Abraão é o patriarca a quem Deus chama para deixar sua terra e toda sua parentela para ir a uma terra longínqua com uma promessa de ter uma família abençoada e abençoadora (Genesis 12:1-3).

Ele vivia inicialmente com seu pai (Terá) e seus dois irmãos (Naor e Harã) (Gen. 11:27) em meio aos caldeus, na cidade de Ur. A morte de Harã (Gen. 1:28) parece precipitar a saída de Terá de Ur, indo estabelecer-se em um local ao qual deram o nome do filho/ irmão falecido (Harã – Gen. 1:31).

Em uma noite de escuras emoções, Abraão ouve a voz de Deus que lhe pede para deixar sua família e ir para outra terra, onde seria abençoado e pai de uma imensa nação. A inquietante proposta incluía abandonar Sara? Afinal esta não lhe dava filhos (Gen. 11:30). Sara estava ali, deitada a seu lado, acariciando-lhe os pés e o toque de sua pele ampliava a agonia de sua decisão.

Por um lado tinha presente em sua mente a voz que lhe havia indicado sair do meio de sua família, por outro lado algo totalmente novo o inquietava em seu corpo de uma forma estranha, abandonar a família era também abandonar-se às carícias dessa mulher que naquele instante sequer podia ver seu rosto, apenas podia sentir sua pele.

As emoções daquele instante ficaram gravadas na pele de Abraão, que a partir de então não seria mais o mesmo. Se Deus os atraiu para esse caminho incerto, o mesmo Deus confirmaria a ele, na proximidade da mulher, uma presença contundente, que instaura em Abraão a masculinidade, terreno onde a promessa fundaria seu significante inicial.

Assim principia a história destes caminhantes errantes, que vagueiam pela terra em um pacto de fidelidade – modelo estruturador de toda fé. Sendo Sara estéril, Abraão tinha o aval cultural para descartar sua esposa e buscar outra mulher, mas no vínculo da fidelidade à uma só carne a fé vai se estruturando em um crescente, que se inicia com cambaleantes passos.

No Egito Abraão descobre o quanto Sara é deslumbrante como mulher – uma mulher na meia-idade ainda linda e desejável aos olhos do Faraó. Nesse evento passional inesperado surge um primeiro caos: tudo se mescla para Abraão. As diferenças entre o erótico e o medo, entre vocação e lembranças, entre a esposa e a parente (afinal Sara era também filha de Terá – Gen. 20:12). Nesse conflito surge o novo e a vida se manifesta como intimidade. Da mesma forma que Deus cria homem e mulher, ele também cria a intimidade.

Essa intimidade tem a origem em uma separação (deixar a família) em base da Palavra de Deus e que tem também como horizonte um filho e no horizonte longínquo O FILHO. A intimidade erótica, estruturada sobre a fidelidade, é protegida por anjos que, tal como com José e Maria, guardam a imaturidade dos medos (Gen. 18:1-2). Os anjos são também os significantes vivos que tornam real a promessa original da Palavra.

Por sua vez o desfrute é delimitado por uma espera e essa delimitação torna-se visível no tempo acumulado que se registra na própria pele.

Essa grande descoberta do invisível é a própria vida, que revela a intimidade, conduzindo a carícia e mantendo lúcida a consciência, na estreita proximidade com o fracasso: essa descoberta da intimidade será a fé! Esse novo fenômeno, originado na intimidade e gerado pelo desespero, que assegurará a Abraão o melhor lugar no rol dos personagens do Antigo Testamento.

A fé é a conquista que amadurece no esperar. Uma espera onde se aprende e suportar o desespero como momento complementário do prazer. A fé, por outro lado, é a saída da confusão que se produz quando um projeta no outro os conteúdos imaginários do desejo. Portanto a “anaformose” (processo no qual o rosto vai se transformando infinitamente) é a experiência necessária para produzir de maneira sonora a palavra “te amo”. Palavra que é a plenitude da vida e que surge sempre da fé, cujo pai é Abraão.

Fé que não se estabelece como um fato e sim como processo gradativo, titubeante num labirinto de equívocos – como Hagar (Gen. 16:4), e que precisa de muitas reafirmações: Gen. 12:1-3; Gen. 14:19; Gen. 15:1-6; Gen. 17:1-2; Gen.18:10. Fé que se reafirma como a “certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”.

* (texto escrito em parceria com Dr. Carlos José Hernandéz – psiquiatra argentino)

Por que pastores se deprimem? Como pode um homem de Deus ficar tão abatido assim?

 

Andrew Keller/Freeimages.com

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De acordo com o Instituto Schaeffer, “70% dos pastores lutam constantemente contra a depressão, 71% se dizem esgotados, 80% acreditam que o ministério pastoral afeta negativamente suas famílias e 70% dizem não ter um amigo próximo”.

A causa mais comum noticiada para o suicídio de pastores e líderes é a depressão, associada a esgotamento físico e emocional, traições ministeriais, baixos salários e isolamento por falta de amigos.

 

DEPRESSÃO:

Por que pastores se deprimem? Como pode um homem de Deus ficar tão abatido assim?

– A Bíblia menciona homens e mulheres fiéis que ficaram neste estado e que desejaram morrer — entre esses estão Rebeca, Jacó, Moisés e Jó. — Gn 2522; 37.35; Nm 11.13-15; Jó 14.13. Especialmente Elias (1 Reis 19.4)

– Elias teve um ministério de sucesso: previsão da seca; ressuscitou uma criança; enfrentou os profetas de Baal; etc.

– Tinha vigor físico – correu à frente do carro de Acabe (1 Reis 18.46) – ou seja, não tinha problemas físicos;

– Uma ameaça real – jurado de morte – fez perder o sentido da vida em um escalonamento (1 Reis 19.3 e 4):

  • Preocupação com a vida
  • Isolamento social
  • Desistência da vida

– O medo de perder a vida paradoxalmente o fez perder o sentido da vida

– Escalonamento de vitimização:

  • Ocorre em relacionamentos simétricos quando não há concordância sobre as posições de superioridade e sujeição na relação
  • Podem brigar pelo controle em suas posições (de superioridade ou sujeição) – existe pouco consenso em relação às posições e ambos acabam se sentindo vítimas
  • A escalação sacrificial se dá quando quem ganha perde

– Ameaças reais que se interpõe na vida cotidiana – podem ser o ‘gatilho’ para desencadear a falta de desejo pela vida:

  • falência financeira
  • término de um relacionamento amoroso – divórcio
  • perda do emprego
  • perda de uma pessoa amada, de um filho
  • fracasso profissional – injustiças
  • abandono social – falta de amigos

 

ESGOTAMENTO FÍSICO E EMOCIONAL:

Descanso e saúde:

– Trabalho e descanso marcam um ritmo vital

  • São atitudes complementárias
  • Uma iniciativa humana que se articula complementarmente através do “descanso” com a natureza própria da vida

– Quando o homem descansa, ele não interrompe sua tarefa vital, apenas a significa

  • Outorga um sentido – trabalha confiante que sua tarefa é um prolongamento de uma bondade que se afirma no próprio Deus
  • O trabalho do homem não se assegura em um rendimento transacional, mas em uma mutualidade originada na doação do tempo que cada um de nós recebe com um presente.

– Descansar é um comportamento que surge de estar existencialmente “confiado”:

  • Crer que cada um faz o que faz a partir de uma “boa vontade”, ou seja, da própria espontaneidade da vida
  • É deixar que a beleza da rosa o atravesse, enquanto se trabalha e criar com o martelo que labora os ritmos de descanso que o florescer da rosa convida
  • Descansar é imprescindível para uma vida saudável:
    • Descansar significa “ser capaz de distanciar-se daquilo que nos torna obsessivos”
    • Esta disposição está ligada à nossa corporalidade e é independente de nossa vontade – não pode ser fabricado, apenas chega a nós
    • O descanso é aquilo que nos faz dormir em paz
  • As manobras da sociedade de consumo:
    • A tentativa de descanso através da “prótese”: excesso de álcool, tranquilizantes, compulsões (do turismo merecido até a religião tóxica, passando por uma sexualidade de performance)
  • O descanso é como uma visita que realça a hospitalidade própria do amor, criando uma nova fecundidade onde o cansaço havia obscurecido a esperança
  • Em síntese: descansar é RE-VIVER!

 

FALTA DE AMIGOS:

  • Pastores têm poucos amigos, às vezes nenhum.
  • Em reuniões exclusivas para pastores, a maioria conta proezas, sucessos, vitórias e conquistas na presença dos demais, num clima de competição para mostrar que possui êxito no exercício ministerial.
  • Na conversa íntima dos consultórios, o sofrimento se revela.
  • Pastores contemporâneos são cobrados como – e muitos se sujeitam a ser – executivos que precisam oferecer resultados numéricos às suas instituições.
  • Há uma relação circular perversa de falso significado de sucesso: pastor e instituição se conluiam em uma rota autodestrutiva
  • A figura do pastor-pai-cuidador está escassa; aquele que expõe a Palavra à comunidade-família, aconselha os que sofrem e cuida dos enfermos e das viúvas.
  • Há uma crise de identidade funcional entre o chamado pastoral e as exigências do mercado religioso institucional.

 

Estratégias de poder
Poder SOBRE:
Estratégias de compaixão
Poder COM:
curar cuidar
expert ajudador
técnico interação
distância emocional envolvimento
unidirecional circular
razão imaginação
 
quando me sinto responsável

pelo outro “eu”

quando me sinto responsável

pelo outro “eu”

falo escuto
dirijo convido
coloco/retiro sintonizo
protejo animo
resgato compartilho
controlo relevo
interpreto sou sensível
 
eu me sinto eu me sinto
ansioso livre
cansado solto
temeroso alerta
obrigado corresponsável
 
eu estou comprometido com eu estou comprometido com
a solução relacionar alma com alma
respostas sentimentos
circunstâncias pessoas
estar bem ter compaixão
 
espero que a persona viva minhas expectativas confio que o  processo me permita dançar com…

 

ALGUMAS ALTERNATIVAS:

Pastores:

  • Encontrar um amigo que o aceite como é, com suas bobagens e defeitos, com quem se possa “jogar conversa fora” e não se saiba explicar o porquê da amizade.
  • Encontrar um conselheiro ou terapeuta de confiança para abrir a alma.
  • Ter tempo para o SHABATT – fora do padrão compulsivo
  • Descobrir a importância do “descanso relacional”
  • Estar atento às relações de escalonamento sacrificial – especialmente com a instituição (representada por dirigentes/membros obsessivos)

Instituições:

  • Promover encontros de pastores que possuam caráter terapêutico/curador. Com facilitadores habilitados na condução de compartilhamento de emoções que afetam a vida pastoral;
  • Diminuir as pressões de resultados numéricos sobre a função pastoral.
  • Estar atenta a um padrão mínimo de orçamento-salário pastoral, para que ele e sua família não sofram privações.
  • Desmitificar pseudo-hierarquizações: papéis x poder, realçando a humanidade de todos e o pertencimento mútuo.

Muitos dos conflitos conjugais surgem quando cada uma das partes busca a satisfação de seus interesses individuais e não encontra ressonância do outro na mesma direção, ou seja, quando eu desejo muito a realização de algo e o outro pensa de forma distinta ou não está de acordo com o que desejo/penso.

A partir da leitura do Genesis (a gênese da criação de todas as coisas) verificamos que homem e mulher, juntos, descobrem a maravilha da intimidade. Durante o sono Deus retira um osso e um pedaço de carne próximo ao coração do homem transformando-o no corpo da mulher (Gen. 2: 21-23). Conforme o psiquiatra argentino Carlos Hernandéz, a formação desse novo corpo modificaria para sempre o estímulo que faz funcionar o coração do homem (da mesma forma que o estímulo do coração da mulher, que tem sua origem na carne do homem), tornando tal estímulo assimétrico – essa assimetria na condução do estímulo cardíaco, milênios depois se conheceria como “emoção”.

A emoção é a vivencia mais profunda que a atração do outro provoca em mim e que é inexprimível em palavras – às vezes se expressa em um suspiro – que nos toma e nos encanta. No livro de Gênesis esta emoção transforma-se na primeira expressão da fala humana registrada: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada” (Gen. 2:23). Esta fala se refere ao reconhecimento da mulher como ser complementário e a consequente passagem do “eu-auto-centrado” para o relacional e a demarcação do início do desfrutar da intimidade.

Uma intimidade relacional que tem na transparência plena (Gen. 2:25) o símbolo de sua essência. Neste contexto a mulher torna-se propulsora do amor incondicional, pois sem a presença desta mulher o homem seria incapaz de vivenciar a dimensão relacional e o mistério do amor incondicional: ser amado pelo outro em toda a minha torpeza. Intimidade que algumas vezes só pode ser expressa de forma metacomunicacional, através do toque – tocar o outro para comunicar algo que não se pode exprimir em palavras.

Esse toque que, para expressar a ternura, precisa de uma RE-organização neurofisiológica: do movimento retensivo/possessivo para o movimento distensivo/de entrega. O movimento retensivo (aquele que flexiona o antebraço sobre o braço e faz os dedos da mão se fecharem) é uma construção neurológica codificada desde os tempos mais remotos da humanidade caída (do “homo coletor”, que juntava alimentos no chão – hoje “homo consumidor” que junta alimentos nas prateleiras dos mercados). Para que esse movimento retensivo (em minha direção) se torne um movimento distensivo (em direção ao outro) é preciso uma conversão profunda – que vai contra todos os paradigmas da sociedade do consumo.

Enquanto foco no que o eu-auto-centrado desejo e penso, mantenho o condicionamento retensivo/possessivo, que é um movimento gerador de tensão. Somente quando passo ao movimento distensivo/ de entrega é que produzo relaxamento e promovo o relacional. E é somente assim que comunico a verdadeira emoção da ternura, “permitindo que a pele do outro direcione o meu toque” (Carlos Hernandez).

Assim a resolução da maioria dos conflitos conjugais passa por essa conversão “mais profunda”, de nossa organização neurológica, transformando o movimento de retensão em movimento de distensão, a tensão em relaxamento, o eu-auto-centrado no relacional!

Opi_04_05_16_familia - HOMEHá muita discussão acadêmica a respeito do significado do termo “família”, que varia desde as concepções culturais às pós-modernas. Entretanto uma coisa é absolutamente certa: só nos tornamos plenamente humanos dentro de um contexto familiar!

A construção deste grupo social começa com uma dimensão do mistério que chamamos “paixão”, isto é, quando duas pessoas se conectam, sem saber exatamente o que as atrai, e decidem partilhar juntas da caminhada da vida. Este mistério leva a outro, ao transformar unidades em uma unidade – algo difícil de se pensar em nossa forma ocidental, cartesiana e linear de reflexão!

É exatamente essa unidade que reflete a “Imago Dei”, pois Deus é uma tri-unidade relacional que nutre uma misteriosa paixão pelo ser humano! Neste sentido, o início da família é algo intrinsicamente espiritual, embora a sociedade secularizada queira transformar essa essência em uma instituição e desvirtuar o sentido de unidade em uma “república conjugal”, num retrocesso ao eu-autocentrado (focado em si mesmo) – única coisa que não era boa em toda a criação!

Tornar-se família pressupõe dois elementos essenciais: diferença e complementaridade. O crescimento de um organismo só se dá “em relação a” e isso pressupõe a diferença. Já a complementaridade se dá no reconhecimento da incompletude e da limitação de si enquanto “indivíduo” – reconhecendo a necessidade do outro (seja na vivência íntima a dois, seja na vivência comunitária) para a plenitude.

A família também é o espaço da vivência do amor incondicional, pois sem a presença do outro seriamos incapazes de vivenciar a dimensão relacional e o mistério de ser amado em toda a nossa vileza e sordidez.

Esse espaço do amor incondicional é âmbito perfeito para a geração da vida – que se traduz tanto nas novas vidas gestadas e cuidadas, como na vida plena, fruto das relações harmoniosas. Essa vida é outro mistério que nos assombra, gerada a partir de duas células que ao se unirem formam uma nova unidade (outra unidade de unidades), sendo esta unidade preenchida com o sopro divino — Ruah (algo de Deus em cada ser).

O reducionismo da vida à dimensão exclusivamente biológica, retirando desta a dimensão do mistério, autoriza o controle obsessivo sobre a mesma e a fantasia de determinação de quando ela se inicia e quando pode ser interrompida.

A vida gerada precisa ser cuidada até atingir sua maturação e maturidade, sendo que o melhor lugar para este cuidado afetivo é no contexto de segurança que se oferece ao ser em desenvolvimento e no modelo de amor sacrificial e incondicional. Maridos e esposas devem garantir aos filhos que eles se amam incondicionalmente e que permanecerão juntos, dando assim liberdade para os filhos desenvolverem plenamente todas as suas capacidades. Quando a maior preocupação dos pais é deixar legados patrimoniais, os filhos correm o risco de se tornarem apenas gestores de uma “empresa familiar”, onde o afeto já não se manifesta de forma espontânea e contínua, e apresentarão sintomas de toda ordem.

O desafio que se nos apresenta, como cristãos, é ter uma mente crítica e “crística” (Rm 12.2) para ultrapassar (em muito) os valores satanizados de uma sociedade que conspira contra o casamento, a família e a vida!

Nota: artigo publicado originalmente pela Aliança Evangélica Brasileira, com o título “Família: um lugar para formação do ser!”.

Hoje as mulheres conquistaram muito espaço em todos os âmbitos da sociedade.

São presidentes, como a Dilma, 1º ministro, como a Angela Merkel da Alemanha, cientistas, medicas, professoras,  militares, etc., e também continuam a ser donas de casa e mães.

A realidade nem sempre foi assim, as mulheres de todos os séculos sofreram discriminação e muitas vezes foram subjugadas ao poder masculino. As duas ondas do movimento feminista – no início do século XX e nos anos 60, as duas guerras mundiais, entre outros, procuraram mudar esta situação, sendo importantes nas conquistas de muitos direitos da mulher tais como: o voto, o direito ao trabalho, direito aos filhos.

No entanto, como em todas as revoluções sociais, aconteceram vários desequilíbrios e a mulher fez estas conquistas com armas masculinas, usando também da subjugação e força, deixando de lado as características femininas, como a ternura, o afeto e intuição. As mulheres se firmaram num mundo masculino com valores machistas e muitas vezes praticam estes mesmos valores às avessas. É preciso resgatar o papel da mulher, não acima, nem abaixo do homem, mas ao seu lado.

A bíblia muitas vezes, à primeira vista, nos passa uma imagem machista, porém quando lemos a mesma de forma integral, considerando todo seu contexto, percebemos que é exatamente o contrário que acontece. Deus é a favor da mulher, e existem inúmeros textos que indicam que Deus dá um valor especial para as mulheres.

Ao lermos o texto de Provérbios 31, que é uma poesia, e não uma história real de uma mulher, pode nos vir à mente que é impossível chegar aos pés desta mulher especial, virtuosa, e então não temos nem a vontade de tentar, afinal não vamos conseguir mesmo….

Gostaria de me fixar na parte que julgo mais importante neste texto, que é o vers. 30: A mulher que teme ao Senhor.

Temos na Bíblia inúmeros exemplos de mulheres que temiam a Deus e com isso fizeram a diferença na historia da humanidade. Algumas simples e humildes outras de família real, juízas, etc. O que as une é o temor a Deus.

O que é o Temor a Deus, ou temer ao Senhor?

A palavra temor a Deus na Bíblia não está relacionada com o primeiro significado que encontramos no dicionário que é medo, terror. O significado bíblico de temor a Deus está relacionado com a profunda reverência e respeito aos preceitos de Deus, à sua santidade; é odiar o que Ele odeia, andar em seus caminhos e buscar conhecê-lo cada vez mais.

Para temer a Deus não é necessário ser uma pessoa especial, importante, na verdade o caminho é inverso: muitas vezes mulheres mudaram o curso da humanidade simplesmente porque temiam a Deus.

Alguns exemplos:

As Parteiras do Egito: (Êxodo 1: 15-21)

O povo de Israel estava no Egito a cerca de 400 anos após a morte de José e havia sido subjugado e escravizado. Realidade não muito diferente da que vivemos hoje em vários lugares do planeta. Povos de minoria étnica em geral são subjugados, massacrados, etc.

Mas Deus teve misericórdia deste povo sofrido, resolveu libertá-los do jugo que sofriam e para tal usou duas mulheres simples do povo: duas parteiras.

O texto não diz nada que Deus falou com elas, seja em sonho, visão ou qualquer outra forma de manifestação sobrenatural. Provavelmente estas mulheres eram analfabetas, sem instrução, mas tiveram coragem para desafiar a pessoa mais poderosa de sua época – o faraó!

Tudo isso por um simples motivo: elas temiam a Deus. Sabiam que Deus estava acima do faraó, (considerado um deus pelos egípcios na época – Rá). Elas sabiam que poderiam morrer por desobedecer a faraó. Mas Deus as honrou, pela sua fidelidade, proporcionou que elas tivessem sua própria família, naquela civilização imprescindível para ter o respeito da comunidade.

Onde nós mulheres podemos desafiar os “faraós” de nossa época? Onde você pode fazer diferença?

Raabe: (Josué 2:8 e 6: 22-25)

Raabe era uma mulher que não tinha um relacionamento pessoal com Deus, pelo contrário, ela era uma prostituta (provavelmente cultual).

Os povos cananeus tinham práticas de muita opressão para com os membros mais frágeis de sua população, eles faziam sacrifícios humanos, especialmente de crianças, e virgens que eram obrigadas a praticar sexo cultual para satisfazer os “deuses” daquele povo.

Raabe era uma mulher oprimida, provavelmente discriminada, pertencia a um povo inimigo dos israelitas, mas temeu a Deus. Por seu temor a Deus ela escondeu os espias do povo judeu e lhes deu dicas de como fugir e enganar os lideres de seu povo, os cananeus.

É interessante que ela ainda não conhecia a Deus pessoalmente, fala com os espias em termos de “o vosso Deus”, fala do medo que tem do Deus dos espias. Mas apesar disso reconhece a grandeza de Deus, (6: 11). “Quando ouvimos estas coisas, perdemos a coragem e todos ficamos com muito medo por causa de vocês. O Deus de vocês, o Senhor, é Deus lá em cima do céu e aqui em baixo na terra.”

Vemos aí claramente mais um quesito no temor a Deus: reconhecer a onipotência e a onisciência de Deus.

Raabe pediu aos vigias que poupassem a sua família na destruição de Jericó. Deus fez algo muito maior, Deus ao invés de mandá-la à destruição e morte, lhe oferece vida muito além do que ela seria capaz de imaginar. É impressionante que Raabe é uma das poucas mulheres que está na genealogia de Jesus, também é citada no livro de Hebreus 11:31 como uma das heroínas da fé. Deus a honrou, ela que não era ninguém, tornou-se ancestral do Filho de Deus.

Você tem reconhecido a grandeza e a onipotência de Deus? Ele tem se tornado o centro de sua vida? Você tem confiado em Deus a despeito das adversidades? Tem sido fiel a Ele?

Debora, a mulher guerreira: (Juízes 4 e 5)

Depois que Josué, sucessor de Moises, morreu, o povo de Israel se afastou de Deus e passou a adorar os deuses dos cananeus. Deus, para chamar seu povo de volta, permitiu que eles fossem atacados por vários outros povos e o povo israelita sofreu muito e clamou que Deus os libertasse.

Deus ouviu o clamor do povo e instituiu vários juízes, pois ele nunca desistiu do seu povo. Débora era uma profetisa e também foi instituída juíza para julgar as questões dos israelitas. Era um cargo usualmente masculino e ela foi a única mulher que o exerceu.

Deus escolheu alguém que era fiel a Ele, que escutava a Sua voz em meio a um povo idólatra. Em certa ocasião Deus falou que ela deveria chamar a Baraque para que ele enfrentasse o exercito inimigo. Deus, por intermédio de Debora, havia prometido a vitoria ao povo de Israel, mas Baraque teve medo da batalha e afirmou ele só iria guerrear se Debora fosse junto. Debora concordou e durante toda a batalha afirmava que a vitoria era certa, pois Deus tinha prometido ao povo.

Ela se tornou porta-voz do plano de Deus na batalha. Ela constantemente estava incentivando a Baraque: “Vá agora porque é hoje que o Senhor lhes dará a vitória sobre Sisera. O Senhor está com você.” (v. 14)

Onde você mulher deve ir à frente para que a vontade de Deus seja cumprida? Onde você deve ser a incentivadora, colocando-se ao lado dos homens para que Deus possa ser louvado, para que os inimigos d’Ele sejam excluídos?

Rute a estrangeira, viúva e pobre. (Rute: 1 a 4)

Quando lemos o livro de Rute, ficamos novamente maravilhados com a ação de Deus. Ela é mais uma das personagens que nos surpreendem. Como a historia de uma mulher pobre, viúva e estrangeira foi parar no meio da história do povo de Deus, e como ela conseguiu ainda se tornar ancestral de Davi, o maior rei de Israel?

A estrangeira Rute não pertencia e nem se sentia à vontade no povo de Israel. Mas ela fez uma escolha, ela abandonou a sua família, sua terra para seguir junto com a sua sogra até o povo dela. Ela adota o Deus da sogra como sendo seu Deus, assume uma nova cultura e cuida de Noemi até o final da vida dela.

No contexto judaico as mulheres eram seres inferiores e o homem judeu ortodoxo agradecia a Deus por não ter nascido mulher, escravo ou estrangeiro. Rute preenchia quase todos estes quesitos. Ela apenas não era escrava, mas era tão pobre que vivia das migalhas que podia catar nos campos dos outros. Acredito que a maior característica de Rute é a sua fidelidade para com Noemi, sua sogra.  Fidelidade é uma das marcas das pessoas que temem a Deus.

Rute nos mostra que Deus está interessado na vida de qualquer ser humano, Ele quer a sua redenção e o seu amor. Qualquer pessoa, a mais marginalizada é recebida por Ele, a nossa resposta deverá ser a fidelidade e o reconhecimento de Sua soberania.

Você te sido fiel a Deus e às outras pessoas, tem reconhecido a soberania d’Ele em sua vida?

Ana, a mulher de oração: (I Samuel 1:9-28)

Na vida de Ana, vemos mais um aspecto de uma pessoa temente a Deus. A devoção e adoração a despeito das adversidades.

Ana era uma mulher muito sofrida, no v. 6 e 7, o texto afirma que ela chorava muito e perdia o apetite pois era motivo de gozação e chacota por parte da outra esposa de Elcana, seu marido. Naquela época os homens tinham o direito de tomar uma segunda esposa se a primeira fosse estéril. A esterilidade era considerada um castigo de Deus. Apesar de Ana ser amada pelo seu marido tinha uma profunda tristeza.

Ana derramou seu coração aflito a Deus, orando e chorando copiosamente, fez isso por várias horas e ao contrário do que era costume o fez apenas sussurrando.  Sentia-se incompreendida por todos, talvez inclusive pelo marido, pois ele a tratava bem, e não compreendia o porquê de tanta tristeza.

Acredito que ela nem tinha coragem de orar em voz alta pensando que seria de novo motivo de gozação e risos. Somente Deus poderia compreendê-la, por isso falou com Ele em voz baixa, os outros não precisavam saber. Mas, até nisso foi incompreendida, pois o sacerdote Eli, representante de Deus, achou que ela estava bêbada, e veio dar uma bronca nela.

Ana poderia ter desistido de tudo naquele momento, além de as humilhações que vinha sofrendo durante anos ao se derramar perante Deus também é incompreendida. Mas, ao contrário, ela não desistiu e esclareceu a Eli que estava derramando seu coração a Deus. Mesmo não contanto a Eli o motivo de suas súplicas o sacerdote lhe anunciou que seu pedido seria realizado.

Ana imediatamente mudou de atitude e apesar de não estar grávida ainda, ela passou a adorar a Deus juntamente com a sua família. A tristeza foi embora, ela engravidou e sua vida mudou completamente. Daí em diante ela passou a ter o objetivo de criar a criança, Samuel, para que fosse um servo de Deus.

Apesar de Eli ser um pai que não soube educar seus próprios filhos, Hofni e Finéias, Ana em obediência à promessa que fizera a Deus levou seu filho ainda pequeno, com poucos anos para ser educado no templo por Eli. Deve ter sido difícil para ela separar-se deste menino, mas em seus lábios apenas havia cânticos de louvor.

Samuel se tornou profeta, juiz, líder militar e sacerdote. Ele caminhou com Deus durante toda a sua vida e ungiu Saul e Davi, os primeiros reis de Israel. Com certeza a vida de fé e oração de sua mãe Ana colocou a base desta vida íntima com Deus.

Ela expressa seu louvor e adoração num novo momento de oração, desta vez em voz alta. Todo o cântico exalta a grandeza e a justiça de Deus, ela reconhece que somente Ele é santo e capaz de transformar o pranto em alegria.

Onde você precisa derramar seu coração a Deus, o adorando e buscando apesar de ser incompreendida? O que tem feito para conduzir seus filhos no caminho de Deus a fim de que andem em Seu caminho e cumpram a vontade d’Ele em suas vidas?

Ester, mulher corajosa e sábia: (Ester: 4: 15 a 5:1)

Uma das marcas das mulheres tementes a Deus é a confiança absoluta n’Ele e nos Seus propósitos, e cumprir a vontade d’Ele com sabedoria.

A historia de Ester começa na corte de Xerxes, rei da Pérsia, senhor absoluto do maior império daquela época. Tornou-se rainha depois que a primeira esposa de Xerxes o desafiou em público, descumprindo uma ordem dele e caindo em desgraça.

Ester era órfã, criada por seu tio Mordecai. Quando Xerxes conclamou as jovens de seu reino a fim de escolher uma nova rainha, Ester, obedecendo a seu tio, também se apresentou e acabou sendo escolhida como esposa real devido a sua grande beleza e formosura.

Acontece uma conspiração do 1º ministro da Pérsia, Hamã, a fim de matar todos os judeus do reino. E Mordecai recorre a Ester para que a desgraça não aconteça. Ester deveria interceder junto à Xerxes pelo seu povo. A questão é que ninguém sabia que Ester fazia parte do povo judeu.

Ester ficou com medo, pois havia mais de mês que o rei não a chamava, e se chegasse à sua frente e ele não gostasse poderia ser morta.

Neste momento começamos a ver a sabedoria de Ester, ela em primeiro lugar buscou a Deus, durante três dias ela orou e jejuou juntamente com as suas servas, além disso, pediu que todo o povo judeu fizesse o mesmo. Depois disto, preparou-se, vestiu-se com suas melhores roupas, para chegar à frente de Xerxes. É preciso preparar-se em oração para enfrentar situações difíceis.

Quando foi recebida pelo rei, novamente vemos a sabedoria de Ester. Ela não foi diretamente ao assunto, pelo contrário, ela o convidou, juntamente com Hamã, o inimigo dos judeus, para um jantar. Neste o rei novamente lhe perguntou o que ela queria e ela não falou nada, apenas os convidou para novo banquete. Apenas depois do terceiro banquete ela expressou o seu pedido em favor de sua vida e a do seu povo.

Grande sabedoria de Ester, primeiramente conquistar para depois pedir. Ela conseguiu controlar a sua ansiedade, seu medo, a fim de conquistar o apreço e a confiança do rei. A consequência da sabedoria de Ester foi que os inimigos dos judeus foram eliminados enquanto estes foram poupados.

Ester poderia ter pedido apenas por sua própria vida, mas ela sabia do propósito para o qual Deus a colocou naquela situação. Hamã era mau perante o Senhor, e uma das características de quem teme a Deus é não aceitar o mal.

Estamos rodeados por pessoas e situações em que o nome de Deus é zombado, seus preceitos são descumpridos, o mal parece triunfar. Com coragem e sabedoria é possível reverter esta situação. No Salmo 111:10 “para ser sábio é preciso primeiro temer a Deus, O Senhor. Ele dá compreensão aos que obedecem seus mandamentos.”

Até os dias de hoje os judeus lembram-se desta vitória na Festa do Purim.

Em que situação Deus te coloca na qual na qual você tem de demonstrar coragem e sabedoria? Onde você tem de manejar com a sua ansiedade a fim de cumprir o plano de Deus na sua vida e na dos outros? Onde você precisa repudiar e derrotar o mal?

Finalizando:

A marca de uma mulher especial, uma mulher de valor é o seu temor a Deus. Deus quer se manifestar na vida de todas as mulheres, basta buscá-lo e segui-lo sempre, mesmo que as situações sejam adversas, mesmo que implique em abrir mão de regalias. Qualquer mulher, desde a mais marginalizada até a mais importante precisam estar no centro da vontade de Deus para que possam fazer diferença no seu contexto.

Não precisamos nos sentir intimidadas com a mulher de Provérbios 31, ela apenas fez o que Deus pede a todas nós: como diz em Deuteronomio 10:12 : “escute o que o Senhor Deus exige de você: Ele quer que vocês o temam e sigam todas as suas ordens; quer que o amem e sirvam com todo o coração e com toda a alma.”

Assim, o temor de Deus é como o oxigênio para a vida do discípulo. Sem temor a Deus não existe o discípulo.

(Dagmar F. Grzybowski)

Conhecer a beleza de nosso país viajando de norte ao sul tem sido uma experiência incrível. Aprofundar o conhecimento na diversidade cultural de nosso povo e poder apreciar a beleza singular de cada região e a graça de cada micro cultura é motivo de gratidão permanente ao nosso Criador! Essas fotos são de um “café na roça”, tirada no interior do Rio Grande do Sul!12047200_10203443895537607_745387190698709433_n12140614_10203443895417604_8466775484573458200_n

A Igreja Congregacional Venda das Pedras em Itaboraí, RJ está promovendo o primeiro encontro do Programa de Enriquecimento Matrimonial nos dias 23 a 25/10 e escolheram um local bem especial: o Vilarejo Praia Hotel em Rio das Ostras, região dos Lagos no Rio de Janeiro. O casal que está à frente da coordenação deste evento é o Williams e a Mary Cabral e você pode ter mais informações com eles pelo e-mail: igrejavendadaspedras@gmail.com ou pelos fones: (21) 99915-5676 ou (21) 2635-7602.news_rio_ostras1