uma canção para francisco

saint-francis-1Há um grande agito na floresta, pássaros cantando por toda parte, vozes de gente, gritos de animais e passos apressados. Até as folhas das árvores parecem diferentes. O que estará acontecendo? Será que alguém está caçando ou maltratando os animais?

Nada disso. É Francisco de Assis que vem chegando e cantando suas doces canções, rodeado por seus bons amigos e discípulos. O seu canto é acompanhado por inúmeros pardais e rouxinóis que estão ao seu redor. Até o gato do mato arrisca um versinho. E Francisco ergue a voz:

— “Como vai, Irmão Vento! Como vai, irmão Sol! Tudo bem, irmã Lua! Vamos louvar ao Senhor?”

E seu canto é acompanhado por toda a natureza.

Francisco era filho de um comerciante muito rico. Quando criança, foi cercado de amor e carinho. Na sua juventude, buscou pelo mundo afora o que a vida tinha de bom—bebeu, festou, farreou, correu, ganhou e perdeu muito dinheiro. Francisco provou a doçura do vinho e o amargura das tavernas. Era sempre o primeiro na busca de farra e folia. Mas dentro do seu coração havia o desejo de algo mais.

Francisco virou soldado, foi à guerra, quis ser um herói famoso, cheio de glórias e honras. Mas seu exército sofreu uma grande derrota e muitos foram mortos. Francisco acabou preso num sombrio calabouço, um lugar horrível, úmido e frio. Ficou ali durante um ano inteiro, acorrentado. Mesmo assim, Francisco jamais perdeu a alegria e sempre alimentou no coracão o desejo de liberdade. Até que um dia o seu resgate foi pago.

saint-francis-2Mais tarde, Francisco quis alistar-se entre os cavaleiros que iam lutar nas Cruzadas contra os mouros. Mas depois de um dia de uma longa caminhada, Francisco deu meia volta e veio embora para casa. O fiasco foi grande. Todos na cidade riram dele e o tomaram por covarde.

— E aí, Francisco, a guerra nem começou e você já está de volta!

Humilhado, Francisco engolia o seu fracasso.

Vinte e cinco anos se passaram. Francisco sentia uma vontade muito grande de estar sempre perto de Deus. Ele passava horas em oração, nas montanhas, nas cavernas, lamentando seus erros do passado e buscando um rumo pra vida. Muitas vezes seu coração era enchido por uma intensa alegria vinda de Deus.

Certa vez, Francisco vinha cavalgando pela estrada, quando um homem leproso usando roupas muito sujas, velhas e rasgadas ia passando por ali. Francisco gostava muito das coisas bonitas e agradáveis. Ora, a lepra era uma doença que não tinha cura naquela época, e era muito contagiosa. Ao sentir o mal-cheiro que vinha daquele homem, Francisco sentiu uma grande aversão. Mas uma força muito maior agia no seu coração, e ele desceu do cavalo e foi ao encontro do homem e beijou as mãos dele.

Os dois conversaram por um tempo. Francisco pode conhecer de perto a dor que o homem sentia. Depois de se despedirem, cada um foi seguindo o seu caminho. Francisco, ao olhar para trás para dar o último aceno de adeus, não viu mais o homem. Francisco jamais esqueceu o rosto marcado daquele homem. E tomou aquele encontro por um teste de Deus.

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Outro dia Francisco entrou numa antiga igreja de São Damião para orar. Seu coração estava fervendo de vontade de fazer alguma coisa de boa para Deus. De repente uma voz veio ao seu coração:

— Francisco, restaura a minha igreja!

Ele olhou para os lados e viu que aquela igreja estava em ruínas, as pedras caídas, os bancos velhos e estragados, o altar completamente abandonado. Francisco pensou que Deus o estava chamando para consertar aquela capela. E foi o que ele fez. Sem esperar autorização, vendeu tecidos que eram de seu pai e juntou dinheiro o suficiente para fazer a reforma.

Seu pai ficou uma fera; pensou que seu filho estava ficando maluco, só querendo saber de coisas de Deus. E até que ele tinha razão. O Evangelho parece loucura para quem não crê. O pai quis o dinheiro de volta e quis ainda deserdar o seu filho. Francisco devolveu o dinheiro, e também as sandálias, a capa e suas roupas do corpo.

Francisco saiu de casa usando apenas uns farrapos velhos e foi em direção à floresta gelada, dizendo:

— Bom, Pietro Bernardone não é mais meu pai. Agora posso orar com toda a liberdade, “Pai Nosso que estás nos céus…”

E assim Francisco seguiu mundo afora, dono de coisa nenhuma, possuindo todas as coisas. E pedindo a ajuda de muitas pessoas, ele reconstruiu a igreja de São Damião.

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Pessoas e mais pessoas se juntaram a Francisco em seu voto de pobreza e despreendimento. Eles dormiam ao relento, vivendo como andarilhos. Aprendiam com ele a repartir e socorrer os que não tinham nada. Aprendiam que a gente precisa de bem pouco para ser felizes, que é possível ser pobre mas ter dignidade, que é preciso ser solidário com os outros, pois somos todos irmãos, e este mundo em ruínas tem que ser reconstruído.

Para Francisco de Assis, toda a natureza faz parte da grande família de Deus: estrelas, planetas, animais, plantas, e seres humanos. Dizem que certa vez Francisco estava caminhando com seus discípulos e viu vários pássaros à beira da estrada: canários, pardais, corvos, pombos… Francisco deixou seus irmãos na estrada e foi para perto dos pássaros. Quando Francisco chegou perto deles, os pássaros não fugiram. Impressionado, ele perguntou se eles queriam ouvir a palavra de Deus.

Assim, ele começou a pregar aos pássaros que ouviam com atenção:

— Meus queridos irmãos, Deus deu a vocês roupagens tão lindas, penas coloridas, asas tão belas e leves. O nosso Pai também tem dado a vocês as sementes para comer todos os dias. Além de tudo isso, ele lhes deu uma voz tão harmoniosa e bela. O Pai os proteje e sustenta, por isso devemos louvá-lo a cada novo dia.

Parece que ao ouvirem isso os pássaros começaram a cantar ainda mais intensamente, como se entendessem o que Francisco estava dizendo. Francisco os abençou e voltou para a estrada entusiasmado:

—Puxa vida, por que eu não fiz isso antes? Foi maravilhoso!

Francisco socorreu muitas pessoas, consolou, exortou, animou. Com o passar do tempo, a sua saúde foi ficando cada vez mais frágil. Ele ainda era jovem, mas pouco a pouco foi perdendo a visão. Deve ter sido muito doloroso para ele, que amava tanto a natureza, as cores dos pássaros, do céu, das nuvens, dos rios, não poder mais enxergar a beleza da criação. Mas é justamente nesse período mais difícil de sua vida que ele compôs o maravilhoso “Cântico do Irmão Sol”.

Pela sombra longa da tarde ele vem cantando,

Repartindo tudo o que tem de melhor.

A floresta faz uma festa quando o vê passando,

E o seu canto, todos já sabem de cor.

Como vai irmão Sol? Veja só quem chegou?

Uma estrela no céu! Irmã Lua brilhou!

Sou Francisco e estou tão feliz por viver!

.

Irmão Vento, me diz: Amanhã vai chover?

Irmão Fogo, que bom é poder te rever.

São Francisco, é isto aí, muito prazer!

.

Quando a noite abraça a Irmã Terra já adormecida,

Ele conta belas histórias de amor.

Seus amigos, tão comovidos, sonham com a vida

Que será mais cheia de luz e calor.

são francisco

uma canção para patrício

Quando criança, Patrício via e ouvia seu pai ler as Escrituras Sagradas muitas vezes. Ele também ouvia seu pai orar e cantar louvores a Deus. Seu pai era um camponês e diácono da Igreja, e seu avô tinha sido um grande pregador. Mas Patrício ainda não tinha conhecido verdadeiramente a Deus.

Patrício sempre viveu muito próximo da natureza. Por ser um camponês, não teve a chance de estudar em um bom colégio nem conheceu a agitação da cidade grande. Ele amava as montanhas e mares do seu país, o país de Gales, os riachos, as estrelas, o vento forte, o povo simples, os muros de pedra e a leveza da música.

Quando Patrício tinha 16 anos de idade, sua vila foi invadida por piratas. Muitas pessoas foram mortas e muitas casas foram destruídas. Patrício foi raptado e levado como prisioneiro para terras estranhas.

Depois de longas caminhadas, com as mãos amarradas, e de uma longa viagem de navio, Patrício foi finalmente vendido como escravo na Irlanda para um homem chamado Milchu.

Assim ele viveu em terra estranha, no meio de um povo diferente e que vivia de um modo diferente. Durante seis anos, Patrício trabalhou como escravo, tomando conta de uma manada de porcos.

Vagando pelos campos, cuidando dos porcos, sentindo no rosto o vento, contemplando as nuvens do céu e as estrelas, Patrício foi descobrindo verdadeiramente a Deus. Ali seus olhos foram abertos e ele percebeu que Deus já o conhecia e protegia há muito tempo.

Com o passar dos anos, Patrício foi se tornando um homem de oração. Ele orava várias vezes durante o dia e também a noite. Enquanto trabalhava, cantava louvores a Deus. Nos momentos mais sombrios da sua vida, Deus era como um sol que nascia em sua vida e apagava as tristezas da noite.

Certa noite Patrício teve um sonho especial. Ele sonhou que estava voltando ao seu país. Naquela mesma noite ele ouviu uma voz que o chamava:

— Patrício, é melhor se apressar. Você irá para casa logo.

Em seguida, ele ouviu uma voz dizendo:

— Olha, o navio está pronto!

Naquele mesmo instante, Patrício se levantou no meio do campo e caminhou por trinta quilômetros. Assim ele fugiu da casa onde vivera como escravo durante seis anos.

Patrício chegou ao porto, encontrou um navio que estava para partir e tentou convencer os homens a recebê-lo. O comandante do navio ficou muito irritado e respondeu rispidamente:

— Mas de jeito nenhum!

Ao ouvir isso, Patrício voltou entristecido para o seu esconderijo e começou a orar, e antes de terminar a sua oração, ele ouviu uma voz que dizia:

— Vem rápido que eles estão te chamando!

Patrício voltou imediatamente e, quando chegou ao porto, os homens do navio disseram:

— Tudo bem, venha conosco.

Aqueles homens eram pagãos, isto é, nunca tinham ouvido falar de Jesus. Patrício tinha esperanças de repartir com eles a fé que tinha no evangelho de Cristo. Assim, Patrício entrou no navio e logo estava em alto mar, em direção a França.

A viagem de retorno foi muito difícil e perigosa. Eles quase morrem de fome. Foram três dias navegando pelo mar e vinte e oito dias de caminhada pelo meio de uma região deserta.

Os homens que acompanhavam Patrício estavam exaustos e diziam:

— Como é, cristão, você não disse que Deus o amava? E aí, será que esse Deus não pode nos ajudar?

Patrício respondeu:

— Abram o coração para o amor de Deus. Para Ele não há impossíveis. Hoje mesmo encontraremos comida.

Foi assim que mais à frente encontraram uma manada de porcos selvagens. Os homens puderam assim matar a fome. Mais à frente encontraram mel silvestre. Aqueles homens louvaram a Deus e passaram a respeitar Patrício.

Ao chegar em sua terra natal, Patrício buscou um jeito de estudar mais as Escrituras Sagradas e conhecer os grandes pensadores do povo de Deus. Ele reconhecia a bondade de Deus em sua vida, admitia também a sua própria imperfeição e estava disposto a servir Aquele que tinha salvo a sua vida.

Assim Patrício voltou para França e entrou para o mosteiro de Tours e Lérins. Ali ele permaneceu por muitos anos. Certa noite Patrício teve uma visão. Ele viu um homem que se chamava Victoricus e que vinha da Irlanda trazendo muitas cartas. Ele deu a Patrício uma dessas cartas e Patrício começou a ler:

— A voz dos irlandeses.

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E enquanto ele lia, parecia ouvir a voz daqueles que um dia estiveram ao seu lado na floresta de Foclut, perto do mar. Eles gritavam em uma só voz:

— Nós te suplicamos, jovem piedoso, vem e caminha entre nós novamente.

Patrício tornou-se bispo missionário. Como conhecia a cultura e a linguagem dos celtas, seu desejo era tornar-se missionário entre os irlandeses. Assim ele foi até a Irlanda e viajou por toda a ilha, evangelizando, pregando, anunciando Jesus para aquelas pessoas, organizando igrejas e mosteiros.

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Patrício reencontrou seu antigo mestre Milchu e falou a ele de Cristo. Milchu se converteu e assim também muitos chefes e líderes daquele país. Patrício anunciou o nome de Jesus até mesmo diante de governadores e reis.

Patrício não tinha muita instrução mas era um homem que vivia em comunhão com Deus, sempre dependendo da Sua bondade. Ele se considerava apenas um camponês:

— Eu sou apenas uma pedra jogada no fundo do pântano. Mas o Deus Poderoso me pegou e me colocou, em sua misericórdia, no topo do muro. De lá de cima quero gritar Sua misericórdia para sempre!

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Amigo vento, quero ouvir a novidade,
Um movimento que me faça regressar,
Um bom momento que me dê a liberdade,
O cumprimento da vontade de chegar.
A flor do campo diz que Deus é que garante
O novo canto e o desejo de cantar.
O passarinho se alimenta e não semeia
E vai cantando até o dia clarear.

Eu vou sair pelas abas da montanha,
Atravessar os riachos que encontrar,
Redescobrir os caminhos que me levam
Para perto dos que vivem junto à sombra do meu lar.
Vou navegar pelos mares mais distantes,
E navegantes quero eu acompanhar.
Eu vou soltar as amarras que me prendem
E as velas que me levam para bem de navegar.

Amigo vento, sei que a noite é muito fria,
Mas tem estrelas para me agasalhar.
Ao meio dia, a panela tá vazia,
Mas tenho fé que ainda vou me alimentar.
O mar aberto anda meio agitado
O seu abraço me aperta sem parar.
Mas sei que Deus caminha sempre do meu lado
Na tempestade Ele vai me orientar.

amigo vento

uma canção para ambrósio

Fiz uma série de canções sobre a vida de algumas pessoas tiveram comunhão intensa com Jesus. A série foi publicada em forma de livro e CD com o título Amigos de Jesus. Compartilho aqui a primeira das canções: “Eu sou feliz” (uma canção para Ambrósio).  A intenção era dialogar com o público infanto-juvenil e  pré-adolescentes.

O menino Ambrósio está saindo da escola e caminha pelas ruas da velha cidade de Roma. Ele é muito estudioso e carrega um monte de livros debaixo dos braços. Como ele gosta muito de poesia e música, vai cantando pelas ruas de Roma.

Com o passar dos anos, Ambrósio se tornou um grande advogado. Seus discursos eram muito bem feitos e convenciam a platéia.

O sucesso dele foi tão grande que no ano 369 o imperador o nomeou governador de duas importantes regiões da Itália: Liguria e Aemilia.

Ambrósio morava em Milão, uma grande e importante cidade da Itália. Quando o bispo de Milão morreu, houve um grande tumulto na cidade entre dois partidos diferentes, cada um querendo ocupar o cargo vago.

A confusão foi tão grande, que o governador Ambrósio foi obrigado a tentar acalmar o povo, para ajudá-los a chegar a uma solução e escolher com calma o novo bispo.

Enquanto ele dava um passo à frente e falava à multidão, ouviu-se uma voz de criança, que vinha do meio do povo, e dizia:

—Ambrósio para bispo!

Deu para ouvir claramente. E logo a multidão começou a gritar em uníssono:

—Ambrósio para bispo!

Ambrósio levou um susto tremendo, ficou horrorizado, gaguejou, vacilou e disse:

—Mas gente, isto é um absurdo! Eu nem sou batizado!

Mas o povo insistiu e queria que Ambrósio se tornasse o bispo.

O povo insistiu e o imperador confirmou a decisão. Assim Ambrósio se tornou o bispo de Milão, mesmo não querendo.

Ambrósio bem que tentou se esconder na casa do seu amigo chamado Leantius, mas não teve jeito. Uma semana depois e foi batizado e consagrado bispo.Ambrosius-02

Apesar de conhecer tudo sobre literatura, política e leis, Ambrósio sabia muito pouco de religião. Mas como ele era um homem muito inteligente e estudioso, foi logo fazer um curso intensiso de Bíblia e leu muitos escritores cristãos.

Ambrósio foi compensando a falta de uma instrução teológica com bastante estudo e leitura orientada pelos cristãos mais experientes.

Ao se tornar bispo, Ambrósio abandonou todas as suas propriedades, as terras, as inúmeras casas que possuía, herança, dinheiro, tudo, mas jamais abandonou sua vida simples, sua humildade, seu jeito sincero de viver e conviver com as pessoas.

Ambrósio se tornou um grande pregador do Evangelho e combateu, através de longos debates, o ensino dos arianos, que diziam que Jesus Cristo não era Deus. Ele tinha bons argumentos, bons exemplos, muita sabedoria em tratar assuntos complicados e delicados. Deus dava a ele muita iluminação.

Ambrósio também combateu a idolatria. Ele não concordava com o povo que fazia ídolos de madeira ou ouro, que cultuava falsos deuses.

Por isso ele foi contra um grupo de pessoas que queriam de volta o culto da deusa Vitória, uma divindade romana que exaltava a guerra e a violência. Se ele vivesse em nosso tempo, com certeza, teria muito a dizer a respeito da violência do nosso mundo.

Certa vez, o imperador Teodósio autorizou o massacre dos moradores da cidade de Tessalônica por causa do assassinato de um governador.

Ambrósio não concordou com o massacre e falou diretamente com Teodósio. Ele deu de dedo no imperador e o acusou publicamente, exigindo que reconhecesse o erro que havia cometido. Teodósio ficou uma fera, mas aceitou a advertência de Ambrósio e pediu desculpas publicamente pelo seu erro.

ambroise

Ambrósio gostava muito de poesia e de música. Com amor e cuidado ele ajudou a preservar e divulgar os hinos dos cristãos. Ele mesmo ajudou a compor muitos hinos. Alguns deles chegaram até nós.

Eu sou feliz! Eu sou feliz e é pra valer.
Ah, mas como é bom estar aqui com vocês!
Eu sou feliz! Eu sou feliz!
Porque o amor de Deus me quis pra estar bem junto de vocês.

Eu sou feliz! Eu sou feliz! Nem sei dizer.
Ah, mas como é bom estar aqui com vocês!
Aquela voz tão doce foi que chamou
E aqui estou porque enfim chegou a minha vez.

Eu vou cantar até o sol nascer mais cedo,
Continuar até fazê-lo compreender
Que eu sou feliz! Eu sou feliz!
Agora sou feliz! E muito mais feliz!

Eu vou falar até que o príncipe me escute
E ame o povo que precisa de atenção
Pra ser feliz! E ser feliz!
Viver e ser feliz! Amar e ser feliz!

Eu vou dizer pra quem lamenta a sua sorte
Que Deus é forte e faz a gente desejar
E ser feliz! E ser feliz!
Sonhar e ser feliz, e muito mais feliz!

eu sou feliz

travesseiro de pedra

SDC-2009-1031Hoje pela manhã (terça-feira, 30 de março) dirigi uma hora devocional no 26º Som do Céu, em Belo Horizonte (MG). O encontro reúne músicos, artistas, poetas, pastores e jovens líderes de todo o Brasil. Sotaques nordestinos se misturam a sotaques cariocas, paulistas, goianos, mineiros, baianos, mato grossenses e catarinenses. O catarinense, nesse caso, sou eu.

Convidei os presentes à leitura de Gênesis 28.10-22, trecho que traz a história de Jacó fugindo da região deserta Berseba após enganar seu irmão Esaú e seu pai Isaque. Ameaçado de morte e temendo por sua vida, Jacó põe o pé na estrada. Mais adiante, cansado da viagem e vendo o dia anoitecer, escolhe um canto para passar a noite.

Não tendo outra alternativa, escolhe uma pedra do caminho e a usa como travesseiro. Reclinado sobre a pedra e olhando para o céu, Jacó vê as estrelas, a claridade da lua e a sombra das nuvens que passam ao redor. Absolutamente exausto da caminhada, adormece e sonha.

No seu sonho, vê anjos celestes que descem por uma escada até o chão e depois voltam a subir. De repente o Senhor coloca-se ao seu lado e fala com ele: “Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado, seus descendentes serão numerosos como o pó da terra… você será uma bênção para todos os povos da Terra… estarei com você por onde quer que vá… eu o trarei de volta… cumprirei todas as minhas promessas…”

Jacó acorda de repente com uma fortíssima sensação da presença de Deus, uma misto de alegria, temor, emoção e desejo de adorar. Ele diz: “Sem dúvida o Senhor está neste lugar e eu não sabia!”. Então começa a adorar a Deus. E essa adoração vem reação, como resposta à manifestação e Palavra de Deus. A fim de adorar a Deus, é preciso que tomemos consciência de que Ele está presente em nossa vida.

Enquanto estamos ocupados em atos litúrgicos e práticas de culto que funcionam mais ou menos independentemente do saber que Deus está presente, nossa suposta adoração não passa de idolatria e de exercício vazio. Mas quando tomamos consciência de que não estamos sós, de que o Deus criador e salvador está conosco, então nossa adoração ganha profundidade, verdade e integralidade.

Logo depois daquele noite, ao acordar, Jacó toma o travesseiro de pedra e o transforma em altar de adoração ao Senhor. Ele o põe o altar de pé e o unge. Aquele lugar passa a se chamar Betel: Casa de Deus.

Nossa arte, nossas canções de adoração, nossos poemas, nossos textos devocionais e meditativos não passam de pedras tiradas do caminho, sobre as quais repousamos nossos sonhos e que transformamos em altar para o Senhor. Elas são também marco dos lugares por onde passamos e das experiências vividas com Deus. São parte de nossa resposta de fé, são sinais de nossa aliança com o Senhor.

Agora, ao escrever este texto, num quarto do Acampamento da MPC, sentado numa cama e recostado num travesseiro confortável, sinto vergonha da experiência daquele homem que, ao relento e num travesseiro de pedras, conseguiu sonhar os sonhos de Deus. Que imensa graça é essa que me segue. Sonharei e andarei com Ele.

lançamento do dvd casa grande

Gladir-Cabral

despedida de um velho pastor

Faleceu hoje em Florianópolis o Rev. Eny Luz de Moura. Como despedida e reflexão, deixo um poema escrito por outro pastor que também passou por Florianópolis: Rev. Agenor Mafra. O poema chegou às minhas mãos por meio de seu neto Henrique Mafra.

Oh! Adeus rebanho que Jesus um dia

Com bondade extrema a mim entregou

Com grande alarido eu então dizia:

Velarei de noite, lutarei de dia

Pra servir-te, oh Cristo, pronto estou

.

Cheio o meu surrão, pronto o meu cajado

Suarento o sol, friorento o luar

A subir montanhas, a passar valado

Ia conduzindo o meu rebanho amado

Sob a graça eterna, sob eterno olhar

.

Tenho envelhecido com as serras brutas

Onde nascem murtas, onde medra a flor

Assentado em pedras ou dormindo em grutas

Sem cessar jamais as terríveis lutas

Pelo santo rebanho do meu Salvador

.

Hoje derreado, de pernas quebradas

Da tristonha tumba só distante um pé

Onde as minhas lutas? Onde as invernadas?

Nada mais me resta de ilusões passadas?

Oh, crepita ainda no peito a fé

.

No ostracismo agora, oh pastor bendito

Venho a ti em pranto, ouve o meu clamor

Tu onipotente, tu Deus infinito

Ouve a oração deste pobre aflito

Ao rebanho amado manda outro pastor

Pr. Agenor Mafra, Agenor Mafra

(esposo de Cristina Lenz Cesar) – nascido em 18/4/1899. Converteu-se no dia 1916. Ordenado no dia 13/12/1925, aos 26 anos. Pastor em Celina, Rio Negro (PR), Florianópolis (SC), Blumenau (SC) e Niterói (RJ). Morreu no dia 5/7/1964.

arte

Continuo lendo meu bom e velho Frederick Buechner: Beyond Words. A certa altura, falando de arte, ele diz:

“Um velho lago silencioso, / Dentro dele pula um sapo. / Splash! Silêncio novamente”. Este é talvez o mais conhecido de todos os haikais japoneses. Nenhum outro tema poderia ser mais monótono. Nenhuma linguagem poderia ser mais sem graça. Basho, o poeta, não comenta o que descreve. Ele não deixa nenhum significado implícito, nenhuma mensagem nem metáfora. Ele simplesmente convida nossa atenção a nada mais nada menos que isso: o velho lago em sua imobilidade aquática, o mergulho pesado do sapo, o retorno gradual à imobilidade.

[…]

Desde o mais simples poema ao romance mais complexo e à peça teatral mais densa, a literatura nos pede para prestar atenção. Preste atenção ao sapo. Preste atenção ao vento leste. Preste atenção ao menino na jangada, à senhora na torre, ao velho no trem. Em suma, preste atenção ao mundo e a tudo o que nele habita e assim aprende, afinal, a prestar atenção em ti mesmo e a tudo o que habita em ti. (Frederick Buechner, Beyond Words, p. 25-6).