se chama Martinho é filho de um oficial romano.

Mais a frente, Martinho encontrou um mendigo que vinha pedindo esmolas. Martinho se compadeceu do homem e rasgou a sua capa em duas partes. Ele deu a metade da sua capa ao andarilho que agradeceu, feliz da vida e impressionado.

Naquela mesma noite, dormindo ao relento, na beira da fogueira do acampamento, Martinho teve um sonhou. Ele sonhou que Cristo aparecia até ele, usando a metade da capa dada ao mendigo.

Martinho acordou no meio da noite, muito impressionado, e tentou dormir de novo, mas não conseguia deixar de pensar naquele sonho.

No outro dia, Martinho era um novo homem, convertido a Jesus Cristo, disposto a conhecê-lo melhor, servi-lo com a vida. Martinho havia se tornado um soldado de Cristo.

Ele falou ao seu capitão que, como cristão, já não poderia mais simplesmente sair a lutar e a matar pessoas. Para ele, a guerra havia se tornado uma atividade totalmente errado cheia de ódio e violência, algo que não se encaixava com a mensagem de paz e amor anunciada pelo Evangelho.

st-martin3O comandante ficou uma fera, e ordenou que Martinho fosse preso imediatamente. Assim, o jovem soldado passou muitos dias na prisão, esperando para saber o que seria de sua vida.

Ele foi acusado de ser um medroso a querer fugir da batalha, mas deu uma resposta muito corajosa a todos:

— Se acham que sou medroso, então me coloquem na frente da batalha, onde os inimigos se encontram, desarmado. Estou pronto!

Ao final, Martinho acabou sendo expulso do exército.

Voltando para casa, Martinho anunciou o Evangelho para sua mãe e para os demais parentes. Eles se converteram a Cristo. Para ele, esta foi uma grande vitória, uma luta contra o preconceito religioso e a incredulidade.

Martinho também lutou muito contra os falsos ensinos sobre Jesus. Ele combateu, por exemplo, o ensinamento dos arianos, que diziam que Jesus Cristo não era o filho de Deus. Foram longos dias e noites de discussões, argumentos, conversas, exposições, pregações.

Naquele tempo, as pessoas não entendiam muito bem que religião não se discute. Para Martinho era mais uma questão de combater a mentira e defender a verdade.

Por causa dessas longas discussões religiosas e por insistir que Jesus é o Filho de Deus, Martinho acabou sendo expulso da cidade de Milão pelo bispo chamado Auxentius, que defendia o ponto de vista dos arianos.

Martinho acabou tendo que viver sozinho numa pequena ilha do mar Mediterrâneo, próximo da costa da Ligúria.st-martin4

Depois de viver algum tempo assim, ele foi convidado para morar em Ligugé, onde viveu uma vida de contemplação e solidão.

Mas logo apareceram discípulos e o grupo se tornou uma pequena comunidade religiosa, um ambiente onde se cultivava o respeito, a fraternidade e a devoção a Deus. Martinho ficou com eles por dez anos.

Depois disso, Martinho foi chamado e aclamado pelo povo para ser o bispo de Tours em 372. A princípio ele não aceitou o convite, mas não teve como impedir a vontade do povo.

Mas mesmo sendo bispo, ele continuou vivendo numa pequena cela, um quartinho apertado e simples, que ficava perto da catedral. Martinho não se preocupava com luxo, conforto ou beleza. O mais importante era servir a Deus, ajudar o povo, e levar uma vida simples, em contato com a natureza, em orações e estudos das Escrituras.

Martinho fundou um convento em Marmoutin, onde oitenta monges se juntaram a ele.

Ele também fundou muitos outros conventos pela Europa, destruiu altares pagãos, templos de ídolos, buscando divulgar a mensagem de Cristo.

Morreu bem velhinho.

“Foi num sonho que Ele veio ao meu encontro.

Foi um sonho o que Ele repartiu comigo.

E eu sonhava ser apenas um velho cavaleiro.

Ele fez de mim um grande aventureiro e um andarilho…”

.

Quando eu te vi à beira do caminho

Nem pensei que era o destino que me vinha visitar.

O dia era frio e eu sozinho

Estava longe do meu lar.

Mas teu olhar tão calmo e verdadeiro

Derreteu aquele gelo e me fez compartilhar.

.

E eu que era só um pequenino

Grão de areia que rolava à beira de um imenso mar

Jamais imaginava que seria

Uma montanha, pó de estrela refletida no luar.

.

Rasgo a minha capa, abro a minha vida.

Largo minha máscara e encaro um novo dia.

Vejo teu olhar com alegria.

.

E o pensamento voa feito um passarinho

Junto à beira do caminho esperando pra cantar

E cantarei aquele sonho mais divino,

O nascer do sol tão lindo e que hoje veio pra ficar.

11-Track-11

O menino Bento olhou pela última vez o portão de sua casa na pequena cidade de Nursia. O seu coração estava divido. A idéia de ir morar em Roma enchia o seu coração de entusiasmo e desejo de partir, mas a saudade da terra natal o deixava entristecido. Dividido entre a saudade e a alegria, Bento foi estudar em Roma.

Ao chegar na cidade grande, os olhos arregalados do menino tentavam assimilar tanta beleza: as avenidas largas, as praças grandiosas, as estátuas, as construções de mármore. Bento sentia no ar o perfume das frutas da estação, plantas aromáticas, o cheiro dos animais. Ele ouvia o grito dos mercadores, crianças brincando na calçada, pessoas conversando. Tudo era novo e excitante.

st.benedict5Mas com o passar do tempo, o encanto pela cidade foi se transformando em decepção. Bento percebeu que as ruas não eram tão limpas, que havia crianças abandonadas, imoralidade, prostituição, gente caída pelos cantos, algo que fazia seu estômago revirar.

st.benedict1Assim, com a idade de 14 anos Bento resolveu abandonar a casa de seus pais em Roma, a capital do mundo, com seus bares e cabarés, carnavais e bacanais. Ele foi morar numa pequena vila chamada Enfide, que ficava a uns 40 quilômetros de Roma. Para que não fosse sozinho, seus pais permitiram que Bento fosse acompanhado pela sua ama.

Em Enfide, Bento foi morar na capela de São Pedro, na companhia de outros homens piedosos, todos muito pobres. Sua ama tomou emprestado uma peneira para penerar trigo. Acontece que, sem querer, a peneira caiu no chão e se partiu. Sua ama começou a chorar e lamentar. Bento sentiu grande compaixão por ela e começou a orar de joelhos, pedindo que Deus o ajudasse a encontrar uma solução.

Quando ele se levantou, pegou a peneira partida e começou a arrumá-la. Deus o ajudou e a peneira parecia inteira novamente, como se nunca tivesse se quebrado. Todos ficaram muito admirados e colocaram a peneira na porta da Igreja como prova do que acontece quando Deus ouve as nossas orações.

Cada vez mais, Bento sentia que precisava ficar sozinho, viver em algum lugar distante, deserto. Assim ele se foi morar numa caverna na montanha chamada Subiaco.

st.benedict2Lá ele passou sua juventude, ajudado por um monje chamado Romanus, que trazia alimentos para ele. A comida era colocada numa cesta e puxada por uma corda. Assim ele se isolou do mundo e se dedicou à oração e à penitência.

Com o passar do tempo, Bento percebeu que Deus não nos chamou para vivermos isolados. Assim ele formou uma comunidade de pessoas dispostas a viver mais intensamente em oração, estudo e trabalho.  Logo ele fundou 12 mosteiros naquela região.

Bento achava muito importante o trabalho manual e braçal. Ele dizia sempre:

— O trabalho artesanal é muito produtivo e é também uma maneira muito digna de servir a Deus.

Manter as mãos ocupadas e o corpo em movimento ajuda a manter o espírito em forma.

O estilo de vida dos monges liderados por Bento era muito simples e sem regras muito rígidas: obediência, vida comunitária e moderação. Mais do que seguir regras rígidas, os monges seguiam o exemplo de vida de Bento, sua seriedade, sua dedicação e seu temor a Deus.

st.benedict3Mais tarde, Bento partiu de Subiaco e foi viver em Monte-Cassino. Ali ele construiu um grande mosteiro. Muitas pessoas iam visitá-lo e ouvir seus conselhos, pessoas religiosas, líderes, leigos. Para cada um Bento tinha uma boa palavra.

Um dia apareceu um eremita ali perto de onde Bento morava. Esse eremita vivia com os pés presos numa corrente fixada numa pedra perto de uma caverna. Bento foi falar com o homem:

— Não faças isso, meu bom homem! Você deveria antes se acorrentar nas correntes de Cristo e não nas de ferro.

Bento deixou seus princípios de vida escritos num livro chamado Regra de Bento. Para ele a adoração era o principal dever de um monge. Bento também ensinava que, melhor do que viver totalmente isolado dos outros, numa caverna, o cristão deve buscar a companhia de seus irmãos e viver em comunidade.

st.benedict4Para ele, ficar sem fazer nada é a pior coisa que existe para uma pessoa. A gente precisa ter a mente ocupada através da leitura e da oração e as mãos ocupadas pelos trabalhos manuais. Mas o mais importante é viver para adorar a Deus. A gente tem que viver com moderação e bom senso, seja na hora de comer, de se vestir ou de trabalhar.

Bento morreu em seu monastério aos 67 anos, e como sempre quis: orando. Ele sabia que seu momento estava chegando e se preparou para ele, conversando com o Pai.

.

.


Gira o vaso sobre o tabuleiro,

Gira a roda do oleiro,

Gira o mundo ao meu redor.

Gira o girassol o dia inteiro,

Um relógio sem ponteiro

Lê as horas ‘té decor.

.

Quando o velho fio de prata se arrebenta

E a peneira se despenca da beirada do fogão,

É preciso amor e paciência

Muita fé e persistência

Na destreza de uma mão artesã.

.

Vida, minha vida, quanta lida

Tem um homem que procura

Consertar um coração.

Passa uma agulha pela dobra

Da costura com ternura

E vai fazendo a amarração.

.

Seu trabalho só termina quando a linha se acaba

Ou quando a alma já não sente a solidão.

Tudo então apenas recomeça

E Ele pega outra peça

Com a sua bela mão artesã.

.10 – A roda do oleiro

As ondas calmas do mar da Galiléia batiam na areia da praia. Os irmãos Pedro e André consertavam as redes. Eles estavam cansados, mas havia muita coisa para fazer.

— Pois é André, hoje a pesca foi boa.

— É mesmo, Pedro. Olha só que peixão!

Eles acreditavam que um dia o Filho de Deus visitaria a terra. Enquanto conversavam, alguém se aproximou. Era Jesus que veio até eles para fazer um grande convite:

— Eu sei que vocês conhecem o mar e sabem pescar muito bem. Mas eu quero convidá-los para outro tipo de pescaria. Venham comigo para serem pescadores de gente.

Pedro e André ficaram muito alegres e surpresos com o convite de Jesus. Sentiram dentro de si um desejo muito grande de seguir este homem de Nazaré. E foi o que fizeram.

st-peter8Pedro e André nasceram e cresceram na cidade de Cafarnaum. Ali aprenderam a pescar e conheceram seus amigos:

— Como é gostoso viver aqui na beira desse mar da Galiléia! Mas precisamos ir para outras terras enfrentar novos desafios — pensou Pedro.

E lá se foram eles a seguir Jesus.

Certa vez, alguns homens foram até Pedro perguntar se Jesus pagava os impostos corretamente. Pedro foi até Jesus e recebeu dele uma ordem absurda:

— Pedro, vá até o lago e jogue o anzol. Puxe o primeiro peixe que pegar e você encontrará dentro da boca dele uma moeda. Com ela pagaremos os nossos impostos.

Dito e feito. Pedro foi ao lago, pescou um peixe e dentro dele encontrou a moeda.

Certo dia Jesus foi para um lugar deserto para ficar sozinho e orar um pouco. Mas não teve jeito, uma grande multidão veio atrás dele, gente de muitos lugares distantes. Eles que haviam caminhado muitos quilômetros só para estar pertinho de Jesus e ouvir suas palavras de amor.

De tardinha, Pedro e os seus amigos foram falar com Jesus:

— Senhor, já é muito tarde, e este lugar é deserto. Manda essa gente embora para que possam comprar comida!

— Eles não têm que ir embora. Vocês é que têm de alimentá-los — Jesus respondeu.

st-peter9O susto foi enorme:

— Mas Mestre, é gente demais! São mais de 5.000 pessoas e nós só temos cinco pães e dois peixes!

— Tragam os pães e os peixes aqui — disse Jesus.

Eles trouxeram os pães. Jesus mandou o povo se sentar na grama, deu graças ao Pai pelo alimento e entregou para que repartissem.

Todos se alimentaram e ficaram satisfeitos, e ainda sobraram doze cestos cheios de pão.

Depois daquele jantar maravilhoso no deserto, Jesus despediu os discípulos:

— Olha, vocês vão na minha frente. Entrem no barco e vão para o outro lado do lago, enquanto eu me despeço desse povo. Além do mais, preciso de um tempo para orar.

Os discípulos entraram no barco e foram remando e remando contra o vento forte. Já passava das três horas da madrugada quando viram um homem caminhando sobre as águas. Levaram aquele susto:

— É um fantasma! — gritaram eles.

Mas o homem respondeu:

— Não tenham medo, não! Sou eu, Jesus, o Mestre de vocês!

Pedro ficou assustado e desafiou:

st_peter3— Se é o senhor mesmo que está aí, então faz com que eu também ande em cima das águas!

— Vem! — respondeu Jesus.

E Pedro foi, com a cara e a coragem. Quer dizer, só com a cara. Quando ele sentiu a força do vento, faltou coragem. Pedro começou a afundar. Então gritou:

— Socorro, Senhor!

Na mesma hora Jesus estendeu a mão e o segurou.

Assim Pedro foi percebendo que Jesus era alguém muito especial: o Filho de Deus, o Salvador prometido.

Certa vez Pedro perguntou:

— Senhor, quantas vezes devo perdoar alguém que me ofende? Sete vezes?

—Não apenas sete vezes—respondeu Jesus—mas setenta vezes sete.

Na verdade, Cristo quis dizer a Pedro que a gente tem que perdoar sempre.

Quando a Festa da Páscoa estava chegando. Jesus convidou os discípulos para ficarem juntos e jantarem. Na hora da ceia, Jesus pegou uma toalha e amarrou-a na cintura, depois tomou uma bacia com água e começou a lavar e enxugar os pés dos seus discípulos.

Pedro achou aquilo muito estranho:

— O senhor vai lavar os meus pés?

— Pedro, agora tu não entendes o que estou fazendo, mas mais tarde entenderás!

— O Senhor nunca lavará meus pés!

— Se eu não lavar, tu não serás mais meu discípulo! — disse Jesus.

— Ah, Senhor, se é assim eu quero que me laves, não somente os pés, mas também minhas mãos e minha cabeça! — disse Pedro.

st-peter4— Calma, Pedro! Você já tomou banho, já está limpo. O seu coração já foi lavado pela minha palavra — disse Jesus.

O que Cristo queria ensinar é que a gente precisa aprender a servir e ajudar as outras pessoas. Isto não é fácil, e só se consegue com muito esforço e com muito amor.

A vida de Pedro tem muitas lições de força e fraqueza, coragem e medo, dúvida e fé. Quando Jesus foi preso, Pedro foi o primeiro a tentar defendê-lo. Mas naquela mesma noite, cheio de medo, ele negou que era amigo de Jesus.

Mais tarde, já ressuscitado, Jesus apareceu numa praia, enquanto os discípulos pescavam. Pedro foi o primeiro a reconhecê-lo e lançou-se ao mar para encontrá-lo. Jesus trouxe novos desafios a ele:

— Pedro, tu me amas?

— É claro, Senhor!

— Então cuida das minhas ovelhas.

Bom, junto com os demais discípulso, Pedro tornou-se um grande pastor do povo de Deus e um grande pescador de gente para Jesus.

st-peter5

.

Senhor, Senhor, aumenta a nossa fé

E faz-nos querer um mundo melhor, melhor do que ele é.

Senhor, Senhor, aumenta a nossa fé

E faz-nos chegar na beira do céu na ponta do nosso pé.

.

O mar é tão vasto e verde, Senhor,

Profundo como ele só.

A mente vacila, a alma equilibra

A vida que não tem dó.

O barco é tão pequenino, Senhor,

Menor do que um coração.

Mais forte que toda a onda, Senhor,

É a força do teu perdão.

.

O vento que sopra forte

Retalha o corte e o seu pavor,

Mas tua palavra doce

Alivia as dores de um pescador.

Embora o olhar se perca

Na linha imensa da vastidão,

O mundo não tem segredo, Senhor,

Na palma da tua mão.

09-Track-09

st-john1— Lá vem a noiva! — alguém grita no portão.

Começa a festa: convidados por toda parte, crianças, música, muita comida e bebida. João também foi convidado para o casamento, junto com seu irmão Tiago e Jesus, seu Mestre. Eles participavam da alegria do noivo.

Tudo ia bem, até que João notou que algumas pessoas cochichavam no ouvido umas das outras, como se algo errado estivesse acontecendo. Faltou vinho! Os pais da noiva estão aflitos e os empregados colocam a mão na cabeça:

— E agora?

João também viu que Jesus conversava com sua mãe e que depois deu instruções aos empregados.

Os empregados trouxeram talhas cheias de água, e iam enchendo os copos. De dentro das talhas saiu vinho de primeira qualidade.

João ficou grandemente admirado, pois Jesus havia transformado a água em vinho.

st-john4João era o mais jovem entre os discípulos de Jesus. Ele era filho de um homem chamado Zebedeu e era pescador do mar da Galiléia. Estava consertando as redes quando foi chamado por Jesus.

Antes de conhecer Jesus, João seguia o profeta João Batista, que anunciava a chegada do Filho de Deus. Foi na beira das águas do rio Jordão que ele viu Jesus pela primeira vez, quando João Batista disse:

— Este é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Certa vez ele viu um homem praticando uma religião diferente e usando o nome de Jesus para expulsar os maus espíritos de alguém. João foi duro com o homem:

— Nós o proibimos de fazer isso porque não é do nosso grupo.

Com muita paciência e amor, Jesus disse a João:

— Vocês não devem proibi-lo, pois quem não é contra nós é a nosso favor.

Quem segue a Jesus tem que aprender a aceitar as outras pessoas, mesmo que elas não sejam do nosso grupo.

st-john2

Outro dia, Jesus entrou numa casa em que uma menina acabara de morrer. Jesus tinha convidado João e seu irmão Tiago para estarem junto com ele.

A confusão naquela casa era muito grande. Gente chorando alto, gritando, uma tristeza imensa. Então Jesus disse ao pai da menina:

— Não tenha medo; tenha fé!

E aos que estavam chorando e gritando ele falou:

— Por que tanto choro e tanta confusão? A menina não morreu; ela apenas está dormindo.

Ao ouvirem as palavras de Jesus, muitos começaram a rir dele, achando que ele devia estar maluco.

Jesus mandou que todos saíssem da casa, depois entrou no quarto onde estava a menina, junto com João, Pedro e Tiago. Ele pegou a menina pela mão e disse:

— Menina, levante-se!

Na mesma hora, a menina se levantou e começou a andar. Ela tinha apenas doze anos.

João percebeu que Jesus era mesmo alguém muito especial, capaz de fazer coisas impossíveis como dar a vida a quem estava morto. E Jesus fez aquilo por amor aos pais da criança e por amor à própria menina. Ele também ensinou a todos que, se tivermos fé em Deus, poderemos enfrentar qualquer situação.

Antes de sair daquela casa, Jesus disse:

— Olha, não fiquem espalhando por aí o que aconteceu aqui. E tragam alguma coisa para a menina comer.

st-john3João aprendeu com Jesus que devemos separar um tempo para estarmos juntinhos de Deus em oração. Ele viu Jesus orar muitas vezes, de dia, de noite, no templo e até no deserto.

E João aprendeu a lição. Ele também orava muito a Deus, de joelhos. De tanto orar, apareceram calos em seus joelhos. João até recebeu o apelido de “Joelho de Camelo”.

João tinha um temperamento muito forte, não tinha muita paciência com as pessoas. Antes de conhecer o amor de Jesus, esquentava a cabeça por qualquer coisa. Não é à toa que ele e seu irmão eram chamados de “filhos do trovão”.

Mas com a convivência com Jesus, ele foi aprendendo a ser bondoso e generoso, compreendendo a fraqueza das pessoas. Jesus gostava muito de João e conversava muito com ele. Tanto é que ele passou a ser conhecido como “o discípulo amado”.

Certa vez Jesus chamou os discípulos para uma ceia muito especial, um jantar de despedida. Jesus sabia que logo deixaria seus amigos queridos e quis encorajá-los a ficarem firmes e unidos. João estava ao lado de Jesus. Jesus ceou com eles pão e vinho e falou de sacrifício e amor.

Naquele jantar, Jesus falou aos discípulos sobre o novo mandamento:

— Eu dou a vocês um novo mandamento: Amem uns aos outros, assim como eu os amei. O amor é o sinal daquele que me segue.

Como a festa sem vinho não é festa, a vida sem amor não é vida.

st-john5Quando Jesus estava na cruz, pediu que João cuidasse de sua mãe. Assim, depois que Cristo foi crucificado, sua mãe passou a morar na casa de João, o discípulo amado.

O tempo passou e João foi exercitando cada vez mais em sua vida a força do amor. A cada novo dia ele aprendia e ensinava algo novo. Assim ele visitava o povo de Deus, pregava, aconselhava, escrevia longas cartas falando daquele “novo mandamento” que Jesus ensinou.

João viveu bastante. Quando já estava bem velhinho esteve preso numa ilha rochosa chamada de Patmos. Foi lá que ele escreveu o livro de Apocalipse. Depois de ser solto, passou seus últimos dias junto com os queridos irmãos de Éfeso e morreu com a idade de 95 anos.

| : Tu és, Senhor, tudo que eu quis.

Teu grande amor é que me faz feliz. : |

.

Tu me convidas a estar à mesa.

Quanta surpresa, sonho divino!

Não merecia tão grande apreço.

Junto ao teu peito

Eu me reclino

E adormeço.

.

| : Tu és, Senhor, tudo que eu quis…

.

Estás comigo a cada momento;

Meu pensamento é teu abrigo.

Dá-me do copo do novo vinho,

Pão sobre a mesa,

Meu grande amigo,

Paz e caminho.

.

| : Tu és, Senhor, tudo que eu quis.

Teu grande amor é que me faz feliz. : |

..

Teu grande abraço, calor de um berço,

Tem tanto espaço, todo o universo.

Ouve o meu verso, Cristo Jesus.

Amas a todos,

A todos abraças

Na tua cruz.

08-Track-08

st-james2Certa vez, Jesus estava caminhando pela praia do mar da Galiléia acompanhado por uma grande multidão, quando viu dois barcos na beira do mar. Os pescadores estavam ali perto, lavando as redes. Eles tinham estado no mar durante a noite inteira, mas não tinham pego nenhum peixe. Entre eles estava um jovem chamado Tiago.

Jesus pediu licença, entrou num dos barcos e começou a ensinar a multidão, que escutava da praia. Os pescadores também ouviam com atenção as palavras de Jesus.

Ao terminar ele se dirigiu aos pescadores:

— Escutem, levem o barco para aquele lado mais profundo e joguem as redes.

— Senhor, nós já trabalhamos a noite inteira e não pescamos nada, mas vamos fazer o que o senhor está mandando—respondeu um deles.

Os pescadores lançaram as redes e pescaram uma quantidade tão grande de peixe, que parecia que as redes iam se rebentar. De longe, por sinais, chamaram os outros companheiros e pescaram até encher os dois barcos.

Tiago estava junto com Pedro, seu sócio na empresa de pesca. Eles ficaram muito admirados com tudo aquilo e perceberam o grande poder que havia nas palavras e na pessoa de Jesus.

Desde então, Tiago deixou os barcos e as redes e passou a seguir Jesus. Tornou-se um pescador de pessoas, chamando gente para entrar no barco da fé. Seu irmão mais novo, João, também o acompanhou.

st_jamesTiago foi sendo transformado dia a dia pela convivência diária com Jesus. Seu temperamento era muito forte. Tanto que Jesus deu a ele e a seu irmão o apelido de “filhos do trovão”.

Um dia, quando ele andava pelas terras de Samaria, notou que aqueles habitantes não receberam Jesus nem deram hospedagem para ele. Tiago e João ficaram indignados e perguntaram a Jesus:

— Mestre, o senhor quer que mandemos descer fogo do céu para acabar com essa gente? Podemos amaldiçoá-los já!

— Queridos, o reino do Senhor é feito de amor e de bênção, não de maldição e amargura.

Outro dia, Tiago e seu irmão foram até Jesus fazer um pedido muito especial:

— Mestre, por favor, atende um pedido nosso.

— O que é que vocês querem?—Jesus perguntou.

— Quando chegar o teu Reino glorioso, deixa eu me sentar do lado direito do teu trono e o meu irmão no lado esquerdo—disseram eles.

Jesus os repreendeu duramente:

— Vocês nem sabem o que estão pedindo nem o que vem pela frente. Por acaso vocês vão conseguir beber o cálice amargo de sofrimento que eu tenho de beber?

— Vamos sim, senhor — responderam eles.

— Tudo bem, vocês beberão o cálice. Mas as coisas do Reino de Deus, é o Pai quem decide.

Os outros discípulos ficaram muito chateados com a conversa de Tiago e João. Jesus teve que ensiná-los com muita paciência:

— Meus queridos, vocês sabem que por esse mundo afora os políticos e os governadores é que dominam o povo. Mas entre vocês não pode ser assim.

Quem quiser ser o maior tem que ser servo dos outros, e quem quiser ser o primeiro tem que ser escravo de todos. Eu estou neste mundo é para servir e ajudar as pessoas, e até mesmo para dar a vida para salvar muita gente.

st-james3

Tiago tinha muita intimidade com Jesus e esteve ao lado dele em momentos muito especiais. Certa vez ele e João subiram num alto monte e viram que o rosto de Jesus começou a brilhar intensamente como o sol e suas roupas ficaram muito brilhantes. Lá eles ouviram a voz do Pai:

— Este é o meu Filho amado. Escutem o que ele diz!

Tiago também estava com Jesus no jardim do Getsêmani. Ali Jesus chorou até lágrimas de sangue pelos pecados do mundo. Lá eles ouviram Jesus dizer:

— Pai, já que eu tenho que beber esse cálice amargo, que seja feita a tua vontade.

Tiago se dispôs com todo o coração a anunciar o Reino do Senhor Jesus. Dizem que foi assim que ele visitou a Espanha e falou a eles do amor de Deus.

st-james4Com a mesma coragem ele enfrentou a perseguição e a morte. Tornou-se uma das primeiras pessoas a ser morta por seguir a Jesus. Como o Mestre havia profetizado, ele bebeu o “cálice” amargo e veio a ser um exemplo de coragem e fé.

Não se tem certeza, mas parece que muitos anos mais tarde, os restos mortais de Tiago foram levados para a Espanha e sepultados na cidade de Compostela, junto à Igreja que ele ajudou a fundar.

Muitas pessoas queriam conhecer o túmulo desse servo de Deus e faziam longas caminhadas até aquela cidade. Até hoje, muitas pessoas do mundo inteiro vão a pé através do Caminho de Santiago da Compostela, uma longa trilha. Enquanto caminham essas pessoas fazem orações e refletem sobre o mistério da vida.

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Conheço bem o mar da Galiléia

Na claridade e na escuridão

E cada onda sempre leva junto

Um pedacinho do meu coração.

A minha vida é minha pescaria,

Eu sou Tiago “Filho do Trovão”

Até que Deus chegou, e quem diria,

Mudou o rumo dessa embarcação.

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Não tenho medo!

Não tenho medo da espada,

Não tenho medo da estrada,

De andar por baixo da escada.

Não tenho medo!

Não tenho medo de cometa

E nem do boi da cara preta.

Não tenho medo de careta.

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Vem me dar coragem, por tua palavra

Sempre mais cortante que qualquer espada.

Quero andar contigo pela longa estrada

Nessa terra estranha ou perto lá de casa.

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Não tenho medo!

Não tenho medo do escuro,

Não tenho medo do futuro,

De caminhar por sobre o muro.

Não tenho medo!

Não tenho medo de aranha,

Não tenho medo da montanha

E nem dos touros de Espanha.

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Feito um passarinho pelo céu aberto,

Vôo solto e livre pois estás bem perto.

Bebo as palavras do teu pensamento,

Pouso entre as linhas do teu mandamento.

filho do trovao

st-paul5Pela estrada de Damasco passava uma estranha caravana. Ela era dirigida por um homem chamado Paulo, um fanático que resolveu acabar de vez com os seguidores de Jesus. Ele trazia nas mãos uma carta de autorização para prender, torturar e matar quem for suspeito de ser cristão.

Mas de repente uma luz veio do céu e brilhou em volta de Paulo. O brilho da luz era muito intenso e fez com que ele caísse no chão. Uma voz soou imediatamente:

— Paulo, Paulo, por que me persegues?

— Quem és tu, senhor?—perguntou Paulo, totalmente confuso.

— Eu sou Jesus, aquele que tu persegues. Levanta e entra na cidade, pois ali te dirão o que farás.

Os homens que acompanhavam Paulo viram a luz, ouviram a voz, mas não entenderam nada. Paulo se levantou mas não conseguia enxergar. Seus companheiros o levaram para Damasco.

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Paulo foi visitado por um homem chamado Ananias, um seguidor de Jesus que trouxe a ele palavras de consolo e orientação. Mesmo sabendo que Paulo era perigoso, Ananias ofereceu a ele o apoio de um irmão:

— Paulo, Deus me trouxe aqui para te dizer que tu és um servo escolhido para anunciar o nome de Jesus a muitos povos e até aos reis.

No mesmo instante Paulo voltou a enxergar. Daí em diante ele tornou-se um corajoso mensageiro de Jesus, indo de cidade em cidade e anunciando o amor de Deus.

Ele esteve até em Atenas, capital da Grécia. Não foi fácil, no meio daqueles filósofos todos. Mas coragem não faltava; e Paulo começou a falar a quem quisesse ouvir o quanto Jesus representava para ele:

— Homens de Atenas! Vejo que vocês são muito religiosos. Quando entrei na cidade vi muitos templos, altares e deuses. Encontrei até um altar dedicado ao “Deus Desconhecido”. Pois é justamente esse Deus que vocês adoram sem conhecer que eu estou anunciando…

Alguns riram de Paulo, muitos não entenderam o que ele queria dizer, mas alguns creram e se juntaram a ele.

Assim, Paulo visitou muitas cidades daquele tempo: Antioquia, Trôade, Filipos, Atenas, Corinto, Éfeso, Roma e muitas outras. Ele dormia pelas estradas, ao relento, em alguma estalagem, na casa dos amigos, debaixo da ponte, onde pudesse. Ele ganhava a vida fabricando tendas, enquanto semeava a palavra de Deus.

Em sua obra missionária, Paulo sofreu muito por Jesus. Foi preso diversas vezes, chicoteado, apedrejado, acorrentado, expulso das cidades, mas nunca perdeu a coragem nem deixou de falar do Filho de Deus.

Certa vez ele acabou sendo preso numa cela úmida e fria, acorrentado pelos pés, ao lado do seu companheiro Silas. Paulo estava faminto e cansado. Havia feridas pelo seu corpo. Mas ao invés de reclamar da vida, Paulo e Silas começaram a cantar e louvar a Deus. Os outros presos ficaram escutando, assim como também os guardas da prisão.

Phantombild Paulus von TarsusQuanto foi meia-noite, um grande terremoto sacudiu a terra e as portas da prisão foram derrubadas. O guarda ficou desesperado e, achando que os presos já tinham fugido, pegou uma espada para se matar. Mas a voz de Paulo o interrompeu:

— Não faça isso! Estamos todos aqui!

O carcereiro pediu uma luz, entrou depressa e se ajoelhou, tremendo, aos pés de Paulo e Silas e perguntou para eles:

— Senhores, o que devo fazer para me salvar?

— Creia no Senhor Jesus e você será salvo—você e a sua família.

Na mesma hora o carcereiro passou a cuidar deles. Toda a sua família teve a oportunidade de ouvir a boa mensagem de Jesus.

Três vezes Paulo sofreu naufrágio. Numa dessas vezes, ele estava num barco que ia para Roma, no meio de uma grande tempestade. Durante catorze dias, eles foram arrastados pelo vento e pela chuva, sem descanso.

Eles achavam que iam morrer, mas Deus falou com Paulo e disse que todos seriam salvos. O navio acabou encalhando e afundando perto de uma ilha, a ilha de Malta. Todos se abraçaram aos destroços do navio, pedaços de madeira, troncos e paus e conseguiram escapar.

Na ilha, eles foram socorridos pelos moradores nativos. Como estava fazendo muito frio, os moradores fizeram uma grande fogueira e acomodaram os sobreviventes ao redor.

Paulo estava entre eles, ajudando a botar lenha na fogueira. Mas quando ele ajuntou um feixe de gravetos, não viu que tinha uma cobra muito venenosa ali. O cobra mordeu a mão de Paulo, e ficou pendurada nele.

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Todos ficaram muito assustados e acharam que Paulo devia ser um homem muito azarado, castigado por Deus, e que iria morrer logo. Mas Paulo fez de conta que não era nada, sacudiu a serpente para dentro do fogo, e continuou a se esquentar.

Aí então todos ficaram muito admirados e começaram a pensar até que ele fosse um deus. Paulo aproveitou a oportunidade para dizer a eles que quando Deus está com a gente, não há o que temer, Ele nos guarda e pronto.

st-paul3Paulo continuou a sua viagem, chegou a Roma e lá anunciou o nome de Jesus para muitas pessoas, inclusive reis e governadores.

Embora fosse perdendo a visão com o passar dos anos, a luz de Cristo se tornava cada vez mais clara em sua vida.

Para Paulo, a felicidade da vida de uma pessoa depende do caminho que ela escolhe. E para ele estava claro que o único e melhor caminho era conhecer o amor de Deus mostrado através de Cristo. Ele salva nossas almas, cura nossas feridas, guia nossa vida. Quem confia nEle jamais está perdido, mesmo que esteja naufragado.

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O sino toca e é tão bonito

Ouvir o sino só a tocar.

Seu canto fino além da noite

Atravessa a vila, invade o ar.

Mas ele é oco, tão frio e feio,

Não tem segredos pra revelar.

Melhor ouvir um coração

Que sabe como bem amar.

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O amor é forte, é paciente,

Está contente quando faz o bem,

Ajuda sempre e compreende

A dor daquele que não vive bem.

Suporta tudo com esperança

Mas quer mudança que ainda vem.

Não é grosseiro nem orgulhoso,

Pra injustiça nunca diz amém.

o sino