{"id":834,"date":"2007-09-23T20:29:45","date_gmt":"2007-09-23T23:29:45","guid":{"rendered":"http:\/\/escriturasagrada.com\/?p=53"},"modified":"2007-09-23T20:29:45","modified_gmt":"2007-09-23T23:29:45","slug":"a-inspiracao-e-autoridade-das-escrituras-uma-perspectiva-missiologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/timcarriker\/2007\/09\/23\/a-inspiracao-e-autoridade-das-escrituras-uma-perspectiva-missiologica\/","title":{"rendered":"A inspira\u00e7\u00e3o e autoridade das Escrituras: uma perspectiva missiol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p>Uma das &#8220;reformas&#8221; mais marcantes da Reforma Protestante foi no seu conceito das Sagradas Escrituras. O grito protestante (era mesmo um protesto!), <em>sola Scriptura<\/em>, era o <em>an\u00fancio<\/em> inequ\u00edvoco da suprema autoridade e plena inspira\u00e7\u00e3o da B\u00edblia e, ao mesmo tempo, uma <em>den\u00fancia <\/em>da autoridade da tradi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica que se colocava no mesmo p\u00e9 de igualdade com as Escrituras. O discurso reformado a respeito das Escrituras foi t\u00e3o marcante que surtiu v\u00e1rios efeitos significantes. Por exemplo, transformou o conceito e a ordem da liturgia crist\u00e3. Com a \u00eanfase no <em>sola Scriptura<\/em> destacava-se a prega\u00e7\u00e3o da Palavra, ao inv\u00e9s da celebra\u00e7\u00e3o da ceia como na missa cat\u00f3lica. Tamb\u00e9m a \u00eanfase na autoridade suprema das Escrituras contribuiu para mudan\u00e7as no governo da igreja. E assim as igrejas reformadas se distanciaram dum sistema de governo estreitamente hier\u00e1rquico. \u00c9 poss\u00edvel dizer que o respaldo de <em>sola Scriptura<\/em> despertou um novo interesse na exegese e menor interesse na dogm\u00e1tica ou na teologia hist\u00f3rica que, at\u00e9 hoje, s\u00e3o exploradas mais no meio cat\u00f3lico (talvez os nossos te\u00f3logos discordem comigo!). Al\u00e9m destas transforma\u00e7\u00f5es inteiras, a doutrina da autoridade e inspira\u00e7\u00e3o da B\u00edblia influenciou significantemente at\u00e9 mesmo na organiza\u00e7\u00e3o social e cultural dos povos mais atingidos pela Reforma Protestante. Por exemplo, por valorizar a leitura, foram especialmente os protestantes, por meio do movimento mission\u00e1rio, que promoveram cada vez mais a alfabetiza\u00e7\u00e3o, o ensino popular e at\u00e9 mesmo a ci\u00eancia. Tamb\u00e9m contribuiu para o nascimento e promo\u00e7\u00e3o dos conceitos democr\u00e1ticos de governo. Logo a &#8220;reforma&#8221; no conceito das Escrituras foi incalcul\u00e1vel dentro e fora da igreja, e permenece um dos assuntos mais importantes no meio evang\u00e9lico.<\/p>\n<p>Por isso mesmo, resolvi escrever sobre este assunto sob uma nova \u00f3tica, a da missiologia. A missiologia, diferente da teologia, \u00e9 uma reflex\u00e3o din\u00e2mica a partir da tarefa da igreja no mundo. Disto, eventualmente nasce a sua filha, a teologia, que procura sistematizar as reflex\u00f5es missi\u00f3logicas al\u00e9m do seu contexto original e aplic\u00e1-las de modo mais geral. A reflex\u00e3o que encontramos no Novo Testamento, por exemplo, \u00e9 &#8220;missiol\u00f3gica&#8221;. Podemos tamb\u00e9m cham\u00e1-la de teologia de praxis. Foram os apologistas dos s\u00e9culos posteriores que produziram as primeiras &#8220;teologias&#8221; como conhecemos hoje, em forma mais sistem\u00e1tica.<!--more--><\/p>\n<p>O que diremos, pois, da autoridade e inspira\u00e7\u00e3o das Escrituras, duma perspectiva missiol\u00f3gica? Primeiro, lembramos duma importante distin\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica dos reformadores. Entenderam que todas as tr\u00eas afirma\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da Reforma, <em>sola Scriptura<\/em> (somente as Escrituras), <em>sola gratia<\/em> (somente a gra\u00e7a), e <em>sola fidei<\/em> (somente a f\u00e9), devem ser subordinadas \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o maior de <em><strong>solus Christus<\/strong><\/em>. Por isso queriam dizer que, sem um encontro vivo com Cristo, n\u00e3o se ouve as Escrituras com a devida inspira\u00e7\u00e3o e autoridade divinas porque Cristo \u00e9 quem se dirije a n\u00f3s pela leitura da B\u00edblia. Tamb\u00e9m, n\u00e3o experimentamos a gra\u00e7a de Deus, sen\u00e3o, somente pela efic\u00e1cia da morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, e somente dele nasce a nossa f\u00e9. \u00c9 bom ressaltar esta distin\u00e7\u00e3o hoje, porque p\u00f5e a discuss\u00e3o a respeito das Escrituras no seu devido lugar mais pessoal e menos abstrato, um lugar que ao meu ver, tanto <em>intensifica <\/em>a sua import\u00e2ncia quanto a <em>dinamiza<\/em>.<\/p>\n<p><em>Intensifica <\/em>porque se Cristo nos fala de modo especial atrav\u00e9s das Escrituras, a sua autoridade e inspira\u00e7\u00e3o aumentam. <em>Dinamiza <\/em>porque tal inspira\u00e7\u00e3o e autoridade se mostra muito mais pessoal e relacional que abstrata, est\u00e1tica e mec\u00e2nica. Afinal, a linguagem das Escrituras a seu pr\u00f3prio respeito n\u00e3o \u00e9 uma linguagem altamente pessoal e relacional? Veja, por exemplo, as seguintes afirma\u00e7\u00f5es b\u00edblicas do salmista:<\/p>\n<ul>\n<li>Com a sua palavra Deus veio cur\u00e1-los e livrou-os da morte! (Salmo 107.20)<\/li>\n<li>Como \u00e9 doce o gosto das tuas palavras; \u00e9 mais doce do que o mel! (Salmo 119.103) &#8230; Antes de me teres punido, andava errado; mas agora obede\u00e7o \u00e0 tua palavra. (v.67) &#8230; Com \u00e2nsia espero que me salves; pois pus a minha esperan\u00e7a na tua palavra! Os meus olhos anseiam por ver cumprida a tua palavra e eu pergunto: &#8220;Quando vir\u00e1s dar-me conforto?&#8221; (vv. 81-82) &#8230; A tua palavra \u00e9 o farol que me guia; \u00e9 a luz do meu caminho. Fiz um juramento e vou cumpri-lo: porei em pr\u00e1tica os teus justos decretos. (vv.105-106) &#8230; Tu \u00e9s quem me ampara e me protege; na tua palavra pus a minha esperan\u00e7a. (v.114)<\/li>\n<li>Com toda a minha alma espero o Senhor e confio na sua palavra. (Salmo 130.5)<\/li>\n<\/ul>\n<p>A resposta apropriada e igualmente pessoal do seguidor de Deus somente pode ser uma de plena e alegre obedi\u00eancia, sem diminuir ou acrescentar uma s\u00f3 palavra (Deuteron\u00f4mio 4.2).<\/p>\n<p>Mas mesmo com esta dimens\u00e3o altamente experimental, s\u00e3o muitas descri\u00e7\u00f5es da <em>qualidade <\/em>em si das Escrituras. A &#8220;ess\u00eancia&#8221; da Palavra de Deus se descreve tipicamente com qualificativos superlativos, tais como:<\/p>\n<ul>\n<li>&#8220;perfeita&#8221;, &#8220;fiel&#8221; e &#8220;s\u00e1bias&#8221; (Salmo 19.8)<\/li>\n<li>&#8220;justas&#8221;, &#8220;claras&#8221;, e esclarecedoras&#8221; (Salmo 19.9)<\/li>\n<li>&#8220;boas&#8221;, &#8220;permanentes&#8221; e &#8220;verdadeiras&#8221; (Salmo 19.10)<\/li>\n<li>&#8220;mais desj\u00e1veis do que ouro puro&#8221; e &#8220;mais doces que o mel dos favos&#8221; (Salmo 19.11)<\/li>\n<li>&#8220;instrutivas&#8221; e &#8220;proveitosas&#8221; (Salmo 19.12)<\/li>\n<\/ul>\n<p>Tr\u00eas qualificativos s\u00e3o especialmente aplicados \u00e0 ess\u00eancia das Escrituras: s\u00e3o <em>verdadeiras <\/em>(cf. Salmo 33.4-5) ,  s\u00e3o <em>confi\u00e1veis <\/em>(Cf. Salmo 119.89-91, 160) ; e s\u00e3o <em>eficazes <\/em>ou poderosas  (cf. Hebreus 4.12; Filemom 6; e Tiago 1.22).<\/p>\n<p>Com tantos qualificativos t\u00e3o bons e t\u00e3o superlativos \u00e9 admir\u00e1vel a insist\u00eancia atual no meio evang\u00e9lico no uso da palavra &#8220;inerrante&#8221; para qualificar a doutrina da inspira\u00e7\u00e3o e autoridade das Escrituras! A forte impress\u00e3o que se tem \u00e9 que sem uma afirma\u00e7\u00e3o da inerr\u00e2ncia das Escrituras, n\u00e3o h\u00e1 um compromisso ortodoxo e s\u00e9rio o suficiente com as Escrituras. Mas se fosse assim, a perspectiva das Escrituras ao seu pr\u00f3prio respeito seria aqu\u00e9m de tal defini\u00e7\u00e3o de ortodoxia. Ao meu ver, o contr\u00e1rio \u00e9 o caso. Isto \u00e9, <em>uma afirma\u00e7\u00e3o da inerr\u00e2ncia das Escrituras \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o muito aqu\u00e9m da afirma\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias Escrituras<\/em>. A afirma\u00e7\u00e3o da inerr\u00e2ncia das Escrituras \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o insuficiente quando se depara com as afirma\u00e7\u00f5es nas Escrituras a seu pr\u00f3prio respeito. O problema com o conceito da inerr\u00e2ncia s\u00e3o v\u00e1rios, a saber:<\/p>\n<ol>\n<li>Na pr\u00e1tica, a doutrina da inerr\u00e2ncia imp\u00f5e um crit\u00e9rio estranho e moderno \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o das Escrituras. Digo &#8220;na pr\u00e1tica&#8221; porque a doutrina da inerr\u00e2ncia frequentemente desemboca numa metodologia de interpreta\u00e7\u00e3o que desvaloriza a cr\u00edtica hist\u00f3rica e metodologias que n\u00e3o sejam apenas gramaticais. No fim, a defesa da doutrina da inerr\u00e2ncia corre o perigo de ser muito mais uma luta a favor de uma metodologia de interpreta\u00e7\u00e3o do que uma defesa da autoridade e inspira\u00e7\u00e3o das Escrituras em si. Ora, a metodologia gramatical \u00e9 o b\u00ea-\u00e1-b\u00e1 da interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica e de toda an\u00e1lise liter\u00e1ria. Entretanto, ling\u00fcistas e peritos na \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o, todos concordam que a metodologia gramatical n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica metodologia \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o no estudo liter\u00e1rio e certamente n\u00e3o revela tudo.<\/li>\n<li>Na B\u00edblia o conceito de inerr\u00e2ncia \u00e9 um conceito aplicado a pessoas (G\u00eanesis 4.12, 14; J\u00f3 6.24; Salmo 58.4; 119.176; Jeremias 50.9; Ju\u00edzes 20.16; Prov\u00e9rbios 12.26; 14.22) e n\u00e3o \u00e0s Escrituras. Quem deve ser inerrante somos n\u00f3s na nossa conduta e na nossa f\u00e9! Ou seja, o conceito da inerr\u00e2ncia&#8221; \u00e9 um conceito que prov\u00e9m do campo da <em>\u00e9tica<\/em>, e n\u00e3o do campo da <em>ontologia<\/em>. Refere-se \u00e0 conduta humana, e n\u00e3o \u00e0 composi\u00e7\u00e3o das Escrituras. O mais certo \u00e9 advogar a doutrina da inerr\u00e2ncia (isto \u00e9, a perseveran\u00e7a) na conduta crist\u00e3!<\/li>\n<\/ol>\n<p>O que estamos dizendo, ent\u00e3o: que as Escrituras podem errar? Se por isso, quer dizer, que as Escrituras s\u00e3o imperfeitas, menos que justas, n\u00e3o inteiramente fi\u00e9is, n\u00e3o t\u00e3o doce quanto o mel ou menos desej\u00e1veis que ouro refinado&#8230; ent\u00e3o, de jeito algum! Neste sentido podemos tamb\u00e9m afirmar a inerr\u00e2ncia das Escrituras, sem entretanto, limitar as metodologias que aplicamos a sua interpreta\u00e7\u00e3o. Mas infelizmente n\u00e3o \u00e9 apenas isso que os defensores da inerr\u00e2ncia das Escrituras querem promover. Querem tamb\u00e9m promover <em>uma <\/em>metodologia &#8220;certa&#8221; de interpreta\u00e7\u00e3o e <em>censurar <\/em>outras.<\/p>\n<p>Qual seria uma postura recomend\u00e1vel, se formos obrigados a ultrapassar ou resumir as belas afirma\u00e7\u00f5es das pr\u00f3prias Escrituras? Dir\u00edamos assim&#8230;<\/p>\n<ol>\n<li>As Escrituras s\u00e3o uma parte essencial e um relato fidedigno da auto-revela\u00e7\u00e3o especial de Deus. Todos os livros do Antigo e do Novo Testamento foram inspirados por Deus, se constituem como a sua palavra escrita, a \u00fanica regra infal\u00edvel de f\u00e9 e de pr\u00e1tica. Devem ser interpretados conforme o seu contexto e prop\u00f3sito e obedecidos no temor do Senhor que \u00e9 quem fala por meio deles em poder vivo. Assim, reconhecemos o processo hist\u00f3rico, cultural e liter\u00e1rio no qual os diversos autores viviam e escreveram e pelo qual Deus nos trouxe a Palavra. Igualmente, reconhecemos os prop\u00f3sitos de cada autor e, acima de tudo, que Deus teve quando as Escrituras foram escritas. Efetivamente pressupomos, usando a analogia da encarna\u00e7\u00e3o, a plena divina inspira\u00e7\u00e3o das Escrituras, quanto a sua plena humanidade ou historicidade.<\/li>\n<li>Como a Palavra de Deus, todas as Escrituras s\u00e3o absolutamente essenciais para nossa a\u00e7\u00e3o em prol do Evangelho. Esta postura nos leva \u00e0 participa\u00e7\u00e3o sem vacilar no <em>missio Dei<\/em>, revelada definitivamente em Jesus Cristo e manifestada pela obra cont\u00ednua do Esp\u00edrito Santo. A cria\u00e7\u00e3o inteira, inclusive toda a humanidade, encontra o seu devido prop\u00f3sito e lugar unicamente em relacionamento vivo com Jesus Cristo.<\/li>\n<li>A igreja compreende a sua tarefa no mundo (a motiva\u00e7\u00e3o, o meio, a prioridade, o alvo, o alcance e o significado desta miss\u00e3o) em refer\u00eancia a pr\u00f3pria miss\u00e3o de Deus para e em prol do mundo. Esta compreens\u00e3o se informa por reflex\u00e3o cuidadosa na revela\u00e7\u00e3o de Deus nas Escrituras e por aten\u00e7\u00e3o diligente, conforme o padr\u00e3o paulino, em contextos espec\u00edficos. A reflex\u00e3o da igreja sobre sua tarefa no mundo (a missiologia) nunca se completa, da mesma forma que a sua miss\u00e3o para e pelo mundo s\u00f3 se completa no retorno de Cristo. A reflex\u00e3o teol\u00f3gica contextual sempre permanece essencial para o engajamento eficaz da igreja na miss\u00e3o de Deus.<\/li>\n<li>&#8220;Miss\u00e3o&#8221;, portanto, sempre \u00e9 a <em>raison d&#8217;\u00eatre<\/em> <strong>pen\u00faltima <\/strong>da igreja. Sua raz\u00e3o <strong>\u00faltima <\/strong>de ser, para a qual a miss\u00e3o dever\u00e1 contribuir, \u00e9 a gl\u00f3ria de Deus. Esta distin\u00e7\u00e3o \u00e9 imporante e nos guarda dos perigos da auto-promo\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1tica ou mission\u00e1ria. Quando a igreja se engaja corajosa e sacrificialmente na miss\u00e3o de Deus, sua pr\u00f3pria chamada se renova e a gl\u00f3ria de Deus \u00e9 mais conhecida pela superf\u00edcie da terra.<\/li>\n<li>A igreja hoje continua a tarefa do povo de Deus desde o chamado de Abra\u00e3o e que \u00e9 derivada da pr\u00f3pria miss\u00e3o e natureza de Deus. A natureza atual desta tarefa se esclarece atrav\u00e9s da reflex\u00e3o atenciosa nas manifesta\u00e7\u00f5es anteriores da mis\u00e3o de Deus atrav\u00e9s dos s\u00e9culos, mas com aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s Escrituras e reconhecendo a prioridade hermen\u00eautica do Novo Testamento como o cumprimento desta express\u00e3o.<\/li>\n<li>O desempenho da igreja na miss\u00e3o de Deus deve ser cont\u00ednuo n\u00e3o apenas com a hist\u00f3ria desta miss\u00e3o, mas tamb\u00e9m deve se expressar em continuidade com todo o povo de Deus ao redor do mundo. Isto \u00e9, a unidade do povo de Deus mundialmente \u00e9 tamb\u00e9m desafio para sua fidelidade. Em Jo\u00e3o 17.21, Cristo orou em favor dos seus seguidores, &#8220;que todos sejam um, como t\u00fa \u00e9s,\u00f3 Pai, em mim e eu em ti tamb\u00e9m sejam eles em n\u00f3s, para que o mundo creia que t\u00fa me enviaste.&#8221; Que n\u00f3s sejamos uma resposta a esta ora\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s da sua ocasi\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Eis as nossas observa\u00e7\u00f5es mais missiol\u00f3gicas. E uma boa afirma\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica? Ainda achamos que a <strong><em>Confiss\u00e3o de Westminster<\/em><\/strong> promove excelente reflex\u00e3o teol\u00f3gica da autoridade e inspira\u00e7\u00e3o das Escrituras. Veja, especialmente os seguintes par\u00e1grafos:<\/p>\n<p>CAP\u00cdTULO I<br \/>\nDA ESCRITURA SAGRADA<\/p>\n<p>I. Ainda que a luz da natureza e as obras da cria\u00e7\u00e3o e da provid\u00eancia de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescus\u00e1veis, contudo n\u00e3o s\u00e3o suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necess\u00e1rio para a salva\u00e7\u00e3o; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos, revelar-se e declarar \u00e0 sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preserva\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrup\u00e7\u00e3o da carne e mal\u00edcia de Satan\u00e1s e do mundo, foi igualmente servido faz\u00ea-la escrever toda. Isto torna indispens\u00e1vel a Escritura Sagrada, tendo cessado aqueles antigos modos de revelar Deus a sua vontade ao seu povo.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias &#8211; Sal. 19: 1-4; Rom. 1: 32, e 2: 1, e 1: 19-20, e 2: 14-15; I Cor. 1:21, e 2:13-14; Heb. 1:1-2; Luc. 1:3-4; Rom. 15:4; Mat. 4:4, 7, 10; Isa. 8: 20; I Tim. 3: I5; II Pedro 1: 19.<\/p>\n<p>II. Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que s\u00e3o os seguintes, todos dados por inspira\u00e7\u00e3o de Deus para serem a regra de f\u00e9 e de pr\u00e1tica:<\/p>\n<p>O VELHO TESTAMENTO<\/p>\n<p>G\u00eanesis<br \/>\n\u00caxodo<br \/>\nLev\u00edtico<br \/>\nN\u00fameros<br \/>\nDeuteron\u00f4mio<br \/>\nJosu\u00e9<br \/>\nJu\u00edzes<br \/>\nRute<br \/>\nI Samuel<br \/>\nII Samuel<br \/>\nI Reis<br \/>\nII Reis<br \/>\nI Cr\u00f4nicas<br \/>\nII Cr\u00f4nicas<br \/>\nEsdras<br \/>\nNeemias<br \/>\nEster<br \/>\nJ\u00f3<br \/>\nSalmos<br \/>\nProv\u00e9rbios<br \/>\nEclesiastes<br \/>\nC\u00e2ntico dos C\u00e2nticos<br \/>\nJeremias<br \/>\nIsa\u00edas<br \/>\nLamenta\u00e7\u00f5es<br \/>\nEzequiel<br \/>\nDaniel<br \/>\nOs\u00e9ias<br \/>\nJoel<br \/>\nAm\u00f3s<br \/>\nObadias<br \/>\nJonas<br \/>\nMiqu\u00e9ias<br \/>\nNaum<br \/>\nHabacuque<br \/>\nSofonias<br \/>\nAgeu<br \/>\nZacarias<br \/>\nMalaquias<\/p>\n<p>O NOVO TESTAMENTO<\/p>\n<p>Mateus<br \/>\nMarcos<br \/>\nLucas<br \/>\nJo\u00e3o<br \/>\nAtos<br \/>\nRomanos<br \/>\nI Cor\u00edntios<br \/>\nII Cor\u00edntios<br \/>\nG\u00e1latas<br \/>\nEf\u00e9sios<br \/>\nFilipenses<br \/>\nColossenses<br \/>\nI Tessalonicenses<br \/>\nII Tessalonicenses<br \/>\nI Tim\u00f3teo<br \/>\nII Tim\u00f3teo<br \/>\nTito<br \/>\nFilemon<br \/>\nHebreus<br \/>\nTiago<br \/>\nI Pedro<br \/>\nII Pedro<br \/>\nI Jo\u00e3o<br \/>\nII Jo\u00e3o<br \/>\nIII Jo\u00e3o<br \/>\nJudas<br \/>\nApocal\u00edpse<\/p>\n<p>Ref. Ef. 2:20; Apoc. 22:18-19: II Tim. 3:16; Mat. 11:27.<\/p>\n<p>III. Os livros geralmente chamados Ap\u00f3crifos, n\u00e3o sendo de inspira\u00e7\u00e3o divina, n\u00e3o fazem parte do c\u00e2non da Escritura; n\u00e3o s\u00e3o, portanto, de autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados sen\u00e3o como escritos humanos.<\/p>\n<p>Ref.  Luc. 24:27,44; Rom. 3:2; II Pedro 1:21.<\/p>\n<p>IV. A autoridade da Escritura Sagrada, raz\u00e3o pela qual deve ser crida e obedecida, n\u00e3o depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que \u00e9 o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque \u00e9 a palavra de Deus.<\/p>\n<p>Ref.  II Tim. 3:16; I Jo\u00e3o 5:9, I Tess. 2:13.<\/p>\n<p>V. Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apre\u00e7o da Escritura Sagrada; a suprema excel\u00eancia do seu conte\u00fado, e efic\u00e1cia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo (que \u00e9 dar a Deus toda a gl\u00f3ria), a plena revela\u00e7\u00e3o que faz do \u00fanico meio de salvar-se o homem, as suas muitas outras excel\u00eancias incompar\u00e1veis e completa perfei\u00e7\u00e3o, s\u00e3o argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuas\u00e3o e certeza da sua infal\u00edvel verdade e divina autoridade prov\u00e9m da opera\u00e7\u00e3o interna do Esp\u00edrito Santo, que pela palavra e com a palavra testifica em nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ref.  I Tim. 3:15; I Jo\u00e3o 2:20,27; Jo\u00e3o 16:13-14; I Cor. 2:10-12.<\/p>\n<p>VI. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necess\u00e1rias para a gl\u00f3ria dele e para a salva\u00e7\u00e3o, f\u00e9 e vida do homem, ou \u00e9 expressamente declarado na Escritura ou pode ser l\u00f3gica e claramente deduzido dela. \u00c0 Escritura nada se acrescentar\u00e1 em tempo algum, nem por novas revela\u00e7\u00f5es do Esp\u00edri&#8217;to, nem por tradi\u00e7\u00f5es dos homens; reconhecemos, entretanto, ser necess\u00e1ria a \u00edntima ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito de Deus para a salvadora compreens\u00e3o das coisas reveladas na palavra, e que h\u00e1 algumas circunst\u00e2ncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comum \u00e0s a\u00e7\u00f5es e sociedades humanas, as quais t\u00eam de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prud\u00eancia crist\u00e3, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas.<\/p>\n<p>Ref.  II Tim. 3:15-17; Gal.  1:8; II Tess. 2:2; Jo\u00e3o 6:45; I Cor. 2:9, 10, l2; I Cor. 11:13-14.<\/p>\n<p>VII. Na Escritura n\u00e3o s\u00e3o todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos; contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salva\u00e7\u00e3o, em um ou outro passo da Escritura s\u00e3o t\u00e3o claramente expostas e explicadas, que n\u00e3o s\u00f3 os doutos, mas ainda os indoutos, no devido uso dos meios ordin\u00e1rios, podem alcan\u00e7ar uma suficiente compreens\u00e3o delas.<\/p>\n<p>Ref.  II Pedro 3:16; Sal. 119:105, 130; Atos 17:11.<\/p>\n<p>VIII. O Velho Testamento em Hebraico (l\u00edngua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a l\u00edngua mais geralmente conhecida entre as na\u00e7\u00f5es no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e provid\u00eancia conservados puros em todos os s\u00e9culos, s\u00e3o por isso aut\u00eanticos e assim em todas as controv\u00e9rsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal; mas, n\u00e3o sendo essas l\u00ednguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras e que deve no temor de Deus l\u00ea-las e estud\u00e1-las, esses livros t\u00eam de ser traduzidos nas l\u00ednguas vulgares de todas as na\u00e7\u00f5es aonde chegarem, a fim de que a palavra de Deus, permanecendo nelas abundantemente, adorem a Deus de modo aceit\u00e1vel e possuam a esperan\u00e7a pela paci\u00eancia e conforto das escrituras.<\/p>\n<p>Ref.  Mat.  5:18; Isa. 8:20; II Tim. 3:14-15; I Cor. 14; 6, 9, ll, 12, 24, 27-28; Col. 3:16; Rom. 15:4.<\/p>\n<p>IX. A regra infal\u00edvel de interpreta\u00e7\u00e3o da Escritura \u00e9 a mesma Escritura; portanto, quando houver quest\u00e3o sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que n\u00e3o \u00e9 m\u00faltiplo, mas \u00fanico), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.<\/p>\n<p>Ref.  At.  15: 15; Jo\u00e3o 5:46; II Ped. 1:20-21.<\/p>\n<p>X. O Juiz Supremo, pelo qual todas as controv\u00e9rsias religiosas t\u00eam de ser determinadas e por quem ser\u00e3o examinados todos os decretos de conc\u00edlios, todas as opini\u00f5es dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opini\u00f5es particulares, o Juiz Supremo em cuja senten\u00e7a nos devemos firmar n\u00e3o pode ser outro sen\u00e3o o Esp\u00edrito Santo falando na Escritura.<\/p>\n<p>Ref.  Mat. 22:29, 3 1; At. 28:25; Gal. 1: 10.<br \/>\nPara uma vers\u00e3o desta reflex\u00e3o em Word COM NOTAS DE RODAP\u00c9, siga o seguinte link <a href=\"http:\/\/feemissao.wordpress.com\/files\/2007\/07\/inspiracao-das-escrituras.pdf\" target=\"_blank\"><strong>AQUI <\/strong><\/a><\/p>\n<p>Para uma &#8220;tipologia&#8221; de diversas perspectivas sobre a inspira\u00e7\u00e3o das Escrituras, veja o seguinte diagrama: <a href=\"http:\/\/feemissao.wordpress.com\/files\/2007\/07\/natureza-divina-e-humana-das-escrituras3.pdf\" target=\"_blank\"><strong><em>A natureza divina e humana das Escrituras<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/rakeshkumar.wordpress.com\/files\/2006\/08\/technorati.gif\" alt=\"Technorati\" \/><strong>Technorati: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.technorati.com\/tag\/B?blia\" rel=\"tag\">B\u00edblia<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.technorati.com\/tag\/inspira\u00e7\u00e3o+da+B?blia\" rel=\"tag\">inspira\u00e7\u00e3o da B\u00edblia<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.technorati.com\/tag\/autoridade+da+B?blia\" rel=\"tag\">autoridade da B\u00edblia<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.technorati.com\/tag\/inerr\u00e2ncia\" rel=\"tag\">inerr\u00e2ncia<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.technorati.com\/tag\/Confiss\u00e3o+de+Westminster\" rel=\"tag\">Confiss\u00e3o de Westminster<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.technorati.com\/tag\/hermen\u00eautica\" rel=\"tag\">hermen\u00eautica<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das &#8220;reformas&#8221; mais marcantes da Reforma Protestante foi no seu conceito das Sagradas Escrituras. O grito protestante (era mesmo um protesto!), sola Scriptura, era o an\u00fancio inequ\u00edvoco da suprema autoridade e plena inspira\u00e7\u00e3o da B\u00edblia e, ao mesmo tempo, uma den\u00fancia da autoridade da tradi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica que se colocava no mesmo p\u00e9 de igualdade [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[12402],"tags":[],"class_list":["post-834","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-autoridade-das-escrituras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/timcarriker\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/timcarriker\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/timcarriker\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/timcarriker\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/timcarriker\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/timcarriker\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/834\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/timcarriker\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/timcarriker\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/timcarriker\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}