{"id":117,"date":"2013-08-17T12:03:13","date_gmt":"2013-08-17T15:03:13","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/?page_id=117"},"modified":"2013-08-17T12:03:13","modified_gmt":"2013-08-17T15:03:13","slug":"fp4-o-principio-antropico-e-o-debate-entre-ciencia-e-religiao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/faraday-papers\/fp4-o-principio-antropico-e-o-debate-entre-ciencia-e-religiao\/","title":{"rendered":"FP4: O Princ\u00edpio Antr\u00f3pico e o Debate entre Ci\u00eancia e Religi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/files\/2013\/08\/fp1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" alt=\"fp1\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/files\/2013\/08\/fp1.jpg\" width=\"211\" height=\"143\" \/><\/a><em>O Reverendo Dr. John Polkinghorne KBE FRS trabalhou com f\u00edsica te\u00f3rica de part\u00edculas elementares por 25 anos; foi Professor de F\u00edsica Matem\u00e1tica na Universidade de Cambridge e, em seguida, Presidente do Queens\u2019 College, em Cambridge. O Dr. Polkinghorne \u00e9 fellow da Royal Society, foi o Presidente Fundador da International Society for Science and Religion (2002-2004) e \u00e9 autor de numerosos livros sobre ci\u00eancia e religi\u00e3o, incluindo Science and Theology (Londres: SPCK, 1998).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><b>Resumo<\/b><\/p>\n<p>A vida baseada em carbono pode se desenvolver apenas em um universo notavelmente espec\u00edfico, no tocante \u00e0s suas leis naturais. Poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para este ajuste-fino apelam, ou a conjecturas sobre um multiverso, ou ao conceito de cria\u00e7\u00e3o. O artigo compara essas explica\u00e7\u00f5es concorrentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0***<\/p>\n<div>\n<p>O universo que n\u00f3s observamos hoje se originou h\u00e1 cerca de 13.7 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s, de um estado singular de densidade e temperatura extrema que denominamos coloquialmente como o \u201cBig Bang\u201d. O universo, em sua inf\u00e2ncia, era estruturalmente muito simples, consistindo de uma bola quase uniforme de mat\u00e9ria\/energia em expans\u00e3o. Uma das raz\u00f5es porque os cosmologistas podem falar com um consider\u00e1vel grau de confian\u00e7a sobre esta \u00e9poca inicial \u00e9 que as coisas ent\u00e3o eram simples, tornando f\u00e1cil a constru\u00e7\u00e3o de modelos nos dias de hoje. Depois de quase quatorze bilh\u00f5es de anos de processo evolucion\u00e1rio, o universo se tornou muito complexo, sendo o c\u00e9rebro humano (com seus 10<sup>11<\/sup> neur\u00f4nios e suas mais de 10<sup>14<\/sup> conex\u00f5es) o mais complicado sistema que a ci\u00eancia j\u00e1 encontrou em sua explora\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>Os processos evolucion\u00e1rios envolvem a intera\u00e7\u00e3o entre dois aspectos do mundo natural que, em forma de \u201cslogan\u201d, podemos rotular como \u201cacaso e necessidade\u201d. Apenas uma pequena propor\u00e7\u00e3o do que \u00e9 teoricamente poss\u00edvel efetivamente aconteceu, e o \u201cacaso\u201d \u00e9 respons\u00e1vel pelos detalhes contingentes dos eventos acontecidos. Na inf\u00e2ncia do universo, por exemplo, havia apenas flutua\u00e7\u00f5es sutis na distribui\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria. Estas heterogeneidades forneceram as sementes casuais das quais a estrutura granulada das gal\u00e1xias e estrelas viria a crescer. Os detalhes efetivos desta estrutura c\u00f3smica foram causados pelo acaso, mas o processo envolveu tamb\u00e9m uma \u201cnecessidade\u201d normatizada na forma da a\u00e7\u00e3o da gravidade. Um pouquinho mais de mat\u00e9ria em um ponto implicava uma atra\u00e7\u00e3o gravitacional mais forte para este ponto, iniciando um processo de bola-de-neve pelo qual as gal\u00e1xias se condensaram.<\/p>\n<p>A id\u00e9ia central do Princ\u00edpio Antr\u00f3pico (PA) \u00e9 a de que o car\u00e1ter espec\u00edfico da necessidade normatizada teve de assumir uma forma muito particular \u2013 frequentemente expressa com a met\u00e1fora do \u201cajuste-fino\u201d das leis da natureza \u2013 para que o aparecimento dos <i>anthropoi<\/i><a title=\"\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a> viesse a se tornar poss\u00edvel dentro dos limites da hist\u00f3ria c\u00f3smica. Em outras palavras, a mera explora\u00e7\u00e3o evolucion\u00e1ria do que pode acontecer (acaso) n\u00e3o teria sido suficiente se a regularidade normatizada do universo (necessidade) n\u00e3o houvesse assumido a forma altamente espec\u00edfica que \u00e9 necess\u00e1ria para gerar potencialidade biol\u00f3gica. O universo tinha bilh\u00f5es de anos de idade quando a vida apareceu, mas ele j\u00e1 estava prenhe desta possibilidade desde o princ\u00edpio.<\/p>\n<p>V\u00e1rios <i>insights<\/i> cient\u00edficos se combinam para conduzir a esta conclus\u00e3o inesperada. Eles se relacionam a processos que aconteceram em diferentes est\u00e1gios da hist\u00f3ria c\u00f3smica, come\u00e7ando por uma fra\u00e7\u00e3o diminuta do primeiro segundo ap\u00f3s o Big Bang, passando pela primeira gera\u00e7\u00e3o de estrelas e gal\u00e1xias, e atingindo os processos que se desdobram no cosmo atualmente. Ser\u00e1 suficiente indicar alguns exemplos que ilustram o tipo de racioc\u00ednio envolvido na quest\u00e3o. Para tratamentos mais abrangentes e detalhados, pode-se recorrer a estudos mais minuciosos<a title=\"\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Especificidade Antr\u00f3pica<\/strong><\/p>\n<p>Para possibilitar a vida baseada em carbono, as leis que operam no universo se sujeitam a algumas restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>1. Car\u00e1ter Aberto<\/i><\/p>\n<p>A ci\u00eancia reconhece cada vez mais que a emerg\u00eancia de novidade genu\u00edna depende da exist\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es que poderiam ser descritas como \u201cno limite do caos\u201d, significando que, sob tais condi\u00e7\u00f5es, regularidade e abertura, ordem e desordem, aparecem sutilmente entrela\u00e7adas. Condi\u00e7\u00f5es dominadas por uma ordem r\u00edgida s\u00e3o muito inflex\u00edveis para permitir o aparecimento de algo realmente novo. Rearranjos de elementos j\u00e1 existentes s\u00e3o poss\u00edveis, mas n\u00e3o pode haver genu\u00edna novidade. Por outro lado, condi\u00e7\u00f5es muito desorganizadas apresentam uma instabilidade cuja implica\u00e7\u00e3o \u00e9 que nada novo pode persistir. A hist\u00f3ria conhecida da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica ilustra a discuss\u00e3o acima. Se n\u00e3o houvesse muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, a vida jamais desenvolveria formas novas; se houvesse muta\u00e7\u00f5es em demasia, as esp\u00e9cies sobre as quais a sele\u00e7\u00e3o natural atua jamais teriam se estabelecido para tanto.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter b\u00e1sico da lei f\u00edsica \u00e9 o mecanismo qu\u00e2ntico, cujas conseq\u00fc\u00eancias incluem tanto a confiabilidade (p.ex. a estabilidade dos \u00e1tomos) quanto a abertura (a imprevisibilidade de diversos efeitos). \u00c9 plaus\u00edvel que tais caracter\u00edsticas tenham sido necess\u00e1rias para o surgimento da vida, que teria sido imposs\u00edvel em um universo governado pelo determinismo Newtoniano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>2. Arranjo Global<\/i><\/p>\n<p>A estabilidade das \u00f3rbitas planet\u00e1rias, uma necessidade \u00f3bvia para o desenvolvimento da vida em qualquer planeta, deriva do fato de a gravidade obedecer a uma lei que, matematicamente, \u00e9 um inverso ao quadrado. Uma lei que fosse o inverso ao cubo, por exemplo, teria feito o sistema solar incapaz de se manter coerente por qualquer per\u00edodo significativo de tempo. O car\u00e1ter de \u201cinverso ao quadrado\u201d da gravidade est\u00e1 ligado \u00e0s dimens\u00f5es do espa\u00e7o. Se o espa\u00e7o fosse quadridimensional, ao inv\u00e9s de tridimensional, a gravidade poderia realmente ter sido um inverso ao cubo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>3. Especificidade Quantitativa<\/i><\/p>\n<p>Quatro for\u00e7as fundamentais da natureza operam em nosso universo. A intensidade de cada uma \u00e9 determinada pelos valores de quatro constantes naturais correspondentes. A sutil constante estrutural (<i>structure constant<\/i>) (a) especifica a for\u00e7a do eletromagnetismo; a constante gravitacional de Newton (G) especifica a for\u00e7a da gravidade; e duas constantes especificam a intensidade das for\u00e7as nucleares, g<sub>s<\/sub> para as for\u00e7as fortes que mant\u00e9m o n\u00facleo at\u00f4mico reunido e g<sub>w<\/sub> para as for\u00e7as fracas, que s\u00e3o respons\u00e1veis por alguns decaimentos nucleares e tamb\u00e9m controlam as intera\u00e7\u00f5es dos neutrinos. As magnitudes de todas essas constantes devem ser firmemente delimitadas caso se queira um universo capaz de produzir vida.<\/p>\n<p>Se g<sub>w<\/sub> fosse um pouco menor, o universo primitivo teria convertido todo o seu hidrog\u00eanio em h\u00e9lio antes mesmo de esfriar a um grau abaixo da temperatura na qual os processos c\u00f3smicos nucleares cessam. Tal significaria n\u00e3o apenas a total aus\u00eancia de \u00e1gua, t\u00e3o essencial \u00e0 vida, mas tamb\u00e9m a exist\u00eancia exclusiva de estrelas de h\u00e9lio, cuja dura\u00e7\u00e3o seria insuficiente para sustentar o desenvolvimento da vida em qualquer de seus planetas. Se g<sub>w<\/sub> fosse um pouco maior, as explos\u00f5es de supernovas teriam sido inibidas.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo fato poderia ter s\u00e9rias consequ\u00eancias para os processos elaborados e delicadamente equilibrados pelos quais a mat\u00e9ria prima qu\u00edmica da vida \u00e9 feita. Sendo o universo primitivo t\u00e3o simples, produziria apenas os dois elementos mais simples: hidrog\u00eanio e h\u00e9lio. Ambos t\u00eam uma qu\u00edmica muito ma\u00e7ante para proporcionar a base de qualquer coisa t\u00e3o interessante como a vida. Esta requer mais de vinte outros elementos, o carbono acima de tudo, cujas propriedades qu\u00edmicas possibilitam a forma\u00e7\u00e3o de longas mol\u00e9culas em cadeia que fornecem a base bioqu\u00edmica da vida. O \u00fanico lugar no universo onde o carbono \u00e9 feito \u00e9 o interior das fornalhas nucleares das estrelas. Todos os seres vivos s\u00e3o feitos de poeira estelar. Desembara\u00e7ar a cadeia de intera\u00e7\u00f5es nucleares pelas quais o carbono e os elementos pesados s\u00e3o produzidos foi um dos triunfos da astrof\u00edsica do s\u00e9culo XX. Fred Hoyle foi um pioneiro neste trabalho. Ele notou que a produ\u00e7\u00e3o estelar do carbono s\u00f3 era poss\u00edvel porque havia uma resson\u00e2ncia (um efeito de grande amplifica\u00e7\u00e3o) ocorrendo em um n\u00edvel de energia particular no carbono, sendo ao mesmo tempo ausente qualquer resson\u00e2ncia similar no oxig\u00eanio, o que impediu a perda do carbono, que em caso contr\u00e1rio teria em sua totalidade se tornado oxig\u00eanio. Essas propriedades nucleares detalhadas dependem do valor de g<sub>s<\/sub>, e se este valor tivesse sido diferente, o carbono poderia n\u00e3o ter existido, e n\u00e3o ter\u00edamos vida baseada em carbono. Ao se aperceber disto, Hoyle, embora ateu, teria dito que o universo era uma \u201ccoisa feita\u201d. Ele n\u00e3o conseguiu aceitar que um ajuste-fino t\u00e3o significativo fora meramente um acidente feliz.<\/p>\n<p>Dentro de uma estrela n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel produzir elementos qu\u00edmicos mais pesados que o ferro, a mais est\u00e1vel das esp\u00e9cies nucleares. Consequentemente, dois problemas permanecem: como produzir os elementos pesados, alguns dos quais s\u00e3o necess\u00e1rios \u00e0 vida, e como fazer com que os elementos mais leves saiam de dentro da estrela que os produziu. A explos\u00e3o de supernova resolve ambos os problemas, uma vez que as intera\u00e7\u00f5es de neutrino que a acompanham tamb\u00e9m produzem elementos mais pesados que o ferro; mas apenas se g<sub>w<\/sub> assumir um valor apropriado.<\/p>\n<p>As estrelas t\u00eam um segundo papel a desempenhar na viabiliza\u00e7\u00e3o da vida, pelo simples fato de proporcionarem fontes duradouras (bilh\u00f5es de anos) e relativamente est\u00e1veis de energia para alimentar o processo. Isto requer uma raz\u00e3o entre eletromagnetismo e gravidade (a para G) situada dentro de limites estreitos \u2013 de outro modo as estrelas queimariam t\u00e3o furiosamente que viveriam apenas uns poucos milh\u00f5es de anos, ou t\u00e3o fracamente que seriam in\u00fateis \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Muitas outras restri\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas poderiam ser mencionadas. Uma das mais precisas se relaciona \u00e0 constante cosmol\u00f3gica (l), um par\u00e2metro associado a um tipo de anti gravidade, que causa uma repuls\u00e3o na mat\u00e9ria. A possibilidade de um l diferente de zero foi reconhecida por Einstein, mas logo se viu que se tal for\u00e7a existisse, seria necessariamente algo muito suave, caso contr\u00e1rio o universo teria se dispersado muito rapidamente. Atualmente sabemos que o valor de l n\u00e3o pode diferir em mais do que 10<sup>-120<\/sup> da intensidade naturalmente esperada. Isto representa um grau extraordin\u00e1rio de ajuste-fino necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>4. Condi\u00e7\u00f5es Iniciais e Outras Condi\u00e7\u00f5es<\/i><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria c\u00f3smica \u00e9 um cabo-de-guerra entre as tend\u00eancias opostas da contra\u00e7\u00e3o gravitacional (no sentido de ajuntar a mat\u00e9ria) e a soma dos efeitos expansivos (tais como as velocidades iniciais ap\u00f3s o Big Bang, juntamente com outros efeitos, como o valor n\u00e3o-zero de l). Estas duas tend\u00eancias devem ser proximamente equilibradas para que o universo n\u00e3o colapse rapidamente em um \u201cbig crunch\u201d, ou rapidamente se torne t\u00e3o dilu\u00eddo a ponto de impossibilitar um processo frut\u00edfero. De fato ao realizar extrapola\u00e7\u00f5es de volta \u00e0 era de Planck, quando o cosmos tinha apenas 10<sup>-43<\/sup> segundos de idade, os cosmologistas concluem que a diferen\u00e7a entre as duas tend\u00eancias poderia ser apenas de uma parte em 10<sup>60<\/sup>. Vamos retomar este ponto particular mais adiante.<\/p>\n<p>Roger Penrose enfatiza que o universo parece ter come\u00e7ado com um n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o extremamente alto (baixa entropia). Acredita-se que isso esteja intimamente relacionado \u00e0s propriedades termodin\u00e2micas do universo, e at\u00e9 mesmo, possivelmente, \u00e0 natureza do tempo. Penrose estima a probabilidade de isso acontecer por acaso de uma em 10<sup>123<\/sup>.<\/p>\n<p>Outra necessidade antr\u00f3pica \u00e9 o tamanho do universo observ\u00e1vel, com suas 10<sup>11<\/sup> gal\u00e1xias, cada uma com uma m\u00e9dia de 10<sup>11<\/sup> estrelas. Conquanto tal imensid\u00e3o possa \u00e0s vezes parecer intimidante aos habitantes do que, efetivamente, n\u00e3o passa de um gr\u00e3o de poeira c\u00f3smica, n\u00e3o dever\u00edamos nos sentir mal, porque apenas um universo ao menos t\u00e3o grande como o nosso poderia ter durado os quatorze bilh\u00f5es de anos necess\u00e1rios para que seres humanos entrassem em cena. Qualquer coisa significantemente menor teria uma hist\u00f3ria breve demais para tanto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>5. Considera\u00e7\u00f5es Biol\u00f3gicas<\/i><\/p>\n<p>A complexidade da biologia, em compara\u00e7\u00e3o com a f\u00edsica, torna muito mais dif\u00edcil derivar restri\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas diretamente de detalhes dos processos biol\u00f3gicos. Est\u00e1 claro, no entanto, que a vida depende em muitos aspectos de detalhes das propriedades da mat\u00e9ria neste universo<a title=\"\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>. Um simples exemplo \u00e9 a an\u00f4mala propriedade da \u00e1gua de expandir-se quando congelada, desse modo impedindo que os lagos se congelem at\u00e9 o fundo, o que mataria quaisquer formas de vida em seu interior. Mudan\u00e7as no valor de a poderiam alterar essas propriedades.<\/p>\n<p>Esta se\u00e7\u00e3o esbo\u00e7ou algumas das considera\u00e7\u00f5es a partir das quais se torna claro que um universo antr\u00f3pico \u00e9 realmente um universo muito particular. \u00c9 tamb\u00e9m digno de nota que, muito embora as constantes da natureza sejam restringidas por m\u00faltiplas condi\u00e7\u00f5es, h\u00e1 um conjunto de valores que satisfaz a todas consistentemente, um fato em si mesmo extraordin\u00e1rio, no tocante \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Interpreta\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p>Todos os cientistas concordam em que a f\u00e1brica f\u00edsica do universo precisou assumir uma forma muito particular para que a vida baseada em carbono fosse capaz de evoluir ao longo de sua hist\u00f3ria. O desacordo come\u00e7a quando se discute qual seria a signific\u00e2ncia desse fato t\u00e3o not\u00e1vel.<\/p>\n<p>Para muitos cientistas, o ajuste-fino c\u00f3smico veio como um choque indesejado. Profissionalmente, os cientistas aspiram \u00e0 generalidade, e por isso muitos se tornam excessivamente desconfiados quanto ao particular. A sua inclina\u00e7\u00e3o natural \u00e9 acreditar que nosso universo seja simplesmente um esp\u00e9cime perfeitamente t\u00edpico do que um cosmo deveria ser. O Princ\u00edpio Antr\u00f3pico mostrou que n\u00e3o \u00e9 assim, que nosso universo \u00e9 antes muito especial; um em um trilh\u00e3o, por assim dizer. Reconhecer isso pareceu uma esp\u00e9cie de revolu\u00e7\u00e3o anti-Copernicana. Obviamente, os seres humanos n\u00e3o vivem no centro do cosmo, mas a estrutura f\u00edsica intr\u00ednseca deste mundo teve de ser restringida dentro de estreitos limites para que a evolu\u00e7\u00e3o da vida baseada em carbono fosse vi\u00e1vel. Alguns tamb\u00e9m temeram ter detectado uma indesej\u00e1vel amea\u00e7a de te\u00edsmo. Se o universo foi dotado com potencialidades finamente ajustadas, isto poderia indicar que h\u00e1 um divino \u201cajustador\u201d.<\/p>\n<div>\n<blockquote><p><i>\u2018Hume insistiu em favor da aceita\u00e7\u00e3o das propriedades da mat\u00e9ria como um fato bruto, mas o ajuste-fino da natureza torna intelectualmente insatisfat\u00f3rio parar nesse ponto a busca pela compreens\u00e3o nesse ponto\u2019<\/i><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<p>Uma forma bastante nova de argumento do design voltava \u00e0 agenda. A id\u00e9ia Darwiniana retirara a for\u00e7a do velho argumento do <i>design<\/i> para a exist\u00eancia de Deus, perseguido no passado por pessoas como John Ray e William Paley. Eles apelavam para a aptid\u00e3o funcional dos seres vivos, mas o pensamento evolucion\u00e1rio mostrou como a paciente acumula\u00e7\u00e3o e peneira\u00e7\u00e3o de pequenas diferen\u00e7as poderia levar ao aparecimento de <i>design<\/i> sem implicar a interven\u00e7\u00e3o direta de um Designer divino. Te\u00f3logos vieram a reconhecer que o tipo antigo de teologia natural cometera o erro de p\u00f4r-se como uma rival da ci\u00eancia dentro dos leg\u00edtimos dom\u00ednios dessa \u00faltima, tentando lidar com quest\u00f5es tais como a da origem do sistema \u00f3tico do olho dos mam\u00edferos, cuja resposta se encontra no \u00e2mbito da compet\u00eancia biol\u00f3gica. Esta cr\u00edtica n\u00e3o poderia ser feita ao novo argumento, que apela para a potencialidade antr\u00f3pica. A nova teologia natural buscou ser complement\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ci\u00eancia, ao inv\u00e9s de competir com ela. A sua preocupa\u00e7\u00e3o foi com as pr\u00f3prias leis da natureza, algo que uma ci\u00eancia honesta n\u00e3o pode explicar porque precisa assumir como a pr\u00f3pria base carente de explica\u00e7\u00f5es de seu relato detalhado dos acontecimentos. David Hume insistiu em favor da aceita\u00e7\u00e3o das propriedades da mat\u00e9ria como um fato bruto, mas o ajuste-fino da natureza torna intelectualmente insatisfat\u00f3rio parar nesse ponto a busca pela compreens\u00e3o. Hume criticou o velho argumento do <i>design<\/i> como sendo demasiadamente antropom\u00f3rfico, como se a obra do Criador pudesse apropriadamente ser comparada \u00e0 de carpinteiros construindo um navio. Essa cr\u00edtica n\u00e3o se aplica aos argumentos antr\u00f3picos, desde que a dota\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria com potencialidades intr\u00ednsecas n\u00e3o tem an\u00e1logo humano. Em termos das palavras hebraicas empregadas no Antigo Testamento, o ajuste-fino corresponde a <i>bara<\/i> (uma palavra reservada para a atividade divina), ao inv\u00e9s de <i>asah<\/i> (\u201ccria\u00e7\u00e3o\u201d, usada para tanto para Deus quanto para os humanos).<\/p>\n<p>O primeiro passo no debate sobre a interpreta\u00e7\u00e3o foi a distin\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias formula\u00e7\u00f5es do Princ\u00edpio Antr\u00f3pico. A mais modesta delas foi o Princ\u00edpio Antr\u00f3pico Suave (PAS), o qual simplesmente afirmava a id\u00e9ia de que o car\u00e1ter do universo que observamos deve ser consistente com a nossa presen\u00e7a em seu interior como seus observadores. \u00c0 primeira vista, pode n\u00e3o parecer uma afirma\u00e7\u00e3o muito interessante. \u00c9 claro, por exemplo, que n\u00e3o h\u00e1 nada surpreendente em vermos um universo com cerca de quatorze bilh\u00f5es de anos, desde que seres com o nosso grau de complexidade n\u00e3o tenham emergido \u00e0 cena em uma \u00e9poca anterior. Entretanto, como vimos na se\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, as investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas t\u00eam mostrado que condi\u00e7\u00f5es plenamente antr\u00f3picas est\u00e3o muito longe da trivialidade, pois incluem restri\u00e7\u00f5es tais como o estabelecimento de limites estreitos para os valores das constantes da natureza que definem pr\u00f3prio o tecido f\u00edsico do mundo.<\/p>\n<p>Algumas pessoas foram ent\u00e3o levadas a definir um Princ\u00edpio Antr\u00f3pico Forte (PAF), alegando que o universo teve necessariamente que ter tais propriedades para permitir que a vida se desenvolvesse nele em algum momento. O problema com a proposta \u00e9 o que poderia ser a fonte da afirmada necessidade. O PAF \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o fortemente teleol\u00f3gica. O crente religioso ficar\u00e1 feliz em fundar essa necessidade na vontade do Criador, mas o <i>status<\/i> do PAF como uma reivindica\u00e7\u00e3o puramente secular \u00e9 misterioso. Certamente n\u00e3o parece se fundar na pr\u00f3pria ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Duas outras formas de Princ\u00edpio Antr\u00f3pico s\u00e3o algumas vezes discutidas. O Princ\u00edpio Antr\u00f3pico Participativo (PAP) afirma que observadores s\u00e3o necess\u00e1rios para trazer o universo \u00e0 exist\u00eancia. Certo apelo \u00e9 feito aqui a uma pol\u00eamica interpreta\u00e7\u00e3o da teoria qu\u00e2ntica que fala em termos de uma \u201crealidade criada pelo observador\u201d<a title=\"\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>, mas \u00e9 dif\u00edcil crer que o universo n\u00e3o \u201cexistiu\u201d at\u00e9 que os observadores tenham aparecido. H\u00e1 tamb\u00e9m o Princ\u00edpio Antr\u00f3pico Final (PAFi), segundo o qual uma vez que o processamento inteligente de informa\u00e7\u00e3o tenha se iniciado no universo, ele deve continuar para sempre. De novo, \u00e9 dif\u00edcil encontrar uma fonte secular para a alegada necessidade. PAP e PAFi parecem ainda menos satisfat\u00f3rios do que PAS.<\/p>\n<p>Outra linha de ataque ao racioc\u00ednio antr\u00f3pico tentou atenuar a reivindica\u00e7\u00e3o de particularidade c\u00f3smica apontando que, na verdade, n\u00f3s temos apenas um universo para estudar; mas como tirar conclus\u00f5es significativas de uma amostra \u00fanica? Bem, com exerc\u00edcios de imagina\u00e7\u00e3o cient\u00edfica poder\u00edamos visitar outros universos poss\u00edveis que seriam razoavelmente similares ao nosso. A considera\u00e7\u00e3o, na se\u00e7\u00e3o anterior, de mundos cujas constantes da natureza assumiriam valores diferentes daqueles do presente universo seria um exemplo. Nessa cole\u00e7\u00e3o nocional de mundos vizinhos, descobrimos que apenas um conjunto muito estreito poderia compartilhar da potencialidade antr\u00f3pica com o nosso mundo efetivo. Com certeza isso seria suficiente para estabelecer um grau de especificidade que clama por um tipo de compreens\u00e3o meta-cient\u00edfica da particularidade antr\u00f3pica.<\/p>\n<p>Outra abordagem sugeriu que de fato s\u00f3 poderia haver um mundo poss\u00edvel; um universo no qual, por necessidade, a intensidade das for\u00e7as assume os valores que efetivamente observamos. Os defensores dessa vis\u00e3o apelaram \u00e0 dificuldade encontrada pelos f\u00edsicos para combinar com sucesso a relatividade geral e a teoria qu\u00e2ntica, e sugeriram que talvez houvesse uma singular Grande Teoria Unificada (GTU) que alcan\u00e7aria esse objetivo e determinaria os valores de todas as constantes da natureza. Mesmo se tal fosse poss\u00edvel \u2013 e a muitos parece improv\u00e1vel que uma GTU venha a ser totalmente livre de par\u00e2metros de escala \u2013 ainda seria necess\u00e1rio explicar por qu\u00ea a relatividade e a teoria qu\u00e2ntica deveriam ser tratadas como fatos dados. Elas certamente parecem ser necessidades antr\u00f3picas, mas de modo algum s\u00e3o logicamente inevit\u00e1veis. Entretanto, se realmente houver uma GTU singular, a maior de todas as coincid\u00eancias antr\u00f3picas seguramente seria que essa teoria, determinada na base da consist\u00eancia l\u00f3gica, tamb\u00e9m se provasse a base para um mundo capaz de fazer evoluir seres aptos para compreender essa consist\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma proposta mais modesta e realista sugere que algumas coincid\u00eancias antr\u00f3picas sejam vistas como conseq\u00fc\u00eancias de uma teoria mais profunda, de tal modo que o ajuste-fino se torne desnecess\u00e1rio. Um poss\u00edvel exemplo disso \u00e9 o caso do delicado equil\u00edbrio entre efeitos expansivos e contrativos no pr\u00f3prio universo primitivo que discutimos anteriormente. Conforme se aceita hoje, quando o universo alcan\u00e7ou cerca de 10<sup>-35<\/sup> segundos de idade, ocorreu uma transi\u00e7\u00e3o de fase c\u00f3smica (uma esp\u00e9cie de fervura do espa\u00e7o) que, por um curto per\u00edodo, expandiu o cosmo com incr\u00edvel rapidez. Este processo, denominado \u201cinfla\u00e7\u00e3o\u201d, poderia ter uniformizado o universo e criado o balanceado equil\u00edbrio entre as tend\u00eancias expansivas e contrativas que observamos agora. Mas a pr\u00f3pria infla\u00e7\u00e3o requereria, para atuar satisfatoriamente, que o GTU operante no universo tivesse uma forma restrita, de modo que a particularidade antr\u00f3pica n\u00e3o fosse perdida, mas empurrada mais profundamente no tecido do mundo.<\/p>\n<div>\n<blockquote><p><i>\u2018Voc\u00ea est\u00e1 a ponto de ser executado e os rifles de atiradores de elite est\u00e3o apontados para o seu peito. Um oficial d\u00e1 a ordem para abrir fogo&#8230;\u2019<\/i><\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<p>Ao inv\u00e9s disso poder\u00edamos buscar um tipo de Princ\u00edpio Antr\u00f3pico Moderado<a title=\"\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>, que d\u00ea aten\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter especial do universo e reconhe\u00e7a que tal n\u00e3o poderia ser tratado como um feliz acidente, mas como algo que clama por explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Duas abordagens metacient\u00edficas contrastantes t\u00eam sido procuradas. John Leslie, que gosta de fazer filosofia de um jeito parab\u00f3lico, contou uma hist\u00f3ria que ilustra graficamente o assunto. <a title=\"\" href=\"#_ftn6\">[6]<\/a> Voc\u00ea est\u00e1 a ponto de ser executado e os rifles de atiradores de elite est\u00e3o apontados para o seu peito. Um oficial d\u00e1 a ordem para abrir fogo&#8230; E voc\u00ea descobre que sobreviveu! Voc\u00ea simplesmente sai andando e dizendo \u201cpuxa, essa foi por pouco!\u201d? Certamente que n\u00e3o, porque um evento t\u00e3o impressionante como esse sem d\u00favida exigir\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o. Leslie sugere que a explica\u00e7\u00e3o pode tomar uma dentre duas formas. Um vasto n\u00famero de execu\u00e7\u00f5es foi feito naquele dia e, desde que atiradores ocasionalmente erram, por puro acaso voc\u00ea foi sortudo o bastante para estar na execu\u00e7\u00e3o em que todos erraram. Ou, algo mais al\u00e9m de sua consci\u00eancia estava acontecendo naquele evento \u00fanico da sua execu\u00e7\u00e3o \u2013 os atiradores estavam do seu lado e erraram, todos de prop\u00f3sito. Essa encantadora historieta traduz-se nas duas abordagens que tratam com a apropriada seriedade as quest\u00f5es antr\u00f3picas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>1. Multiverso<\/i><\/p>\n<p>Sugeriu-se que talvez existam muitos universos diferentes, cada um dos quais com leis naturais de tipos muito diferentes. Nesse vasto portf\u00f3lio de mundos, haveria por puro acaso um capaz de desenvolver a vida baseada em carbono \u2013 o nosso, \u00e9 claro, desde que somos vida baseada em carbono. Um cosmo antr\u00f3pico seria simplesmente um raro bilhete premiado em uma loteria multiversal.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o mais econ\u00f4mica da id\u00e9ia sup\u00f5e que esses diferentes mundos seriam na verdade vastos dom\u00ednios dentro de um \u00fanico universo f\u00edsico. A forma como a simetria da GUT primordial foi quebrada na medida em que a expans\u00e3o esfriou o universo, produzindo com isso as for\u00e7as que hoje operam efetivamente, n\u00e3o precisa ser literalmente universal. Ao inv\u00e9s disso o cosmo poderia ser um mosaico de diferentes dom\u00ednios, sendo que em cada um a quebra de simetria teria assumido uma forma diferente. N\u00f3s n\u00e3o temos consci\u00eancia disso porque a infla\u00e7\u00e3o removeu todos os outros dom\u00ednios da nossa vista e, \u00e9 claro, o nosso dom\u00ednio \u00e9 necessariamente aquele no qual os resultados da quebra de simetria se encontraram com a necessidade antr\u00f3pica. A id\u00e9ia \u00e9 plaus\u00edvel, mas apenas modifica em certo grau o requerimento de especificidade, pois continua sendo necess\u00e1rio que a GTU primitiva tenha assumido uma forma tal que, quando a sua simetria fosse quebrada, as for\u00e7as produzidas por ela teriam as intensidades apropriadas.<\/p>\n<p>Qualquer sugest\u00e3o mais radical do que esta nos levar\u00e1 a um mundo de especula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 al\u00e9m do escopo do pensamento f\u00edsico s\u00f3brio. Apelos question\u00e1veis precisar\u00e3o ser feitos a defini\u00e7\u00f5es correntemente mal definidas de cosmologia qu\u00e2ntica, ao mesmo tempo recorrendo-se a suposi\u00e7\u00f5es <i>ad hoc<\/i> sobre diferen\u00e7as radicais entre o car\u00e1ter das leis dos mundos supostamente gerados desse modo. O multiverso, nessa forma, n\u00e3o \u00e9 mais do que um palpite metaf\u00edsico de excessiva prodigalidade ontol\u00f3gica \u2013 o recurso a ele parece ser motivado, em parte, no desejo e evitar o te\u00edsmo associado \u00e0 segunda abordagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>2. Cria\u00e7\u00e3o<\/i><\/p>\n<p>O te\u00edsta pode acreditar que h\u00e1 apenas um universo, cujo car\u00e1ter antr\u00f3pico simplesmente reflita a doa\u00e7\u00e3o de potencialidade feita por seu Criador a fim de que ele tenha uma hist\u00f3ria frut\u00edfera. Tal \u00e9 tamb\u00e9m um palpite metaf\u00edsico mas, em contraste com o multiverso, ele acrescenta v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es de outras quest\u00f5es al\u00e9m de lidar com os temas antr\u00f3picos. A maravilhosa e intelig\u00edvel ordem do mundo, por exemplo, t\u00e3o intrigante para o cientista, pode ser compreendida como um reflexo da mente do seu Criador. O difundido testemunho humano da experi\u00eancia do encontro com a realidade do sagrado pode ser compreendido com emergindo da percep\u00e7\u00e3o efetiva da presen\u00e7a velada de Deus. N\u00e3o reivindicamos que a especificidade antr\u00f3pica do nosso mundo, compreendida dessa forma, proveja um argumento logicamente coercivo para a cren\u00e7a em Deus, ao ponto de apenas um tolo querer neg\u00e1-la; mas antes que ela traz uma contribui\u00e7\u00e3o iluminadora ao argumento cumulativo em favor do te\u00edsmo, considerado assim a melhor explica\u00e7\u00e3o para a natureza do mundo em que habitamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p align=\"center\"><b>Os \u201cFaraday Papers\u201d<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Os <i>Faraday Papers<\/i> s\u00e3o publicados pelo Instituto Faraday para Ci\u00eancia e Religi\u00e3o, St. Edmund\u2019s College, Cambridge, CB3 OBN, UK, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos para educa\u00e7\u00e3o e pesquisa (<a href=\"http:\/\/www.faraday-institute.org\/\">www.faraday-institute.org<\/a>). As opini\u00f5es expressas s\u00e3o dos autores e n\u00e3o representam necessariamente as vis\u00f5es do instituto. Os Faraday Papers abordam uma ampla gama de t\u00f3picos relacionados \u00e0s intera\u00e7\u00f5es entre ci\u00eancia e religi\u00e3o. Uma lista completa dos Faraday Papers dispon\u00edveis pode ser vista em <a href=\"http:\/\/www.faraday-institute.org\/\">www.faraday-institute.org<\/a> onde c\u00f3pias gratuitas podem ser baixadas em formato pdf. C\u00f3pias impressas como esta podem tamb\u00e9m ser obtidas em ma\u00e7os de dez ou mais ao pre\u00e7o de \u00a31.5 por c\u00f3pia + postagem. Detalhes para encomenda on-line encontram-se em <a href=\"http:\/\/www.faraday-institute.org\/\">www.faraday-institute.org<\/a>.<\/p>\n<p align=\"center\">Data de publica\u00e7\u00e3o: Abril de 2007. \u00a9 The Faraday Institute for Science and Religion<\/p>\n<p align=\"center\">Tradu\u00e7\u00e3o para o Portugu\u00eas: Guilherme V.R. de Carvalho, Novembro de 2008<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Termo grego para \u201cseres humanos\u201d \u2013 sem significar literalmente, aqui, a humanidade com suas particularidades, mas com o sentido geral de complexidade pr\u00f3pria da vida baseada em carbono.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Barrow, J.D. e Tipler, F.J. <i>The Anthropic Cosmological Principle<\/i>, Oxford University Press (1986); Leslie J. <i>Universes<\/i>, Londres: Routledge (1989); Holder, R.D. <i>God, the Multiverse, and Everything<\/i>, Aldershot: Ashgate (2004).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Ver Denton, M.J. <i>Nature\u2019s Destiny<\/i>, New York: The Free Press (1998).<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Para uma cr\u00edtica, ver Polkinghorne, J.C. <i>Quantum Theory: A very short introduction<\/i>, Oxford University Press (2002), pp. 90-92.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> Polkinghorne, J.C. <i>Reason and Reality<\/i>, SPCK (1991), pp. 77-80.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><a title=\"\" href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> Leslie, J. <i>op. cit.<\/i>[2], pp. 13-14.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O Reverendo Dr. John Polkinghorne KBE FRS trabalhou com f\u00edsica te\u00f3rica de part\u00edculas elementares por 25 anos; foi Professor de F\u00edsica Matem\u00e1tica na Universidade de Cambridge e, em seguida, Presidente do Queens\u2019 College, em Cambridge. O Dr. Polkinghorne \u00e9 fellow da Royal Society, foi o Presidente Fundador da International Society for Science and Religion [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":0,"parent":18,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-117","page","type-page","status-publish","hentry","count-0","even alt","author-guilhermevrc","last"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=117"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/117\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":120,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/117\/revisions\/120"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/18"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/testedafebrasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}