{"id":424,"date":"2013-11-10T20:43:50","date_gmt":"2013-11-10T23:43:50","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/?p=424"},"modified":"2014-02-07T11:01:16","modified_gmt":"2014-02-07T14:01:16","slug":"questionando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/2013\/11\/10\/questionando\/","title":{"rendered":"Questionando"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>por\u00a0<a href=\"http:\/\/biologos.org\/blog\/author\/bancewicz-ruth\">Ruth Bancewicz (Faraday Institute)<\/a><\/strong><br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Leopoldo Teixeira\u00a0(Cientista\u00a0da Computa\u00e7\u00e3o &#8211; UFPE e membro da rede Teste da F\u00e9 Brasil)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"letter-spacing: -0.04em; line-height: 19px; font-size: 13px;\">Quando eu era estudante de doutorado em Edinburgh, frequentava uma igreja\u00a0que era convenientemente localizada ao lado de uma s\u00e9rie de bons <\/span><em style=\"letter-spacing: -0.04em; line-height: 19px; font-size: 13px;\">pubs<\/em><span style=\"letter-spacing: -0.04em; line-height: 19px; font-size: 13px;\">.\u00a0Um bom grupo costumava se encaminhar para um destes estabelecimentos\u00a0ap\u00f3s os cultos de domingo \u00e0 noite. A conversa variava de um simples &#8216;Quem \u00e9 voc\u00ea?&#8217;\u00a0(era uma igreja grande), \u00e0s discuss\u00f5es sobre o serm\u00e3o que acabamos de ouvir\u00a0e outras quest\u00f5es mais filos\u00f3ficas. Uma noite, me sentei ao lado de um\u00a0estudante de fotografia, e quando me apresentei como estudante de doutorado\u00a0<\/span>em gen\u00e9tica, ela disse algo como &#8220;Todos esses fatos e n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o para mim,\u00a0eu sou uma estudante de artes.&#8221; Ao inv\u00e9s de apenas seguir em frente na conversa,\u00a0o que teria sido infinitamente mais f\u00e1cil, eu tentei explicar porque pensava que\u00a0a ci\u00eancia era interessante. Eu acho que ganhei aquela discuss\u00e3o, mas voc\u00ea pode\u00a0julgar por si mesmo.<\/p>\n<p><!--more--><br \/>\nCome\u00e7amos falando de livros did\u00e1ticos. N\u00e3o importa o qu\u00e3o bem escrito estes\u00a0volumes sejam, ou o qu\u00e3o impressionante sejam suas ilustra\u00e7\u00f5es, \u00e9\u00a0improv\u00e1vel que eles venham a parar na mesa de cabeceira, a n\u00e3o ser perto da\u00a0\u00e9poca de provas. Salientei que os livros did\u00e1ticos t\u00eam o seu lugar &#8211; um aluno tem\u00a0de se atualizar no assunto escolhido &#8211; mas, pela pr\u00f3pria natureza da ci\u00eancia,\u00a0eles est\u00e3o desatualizados antes mesmo de serem impressos. Se ao menos o ensino\u00a0de ci\u00eancias pudesse refletir o que realmente acontece.<\/p>\n<p>O trabalho de um cientista \u00e9 ir at\u00e9 a prateleira de perguntas sem resposta,\u00a0escolher uma que eles sabem alguma coisa a respeito e acham que podem\u00a0resolver, lev\u00e1-la para o laborat\u00f3rio e come\u00e7ar a encontrar algumas respostas.\u00a0Na medida que trabalham, descobrem algumas coisas novas, mas tamb\u00e9m descobrem\u00a0mais perguntas, algumas s\u00e3o respondidas e outras colocadas na prateleira\u00a0para mais tarde. Assim que come\u00e7am a chegar a algum lugar eles come\u00e7am a montar\u00a0um artigo cient\u00edfico. Depois de terem publicado seu artigo, comemorado, e<br \/>\nrecuperado um pouco do sono, eles alegremente colocam seu artigo rec\u00e9m-publicado\u00a0pra tr\u00e1s e correm para a prateleira de perguntas sem resposta. Qual ser\u00e1 a pr\u00f3xima?\u00a0O que fazer com aquela coisa que parecia estranha no \u00faltimo experimento, ser\u00e1\u00a0que vale a pena dar uma olhada naquilo? Vamos testar ainda mais a teoria que\u00a0acabamos de publicar &#8211; ser\u00e1 que ela se aplica nestas outras circunst\u00e2ncias?\u00a0Cada etapa da investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 um passo na dire\u00e7\u00e3o de compreender o modo como as\u00a0coisas realmente funcionam.<\/p>\n<p>Minha amiga ficou surpresa com este relato a respeito de como a ci\u00eancia funciona,\u00a0e disse que teria achado a ci\u00eancia muito mais emocionante se tivesse sido\u00a0apresentada \u00e0 area desta forma na escola. A ci\u00eancia \u00e9 um processo din\u00e2mico, e\u00a0embora \u00e0s vezes seja dif\u00edcil passar essa mensagem ao mesmo tempo em que\u00a0enchem \u00e0s cabe\u00e7as dos estudantes de conhecimento, os professores de ci\u00eancias<br \/>\ne professores universit\u00e1rios precisam gritar o mais alto poss\u00edvel antes que\u00a0mais estudantes de artes sejam enganados ao pensar que ci\u00eancia \u00e9 algo chato.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou s\u00f3 eu que tem essa imagem da ci\u00eancia. Quando falei com o\u00a0neurobi\u00f3logo\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceandbelief.org\/2013\/09\/12\/surprised-by-science\/\">Harvey McMahon<\/a>,\u00a0ele me contou sobre seu tempo fazendo p\u00f3s-doutorado\u00a0nos EUA. Ele tem uma reputa\u00e7\u00e3o de questionador, e foi convidado a participar das\u00a0reuni\u00f5es do grupo de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nobelprize.org\/nobel_prizes\/medicine\/laureates\/1985\/\">Michael Brown e Joseph Goldstein<\/a>.\u00a0Estes dois homens lideravam um laborat\u00f3rio em conjunto, colaborando na investiga\u00e7\u00e3o\u00a0do colesterol e vieram a ganhar o Pr\u00eamio Nobel por seu trabalho. Eles convidaram o\u00a0jovem doutor para as suas reuni\u00f5es por gostarem de pessoas que questionavam as coisas,\u00a0pois s\u00f3 uma explora\u00e7\u00e3o minuciosa da prateleira de perguntas sem resposta ajuda um\u00a0cientista a chegar em algum resultado. Como a astr\u00f4noma\u00a0<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Jocelyn_Bell_Burnell\">Jocelyn Bell Burnell<\/a>\u00a0disse: &#8220;Se assumimos que encontramos algo, paramos de procurar&#8221;. [1]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[1] Do programa &#8216;Beautiful Minds&#8217; da BBC, 2010<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por\u00a0Ruth Bancewicz (Faraday Institute) Tradu\u00e7\u00e3o: Leopoldo Teixeira\u00a0(Cientista\u00a0da Computa\u00e7\u00e3o &#8211; UFPE e membro da rede Teste da F\u00e9 Brasil) Quando eu era estudante de doutorado em Edinburgh, frequentava uma igreja\u00a0que era convenientemente localizada ao lado de uma s\u00e9rie de bons pubs.\u00a0Um bom grupo costumava se encaminhar para um destes estabelecimentos\u00a0ap\u00f3s os cultos de domingo \u00e0 noite. 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