Aproveitando a polêmica decisão do governo paulista de internar usuários de crack à força, gostaria de voltar a pensar sobre um problema que já travessa séculos — uma disputa entre os arminianos e os calvinistas. Correndo todos os riscos da simplificação, descrevo-a assim: se Deus é soberano (como afirmam os calvinistas), o homem não tem livre-arbítrio; é marionete de Deus. Se, por outro lado, o homem pode rejeitar a Deus, e inclusive perder sua salvação (como afirmam os arminianos), então, como fica Sua soberania? A disputa vai longe, uma vez que os dois lados (arminianos e calvinistas) estão munidos de versos bíblicos perfeitamente contextualizados.

Louis Berckhof nos sugere que se duas afirmações bíblicas, em seus contextos, parecerem contraditórias entre si, afirme as duas, pois elas se resolvem em plano superior. Um exemplo é o texto de Paulo aos Romanos, 9 a 11, onde ele contrapõe a responsabilidade de Israel à afirmação de sua soberania aplicada ao caso de Esaú e Jacó.

Os arminianos e calvinistas mais combativos não seguem o conselho de Berckhof. Escolhem um lado e lutam por ele, apaixonadamente. Talvez essa paixão explique o fato de ainda não termos chegado a uma melhor compreensão do tema, tachando-o, quando muito, de paradoxal, ou de insolúvel. A Confissão de Fé de Westminster afirma, em uma mesma frase, que o homem está morto para escolher, mas tem livre-arbítrio.

Assim, à busca do referido “plano superior”, compartilho meu modo de ver esse problema. E já pergunto: e se Deus, em sua misericórdia e soberania, determinasse que o homem poderia decidir sobre amá-lo ou rejeitá-lo? E se Deus nos tivesse feito assim, considerando isso o cerne da “imagem e semelhança”? Uma criatura absolutamente livre, no que concerne à sua possibilidade de amá-lo ou não? Nesse caso, qualquer que fosse a resposta humana, estaria dentro das possibilidades previstas (e determinadas) pelo Criador. Pois bem, entendo que o Gênesis nos relata exatamente isso. E essa compreensão se reflete na própria Confissão de Westminster, capítulo III: “de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas”.

Resta, no entanto, um embaraço bíblico: Efésios 2 nos diz que o uso que fizemos (em Adão) da liberdade nos levou a uma escravidão tal que, se Adão foi livre um dia, o mesmo não ocorre conosco. O homem natural é escravo do pecado, de forma que sua vontade está aprisionada.

Bem, é aí que eu vejo a ligação entre a soberania de Deus e a liberdade humana. Ao invés de uma se contrapor à outra, harmonizam-se na mente e nos projetos do Altíssimo. Deixe-me explicar.

 

A balança

Imagine a situação humana como um fiel de balança. Adão foi feito com seu ponteiro no ponto zero, no prumo. Não pendia nem para a direita nem para a esquerda. É o que chamaríamos de livre-arbítrio. Mas Satanás se valeu de sua escolha desastrada e nos aprisionou a todos do lado esquerdo. Com cadeado. De forma que Efésios 2:1-3 fica retratado nessa situação. Não temos mais escolhas livres. Nosso “escolhedor”  está viciado, amarrado.

Então Deus, “por causa do grande amor com que nos amou”, e após nos ter revelado essa nossa condição desesperadora, encerrando-nos todos debaixo da desobediência (Rm 11:32), usa de misericórdia para com todos. Como?

Num determinado momento (ou período, ou fase, sei lá) de nossa vida, chamado pelo autor de Hebreus de Hoje , o Altíssimo se vale de seu poder e soberania e atua em nossas vidas, colocando nosso “fiel da balança” no centro de novo. Então, ele me diz: “escolhe livremente”. E a principados e potestades, diz: “ninguém interfere!” Nesse momento, por causa da soberania e do poder de Deus, e pela atuação de seu Espírito, somos livres; para aceitá-lo ou rejeitá-lo.

É importante ressaltar que, diferentemente do diabo, ele não leva nosso fiel para a direita total. Nem o amarra lá. Não. Ele é Senhor gentil: leva-o ao meio, onde exercitamos o “pendor do Espírito” ou o “pendor da carne” (cf. Rm. 8:5). E nos avisa que o pendor da carne é inimizade contra Deus (Rm 8:7).

Criei uma imagem, inspirado em C.S. Lewis. Qual das lâminas da tesoura corta o pano? Pois bem, aprouve a Deus que nossa salvação se fizesse por meio de uma “tesoura”. Deus se faz uma das lâminas, e nos atribui o papel da outra. Sem ele, estamos no inferno. Sem a nossa, estamos no inferno. Isso não nos iguala a Deus, pois jamais poderíamos, nós mesmos, construir essa tesoura e “cortar o pano”. Ele permanece no seu santo trono. Soberano. Justo, reto… e misericordioso.

Terminando o argumento, acho que é por isso que Jesus ensina a mulher samaritana que Deus procura alguma coisa. Procura verdadeiros adoradores. Criou a tesoura e espera que ofereçamos nossa lâmina, para nosso bem.

 

Uma Parábola

 

Na em 1996, a televisão levou ao ar uma reportagem sobre o uso de crack pelos adolescentes (e o assunto, hoje, virou epidemia).

Ao ver, na reportagem, o sofrimento dos pais e a luta ingente do drogado, lutando para se livrar das garras tirânicas da dependência, me ocorreu a seguinte parábola sobre esta questão da soberania divina e da liberdade humana. Ei-la.

Certo dia, um pai descobre que seu filho é um drogado, dependente de crack. Faz de tudo para ajudar o rapaz, mas este, ainda que lute para se desvencilhar, não tem mais forças para largá-la, e tenta se matar, inclusive para se livrar do complexo de culpa, pelo desgosto causado aos pais. O pai o acha a tempo (estava meio de olho), socorre-o e o salva.

Alguns dias depois, em conversa com o filho já convalesceste, propõe-lhe uma solução extrema. O pai tem uma idéia para devolver ao filho a força (o livre-arbítrio) para sair daquela situação. Propõe ao filho e este aceita.

Pegam um carro e vão, somente os dois, para um sítio isolado. Longe de tudo e de todos. Ali, tentarão lutar contra a droga, cortando lenha, subindo corredeiras, trabalhando pesado até caírem mortos de cansaço. O pai está atento e determinado a aguentar mais que o fragilizado rapaz.

No segundo dia, o jovem começa a mudar: a mostrar-se indócil, agitado, impaciente, nervoso, irado, truculento, violento. Ele precisa daquela droga. Seu organismo exige (seu “senhor” o está chamando de volta). O pai vai contemporizando, conversando, distraindo, sabendo que precisa ganhar tempo. Precisa, pelo menos, de uma semana (este é o tempo que os médicos estabelecem para a desintoxicação química do organismo).

No terceiro dia, o filho tenta fugir de noite, mas o pai, que a estas alturas está dormindo com um olho só, o intercepta. O garoto está transtornado. O pai o agarra. Este, cego por dores internas fortíssimas, agride o pai com fúria, e tenta correr. O pai se levanta e o alcança. Está determinado a ajudar o filho. Uma semana, é a meta. Faltam 4 dias ainda. Agarra o garoto, que tenta agredi-lo novamente. Mas desta vez o pai é quem o soca violentamente. O garoto cai desacordado.

O pai o leva de volta para a casa e o amarra na cama. Quando o rapaz acorda, começa a gritar, gemer, xingar, blasfemar, contorcer-se, desafiar o pai, dizer os piores desaforos. O pai tenta abraçá-lo, mas é recebido com cusparadas e palavrões. Uma noite de cão.

A estas alturas, imagino um calvinista dizendo: “aqui, o pai retirou o livre-arbítrio do menino”. E eu responderia: “que livre-arbítrio?”

Amarrado, o rapaz fica ali por mais quatro dias. Reclama de dores nas costas, de mau-jeito, de dores nas mãos, nos tornozelos, por causa das cordas. O pai, algumas vezes, tentou afrouxá-las, para aliviar o desconforto, para levá-lo ao banheiro, etc., mas ele tentou escapar. Foi preciso lutar, agarrar, bater de novo.

Bem, não vou me alongar nos detalhes deste transe medonho. O fato é que a semana se passa, e, ao raiar do oitavo dia, o garoto já não está mais suando, nem com cólicas, nem trêmulo, nem com dores na barriga. Passou. A dependência química está cedendo.

Nesse dia, logo pela manhã, o rapaz acorda com um cheiro de café coado na hora, broas de milho, pão, manteiga e outras guloseimas. Uma mesa posta. Ele estava quase de jejum, e se mostra faminto.

Então o pai o surpreende: chega na sua cama com um sorriso e desata-lhe as cordas. Solta-o e convida-o para o café. Ele toma um banho quente e se assenta à mesa. Está mais animado, e chega a balbuciar algumas palavras monossilábicas, em resposta às tentativas de conversa do pai. Está despertando de um pesadelo.

No meio do café, num gesto brusco, levanta-se e corre para a porta. Num segundo, já está lá na porteira. Mas estranha que seu pai não esteja ao seu encalço. Olha para trás e constata que ele ficou parado, na porta da casa. Desconcertado e curioso, ele para e arrisca uma olhada, como que a perguntar: você não vai me prender?

O pai, entendendo a perplexidade do filho, grita de lá: “filho, Hoje você é um rapaz livre. Das drogas e de mim. Você volta para elas se quiser; volta para mim se quiser. Filho, não quer terminar o café?”

  1. O procedimento proposto está correto. É isso aí.

    Aproveito para lembrar que ninguém, em particular as instituições de tratamento, governamentais ou particulares (religiosas inclusas), está interessado no modelo. Não dá grana, pra ninguém.

    Só o ex-dependente e a família dele (a) ganham e eles têm horror a isso.

  2. Assim, à busca do referido “plano superior”, compartilho meu modo de ver esse problema. E já pergunto: e se Deus, em sua misericórdia e soberania, determinasse que o homem poderia decidir sobre amá-lo ou rejeitá-lo? E se Deus nos tivesse feito assim, considerando isso o cerne da “imagem e semelhança”?
    Cuidado, Rubem, você também pode ser convidado a se retirar da Ultimato. Lembra do Ricardo Gondim? Portanto, cuidado!

  3. Imprimi e irei estudar com muita calma o texto acima, mas pela primeira leitura que fiz a impressão não foi boa. Não sou arminiano e nem calvinista nos termos atuais, pois há muita deturpação e desvios de ambos os lados, porém não consigo conceber a idéia do homem escolher livremente. Se estou morto, primeiro preciso nascer de novo para fazer alguma escolha. Após um estudo mais acurado voltarei a comentar. Sou assinante da Ultimato e respeito muito o autor deste artigo.

    • Anderson, a ideia central é que só existe livre-arbítrio onde e quando Deus atua. Estou pensando naquele versículo: “porque onde está o Espírito de Deus, aí há liberdade”. Nesse sentido há, sim, uma defesa do livre-arbítrio, mas não para o homem natural, aquele de Ef 2. Apenas para aquele a quem Deus colocou em condições de decidir.
      Espero ter ajudado. 😉

        • Vanessa, para ser justo com as correntes de pensamento, eu diria que há quem pense que sim e que não. Alguns acham que ele dá a condição de escolha somente àqueles que ele escolheu. Outros acham que isso seria acepção de pessoas. Veja minha resposta ao Davi, abaixo.
          Meu pensamento é que, se ele nos julga a partir das respostas que demos, damos e daremos ao seu toque, então ele dá chance a todos. A cada um conforme sua circunstância. Penso assim, também, tendo em mente o que Paulo diz a Timóteo: “Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”. 1 Timóteo 2:3,4
          Bem, se Deus deseja que todos sejam salvos, então penso que ele dará chance a todos de fazer sua escolha.
          Reflita nessas coisas, leia o texto abaixo e forme sua opinião. Deus a abençoe.

  4. Prezado Rubem, você conseguiu o que a teologia se esforça há anos para fazer. Ser conciso, direto e objetivo. Grandes teólogos se perdem num emaranhado de ideias e fórmulas, quando o que as pessoas precisam é de respostas concretas. Claro, claro, não podemos abrir mão da sistematização, mas quando esta ameaça tomar o cerne das grandes questões bíblicas algo está errado. Mais prática teológica! Do contrário seremos como o levita e o sacerdote.

  5. Rubem, sempre fui calvinista de carteirinha, mas sempre achei cruel demais exigir que para que se seja calvinista seja também contra a ideia de livre arbítrio. quase consensual. Creul até para o próprio calvinismo que fica com um pinta séria de heresia. Chesterton, cruel Chesterton, o qualifica, o sentencia, como uma moderna heresia maniqueista e gnóstica. Não é o primeiro. Aquino descasca em sua Suma o icone de Agostinho defendendo que este defendia o “determinismo” como um resquicio que ficou nele entranhado da seita dos maniqueus… Agora mesmo existe um processo na Convenção Batista do Sul para que os batistas se reunam em forma impensável de concílio para fulminar a vetusta heresia, preferência número um dos presbiterianos, em rematada e simples e prosaica heresia, por conta da negação do livre arbitrio. Rubem, nem precisam disso, a nossa famosa heresia já foi tida como tal por dois concilios modernos da cristandade da mais alta representatividade: Concilio de Trento (1543?) e de Jerusalem (1565?), condenadas pelos maires ramos da cristianismo. E ai continuamos a botar banca?

    Como se vê, a história e o concerto é muito cruel para conosco. Para que sermos nós tão cruéis conosco mesmo, nos postulando como uma seita testemunha de jeová tendo como ‘servo discreto’, nada discreto o nosso irmão João Calvino? Calvino não quis isso para si.

    Com se vê, essa discução é antiga e debruço sobre ela desde que sou crente, mas fui crente primeiro antes de ser calvinista. Fui crente quando ainda era arminiano e pentecoslat e creio que não sou nem mais nem menos crente, sendo calvinista e não me vejo impio questionando o calvinismo, ainda que alguns amigos já viram a cara para mim. Continuo crente, ainda que um crentinho meio à toa… Mas Deus tem me dado graça e a doutrina deste alto minstério da divina predestinação, dos infaliveis decretos eternos de Deus, desses parangolés todos, tem me sido útil e agradável. Calvino não ensinou esses parangolés primeiramente por que eram “bíblicos” e “corretos”, que fossem a sã dourinha ou o que uns fanáticos fundamentalistas festivos tem propalado por ai, “cristianismo puro e autêntico”, o “verdadeiro evangelho, puro e simples”, isso me soa até idolatria, coisa de markenting à la Professou ‘Creiço’, “seu probrema de acabo quanu você nega o livre arbítrio”, muito pelo contrário. Você pode ser visto como “enemie de la foi” de primeira linha!

    Calvino apesar de que cria que eles eram bíblicos, corretos, e longe de nós esteja discutir isso com ele, mas estou, nesse particular com o filosofo eticista calvinista francês Olivier Abel, para que tanto para Calvino quanto Lutero, os parangolés não chegaram a ser “algo estável”, mas serviam mais como “util e agradável” para tempos de crise que a gente enfrenta.

    Well, acho menos cruel crer que o servo arbítrio, para o bem e para o mau, coexiste com a ideia de libre arbítrio. Ponto. Ponto final.

    PS. Posso te pedir uma gentilieza? Reporte para mim, nesse seu prestigiado blog, um artigo do Prof Abel que publiquei no meu blog, quem sabe ajuda a alguém, como foi para mim um balsámo. Fez um chiii gostoso na minha mente, foi um refresco teológico e filosófico:
    http://correnteprotestanteortodoxa.blogspot.com.br/2012/11/destino-e-predestinacao-em-calvino.html

    Posso folgar um pouquinho mais sobre você? Se não fosse demais, se você gostou, ou desgostou, você poderia deixar lá uns comentariozinhos, ainda que só para satisfazer meu ego de calvinista, digamos, já deveras combalido? Se nem merecer comentários deixa pra mim lá um “olá” para o bloguerio mais carente e desanimado do blogosfera! Abração meu irmão! Te amo!

  6. Achei muito bonita a forma como foi construído o pensamento nesse artigo. Não se trata de times de futebol ou partidos políticos, mas sim de linhas teológicas consistentes e muito bem embasadas na Palavra de Deus, por isso acredito serem complementares, de alguma forma. Mesmo que ainda estejamos tentando esclarecer melhor nas nossas mentes, aa minha opinião, esse artigo conseguiu conciliar um pouco essas duas linhas aparentemente “antagônicas” mas que na realidade são complementares. Parabéns ao autor

  7. Rubem, me ficou uma dúvida: como você concilia essa sua teoria com o fato de que Deus já sabe previamente o que escolheremos? (para Ele não há “se”, pois o futuro não é mistério)

    • Graça e paz, Davi.
      Pego sua frase: “Deus já sabe previamente o que escolheremos”. Concordo com essa redação. Bate, a meu ver, com Rm 8:29, lembra? “porquanto aos que de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem do seu Filho…” Pois bem: em duas afirmações sucintas, eu diria: (1) Como escolheremos se nosso fiel da balança está sob cadeado (Ef 2:1,2)? Resposta: escolheremos quando Ele manifestar, pelo seu Espírito, sua glória e poder, dando-nos a condição (e livre-arbítrio) de escolher. (2) A partir de que critérios Deus me predestinou para ser “conforme à imagem do seu Filho”? (sim, creio que ele usou critérios justos) Resposta: pelo texto de Romanos (e pela sua frase), Deus sabia, antes da fundação do mundo, todas as escolhas que eu faria até o momento da minha morte. Porque Deus “estava” presente na hora da minha morte, e sabe que fechei os olhos crendo nele e em seu Filho, meu salvador.
      Então, Davi, minha teoria é que Deus conheceu (esse tempo de verbo é o “pretérito profético” de F.F. Bruce; está no passado, mas abrange inclusive nosso futuro: e tudo “era” muito bom, e fez-se manhã e tarde, o sexto dia) toda a nossa vida e todas as nossas escolhas (em particular, aquelas feitas sob o poder de Sua soberania; aquelas em que eu fui realmente livre).
      Expliquei ou confundi? Muita ousadia minha, querer resumir desse jeito uma “conversa” que já dura séculos e que tem cabeças muito privilegiadas pensando de muitos outros modos e em muitas outras direções. Mas para bom entendedor, til é acento.

  8. Sem querer “lançar” ofensas a quem quer que seja, e, claro, respeitando o posicionamento de todos, a mim me parece que a só insígnia de “calvinista” ou mesmo de “arminiano” é algo completamente e absolutamente dispensável, inadequado e um tanto “idolátrico”. João Calvino, como é abrasileiradamente conhecido e que na verdade é o francês Jean Cauvin, foi apenas uma pessoa (sujeita às mesmas paixões que nós) que escreveu algo a respeito de passagens bíblicas, externando seu entendimento. Nada além disso. O espiritual se discerne espiritualmente e, nesse sentido IRREFRAGÁVEL, não há acepção de pessoas, o que implica dizer que relativamente a TODAS as pessoas (porque TODAS são Sua imagem e semelhança) Deus coloca-se maravilhosamente ao alcance.

  9. muito forte os argumentos, penso que todo forma de usar o internamento compulsório, ou seja, obrigar por meio dar força uma pessoa sair das drogas, não seria a melhor forma, temos varias caras de recuperações trabalhando com comportamentos satisfatório, de fato vidas são transformadas… Por sua vez o estado interfere de forma contenciosa, fortalecer parcerias, enriquecer pessoas, com dinheiro do povo. Portanto, por que o governo não investe nas casas de recuperação, pois isso que acontece nas ruas hj é um retrato da corrupção, da falta de amor, preconceitos, pessoas não são dependentes por vontade própria, são consequências da vida que os levam a torna-se dependentes químicos, nós os Cristãos devemos acabar com estás pregações da prosperidade e voltarmos a pregar o arrebatamento.. Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Essas coisas são o início das dores.

  10. Cinceramenre nao consigo entender,qual a relevância que essa discussão tem para a fé daqueles que despido das questões teológicas abraçam a fé, sem contudo da a menor importância para estas questão que Sao absolutamente periféricas,em relação ao âmago da fé. Alias penso que esta foi a grande falha se posso falar assim dos apóstolos, que após terem recebido de Cristo todos os ensinamentos para transmitirem ao mundo, se trancaram entre quatro paredes e se entregaram as elucubrações teológicas desejando saber se deveriam ou nao levar o Evangelho ao mundo gentílico, sendo necessário aparecer um “louco”, chamado Paulo, para pregar o evangelho e levantar o postulado de que as pessoas deveriam ouvir este evangelho o qual ele ousou rotular de ” Loucura da pregação” . Enquanto dez homens que receberam o primado do ensinamento do mestre se davam o luxo de discutir questões teológicas, um ” louco” desbravou com a graça do querido espirito Santo o Evangelho da Insondável Graça de Deus. Esses intermináveis debates sobre livre arbítrio, predestinação, e tantos outros postulados teológicos nunca salvaram ninguém, pelo contrario só afastam os simples do Evangelho.

    • Prezado Miguel:
      Vale ponderar que o apóstolo Paulo foi aquele que mais falou sobre predestinação. Mais do que os apóstolos.
      Mas acho que você tem certa razão em menosprezar essa questão. Ela não é central no Evangelho, embora ajude a compreendê-lo.
      Abraço.

  11. Muito bom este texto, reflexivo e contundente, achei tipo bate e assopra, lembrei de um dito “dois lados de uma mesma moeda” que pra existir precisa de dois lados senão é falsa. Acho irrelevante (apesar de presbiteriano) a discussão sobre livre arbitrio e predestinação, se nos focarmos nas principais ordens de Cristo “amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei e Deus acima de todas as coisas, e é claro , “Ide por todo o mundo, pregai a todas nações e tribos”. Muito obrigado irmão Rubem textos como este seu são os que vão aos poucos nos libertando, nos fazendo perder o medo de AMAR a Deus por tudo que Ele nos fez e faz.

  12. Prezado irmão Rubem Amorese, esta é a tese de graça preveniente levantada por Agostinho ou graça preventiva como dizem os metodistas (arminianos). Deus trabalha inicialmente para conceder ao homem o poder de decidir-se por ele. Sob esse aspecto não existe predestinação, todos teriam sua chance de escolha, não achas?

    • Prezado Inerves:
      Concordo com você quando diz que todos teriam sua chance de escolha, por causa da ação libertadora do Espírito de Deus. Ok. No entanto, entendo que a predestinação é um destino previamente definido por Deus (antes da fundação do mundo) para cada um de nós. É aí que eu penso nos critérios. Que critérios ele usará para salvar alguns, mas não todos? Penso que usará as escolhas que fizemos, fazemos e faremos, ao longo da vida, sob o poder libertador do seu Espírito. Penso que, mesmo liberto pelo seu poder, ainda haverá quem escolha contra Deus. Abraço.

  13. Deus, apenas presciência e observador fiel? Quem está construindo a história…somente o livre-arbítrio e o acaso? Temos sim participação na responsabilidade por nossas atitudes e decisões nos confrontos, contudo, se não vislumbro Deus em sua soberania, Ele já não me serve mais. Simplesmente Ele é o Autor da minha fé !

  14. Quando optei por seguir Jesus, foi meio na marra,mas foi a melhor opção que fiz ate hoje, por isso me empenho, para que todos possam conhecê-lo,tomar posse da Paz, que so a Palavra de Deus ,pode dar.Ele nos ama, mas, vc tem o poder de decidir.amemmmmm

  15. Excelente texto! Descrevestes muito bem a teologia arminiana. O foco da teologia arminiana nunca foi o livre-arbítro ou arbítrio liberto para sermos mais honestos com os arminianos, mas sim a universalidade da graça salvadora de Deus. Essa universalidade da graça não gera universalismo, pois como explicou bem o grande teólogo calvinista Charles Hodge a expiação é substitutiva penal e não pecuniária, portanto provisional e condicionada a fé; Esse texto ainda que implicitamente derrubou alguns mitos contra o arminianismo. Todo arminiano crê em soberania e predestinação, só não creem da maneira calvinista; Soberania é ter o controle de tudo e não determinar meticulosamente todas as coisas; Lembremos também que nenhum Pai da Igreja defendia os pontos da soteriologia calvinista, muito pelo contrário, condenaram todos como heréticos; E os pontos do calvinismo foram também condenados pelos Concílios de Arles; de Licino e de Orange II; A Igreja Ortodoxa Gregatbm condenou todo o calvinismo como herético no sínodo de Jerusalém. Enfim, o que afastou e afasta muitas pessoas do arminianismo é a desonestidade intelectual que vemos em muitos teólogos calvinistas que no decorrer da história criaram espantalhos sobre o mesmo visando enganar incautos. No mais, que a Verdade venha sempre a tona e que Cristo sempre nos esclareça! Abraços fraternos!

  16. Quanto à ilustração do rapaz drogado que foi desintoxicado, e liberto, pela ajuda de seu pai, não a achei feliz em sua lógica, pois apenas vê um dos vetores que o fez escolher as drogas e se tornar um viciado (a dependência química). Há diversas outras causas que levam alguém a permanecer nas drogas, além da dependência química para decidir continuar no erro. Achei a ilustração simploria é equivocada para um assunto tão complexo (no caso o “livre arbítrio” e a soberania de Deus).
    Não consigo conceber alguém simplesmente escolhendo o “pecado” e a morte simplesmente porque decidiu por ele. Escolha insensata, na qual não vejo liberdade nenhuma! Fere a lógica. Nenhum homem “livre” e sadio escolherá o sofrimento eterno.
    Então, Deus me liberta, me regenera, me faz nascer de novo e, no final, eu, por um simples capricho, ainda posso decidir escolher a condenação eterna, mesmo tendo minha faculdades mental e espiritual restaurada?
    No final, continuo escravo do pecado, cego e morto, como no início.

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