{"id":773,"date":"2013-08-13T07:47:33","date_gmt":"2013-08-13T07:47:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=773"},"modified":"2013-08-13T11:51:12","modified_gmt":"2013-08-13T11:51:12","slug":"a-pressa-e-inimiga-da-audicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2013\/08\/13\/a-pressa-e-inimiga-da-audicao\/","title":{"rendered":"A pressa \u00e9 inimiga da audi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Para ouvir bem, \u00e9 preciso tempo. Para ouvir com qualidade \u00e9 preciso sil\u00eancio. Mas, tempo e sil\u00eancio s\u00e3o dois tesouros que se tornaram rel\u00edquias em nossos dias.<\/p>\n<p>O que nossa incapacidade contempor\u00e2nea de silenciar diz a nosso respeito? Ser\u00e1 que j\u00e1 fomos contaminados por uma certa epidemia, quase discreta, que alastra uma infec\u00e7\u00e3o social em nossos ouvidos? Ser\u00e1 que eles encontram-se t\u00e3o deformados que j\u00e1 n\u00e3o cumprem sua fun\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Quando conversamos ou lemos (em tese, um potencial di\u00e1logo com o autor), em geral, o fazemos com pressa, e ent\u00e3o, perdemos. Perdemos tempo porque n\u00e3o apreendemos, perdemos o respeito, porque n\u00e3o oferecemos uma escuta de qualidade. Como j\u00e1 disse Rubem Alves: \u201c\u00c9 preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir s\u00e3o duas as possibilidades. Primeira: \u2018Fiquei em sil\u00eancio s\u00f3 por delicadeza. Na verdade, n\u00e3o ouvi o que voc\u00ea falou. Enquanto voc\u00ea falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando voc\u00ea terminasse sua (tola) fala. Falo como se voc\u00ea n\u00e3o tivesse falado.\u2019 Segunda: \u2018Ouvi o que voc\u00ea falou. Mas isso que voc\u00ea falou como novidade eu j\u00e1 pensei h\u00e1 muito tempo. \u00c9 coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que voc\u00ea falou\u2019. Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que \u00e9 pior que uma bofetada. O longo sil\u00eancio quer dizer: \u2018Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que voc\u00ea falou.\u2019\u201d<\/p>\n<p>Desconfio que nossa inabilidade em ouvir seja apenas sintoma, afinal, n\u00e3o nos faltam modelos de egocentrismo, onde n\u00e3o se d\u00e1 a m\u00ednima para que o outro pode dizer e sentir e s\u00f3 aspira a seu pr\u00f3prio bem-estar. Vamos, desavergonhadamente, assumindo cada vez mais nossa fala compulsiva, viva a verborragia! E assim, o barulho aumenta. Doentes vaidosos, s\u00f3 queremos ouvir nossa voz, poderosa, ecoando aos quatro ventos, inclusive os virtuais. Ledo engano, ningu\u00e9m mais quer ouvir ningu\u00e9m. Fingidores da audi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, verdadeiros falastr\u00f5es.<\/p>\n<p>Pouco atentamos a experi\u00eancia do salmista: \u201cAcalmei e tranquilizei a minha alma. Sou como uma crian\u00e7a rec\u00e9m-amamentada por sua m\u00e3e; a minha alma \u00e9 como essa crian\u00e7a\u201d (Sl 131.2). Cultivar um cora\u00e7\u00e3o tranquilo, estar interiormente como uma crian\u00e7a segura no aconchego da m\u00e3e, pode ter bastante a ver com diminuir o ritmo e silenciar mais. Atentar para a agita\u00e7\u00e3o externa que contamina e recusar aderir ao frenesi da nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>O respeito ao pr\u00f3ximo passa por aprender a ouvir, e quando esse respeito se manifesta na qualidade com que se ouve pode nascer uma amizade. Menos palavras podem ajudar a ter uma melhor rela\u00e7\u00e3o. Ouvir mais pode contribuir para aprofundar os relacionamentos. O sil\u00eancio reverente pode aproximar mais e melhor, e trazer um pouco da calmaria t\u00e3o desejada \u2013 tranquilidade para a alma, que encontra sossego e satisfa\u00e7\u00e3o no exerc\u00edcio do bem ouvir, filtro importante para o esp\u00edrito apressado\/agitado de nosso tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para ouvir bem, \u00e9 preciso tempo. Para ouvir com qualidade \u00e9 preciso sil\u00eancio. Mas, tempo e sil\u00eancio s\u00e3o dois tesouros que se tornaram rel\u00edquias em nossos dias. O que nossa incapacidade contempor\u00e2nea de silenciar diz a nosso respeito? 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