{"id":97,"date":"2010-09-03T22:27:30","date_gmt":"2010-09-03T22:27:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=97"},"modified":"2010-09-23T21:31:22","modified_gmt":"2010-09-23T21:31:22","slug":"estudante-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2010\/09\/03\/estudante-cristao\/","title":{"rendered":"Estudante crist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Gosto do livro de Eclesiastes por diversas raz\u00f5es. Desde crian\u00e7a tive contato com essa leitura. Lembro-me de ficar um tanto confusa e perceber que tratava-se de algo elevado demais para mim. Na adolesc\u00eancia me vi escandalizada em alguns momentos pela verdade nua e crua que ele retratava, por uma dose de melancolia na maneira de ver o mundo (ao menos foi o nome que conseguir dar \u00e0 \u00e9poca), e, me perturbava aquela ousadia na maneira de retratar a vida. Ainda hoje me sinto profundamente atra\u00edda e desafiada pelo livro. Trago a sensa\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 muito mais, dimens\u00f5es que n\u00e3o alcancei, verdades que ainda estou por vivenciar, e cresce minha rever\u00eancia pelo livro.<\/p>\n<p>Ali se encontra esse trecho: \u201cEis que a felicidade do homem \u00e9 comer e beber, desfrutando do produto de seu trabalho; e vejo que tamb\u00e9m isso vem da m\u00e3o de Deus, pois quem pode comer e beber sem que isso venha de Deus?\u201d<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>. Numa outra tradu\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> ficou assim: \u201cseparado deste [Deus] quem pode comer, ou quem pode alegrar-se?\u201d.<\/p>\n<p>Comer, beber, desfrutar do fruto do trabalho \u00e9 muito bom, alguns at\u00e9 dizem, \u201cnada h\u00e1 melhor que isso\u201d. Mas, segundo o escritor b\u00edblico, se a percep\u00e7\u00e3o de Deus est\u00e1 fora, ser\u00e1 dif\u00edcil voc\u00ea descobrir a felicidade, ser\u00e1 imposs\u00edvel voc\u00ea saborear isso com alegria profunda.<\/p>\n<p>Penso no contexto estudantil. Jovens que gostam cada vez mais de comer, beber e at\u00e9, \u00e0s vezes, desfrutar do produto de seus trabalhos acad\u00eamicos (men\u00e7\u00f5es honrosas, t\u00edtulos, publica\u00e7\u00f5es, etc). Isso tudo pode ser bom, muito bom, se o que se faz, conscientemente se faz na presen\u00e7a de Deus, ou mesmo, para Deus.<\/p>\n<p>O escritor, professor e pastor, Eugene Peterson, diz algo que requer reflex\u00e3o oportuna: \u201cA vida colorida e cheia de energia do aprendizado, da pesquisa e do ensino recebe pleno desenvolvimento no cen\u00e1rio universit\u00e1rio da hist\u00f3ria. Mas \u00e9 tudo, menos uma glorifica\u00e7\u00e3o do aprendizado e do conhecimento em si, pois o mal se manifesta aqui de maneira ainda mais poderosa. [&#8230;] O aprendizado e o saber s\u00e3o bons e verdadeiros, mas, dissociados da presen\u00e7a e vontade de Deus, d\u00e3o origem ao mal\u201d<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ao inv\u00e9s de conhecer mais a bondade, o estudante crist\u00e3o, pode estar mais pr\u00f3ximo da maldade? O risco \u00e9 frequente.<\/p>\n<p>Trabalhando por tantos anos diretamente com universit\u00e1rios e p\u00f3s-graduandos, e observando minha pr\u00f3pria experi\u00eancia e jornada nos estudos, percebo essa realidade. Quem est\u00e1 mais envolvido com o meio acad\u00eamico conhece as diversas manifesta\u00e7\u00f5es horrendas e criativas da maldade. Algumas mais expl\u00edcitas, outras, cultivadas no rec\u00f4ndito de uma alma carente.<\/p>\n<p>Acredito ser poss\u00edvel estudar, desenvolver-se, aprofundar quest\u00f5es te\u00f3ricas, contribuir para o avan\u00e7o da ci\u00eancia e tecnologia, e nisso, descobrir mais da bondade de Deus, e assim, desfrutar de uma alegria maior, perene. Contudo, as ciladas se multiplicam. Espalham-se sutilmente pelo caminho. H\u00e1 uma camuflagem e a distra\u00e7\u00e3o pode aumentar o perigo.<\/p>\n<p>Ao fim e ao cabo, que companhia temos? Longe de Deus, todo esfor\u00e7o e at\u00e9 mesmo toda conquista, pode se revelar como poeira, pior, pode trazer \u00e0 tona o mal com suas caras mais feias.<\/p>\n<p>Ao final do livro de Eclesiastes, o autor conclui: \u201cFique atento: fazer livros \u00e9 um trabalho sem fim, e muito estudo cansa o corpo\u201d<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>. Quer algo mais \u00f3bvio? Quer algo mais necess\u00e1rio de ser lembrado enquanto se dedica a tal tarefa?<\/p>\n<p>Cuide-se!<\/p>\n<hr size=\"1\" \/><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Ec 2.24-25 (B\u00edblia de Jerusal\u00e9m)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Ferreira de Almeida \u2013 <em>Edi\u00e7\u00e3o Revista e Atualizada<\/em> (Sociedade B\u00edblica do Brasil).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Eugene Peterson, <em>Espiritualidade Subversiva. <\/em>Editora Mundo Crist\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Ec 12.12 (B\u00edblia de Jerusal\u00e9m)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gosto do livro de Eclesiastes por diversas raz\u00f5es. Desde crian\u00e7a tive contato com essa leitura. Lembro-me de ficar um tanto confusa e perceber que tratava-se de algo elevado demais para mim. 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