{"id":707,"date":"2013-05-13T17:42:03","date_gmt":"2013-05-13T17:42:03","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=707"},"modified":"2013-05-13T21:00:40","modified_gmt":"2013-05-13T21:00:40","slug":"rumos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2013\/05\/13\/rumos\/","title":{"rendered":"Rumos"},"content":{"rendered":"<p>Inquieta\u00e7\u00f5es n\u00e3o nos faltam, desejos tamb\u00e9m n\u00e3o.<\/p>\n<p>O mundo gira e \u00e9 cada vez mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>H\u00e1 tanta coisa acontecendo, e numa pausa consciente, retomo os versos da m\u00fasica \u201cOs Poss\u00edveis\u201d (1991), da Banda Tit\u00e3s: \u201ctudo ao mesmo tempo agora, tudo para ontem, sem demora\u201d. O que pensar? Como assimilar? Viver de adapta\u00e7\u00f5es? Seguir o fluxo sem mais? Para onde a mar\u00e9 nos leva? Remar contra chega aonde?<\/p>\n<p>Perguntava Thomas Merton: \u201cQual \u00e9 o meu lugar no meio deste mundo ca\u00f3tico e barulhento?\u201d<\/p>\n<p>Observar o mundo, atentar para os movimentos, ouvir os gritos e entender do que se trata. Refletir tendo como refer\u00eancia o compromisso com o Evangelho, ou melhor, com o que se consegue ouvir, apreender e ver do evangelho; eis desafios que parecem pertinentes aos disc\u00edpulos de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>O que Merton fazia era comentar os acontecimentos do dia-a-dia, a partir do sil\u00eancio contemplativo. E corajosamente ele confessava: \u201cN\u00e3o tenho resposta clara para as perguntas atuais. Tenho perguntas e, de fato, acredito que melhor se conhece uma pessoa pelas perguntas que faz do que pelas respostas\u201d.<\/p>\n<p>Em seu exerc\u00edcio honesto de olhar para as Escrituras e olhar para os acontecimentos de seu tempo, e ent\u00e3o, contemplar, ele aprofundava em si e para os outros a compreens\u00e3o da pessoa de Deus, da for\u00e7a do evangelho, do significado de Cristo.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo ia clareando como ele viveria sua voca\u00e7\u00e3o naquele trecho da hist\u00f3ria. E ent\u00e3o, comentava: \u201cQue eu tenha nascido em 1915 e tenha sido contempor\u00e2neo de Auschwitz, Hiroshima, Vietn\u00e3 s\u00e3o coisas sobre as quais n\u00e3o fui consultado previamente. Entretanto, s\u00e3o acontecimentos nos quais estou pessoal e profundamente envolvido, quer queira quer n\u00e3o\u201d. Ou, nas palavras de Frei Betto: \u201cTodos fazemos pol\u00edtica. Por participa\u00e7\u00e3o ou por omiss\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as quest\u00f5es s\u00e9rias do nosso tempo? At\u00e9 onde temos consci\u00eancia de nosso envolvimento? Nos ocupamos do qu\u00ea?<\/p>\n<p>A ci\u00eancia e a tecnologia est\u00e3o revolucionando nossa exist\u00eancia num ritmo jamais visto; nosso consumismo tem inviabilizado e comprometido a vida de muitos, e futuras gera\u00e7\u00f5es podem pagar um pre\u00e7o ainda maior; as novas configura\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia tem causado estranhamento, esc\u00e2ndalo e confus\u00e3o em muitos; ali\u00e1s, os pap\u00e9is tradicionais de homem e mulher num contexto machista est\u00e3o caindo, e o que resta? Como ser\u00e1 agora? Crises sobram.<\/p>\n<p>\u00c9 tempo de repensar valores, posturas, conversar mais sobre \u00e9tica, aprofundar a f\u00e9, rever a esperan\u00e7a, conhecer mais do amor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de pensarmos sobre qual o nosso lugar nesse mundo, talvez, seria bom perguntarmo-nos se ainda h\u00e1 espa\u00e7o para n\u00f3s nesse mundo, e analisar um pouco mais do que realmente se trata. Como diz Alvin e Heidi Toffler: \u201cEm todos os lugares, jogadores on-line pagam milhares de d\u00f3lares em dinheiro real por espadas virtuais que n\u00e3o existem, para que seus \u2018eus\u2019 virtuais possam us\u00e1-las e conquistar castelos e donzelas \u2013 tamb\u00e9m virtuais, \u00e9 claro. A irrealidade alastra-se rapidamente entre n\u00f3s\u201d. Sim, talvez a pergunta contempor\u00e2nea seja: \u201cO que \u00e9 real hoje em dia?\u201d.<\/p>\n<p>Qual a realidade brasileira? A fome e a desigualdade s\u00e3o reais, para quem? A sa\u00fade p\u00fablica \u00e9 um problema? E a maioridade penal \u00e9 algo simples e satisfat\u00f3rio? A quest\u00e3o de seguran\u00e7a, educa\u00e7\u00e3o, moradia, creches, como tratar disso tudo? Direitos e deveres, quais? Muitos simplesmente respondem: \u201cj\u00e1 tenho problemas suficientes, n\u00e3o quero saber de mais nada\u201d. Ser\u00e1 que algu\u00e9m eu identifica com Cristo pode assim viver?<\/p>\n<p>Frequentemente se encontra aqueles que j\u00e1 n\u00e3o querem mais perguntas, nem se importam com respostas, apenas vivem para seu sustento, para se protegerem com suas conquistas, tentando acumular e oferecer mais conforto aos seus. Mas, como diz Eclesiastes: \u201cO trabalho do tolo o deixa t\u00e3o exausto que ele nem consegue achar o caminho de casa\u201d (Ec 10.15). Sim, perdidos que se acham seguros; esgotados que se acham satisfeitos pelo simples fato de se esfor\u00e7arem. Quanta ilus\u00e3o!<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 muito conforto na reflex\u00e3o, e o pensar tamb\u00e9m pode ser nada al\u00e9m de vaidade. Mas, o viver alienado trata-se de uma vida sem rumo.<\/p>\n<p>O que \u00e9 real? Se h\u00e1 hoje uma realidade virtual, diria que tamb\u00e9m cresce a \u201cvirtualidade do real\u201d, aquilo que parece, mas n\u00e3o \u00e9, contudo, engana nossos sentidos e ilude bem nossa mente, oferece sensa\u00e7\u00f5es convincentes, anjos de luz do s\u00e9culo XXI, e deixamo-nos levar, afinal \u00e9 tudo sem sentido&#8230;<\/p>\n<p>O rumo do evangelho, no entanto, \u00e9 a comunidade. Somos arrancados de nossos isolamentos, do ensimesmamento t\u00e3o natural de nossa \u00e9poca, para viver considerando aquele que nos chamou, que se entregou por n\u00f3s. Sua ora\u00e7\u00e3o por n\u00f3s \u00e9: \u201cpara que todos sejam um, Pai. Que eles tamb\u00e9m estejam em n\u00f3s, para que o mundo creia&#8230;\u201d (Jo 17.21), e o ap\u00f3stolo Paulo, seguidor de Cristo, salienta: \u201cNenhum de n\u00f3s vive apenas para si, e nenhum de n\u00f3s morre apenas para si. (&#8230;) Pertencemos ao Senhor\u201d (Rm 14.8). Em sendo assim, a reflex\u00e3o e o viver comunit\u00e1rio pode ensinar e transformar nosso cora\u00e7\u00e3o, pode sinalizar novo rumo, alternativas nesse mundo agitado, de imediatismos, e buscas incessantes. A vida comunit\u00e1ria pode proclamar mais verdades do que meros eventos.<\/p>\n<p>Deus est\u00e1 fazendo novas todas as coisas e nos convida a participar (II Co 5.17-19), ele nos confiou uma mensagem de reconcilia\u00e7\u00e3o a ser entregue a essa gera\u00e7\u00e3o. Vamos?<\/p>\n<p>H\u00e1 um lugar, em Cristo, que pode ser nosso, e o apaziguamento pode ser real. Ele d\u00e1 as boas-vindas aos interessados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inquieta\u00e7\u00f5es n\u00e3o nos faltam, desejos tamb\u00e9m n\u00e3o. O mundo gira e \u00e9 cada vez mais r\u00e1pido. H\u00e1 tanta coisa acontecendo, e numa pausa consciente, retomo os versos da m\u00fasica \u201cOs Poss\u00edveis\u201d (1991), da Banda Tit\u00e3s: \u201ctudo ao mesmo tempo agora, tudo para ontem, sem demora\u201d. O que pensar? Como assimilar? Viver de adapta\u00e7\u00f5es? 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