Agostinho meditava no jardim da sua casa. Ele estava muito angustiado. Sua vida até ali tinha sido uma busca tola por paixões intensas e prazeres mundanos. E ele já estava com 32 anos de idade.  Tinha conhecido muita gente, e tinha feito muita gente sofrer. Tentou ser feliz por si mesmo, procurando filosofias e idéias novas. Mas o vazio no seu coração era enorme. Não conseguia controlar seus próprios desejos.

Lágrimas brotaram dos seus olhos. Ele se jogou na grama, debaixo de uma figueira e clamou a Deus:

— Ó, Senhor, até quando? Por quanto tempo terei que esperar por uma libertação? Amanhã e amanhã? Por que não por um fim a essa vergonha de uma vez?

Então ele ouviu a voz de uma criança:

— Toma e lê! Toma e lê!

Ele olhou ao redor mas não viu ninguém:

— Toma e lê! Toma e lê!

Quando olhou para o lado, Agostinho viu um livro. Era uma parte da Bíblia Sagrada. Ele folheou as páginas rapidamente, e seus olhos cairam na passsagem de Romanos 13.13-14:

“Vivamos decentemente, como pessoas que vivem na luz do dia. Nada de orgias ou bebedeiras, nem imoralidades ou indecência, nem briga ou ciúmes. Mas peguem as armas do Senhor Jesus Cristo e não pensem em satisfazer os desejos pecaminosos da natureza humana.”

Saint_Augustine_36Uma mudança profunda aconteceu em seu coração. A angústia cedeu lugar à paz. Pela primeira vez, uma alegria nova e calma encheu seu coração:

— Para mim é bom apegar-me a Deus, porque, se não permaneço nele, tampouco poderei permanecer em mim.

Depois de uma longa busca pela verdade, Agostinho tinha finalmente se encontrado. Após uma vida de farras, bebedeiras, sensualidade, e muitas vaidades, ele finalmente entregou seu coração vazio a Jesus.Em grande parte, este momento foi o resultado das muitas orações e do cuidado carinhoso de sua mãe Mônica.

Quase um ano depois, Agostinho foi batizado. As pessoas que o conhecia logo o incentivaram a ser um sacerdote. Agostinho não queria esse compromisso, mas não teve jeito. Logo se tornou bispo da cidade de Hipona, e um grande pensador, escritor e pregador do Evangelho, levando uma vida de santidade e serviço humilde ao Senhor. Ele até fundou um mosteiro, para que as pessoas pudessem se dedicar à oração.

st-augustine-botticelli41Para ele, uma pessoa que quer andar com Deus deve aprender a conviver com as outras pessoas e a controlar sua língua. Por isso, na porta do seu quarto havia um aviso que dizia:

“Aqui não falamos mal de ninguém!”

Dizem que certa vez seus amigos resolveram pregar-lhe uma peça, uma pegadinha. Eles saíram gritando pelo corredor da casa onde moravam:

— Agostinho, tem uma vaca voando lá fora! Vem ver! Corre!

Agostinho saiu correndo como louco e foi até a janela:

— Onde está, deixa eu ver!

Mas ele não viu vaca nenhuma.

Seus amigos logo começaram a rir e caçoar dele:

— Ô, Agostinho! Então você acreditou que havia mesmo uma vaca voando no céu?

Mas, com um olhar calmo e sério, ele respondeu:

— Prefiro acreditar que uma vaca esteja voando no céu do que pensar que um irmão esteja mentindo.

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Através de seu dom de escrever, de sua inteligência incomparável e de seu amor por Jesus, Agostinho defendeu o cristianismo contra as críticas que os pagãos faziam. Muitos diziam que Jesus era uma farsa e que o Evangelho trazia a ruína para as cidades. Ele combateu as idéias erradas sobre Jesus, sobre Deus, e sobre o Evangelho.

Ele só lamentava de uma coisa; era de ter conhecido a Jesus tão tarde. Como ele mesmo disse:

— Tarde demais te amei, Senhor!

Mas não era tão tarde assim. Agostinho serviu a Jesus por mais 40 anos, com muita sabedoria, humildade e santidade.

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Para Agostinho, mais importante do que saber um monte de teorias e ter um um grande conhecimento era conhecer a Deus pessoalmente e poder relacionar-se com Ele em amor e fé. O que vale é conhecer o Deus vivo, aquele que está conosco no dia a dia, que ouve nossas orações, que nos ajuda em nossos momentos de fraquezas. Ele orava ao Senhor:

— Toda minha esperança está somente na grandeza da tua misericórdia, Senhor. Dá o que mandas, e manda o que quiseres!

Agostinho sabia o quanto a gente precisa de Deus, do Seu amor, e da sua presença constante e confortadora. Ele dizia que dentro de cada coração humano há um vazio na forma de Deus:

— Tu nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar descanso senão em ti.

Agostinho era homem muito humilde. Certa vez ele foi duramente criticado por São Jerônimo, e tudo por causa de uma carta que foi extraviada.

Em resposta, Agostinho escreveu uma carta cheia de espírito de conciliação:

— Por favor, eu te suplico, quando perceberes que eu estou precisando de uma advertência, corrige-me com confiança, pois o ofício de um bispo pode ser maior do que o de um padre, mas Agostinho é inferior a Jerônimo em muitas coisas.

saint-augustineAgostinho viveu até os 76 anos, e então partiu deste mundo, descansando nos braços do pai.

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É demais, é demais! Lá vem o Agostinho

E olha só a cara que ele faz!

É demais, é demais!

Do jeito que viaja na parada ele não pára mais.

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Se eu disser que vi um elefante branco

Ou um touro que voava sozinho e de tamanco,

Ele é capaz de acreditar.

Se alguém disser que viu a sombra da verdade

Brincando de esconde esconde na cidade,

Ele sai correndo a procurar.

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Pois é, mas a verdade vem do Velho Livro,

Bate à sua porta e dá o seu sorriso

Como quem visita um coração.

Às vezes a mentira é linda como a fada,

Clara como a clara lâmina da espada,

Mas não tem a força do perdão.

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Eu sei que não sou feito só de pensamento.

Dentro do meu peito tem um sentimento

E ele diz que a vida vale mais.

A sede que eu sinto, a fome que me aperta

É conhecer a Deus e ter a mente aberta

A tudo o que Ele quer e o que Ele faz.

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Pode ser demais, mas tudo é muito pouco

Pra quem sonha sempre e sempre mais.

Sei que é bom demais o Deus que nos preenche

O coração e a mente e traz a paz.

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[É demais, Jesus é que é demais

Eu sou quase nada, vou seguindo atrás.

É demais, Jesus é que é demais.

Eu só tô de olho no que Ele faz]

é demais

A jovem Agnes Gonxha está no cais do porto da Macedônia. Ela está embarcando num navio que vai para a Irlanda, para começar seus estudos e sua vida religiosa. Ela tem apenas 18 anos.

— Adeus, mamãe. Obrigado por tudo. Orem por mim.

— Vai com Deus, filha. Estuda bastante, aprende o que puderes. Depois reparte com os que nada sabem.

Agnes abraça seus pais, sua irmã mais velha Aga e seu irmão Lazar.

Agnes não sabe, mas ela nunca mais verá a sua mãe. É difícil partir, mas ela entende que Deus pode consolar seu coração e fazê-la conhecer muitas irmãs, irmães, pais e mães por este mundo afora.

Um ano depois ela tornou-se noviça e em 1931 fez seus primeiros votos sagrados, escolhendo para si o nome de Teresa, em homenagem a Teresa D’Ávila e Teresa de Lisieux. Logo ela foi enviada para a Índia onde começou a trabalhar como professora de história e geografia no colégio Santa Maria dirigido pelas irmãs.

No conforto daquele colégio que servia às moças ricas da cidade Teresa foi sentido o chamado para trabalhar entre os pobres do mundo.

O tempo foi passando e o desejo de trabalhar entre os excluídos da Índia foi crescendo:

— Foi então que recebi o chamado de Deus para abandonar até mesmo o convento das irmãs de Loureto onde eu era tão feliz e ir para as ruas da cidade. Ouvi o chamado para deixar tudo e seguir a Cristo nas favelas e servi-lo entre os mais pobres dos pobres.

Em 1948, depois de muitos pedidos, Madre Teresa conseguiu autorização do bispo para trabalhar com os pobres da cidade de Calcutá. E assim ela foi visitar e morar na periferia daquela grande cidade.

calcutaEla viu os pobres morando na beira das calçadas, os casebres, o esgoto a céu aberto, os enfermos que gemiam em seus leitos, as crianças desamparadas pelas ruas. Madre Teresa também teve que descobrir um jeito de sobreviver longe da segurança do convento, encontrar um trabalho e um lugar para morar.

Seu amor pela Índia era tão grande que ela conseguiu também cidadania indiana. Como roupa, Teresa decidiu abandonar o hábito que vinha usando durante seus anos como irmã da congreção de  Loureto e vestir as roupas comuns de uma mulher indiana: um simples manto branco chamado sari e sandálias.

Depois de dois anos de trabalho, em 1950, ela fundou a Ordem das Missionárias da Caridade, um grupo de irmãs preocupadas com o sofrimento do povo pobre de Calcutá.

Uma das preocupações daquelas irmãs era conseguir alimento para as pessoas necessitadas que viviam nas favelas.

Preocupada com a saúde do povo, ela passou alguns meses na cidade de Patna, fazendo um curso de enfermagem. Conseguiu autorização do Papa e fundou um convento. Ela alugou uma casa velha e começou o seu novo projeto.

Madre Teresa abriu um hospital para cuidar dos enfermos das favelas. A luta era grande para conseguir remédios, leitos e atender tanta gente carente.

calcuta1Madre Teresa também abriu uma escola para as crianças das favelas. As condições de trabalho eram tão difíceis que ela tinha que escrever no chão, usando um graveto.

Com muito esforço e paciência, ela conseguiu que as crianças aprendessem a ler e escrever. Ela também ensinava noções básicas de higiene pessoal: lavar as mães, tomar banhos, escovar os dentes e cortar as unhas.

Teresa foi conhecendo de perto a vida das crianças, foi sabendo os problemas que cada uma delas vivia em casa. Assim, foi visitando as famílias pobres e doentes que se amontoavam pelos pequenos barracos e dando assistência espiritual aos que tinham perdido a esperança e a alegria de viver.

Logo Teresa abriu um orfanato para crianças desamparadas e abrigos para os leprosos, que eram muitos, e pessoas que estavam para morrer. Ela também construiu casa para acolher os idosos que tinham sido abandonados.

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Embora o trabalho de Teresa fosse muito cansativo e envolvente, ela sempre separava um tempo do seu dia para falar com Deus. Assim ela alimentava o seu espírito para poder alimentar as outras pessoas e recebia bênçãos para se tornar bênção na vida de outros.

Muitas moças se entusiasmaram com o exemplo de Teresa e se juntaram à sua ordem. Elas foram tocadas pela mensagem de compaixão e solidariedade pelos destituídos desse mundo. Outras pessoas ofereciam comida, roupas, remédios, enquanto outras cediam prédios e casas que tinham. Outros ainda ajudavam com dinheiro.

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Um projeto que começou pela fé, compaixão e compromisso de Madre Teresa, foi crescento como a semente de mostarda e desafiando pessoas do mundo inteiro.

Hoje, as irmãs Caridade têm 50 casas espalhadas por toda a Índia e 30 casas em diferentes países do mundo. O que um dia foi sonho hoje virou uma comovente realidade de amor e compaixão.

Em 1979, o mundo inteiro viu Madre Teresa de Calcutá receber o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento por sua obra pelo bem da humanidade. Mas em sua humildade, ela se achava muito pequena:

— Sou apenas um lápis de Deus—um pedaçinho de lápis com o qual Ele escreve o que quiser.

madre_teresaAo longo dos anos, Madre Teresa foi ficando com a saúde cada vez mais frágil. No entanto, ela continuou trabalhando incessantemente por mais de 50 anos, vivendo apenas pela fé, sem ter nada seu, nenhuma propriedade, nenhum bem material.

Seu coração fraco deixou de bater aos 87 anos de idade. Ela partiu em paz, depois do jantar e das orações.

Quero tua música estridente, quero tua gente

Quero estar aqui pra te ajudar.

Quero tuas vozes de criança, quero tua dança,

Cheiros e temperos pelo ar.

Vou sair da minha segurança,

Começar a minha andança pelas ruas do país.

Quero tua lágrima salgada

Transformada num sorriso de quem sabe ser feliz.

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O teu nome é Índia, berço do meu Oriente.

Tua terra é muito linda, tuas vilas, tua gente.

O teu nome é Índia, viva como o sol nascente.

No teu mundo tudo rima, mas é tudo diferente.

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Quero tuas avenidas vivas

De animais e bicicletas, teus poetas a cantar.

Belos muros e jardins floridos,

Nos quintais adormecidos as crianças a brincar.

Quero repartir o meu bocado amanhecido

De esperança em cada mesa, em cada lar.

Quero ver a tua claridade, não apenas caridade,

Mas vontade de sonhar [dignidade vindo como chuva].

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Eu habito a periferia numa estrebaria,

À beira mais sombria do teu rio,

Para alimentar tua alegria,

Confortar teus longos dias e aquecer-te nesse frio.

ìndia

saint-francis-1Há um grande agito na floresta, pássaros cantando por toda parte, vozes de gente, gritos de animais e passos apressados. Até as folhas das árvores parecem diferentes. O que estará acontecendo? Será que alguém está caçando ou maltratando os animais?

Nada disso. É Francisco de Assis que vem chegando e cantando suas doces canções, rodeado por seus bons amigos e discípulos. O seu canto é acompanhado por inúmeros pardais e rouxinóis que estão ao seu redor. Até o gato do mato arrisca um versinho. E Francisco ergue a voz:

— “Como vai, Irmão Vento! Como vai, irmão Sol! Tudo bem, irmã Lua! Vamos louvar ao Senhor?”

E seu canto é acompanhado por toda a natureza.

Francisco era filho de um comerciante muito rico. Quando criança, foi cercado de amor e carinho. Na sua juventude, buscou pelo mundo afora o que a vida tinha de bom—bebeu, festou, farreou, correu, ganhou e perdeu muito dinheiro. Francisco provou a doçura do vinho e o amargura das tavernas. Era sempre o primeiro na busca de farra e folia. Mas dentro do seu coração havia o desejo de algo mais.

Francisco virou soldado, foi à guerra, quis ser um herói famoso, cheio de glórias e honras. Mas seu exército sofreu uma grande derrota e muitos foram mortos. Francisco acabou preso num sombrio calabouço, um lugar horrível, úmido e frio. Ficou ali durante um ano inteiro, acorrentado. Mesmo assim, Francisco jamais perdeu a alegria e sempre alimentou no coracão o desejo de liberdade. Até que um dia o seu resgate foi pago.

saint-francis-2Mais tarde, Francisco quis alistar-se entre os cavaleiros que iam lutar nas Cruzadas contra os mouros. Mas depois de um dia de uma longa caminhada, Francisco deu meia volta e veio embora para casa. O fiasco foi grande. Todos na cidade riram dele e o tomaram por covarde.

— E aí, Francisco, a guerra nem começou e você já está de volta!

Humilhado, Francisco engolia o seu fracasso.

Vinte e cinco anos se passaram. Francisco sentia uma vontade muito grande de estar sempre perto de Deus. Ele passava horas em oração, nas montanhas, nas cavernas, lamentando seus erros do passado e buscando um rumo pra vida. Muitas vezes seu coração era enchido por uma intensa alegria vinda de Deus.

Certa vez, Francisco vinha cavalgando pela estrada, quando um homem leproso usando roupas muito sujas, velhas e rasgadas ia passando por ali. Francisco gostava muito das coisas bonitas e agradáveis. Ora, a lepra era uma doença que não tinha cura naquela época, e era muito contagiosa. Ao sentir o mal-cheiro que vinha daquele homem, Francisco sentiu uma grande aversão. Mas uma força muito maior agia no seu coração, e ele desceu do cavalo e foi ao encontro do homem e beijou as mãos dele.

Os dois conversaram por um tempo. Francisco pode conhecer de perto a dor que o homem sentia. Depois de se despedirem, cada um foi seguindo o seu caminho. Francisco, ao olhar para trás para dar o último aceno de adeus, não viu mais o homem. Francisco jamais esqueceu o rosto marcado daquele homem. E tomou aquele encontro por um teste de Deus.

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Outro dia Francisco entrou numa antiga igreja de São Damião para orar. Seu coração estava fervendo de vontade de fazer alguma coisa de boa para Deus. De repente uma voz veio ao seu coração:

— Francisco, restaura a minha igreja!

Ele olhou para os lados e viu que aquela igreja estava em ruínas, as pedras caídas, os bancos velhos e estragados, o altar completamente abandonado. Francisco pensou que Deus o estava chamando para consertar aquela capela. E foi o que ele fez. Sem esperar autorização, vendeu tecidos que eram de seu pai e juntou dinheiro o suficiente para fazer a reforma.

Seu pai ficou uma fera; pensou que seu filho estava ficando maluco, só querendo saber de coisas de Deus. E até que ele tinha razão. O Evangelho parece loucura para quem não crê. O pai quis o dinheiro de volta e quis ainda deserdar o seu filho. Francisco devolveu o dinheiro, e também as sandálias, a capa e suas roupas do corpo.

Francisco saiu de casa usando apenas uns farrapos velhos e foi em direção à floresta gelada, dizendo:

— Bom, Pietro Bernardone não é mais meu pai. Agora posso orar com toda a liberdade, “Pai Nosso que estás nos céus…”

E assim Francisco seguiu mundo afora, dono de coisa nenhuma, possuindo todas as coisas. E pedindo a ajuda de muitas pessoas, ele reconstruiu a igreja de São Damião.

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Pessoas e mais pessoas se juntaram a Francisco em seu voto de pobreza e despreendimento. Eles dormiam ao relento, vivendo como andarilhos. Aprendiam com ele a repartir e socorrer os que não tinham nada. Aprendiam que a gente precisa de bem pouco para ser felizes, que é possível ser pobre mas ter dignidade, que é preciso ser solidário com os outros, pois somos todos irmãos, e este mundo em ruínas tem que ser reconstruído.

Para Francisco de Assis, toda a natureza faz parte da grande família de Deus: estrelas, planetas, animais, plantas, e seres humanos. Dizem que certa vez Francisco estava caminhando com seus discípulos e viu vários pássaros à beira da estrada: canários, pardais, corvos, pombos… Francisco deixou seus irmãos na estrada e foi para perto dos pássaros. Quando Francisco chegou perto deles, os pássaros não fugiram. Impressionado, ele perguntou se eles queriam ouvir a palavra de Deus.

Assim, ele começou a pregar aos pássaros que ouviam com atenção:

— Meus queridos irmãos, Deus deu a vocês roupagens tão lindas, penas coloridas, asas tão belas e leves. O nosso Pai também tem dado a vocês as sementes para comer todos os dias. Além de tudo isso, ele lhes deu uma voz tão harmoniosa e bela. O Pai os proteje e sustenta, por isso devemos louvá-lo a cada novo dia.

Parece que ao ouvirem isso os pássaros começaram a cantar ainda mais intensamente, como se entendessem o que Francisco estava dizendo. Francisco os abençou e voltou para a estrada entusiasmado:

—Puxa vida, por que eu não fiz isso antes? Foi maravilhoso!

Francisco socorreu muitas pessoas, consolou, exortou, animou. Com o passar do tempo, a sua saúde foi ficando cada vez mais frágil. Ele ainda era jovem, mas pouco a pouco foi perdendo a visão. Deve ter sido muito doloroso para ele, que amava tanto a natureza, as cores dos pássaros, do céu, das nuvens, dos rios, não poder mais enxergar a beleza da criação. Mas é justamente nesse período mais difícil de sua vida que ele compôs o maravilhoso “Cântico do Irmão Sol”.

Pela sombra longa da tarde ele vem cantando,

Repartindo tudo o que tem de melhor.

A floresta faz uma festa quando o vê passando,

E o seu canto, todos já sabem de cor.

Como vai irmão Sol? Veja só quem chegou?

Uma estrela no céu! Irmã Lua brilhou!

Sou Francisco e estou tão feliz por viver!

.

Irmão Vento, me diz: Amanhã vai chover?

Irmão Fogo, que bom é poder te rever.

São Francisco, é isto aí, muito prazer!

.

Quando a noite abraça a Irmã Terra já adormecida,

Ele conta belas histórias de amor.

Seus amigos, tão comovidos, sonham com a vida

Que será mais cheia de luz e calor.

são francisco

Quando criança, Patrício via e ouvia seu pai ler as Escrituras Sagradas muitas vezes. Ele também ouvia seu pai orar e cantar louvores a Deus. Seu pai era um camponês e diácono da Igreja, e seu avô tinha sido um grande pregador. Mas Patrício ainda não tinha conhecido verdadeiramente a Deus.

Patrício sempre viveu muito próximo da natureza. Por ser um camponês, não teve a chance de estudar em um bom colégio nem conheceu a agitação da cidade grande. Ele amava as montanhas e mares do seu país, o país de Gales, os riachos, as estrelas, o vento forte, o povo simples, os muros de pedra e a leveza da música.

Quando Patrício tinha 16 anos de idade, sua vila foi invadida por piratas. Muitas pessoas foram mortas e muitas casas foram destruídas. Patrício foi raptado e levado como prisioneiro para terras estranhas.

Depois de longas caminhadas, com as mãos amarradas, e de uma longa viagem de navio, Patrício foi finalmente vendido como escravo na Irlanda para um homem chamado Milchu.

Assim ele viveu em terra estranha, no meio de um povo diferente e que vivia de um modo diferente. Durante seis anos, Patrício trabalhou como escravo, tomando conta de uma manada de porcos.

Vagando pelos campos, cuidando dos porcos, sentindo no rosto o vento, contemplando as nuvens do céu e as estrelas, Patrício foi descobrindo verdadeiramente a Deus. Ali seus olhos foram abertos e ele percebeu que Deus já o conhecia e protegia há muito tempo.

Com o passar dos anos, Patrício foi se tornando um homem de oração. Ele orava várias vezes durante o dia e também a noite. Enquanto trabalhava, cantava louvores a Deus. Nos momentos mais sombrios da sua vida, Deus era como um sol que nascia em sua vida e apagava as tristezas da noite.

Certa noite Patrício teve um sonho especial. Ele sonhou que estava voltando ao seu país. Naquela mesma noite ele ouviu uma voz que o chamava:

— Patrício, é melhor se apressar. Você irá para casa logo.

Em seguida, ele ouviu uma voz dizendo:

— Olha, o navio está pronto!

Naquele mesmo instante, Patrício se levantou no meio do campo e caminhou por trinta quilômetros. Assim ele fugiu da casa onde vivera como escravo durante seis anos.

Patrício chegou ao porto, encontrou um navio que estava para partir e tentou convencer os homens a recebê-lo. O comandante do navio ficou muito irritado e respondeu rispidamente:

— Mas de jeito nenhum!

Ao ouvir isso, Patrício voltou entristecido para o seu esconderijo e começou a orar, e antes de terminar a sua oração, ele ouviu uma voz que dizia:

— Vem rápido que eles estão te chamando!

Patrício voltou imediatamente e, quando chegou ao porto, os homens do navio disseram:

— Tudo bem, venha conosco.

Aqueles homens eram pagãos, isto é, nunca tinham ouvido falar de Jesus. Patrício tinha esperanças de repartir com eles a fé que tinha no evangelho de Cristo. Assim, Patrício entrou no navio e logo estava em alto mar, em direção a França.

A viagem de retorno foi muito difícil e perigosa. Eles quase morrem de fome. Foram três dias navegando pelo mar e vinte e oito dias de caminhada pelo meio de uma região deserta.

Os homens que acompanhavam Patrício estavam exaustos e diziam:

— Como é, cristão, você não disse que Deus o amava? E aí, será que esse Deus não pode nos ajudar?

Patrício respondeu:

— Abram o coração para o amor de Deus. Para Ele não há impossíveis. Hoje mesmo encontraremos comida.

Foi assim que mais à frente encontraram uma manada de porcos selvagens. Os homens puderam assim matar a fome. Mais à frente encontraram mel silvestre. Aqueles homens louvaram a Deus e passaram a respeitar Patrício.

Ao chegar em sua terra natal, Patrício buscou um jeito de estudar mais as Escrituras Sagradas e conhecer os grandes pensadores do povo de Deus. Ele reconhecia a bondade de Deus em sua vida, admitia também a sua própria imperfeição e estava disposto a servir Aquele que tinha salvo a sua vida.

Assim Patrício voltou para França e entrou para o mosteiro de Tours e Lérins. Ali ele permaneceu por muitos anos. Certa noite Patrício teve uma visão. Ele viu um homem que se chamava Victoricus e que vinha da Irlanda trazendo muitas cartas. Ele deu a Patrício uma dessas cartas e Patrício começou a ler:

— A voz dos irlandeses.

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E enquanto ele lia, parecia ouvir a voz daqueles que um dia estiveram ao seu lado na floresta de Foclut, perto do mar. Eles gritavam em uma só voz:

— Nós te suplicamos, jovem piedoso, vem e caminha entre nós novamente.

Patrício tornou-se bispo missionário. Como conhecia a cultura e a linguagem dos celtas, seu desejo era tornar-se missionário entre os irlandeses. Assim ele foi até a Irlanda e viajou por toda a ilha, evangelizando, pregando, anunciando Jesus para aquelas pessoas, organizando igrejas e mosteiros.

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Patrício reencontrou seu antigo mestre Milchu e falou a ele de Cristo. Milchu se converteu e assim também muitos chefes e líderes daquele país. Patrício anunciou o nome de Jesus até mesmo diante de governadores e reis.

Patrício não tinha muita instrução mas era um homem que vivia em comunhão com Deus, sempre dependendo da Sua bondade. Ele se considerava apenas um camponês:

— Eu sou apenas uma pedra jogada no fundo do pântano. Mas o Deus Poderoso me pegou e me colocou, em sua misericórdia, no topo do muro. De lá de cima quero gritar Sua misericórdia para sempre!

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Amigo vento, quero ouvir a novidade,
Um movimento que me faça regressar,
Um bom momento que me dê a liberdade,
O cumprimento da vontade de chegar.
A flor do campo diz que Deus é que garante
O novo canto e o desejo de cantar.
O passarinho se alimenta e não semeia
E vai cantando até o dia clarear.

Eu vou sair pelas abas da montanha,
Atravessar os riachos que encontrar,
Redescobrir os caminhos que me levam
Para perto dos que vivem junto à sombra do meu lar.
Vou navegar pelos mares mais distantes,
E navegantes quero eu acompanhar.
Eu vou soltar as amarras que me prendem
E as velas que me levam para bem de navegar.

Amigo vento, sei que a noite é muito fria,
Mas tem estrelas para me agasalhar.
Ao meio dia, a panela tá vazia,
Mas tenho fé que ainda vou me alimentar.
O mar aberto anda meio agitado
O seu abraço me aperta sem parar.
Mas sei que Deus caminha sempre do meu lado
Na tempestade Ele vai me orientar.

amigo vento

Fiz uma série de canções sobre a vida de algumas pessoas tiveram comunhão intensa com Jesus. A série foi publicada em forma de livro e CD com o título Amigos de Jesus. Compartilho aqui a primeira das canções: “Eu sou feliz” (uma canção para Ambrósio).  A intenção era dialogar com o público infanto-juvenil e  pré-adolescentes.

O menino Ambrósio está saindo da escola e caminha pelas ruas da velha cidade de Roma. Ele é muito estudioso e carrega um monte de livros debaixo dos braços. Como ele gosta muito de poesia e música, vai cantando pelas ruas de Roma.

Com o passar dos anos, Ambrósio se tornou um grande advogado. Seus discursos eram muito bem feitos e convenciam a platéia.

O sucesso dele foi tão grande que no ano 369 o imperador o nomeou governador de duas importantes regiões da Itália: Liguria e Aemilia.

Ambrósio morava em Milão, uma grande e importante cidade da Itália. Quando o bispo de Milão morreu, houve um grande tumulto na cidade entre dois partidos diferentes, cada um querendo ocupar o cargo vago.

A confusão foi tão grande, que o governador Ambrósio foi obrigado a tentar acalmar o povo, para ajudá-los a chegar a uma solução e escolher com calma o novo bispo.

Enquanto ele dava um passo à frente e falava à multidão, ouviu-se uma voz de criança, que vinha do meio do povo, e dizia:

—Ambrósio para bispo!

Deu para ouvir claramente. E logo a multidão começou a gritar em uníssono:

—Ambrósio para bispo!

Ambrósio levou um susto tremendo, ficou horrorizado, gaguejou, vacilou e disse:

—Mas gente, isto é um absurdo! Eu nem sou batizado!

Mas o povo insistiu e queria que Ambrósio se tornasse o bispo.

O povo insistiu e o imperador confirmou a decisão. Assim Ambrósio se tornou o bispo de Milão, mesmo não querendo.

Ambrósio bem que tentou se esconder na casa do seu amigo chamado Leantius, mas não teve jeito. Uma semana depois e foi batizado e consagrado bispo.Ambrosius-02

Apesar de conhecer tudo sobre literatura, política e leis, Ambrósio sabia muito pouco de religião. Mas como ele era um homem muito inteligente e estudioso, foi logo fazer um curso intensiso de Bíblia e leu muitos escritores cristãos.

Ambrósio foi compensando a falta de uma instrução teológica com bastante estudo e leitura orientada pelos cristãos mais experientes.

Ao se tornar bispo, Ambrósio abandonou todas as suas propriedades, as terras, as inúmeras casas que possuía, herança, dinheiro, tudo, mas jamais abandonou sua vida simples, sua humildade, seu jeito sincero de viver e conviver com as pessoas.

Ambrósio se tornou um grande pregador do Evangelho e combateu, através de longos debates, o ensino dos arianos, que diziam que Jesus Cristo não era Deus. Ele tinha bons argumentos, bons exemplos, muita sabedoria em tratar assuntos complicados e delicados. Deus dava a ele muita iluminação.

Ambrósio também combateu a idolatria. Ele não concordava com o povo que fazia ídolos de madeira ou ouro, que cultuava falsos deuses.

Por isso ele foi contra um grupo de pessoas que queriam de volta o culto da deusa Vitória, uma divindade romana que exaltava a guerra e a violência. Se ele vivesse em nosso tempo, com certeza, teria muito a dizer a respeito da violência do nosso mundo.

Certa vez, o imperador Teodósio autorizou o massacre dos moradores da cidade de Tessalônica por causa do assassinato de um governador.

Ambrósio não concordou com o massacre e falou diretamente com Teodósio. Ele deu de dedo no imperador e o acusou publicamente, exigindo que reconhecesse o erro que havia cometido. Teodósio ficou uma fera, mas aceitou a advertência de Ambrósio e pediu desculpas publicamente pelo seu erro.

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Ambrósio gostava muito de poesia e de música. Com amor e cuidado ele ajudou a preservar e divulgar os hinos dos cristãos. Ele mesmo ajudou a compor muitos hinos. Alguns deles chegaram até nós.

Eu sou feliz! Eu sou feliz e é pra valer.
Ah, mas como é bom estar aqui com vocês!
Eu sou feliz! Eu sou feliz!
Porque o amor de Deus me quis pra estar bem junto de vocês.

Eu sou feliz! Eu sou feliz! Nem sei dizer.
Ah, mas como é bom estar aqui com vocês!
Aquela voz tão doce foi que chamou
E aqui estou porque enfim chegou a minha vez.

Eu vou cantar até o sol nascer mais cedo,
Continuar até fazê-lo compreender
Que eu sou feliz! Eu sou feliz!
Agora sou feliz! E muito mais feliz!

Eu vou falar até que o príncipe me escute
E ame o povo que precisa de atenção
Pra ser feliz! E ser feliz!
Viver e ser feliz! Amar e ser feliz!

Eu vou dizer pra quem lamenta a sua sorte
Que Deus é forte e faz a gente desejar
E ser feliz! E ser feliz!
Sonhar e ser feliz, e muito mais feliz!

eu sou feliz

SDC-2009-1031Hoje pela manhã (terça-feira, 30 de março) dirigi uma hora devocional no 26º Som do Céu, em Belo Horizonte (MG). O encontro reúne músicos, artistas, poetas, pastores e jovens líderes de todo o Brasil. Sotaques nordestinos se misturam a sotaques cariocas, paulistas, goianos, mineiros, baianos, mato grossenses e catarinenses. O catarinense, nesse caso, sou eu.

Convidei os presentes à leitura de Gênesis 28.10-22, trecho que traz a história de Jacó fugindo da região deserta Berseba após enganar seu irmão Esaú e seu pai Isaque. Ameaçado de morte e temendo por sua vida, Jacó põe o pé na estrada. Mais adiante, cansado da viagem e vendo o dia anoitecer, escolhe um canto para passar a noite.

Não tendo outra alternativa, escolhe uma pedra do caminho e a usa como travesseiro. Reclinado sobre a pedra e olhando para o céu, Jacó vê as estrelas, a claridade da lua e a sombra das nuvens que passam ao redor. Absolutamente exausto da caminhada, adormece e sonha.

No seu sonho, vê anjos celestes que descem por uma escada até o chão e depois voltam a subir. De repente o Senhor coloca-se ao seu lado e fala com ele: “Eu sou o Senhor, o Deus de Abraão e o Deus de Isaque. Darei a você e a seus descendentes a terra na qual você está deitado, seus descendentes serão numerosos como o pó da terra… você será uma bênção para todos os povos da Terra… estarei com você por onde quer que vá… eu o trarei de volta… cumprirei todas as minhas promessas…”

Jacó acorda de repente com uma fortíssima sensação da presença de Deus, uma misto de alegria, temor, emoção e desejo de adorar. Ele diz: “Sem dúvida o Senhor está neste lugar e eu não sabia!”. Então começa a adorar a Deus. E essa adoração vem reação, como resposta à manifestação e Palavra de Deus. A fim de adorar a Deus, é preciso que tomemos consciência de que Ele está presente em nossa vida.

Enquanto estamos ocupados em atos litúrgicos e práticas de culto que funcionam mais ou menos independentemente do saber que Deus está presente, nossa suposta adoração não passa de idolatria e de exercício vazio. Mas quando tomamos consciência de que não estamos sós, de que o Deus criador e salvador está conosco, então nossa adoração ganha profundidade, verdade e integralidade.

Logo depois daquele noite, ao acordar, Jacó toma o travesseiro de pedra e o transforma em altar de adoração ao Senhor. Ele o põe o altar de pé e o unge. Aquele lugar passa a se chamar Betel: Casa de Deus.

Nossa arte, nossas canções de adoração, nossos poemas, nossos textos devocionais e meditativos não passam de pedras tiradas do caminho, sobre as quais repousamos nossos sonhos e que transformamos em altar para o Senhor. Elas são também marco dos lugares por onde passamos e das experiências vividas com Deus. São parte de nossa resposta de fé, são sinais de nossa aliança com o Senhor.

Agora, ao escrever este texto, num quarto do Acampamento da MPC, sentado numa cama e recostado num travesseiro confortável, sinto vergonha da experiência daquele homem que, ao relento e num travesseiro de pedras, conseguiu sonhar os sonhos de Deus. Que imensa graça é essa que me segue. Sonharei e andarei com Ele.