{"id":832,"date":"2014-02-17T20:50:52","date_gmt":"2014-02-17T20:50:52","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=832"},"modified":"2014-02-17T23:53:02","modified_gmt":"2014-02-17T23:53:02","slug":"nossa-historia-nossos-tempos-nossos-movimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2014\/02\/17\/nossa-historia-nossos-tempos-nossos-movimentos\/","title":{"rendered":"Nossa hist\u00f3ria, nossos tempos, nossos movimentos"},"content":{"rendered":"<p>Quem n\u00e3o conhece as palavras de Jesus: \u201cNo mundo tereis afli\u00e7\u00f5es\u201d (Jo 16.33)? Quem n\u00e3o se angustia a ouvir e ler os jornais? Quem no momento n\u00e3o conhece algu\u00e9m, mais de perto, que esteja passando por duras lutas?<\/p>\n<p>Como isso nos afeta? Que efeitos traz para os de perto e os de longe? Qual o n\u00edvel de toler\u00e2ncia de cada um? Quem persevera? At\u00e9 quando, onde?<\/p>\n<p>Lembro-me de Jules Michelet ao dizer: \u201cO dif\u00edcil n\u00e3o \u00e9 subir; \u00e9, depois de ter subido, continuar sendo o mesmo\u201d.<\/p>\n<p>Tempos dif\u00edceis \u00e9 da vida. Faz parte do que acontece na terra dos viventes. Mas o que fica, ap\u00f3s um tempo onde as dificuldades parecem fortes demais, e ainda se multiplicam?<\/p>\n<p>Uma das rea\u00e7\u00f5es comuns \u00e9 que come\u00e7amos a lembrar e valorizar os tempos mais tranquilos, dias ensolarados, festivos, onde o riso vinha f\u00e1cil, onde a sa\u00fade nem era lembrada por estar boa demais, onde a mesa era farta e as \u00e1guas serenas. Mas, nem sempre.<\/p>\n<p>\u00c9 frequente nessa ocasi\u00e3o lembrarmo-nos do bom que hav\u00edamos esquecido, quase apagado. Por\u00e9m, isso salienta neglig\u00eancias e ignor\u00e2ncias do cotidiano. A dor tem o potencial de nos chamar aten\u00e7\u00e3o para coisas, pessoas, situa\u00e7\u00f5es que antes n\u00e3o v\u00edamos, n\u00e3o reconhec\u00edamos, \u00e9 como se aliment\u00e1ssemo-nos de distra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nossa alteridade \u00e9 presente, apesar de nem sempre nomeada. Os altos e baixos fazem parte de n\u00f3s, claro, em alguns mais, e em outros, menos. Mas, geralmente \u00e9 preciso a dor chegar perto a fim de que abramos os olhos para algumas coisas.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos aprender s\u00f3 na dor, n\u00e3o precisamos viver de esquecimentos, n\u00e3o necessitamos celebrar apenas em situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 esperadas. Mas, o ac\u00famulo de tarefas, os desejos confusos, metas e compromissos nos levam, por vezes, a desligarmos a capacidade de observar e atentar a detalhes, e at\u00e9 mesmo para situa\u00e7\u00f5es, gestos e falas que n\u00e3o era para serem atropeladas.<\/p>\n<p>A rever\u00eancia \u00e0 vida vai sendo banalizada, nos entregamos as exterioridades, \u00e0s imagens t\u00e3o cultivadas, vitrines existenciais, corremos atr\u00e1s do vento confundindo-o com miragens, obstinados por ilus\u00f5es com cara de para\u00edsos. O que se passa dentro de n\u00f3s?<\/p>\n<p>O Salmo 78 conta um pouco da hist\u00f3ria do povo de Israel, conta de altos e baixos, do que ora era lembrado, ora esquecido, de movimentos que s\u00e3o humanos, e que revelam realidades e perigos para nossa alma.<\/p>\n<p>Saliento um verso (11) que diz: \u201cEsqueceram o que Deus tinha feito, as maravilhas que lhes havia mostrado\u201d. O contexto \u00e9 que esqueceram do compromisso assumido com Deus, se acovardaram, se recusaram a caminhar pela Palavra de Deus e ent\u00e3o, a consequ\u00eancia, foi perderem no ba\u00fa de recorda\u00e7\u00f5es o quanto Deus j\u00e1 tinha feito por eles e realizado neles.<\/p>\n<p>A gratid\u00e3o, n\u00e3o raro, vai minguando. Deixa-se, assim, de acessar mem\u00f3rias que celebravam a bondade de Deus, recordar as revela\u00e7\u00f5es de seus feitos maravilhosos. Afastamo-nos, com cora\u00e7\u00e3o desleal, com esp\u00edrito infiel, com rebeldias enraizadas. Sim, o texto relata que isso aconteceu, que \u00e9 humanamente poss\u00edvel e prov\u00e1vel quando n\u00e3o cultivamos espa\u00e7os em que o sil\u00eancio e o descanso favorecem a aten\u00e7\u00e3o, onde estamos alertas, vendo com clareza onde depositamos nossa confian\u00e7a, exercitamos a gratid\u00e3o e o reconhecimento daquilo que Deus est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p>Sem esse tempo sagrado, quer dias tranquilos, quer dias dif\u00edceis, nos distra\u00edmos e obedecemos ao imp\u00e9rio particular de desejos selvagens, ou, o desespero aumenta e a murmura\u00e7\u00e3o encontra-se a um passo da amargura.<\/p>\n<p>Nossa trajet\u00f3ria e as hist\u00f3rias acumuladas nela podem nos ensinar, nos lembrar, nos tratar em quest\u00f5es fundamentais. A dor e a alegria nos habitam, faltas e apetite pela plenitude tamb\u00e9m, mas o reconhecimento e a mem\u00f3ria da bondade divina podem ser um espa\u00e7o de preserva\u00e7\u00e3o do sabor da vida, do exerc\u00edcio da f\u00e9 e da esperan\u00e7a, onde o amor \u00e9 cultivado.<\/p>\n<p>O Rabi Nachman de Breslav dizia: \u201cTodo mundo diz que as hist\u00f3rias s\u00e3o um rem\u00e9dio para o sono. Eu, por\u00e9m, digo que elas t\u00eam o poder de despertar as pessoas de sua sonol\u00eancia\u201d. Visitemos, pois, nossas hist\u00f3rias, acordemos para a gratid\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem n\u00e3o conhece as palavras de Jesus: \u201cNo mundo tereis afli\u00e7\u00f5es\u201d (Jo 16.33)? Quem n\u00e3o se angustia a ouvir e ler os jornais? Quem no momento n\u00e3o conhece algu\u00e9m, mais de perto, que esteja passando por duras lutas? Como isso nos afeta? Que efeitos traz para os de perto e os de longe? 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