Infelizmente na sociedade em que vivemos, a realidade do divórcio é muito presente. Não são poucos os jovens que entram na relação matrimonial contanto com a possibilidade de que a relação não venha a ser duradoura. No entanto pouco se pensa e fala sobre as conseqüências do rompimento para as partes e, principalmente para os filhos, quando os há, envolvidos. Em geral não se avaliam as seqüelas que podem advir de uma relação rompida, mas mal resolvida. Neste âmbito existe um campo fértil para as disfunções e doenças.

No processo do casamento acontecem dois tipos diferentes de pacto entre os cônjuges. Um deles é expresso e público, sendo formado pelos votos formais, enquanto o outro é um pacto secreto. Este tem a ver com as expectativas internas de cada parte em relação ao casamento. Quando a relação acaba muitas vezes os cônjuges não conseguem fazer uma separação no âmbito do pacto secreto. Nestes casos o divorcio torna-se muito penoso, em geral gerando acusações mutuas, cobranças, envolvimento dos filhos nas discussões e freqüentemente pratica-se a alienação parental, quando uma ou ambas as partes, fazem difamações e falam mal do outro progenitor. Os filhos, por sua vez, entram num conflito de lealdades, pois amam a ambos os pais e sentem-se impelidos a tomar partido de um ou de outro.

O  pacto é formado pelo casal e assim também deve acontecer a finalização do mesmo, sendo que o grande desafio na separação é preservar o vinculo parental. Quando existem filhos torna-se necessário negociar novas formas de interação entre o casal e entre os pais e os filhos. Haverão novas demandas, formadas pelas casas diferentes, novas funções, surgidas na separação, a serem definidas.

Na prática clinica observa-se que os filhos sempre sofrem com a separação dos pais, e quando esta é violenta a criança muitas vezes toma sobre si a culpa pelo término da família. A separação gera angústia e insegurança, pois a criança somente se sente segura quando está com a família intacta, ou se a separação foi muito bem trabalhada.

Em atendimento a uma cliente adulta jovem, esta me relatou que durante toda a sua infância sentia as constantes ameaças de separação de seus pais como uma espada sobre a sua cabeça. Esta moça, que tem mais quatro irmãs, relata que os pais perguntavam a elas, com qual deles cada uma gostaria de ficar, nela esta atitude gerava extrema angústia, lembra-se que preferia ficar com a mãe, mas por amor à suas irmãs mais novas, achava que deveria escolher ficar com o pai, gerando um conflito interno entre o próprio bem-estar psíquico e a responsabilidade pelos membros mais fracos da família.

Portanto creio que apesar de acreditar no casamento e trabalhar para que o mesmo não se dissolva, devemos estar preparados para ajudar famílias neste processo doloroso a fim de que os danos decorrentes da separação sejam minimizados.

Dagmar F. Grzybowski

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