{"id":817,"date":"2013-11-17T14:48:30","date_gmt":"2013-11-17T14:48:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=817"},"modified":"2013-11-17T14:48:30","modified_gmt":"2013-11-17T14:48:30","slug":"excesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2013\/11\/17\/excesso\/","title":{"rendered":"Excesso"},"content":{"rendered":"<p>O excesso parece dominar em v\u00e1rios setores da vida cotidiana. Excesso de excita\u00e7\u00e3o, excesso de consumo, excesso de informa\u00e7\u00e3o, excesso de trabalho, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>\u00c9 permitido, mas \u00e9 indecente? Qual o limite? Conhecemos? O que \u00e9 de fato necess\u00e1rio? Vivemos num tempo onde extremos atraem mais, e queremos sempre ultrapassar, intensidade nas experi\u00eancias singulares, sobram desejos, falta a arte de comedir. Raros os que se contem, tornou-se exce\u00e7\u00e3o os moderados, embora, todos os radicais se julguem moderados e bem regulados a seus pr\u00f3prios olhos.<\/p>\n<p>Cegueira e confus\u00e3o parecem nos conduzir a maior parte do tempo. Uma teimosia e arrog\u00e2ncia natural nos conduzem ao \u201cmais\u201d como conclus\u00e3o de que isso seria bom. E a\u00ed ficamos entre o descart\u00e1vel e o ac\u00famulo, com este \u00faltimo avan\u00e7ando.<\/p>\n<p>Como diz Edgar Morin: \u201cO homem manifesta uma afetividade extrema, convulsiva, com paix\u00f5es, c\u00f3leras, gritos, mudan\u00e7as brutais de humor; ele carrega consigo uma fonte permanente de del\u00edrio.\u201d E assim, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber que n\u00e3o gostamos de limites, ainda que destemperos sejam vis\u00edveis.<\/p>\n<p>Chamou-me aten\u00e7\u00e3o a m\u00fasica de Arnaldo Antunes em seu recente trabalho intitulado \u201cDisco\u201d:<\/p>\n<p><i>tem muito carro e muito pouco ch\u00e3o<\/i><\/p>\n<p><i>tem muita gente e muito pouco p\u00e3o<\/i><\/p>\n<p><i>tem muito papo e muito pouca a\u00e7\u00e3o<\/i><\/p>\n<p><i>muito parente e muito pouco irm\u00e3o<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>e ent\u00e3o?<\/i><\/p>\n<p><i>o que vamos fazer ent\u00e3o<\/i><\/p>\n<p><i>com mais um milh\u00e3o?<\/i><\/p>\n<p><i>e depois?<\/i><\/p>\n<p><i>o que vamos fazer depois<\/i><\/p>\n<p><i>com um gr\u00e3o de arroz?<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>tem muito pouca d\u00favida e muita raz\u00e3o<\/i><\/p>\n<p><i>tem muito pouca ideia e muita opini\u00e3o<\/i><\/p>\n<p><i>muita pornografia e muito pouco tes\u00e3o<\/i><\/p>\n<p><i>muita cerim\u00f4nia e muito pouca educa\u00e7\u00e3o<\/i><\/p>\n<p><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p><i>e ent\u00e3o?<\/i><\/p>\n<p><i>e depois?<\/i><\/p>\n<p>Temos feito o mundo cada vez mais fr\u00e1gil. A desconfian\u00e7a cresce, mas plantamos viol\u00eancia, ego\u00edsmo, desigualdades. Engolimos caro\u00e7os de corrup\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7as se proliferam, contudo, nos engasgamos \u00e9 com a fraternidade que virou espinho na garganta, queremos cuspir.<\/p>\n<p>Distanciamentos se ampliam, e a intimidade tornou-se quase desconhecida. Gente articulada, bem armada, bons discursos, mas a pr\u00e1tica, o exemplo, o envolvimento minguam.<\/p>\n<p>Fim de ano \u00e9 tempo de avalia\u00e7\u00e3o, de colocarmos coisas na balan\u00e7a existencial, de fazermos faxina na alma, nos guarda-roupas, nas garagens, nos cantos que costumamos acumular. Rever e revisitar, repartir e celebrar. Arrepender e renovar-se. Ainda h\u00e1 tempo de novas escolhas, in\u00e9ditas posturas.<\/p>\n<p>Senhor Jesus, tem miseric\u00f3rdia de n\u00f3s, e converte-nos ao teu evangelho \u2013 s\u00e3o boas e urgentes novas para o nosso s\u00e9culo XXI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O excesso parece dominar em v\u00e1rios setores da vida cotidiana. Excesso de excita\u00e7\u00e3o, excesso de consumo, excesso de informa\u00e7\u00e3o, excesso de trabalho, e por a\u00ed vai. \u00c9 permitido, mas \u00e9 indecente? Qual o limite? Conhecemos? O que \u00e9 de fato necess\u00e1rio? 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