Os olhos permaneciam fixos naquela luminosidade que se movia pelos negros céus. Era o único instrumento de orientação de que dispunham. Mas mesmo assim seguiam firmes os passos da misteriosa estrela, que indicava o rumo da esperança.

A caravana reunia um bom número de pessoas, talvez dezenas ou centenas. Muitos se dispuseram a seguir os sonhos e os instintos daqueles sábios orientais que, perscrutando os céus, haviam lido nele o sinal premonitório de um grande Senhor.

Os líderes da caravana eram chamados de magoi, ou seja, sacerdotes, provavelmente vindos da Babilônia ou de uma região próxima dali. Eram homens de elevada posição social, tanto que em sua passagem por Jerusalém seriam recebidos pelo grande Herodes no palácio real.  Mas, apesar de serem instruídos, ricos e poderosos, abandonaram o luxo e o conforto, ainda que por um tempo, e se puseram a caminho. Precisavam seguir aquela estrela. Algo de muito forte os impulsionava a essa aventura por terras estrangeiras. Criam que aquele menino seria capaz de desembaraçar os intrincados nós da alma, coisa que nem o conhecimento, nem a riqueza material, nem o poder ou mesmo a glória haviam conseguido. Isso tudo é efêmero, passageiro e fugaz. A alma humana anseia por algo mais profundo, real e verdadeiro.

Várias profecias respaldavam o sentimento dos sábios. O profeta Miquéias já havia antecipado (Mq 2.13). Até o local do nascimento daquele que seria a Paz do mundo, a humilde Belém, o profeta havia indicado (Mq 5.2). Da mesma maneira o profeta Isaías, 600 anos antes, anunciara o que viria (Is 9.6).

Agora, a estrela singular, que não era comum àquela abóbada celeste, surgiu trazendo uma boa e nova notícia: natureza e Escritura, revelação natural e especial, se unindo para anunciar que era chegada a hora.

Mais de 2000 anos se passaram desde então e a história segue como dantes. As pessoas continuam buscando o sentido para si na realidade transitória dessa vida terrena: poder, riqueza, conhecimento. E, apesar de conquistarem seus objetivos, continuam percebendo-se incompletas e infelizes. Todavia, a estrela mais uma vez brilha nos céus, nos convidando a segui-la por fé. O Natal mais uma vez é anunciado. Naquela cidadezinha sem atrativos, numa estrebaria simples e sem as condições de higiene básicas para que uma mulher desse a luz, os mistérios da vida são desfeitos. Exatamente ali, longe dos palácios e da glória humana, a existência faz sentido, porque ali se encontra Jesus Cristo o Filho de Deus, o Príncipe da Paz, Senhor dos senhores e Doador da Vida.

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