{"id":861,"date":"2014-10-06T10:14:10","date_gmt":"2014-10-06T10:14:10","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=861"},"modified":"2014-10-06T14:16:20","modified_gmt":"2014-10-06T14:16:20","slug":"a-vida-e-as-pausas-necessarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2014\/10\/06\/a-vida-e-as-pausas-necessarias\/","title":{"rendered":"A vida e as pausas necess\u00e1rias"},"content":{"rendered":"<p>Em tempos de excessos, onde o estresse e a agita\u00e7\u00e3o ganham propor\u00e7\u00f5es n\u00e3o bem digeridas pelo nosso organismo, necessitamos lembrar motivos para parar, pequenas pausas, um pouco de sossego.<\/p>\n<p>A pausa na vida \u00e9 importante, pois pode ser um espa\u00e7o para repensar a vida, para sonhar e\/ou lembrar dos sonhos e tomar um f\u00f4lego.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante ver no in\u00edcio da B\u00edblia, o registro da cria\u00e7\u00e3o. Deus cria, v\u00ea e acha bom. Completa sua cria\u00e7\u00e3o com o ser humano e a\u00ed acha muito bom. Ao terminar, descansa, santifica e aben\u00e7oa o s\u00e9timo dia. Ou seja, observarmos esse eixo \u00e9 fundamental para nossa sa\u00fade e equil\u00edbrio na exist\u00eancia: cria\u00e7\u00e3o \u2013 contempla\u00e7\u00e3o \u2013 contentamento e celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA sabedoria, como uma heran\u00e7a, \u00e9 coisa boa, e beneficia aqueles que veem o sol\u201d (Ec 7.11).<\/p>\n<p>Em geral, entendemos do muito fazer, gente esfor\u00e7ada, gente cansada. No entanto, qual nosso potencial inato? Quando refletimos sobre se o que fazemos tem a ver com nossa voca\u00e7\u00e3o? Temos vivido segundo nossas pr\u00f3prias voca\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>\u00c9 comum compensarmos nossas frustra\u00e7\u00f5es, dores e inseguran\u00e7as com ilus\u00f5es, prazeres est\u00e9ticos e acumula\u00e7\u00e3o ostentosa de bem materiais. Mas isso tudo se mostra incapaz de satisfazer nossas necessidades de introspec\u00e7\u00e3o e de amor. S\u00e3o muitos os que correm atr\u00e1s do vento, se matam por aquilo que \u00e9 ef\u00eamero.<\/p>\n<p>Como responder\u00edamos \u00e0 pergunta \u201cquais s\u00e3o seus grandes inimigos internos hoje?\u201d. Do que tenho visto, cansa\u00e7o e solid\u00e3o s\u00e3o fortes candidatos a estarem no topo da lista de respostas. E ambos t\u00eam a ver com a falta de interrup\u00e7\u00e3o no ritmo alucinante. Falta de pausas &#8211; pausa para descansar e pausa para investir em relacionamentos.<\/p>\n<p>Pausa para descansar incluir descobrir mais o sabor da vida. E a gente confunde saborear com gula.<\/p>\n<p>Sabe refei\u00e7\u00f5es que a gente n\u00e3o desfruta, apenas engole? A gente faz isso com a alimento para o corpo, mas tamb\u00e9m faz isso com o alimento para a alma. Na vida tem \u201cmenu degusta\u00e7\u00e3o\u201d e tem um menu pr\u00f3prio que \u00e9 uma esp\u00e9cie de rod\u00edzio, onde voc\u00ea tenta comer de tudo um pouco, se empanturra at\u00e9 passar mal e s\u00f3 sentiu um pouco de sabor no come\u00e7o, de resto, foi s\u00f3 h\u00e1bito de colocar comida para dentro. \u201cAh, j\u00e1 que estou pagando deixa eu aproveitar tudo\u201d \u2013 isso \u00e9 racioc\u00ednio de gente miser\u00e1vel, que desconfia que o mundo vai acabar com a falta de comida, ent\u00e3o, tem que aproveitar tudo naquele momento. E aproveita? N\u00e3o.<\/p>\n<p>Vivemos uma vida adaptativa ou uma vida criativa?<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de repensarmos o mundo que vivemos, a maioria apenas adere e adapta-se ao vigente, preferindo apenas dar sua cota de sacrif\u00edcio, considerando sublime perecer em troca de um enriquecimento que o credencia no rol dos poderosos, assim respeit\u00e1veis. Correr atr\u00e1s do vento como estilo de vida. Lembremos novamente Eclesiastes: \u201cMelhor \u00e9 ter um punhado com tranquilidade do que dois punhados \u00e0 custa de muito esfor\u00e7o e de correr atr\u00e1s do vento\u201d (Ec 4.6).<\/p>\n<p>O trabalho para muitos \u00e9 sobreviv\u00eancia, para outros \u00e9 dever, e ainda, desgosto. O mantra que empurra a muitos \u00e9: \u201co homem que n\u00e3o trabalha, ou que adia, n\u00e3o enche o seu celeiro\u201d. E assim, vive-se a fase de fren\u00e9tico desenvolvimento material. Dessa maneira, seu mundo particular v\u00ea-se atormentado pelo pragmatismo onde tudo se transforma em <em>business<\/em> e lucros. Nesse contexto cresce tamb\u00e9m o n\u00famero de profissionais que vivem ao sabor do desamparo do mercado. Trata-se de um cuide-se quem puder!<\/p>\n<p>Cabe perguntar quais as mudan\u00e7as sociais que voc\u00ea identifica? N\u00e3o se trata de saber se voc\u00ea passou da classe C para a classe A; nem se em sua opini\u00e3o a economia do Brasil melhorou ou piorou; mas, que efeitos as mudan\u00e7as do s\u00e9culo XXI atingem sutil ou escancaradamente seu viver? Como seu estilo de vida foi alterado? Sem pausas n\u00e3o nos damos conta, apenas assimilamos e implementamos em nosso jeito de funcionar.<\/p>\n<p>As novas tecnologias da inform\u00e1tica desestruturaram o tempo e o espa\u00e7o das a\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es humanas. E quando paramos para observar e entender melhor isso tudo?<\/p>\n<p>Hoje somos todos um pouco ou mais escravos das m\u00e1quinas. N\u00e3o nos importamos? Qual o limite?<\/p>\n<p>J\u00e1 nem conseguimos nomear e enumerar os infinitos absurdos organizacionais que nos angustiam no trabalho.<\/p>\n<p>Nosso modelo de trabalho acaba centrado na idolatria e competitividade ao inv\u00e9s de ser exerc\u00edcio de voca\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o. E pouco nos incomodamos. Mais uma vez Eclesiastes: \u201cDescobri que n\u00e3o h\u00e1 nada melhor para o ser humano do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive\u201d, o que tamb\u00e9m nos remete para Ef\u00e9sios: \u201cSomos cria\u00e7\u00e3o de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para n\u00f3s as praticarmos\u201d (Ef 2.10). Como seres vocacionados para o bem vivem no autom\u00e1tico das fun\u00e7\u00f5es com pouco ou nenhum sentido?<\/p>\n<p>Seria poss\u00edvel passarmos de um ser fren\u00e9tico para um ser humano? Lembremos: hiperatividade adoece. A vida fren\u00e9tica nos coloca numa rota mort\u00edfera. Pausas podem nos ajudar a ouvir o alarme soar, enxergar a placa de perigo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea faz mais coisas com as m\u00e3os ou com o c\u00e9rebro? Se voc\u00eas responde que \u00e9 com o c\u00e9rebro, ent\u00e3o, precisa descansar, aliviar o c\u00e9rebro, pois, ele pode n\u00e3o te deixar dormir bem enquanto estiver sobrecarregado. Ou apag\u00e3o ou desmedida press\u00e3o \u2013 de qualquer forma voc\u00ea \u00e9 detonado quando anda acima do limite por muito tempo. N\u00e3o abuse, apenas use. Use criativamente. Mas quem de n\u00f3s cultiva o \u00f3cio criativo?<\/p>\n<p>Temos investido em inova\u00e7\u00e3o existencial? N\u00e3o se trata da novidade pela novidade, tem gente que muda o superficial, mas carrega sempre o velho dentro de si. Permanece sem renova\u00e7\u00e3o. A pergunta seria: onde voc\u00ea reconhece criatividade em sua vida? Ou mesmo, quanto de seu trabalho esculpe sua identidade?<\/p>\n<p>O trabalho se tornou t\u00e3o central que a vida se adaptou a ele e n\u00e3o o trabalho \u00e0 vida. A programa\u00e7\u00e3o do ano, as f\u00e9rias, as compras, os compromissos, tudo depende do trabalho. N\u00e3o h\u00e1 um certo exagero? Por que demos todo esse espa\u00e7o a ele? Enfim, seu trabalho harmoniza com seu sentido da vida?<\/p>\n<p>O trabalho para muitos \u00e9 um t\u00e9dio necess\u00e1rio. E muitos se acomodam nisso. Thomas Merton diz que \u201cse Deus \u00e9 bom e se a minha intelig\u00eancia \u00e9 uma d\u00e1diva Sua, o meu dever \u00e9 mostrar, pela intelig\u00eancia, a minha confian\u00e7a na Sua bondade. Devo deixar a f\u00e9 elevar, curar e transformar a luz da minha mente\u201d.<\/p>\n<p>Considerar o princ\u00edpio sab\u00e1tico \u00e9 uma maneira de refletir sobre nossa atitude diante da vida. Averiguarmos quanto e como se \u00e9 afetado por tudo que nos circunda. Refletirmos sobre o que ado\u00e7a a vida ou afoga a ang\u00fastia. Afinal, de que adianta ter tudo e n\u00e3o saber quem se \u00e9?<\/p>\n<p>Tem gente que funciona, mas n\u00e3o sabe quem se \u00e9. Entende do fazer, mas n\u00e3o do ser. Hoje, cabe a pergunta: o que nos \u00e9 mais familiar do que o fazer compulsivo?<\/p>\n<p>N\u00f3s temos desejos e n\u00e3o gostamos da espera. Cada dia mais impacientes. E a pausa, silenciosa pausa, pode nos ensinar sobre esperar, sobre ter esperan\u00e7a, sobre nutrir paci\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00f3s que vivemos na era do descart\u00e1vel, vivemos com respostas prontas: Deu problema? Troca por outro. \u00c9 assim com funcion\u00e1rios, amigos, namoradas, maridos e esposas. Somos seduzidos pela reposi\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea. E desse jeito, vamos perdendo, cada vez ficamos mais distantes das no\u00e7\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o, processo, trabalho de elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguma expectativa de vida que n\u00e3o seja apenas mais longa, mas tamb\u00e9m mais sadia? Novamente Eclesiastes: \u201cAfaste do cora\u00e7\u00e3o a ansiedade e acabe com o sofrimento do seu corpo, pois a juventude e o vigor s\u00e3o passageiros\u201d (Ec 11.10).<\/p>\n<p>O ato criativo precisa de pausas. A vida criativa exige quebras de rotina. A vida com Deus exige sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Tendemos mais a reproduzir e repetir, do que pensar e criar. Onde tudo \u00e9 muito ligeiro, aumenta a probabilidade de ser tudo rasteiro.<\/p>\n<p>Precisamos de lugar de introspec\u00e7\u00e3o. Precisamos de espa\u00e7o interior para elaborar a exist\u00eancia. Pequenas pausas no dia, que seja, j\u00e1 ajudam. E precisamos de um dia de descanso, uma pausa maior na semana. Eis a\u00ed um bom ritmo.<\/p>\n<p>Sem conscientes pausas n\u00f3s confundimos lixo com luxo. Vamos ficando cada vez mais sem filtros. Perigoso, pois, h\u00e1 um espet\u00e1culo hipnotizante de coisas, engenhocas tecnol\u00f3gicas, engodos autodestrutivos que v\u00e3o se alastrando, ganhando espa\u00e7os e tempo nosso como se isso fosse vida. Quando n\u00e3o passa de ilus\u00e3o alienante.<\/p>\n<p>Sinta-se convocado a perceber-se respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o de seu tempo. Chega de ser engolido. A vida \u00e9 mais do que entretenimento.<\/p>\n<p>Seres vocacionados n\u00e3o precisam desperdi\u00e7ar a vida com o vento.<\/p>\n<p>Pausas ajudam a n\u00e3o vivermos divididos entre pertencer a Deus e pertencer a coisas.<\/p>\n<p>Lembremos que a ora\u00e7\u00e3o, um tempo devocional, e at\u00e9 mesmo um bom encontro em grupos pequenos, podem contribuir para pausas estrat\u00e9gicas no viver. Claro, incluir atividades f\u00edsicas tamb\u00e9m \u00e9 importante, assim como, pausar para ver a natureza, ouvir uma m\u00fasica com calma, etc.<\/p>\n<p>N\u00f3s precisamos de pausas que quebram a rotina, suspendem a agita\u00e7\u00e3o. Necessitamos de pausas a fim de pensar o que se traz, o que se leva e o que se carrega (exerc\u00edcios de reconhecimento); pausas para partilhar e confessar, a fim de encontrar suporte t\u00e3o necess\u00e1rio ao existir.<\/p>\n<p>A pausa pode ser um espa\u00e7o de rever o sentido, de olhar para a cria\u00e7\u00e3o e contemplar, saborear o que foi criado; enfim, adorar o Criador e agradecer a criatividade que nos \u00e9 dada. Aproveite.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de excessos, onde o estresse e a agita\u00e7\u00e3o ganham propor\u00e7\u00f5es n\u00e3o bem digeridas pelo nosso organismo, necessitamos lembrar motivos para parar, pequenas pausas, um pouco de sossego. 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