{"id":684,"date":"2013-01-21T15:31:58","date_gmt":"2013-01-21T15:31:58","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=684"},"modified":"2013-02-13T15:37:31","modified_gmt":"2013-02-13T15:37:31","slug":"03a-semana-de-2013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2013\/01\/21\/03a-semana-de-2013\/","title":{"rendered":"03\u00aa semana de 2013"},"content":{"rendered":"<p>\u201cO mundo das redes sociais, ao mostrar os melhores momentos de cada um de seus bilh\u00f5es de integrantes, bombardeia-os com um ambiente superlativo, em que a cada instante surgem v\u00eddeos em que pessoas e bichos aparentemente comuns realizam feitos inacredit\u00e1veis. O extraordin\u00e1rio se banalizou. Quando se vive cercado por extremos, \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil determinar os limites do que \u00e9 poss\u00edvel, desej\u00e1vel ou conveniente. O cotidiano, banalizado pela onipresen\u00e7a do extraordin\u00e1rio, fica ainda mais mon\u00f3tono. Quem cresce rodeado pelo que h\u00e1 de melhor perde a paci\u00eancia para se surpreender e pode ficar mimado, impotente ou deprimido. Na tentativa de gerar est\u00edmulos, v\u00e1rios multiplicam suas atividades e pulverizam sua aten\u00e7\u00e3o, sem levar em conta que a hiperatividade \u00e9 inimiga da concentra\u00e7\u00e3o. Nesse processo, gasta-se muita energia e realiza-se pouco, em um c\u00edrculo vicioso que s\u00f3 aumenta a frustra\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nLuli Radfahrer, \u201cFolha de S.Paulo\u201d \u2013 14\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cSomos uma cultura de frouxos viciados em conforto, que se lambem o tempo todo e culpam os outros por tudo.\u201d<br \/>\nLuiz Felipe Pond\u00e9, \u201cFolha de S.Paulo\u201d \u2013 14\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas gostam de exibir a felicidade como um trof\u00e9u. Demonstrar tristeza tornou-se uma esp\u00e9cie de derrota. O melhor exemplo \u00e9 o comportamento diante de quem sofreu uma perda. Se est\u00e1 em l\u00e1grimas, costuma-se dizer:<br \/>\n\u2013 N\u00e3o chore, vai passar&#8230;<br \/>\nA outra pessoa fica constrangida, como se viver a dor fosse defeito.<br \/>\nMinha atitude \u00e9 oposta. [&#8230;]<br \/>\nCompartilhar os problemas alheios \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Mas isso n\u00e3o faz parte da amizade? N\u00e3o d\u00e1 uma dimens\u00e3o mais profunda ao relacionamento humano? Ser feliz \u00e9 cada vez mais uma imposi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 falta algu\u00e9m botar um letreiro dizendo: \u201cEstou muito bem!\u201d. Com ponto de exclama\u00e7\u00e3o, para simular entusiasmo.<\/p>\n<p>\u201cO Itamaraty faz gol contra ao conceder passaporte diplom\u00e1tico para os criadores e l\u00edderes de uma tal Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdomiro e Francil\u00e9ia de Oliveira. Qual o sentido? Na era Lula, o Planalto definia os passaportes para o Itamaraty assinar. Com Dilma n\u00e3o \u00e9 assim e ela n\u00e3o deve ter nada a ver com o mimo para Valdomiro, que anda na mira do Minist\u00e9rio P\u00fablico por enriquecimento, digamos, mal explicado.\u201d<br \/>\nEliane Cantanh\u00eade, \u201cFolha de S.Paulo\u201d \u2013 15\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cNo hoje remoto s\u00e9culo 15, quando os tipos m\u00f3veis de Gutenberg favoreceram (porque baratearam) uma difus\u00e3o mais ampla do impresso, algumas universidades franziram o nariz: afinal, se os alunos todos tiverem livros, o que n\u00f3s, professores, vamos fazer nas classes? Mas o surto de mau humor do corpo docente logo se dissipou e, hoje, livros e universidade s\u00e3o parceiros fi\u00e9is.\u201d<br \/>\nMarisa Lajolo, \u201cFolha de S.Paulo\u201d \u2013 15\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cA fun\u00e7\u00e3o das escolas \u00e9 fazer com que cada um saia da sua zona de conforto e se aventure num mundo desconhecido, vivendo experi\u00eancias pessoais, sociais e culturais que de outro modo n\u00e3o viveria.\u201d<br \/>\nAriana Cosme, \u201cFolha de S.Paulo\u201d \u2013 15\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cHoje, neste tempo digital e veloz, ou temos o derrame de besteiras nas redes sociais ou porcarias de autoajuda nas listas de best-sellers.\u201d<br \/>\nArnaldo Jabor, \u201cO Estado de S.Paulo\u201d \u2013 15\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cSe soubesse como seria minha vida quando tinha 20 e poucos anos n\u00e3o teria vivido, diz-me um velho companheiro das trincheiras magras. Viver \u00e9 muito perigoso, afirmava Guimar\u00e3es Rosa. \u00c9 a inoc\u00eancia do n\u00e3o saber que permite viver a vida, digo eu. A nega\u00e7\u00e3o faz parte da vida humana. Um le\u00e3o n\u00e3o dorme se pressente uma amea\u00e7a, mas um homem dorme feliz mesmo sabendo que cada noite bem dormida o aproxima da morte. A consci\u00eancia foca em alguma coisa com intensidade e, com a mesma for\u00e7a, reduz tudo o mais a um res\u00edduo a ser esquecido. O foco tem como contrapartida a aliena\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nRoberto DaMatta, \u201cO Estado de S.Paulo\u201d \u2013 16\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cA comiss\u00e1ria de bordo Nadia Eweida conquistou na Justi\u00e7a o direito de usar um pingente de crucifixo durante o trabalho em uma companhia a\u00e9rea brit\u00e2nica. A empresa havia proibido o uso de qualquer s\u00edmbolo religioso por seus funcion\u00e1rios em voos.\u201d<br \/>\n\u201cO Estado de S.Paulo\u201d \u2013 16\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cA f\u00f3rmula para identificar talentos \u00e9 a seguinte: ter a coragem de apostar em ideias. Muitos executivos acham perigoso arriscar. Perigoso \u00e9 n\u00e3o arriscar. Eliminar a criatividade e a inova\u00e7\u00e3o levas as empresas ao decl\u00ednio e, por consequ\u00eancia, prejudica toda a sociedade.\u201d<br \/>\nNolan Bushnell, \u201cRevista Veja\u201d \u2013 16\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fato que, depois dos ineg\u00e1veis resultados econ\u00f4micos da \u00faltima d\u00e9cada, o Brasil entrou em uma fase cultural de acentuado otimismo, provavelmente excessivo, \u00e0 prova dos fatos. O crescimento econ\u00f4mico deu-se, \u00e9 certo, e com algumas redistribui\u00e7\u00e3o de renda, melhorando condi\u00e7\u00f5es de vida, estat\u00edsticas e imagem internacional. Mas a inclus\u00e3o dos pobres limitou-se a pouco mais do que acesso a consumos b\u00e1sicos. Educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, meio ambiente e participa\u00e7\u00e3o social s\u00e3o os grandes exclu\u00eddos do modelo brasileiro, baseado fundamentalmente no crescimento quantitativo. A supera\u00e7\u00e3o dos atrasos qualitativos do sistema-pa\u00eds frustra as expectativas por sua lentid\u00e3o e incipi\u00eancia. E as desgra\u00e7as n\u00e3o faltam: gente demais morre pela disputa de poucos reais, por enchentes ou balas perdidas. Mais: estat\u00edsticas aterrorizantes indicam que o n\u00famero anual de assassinatos no Brasil \u00e9 superior aos mortos em todas as guerras no mundo. Problema mais grave ainda, a pol\u00edtica est\u00e1 em crise profunda: \u00e9tica, identit\u00e1ria e organizativa, sem capacidade de dar respostas convincentes aos problemas que se acumulam no horizonte.\u201d<br \/>\nClaudio Bernabucci, \u201cRevista Carta Capital\u201d \u2013 16\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cSomos cada vez mais considerados como &#8216;doentes&#8217; (e convidados a procurar tratamento) por uma psicologia e uma psiquiatria que n\u00e3o param de definir nossa &#8216;normalidade&#8217; &#8211; com as melhores inten\u00e7\u00f5es.\u201d<br \/>\nContardo Calligaris, \u201cFolha de S.Paulo\u201d \u2013 17\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cQuando pesquisava para seu livro \u2018O Poder do H\u00e1bito\u2019, o escritor americano Charles Durhigg deparou com uma pr\u00e1tica a princ\u00edpio inexplic\u00e1vel das empresas de cart\u00f5es de cr\u00e9dito dos Estados Unidos. Sempre que descobrem, comparando dados pessoais, pr\u00e1tica permitida no mercado americano, que um de seus clientes se divorciou, as empresas cortam seu limite de cr\u00e9dito. A redu\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais radical caso o cliente seja do sexo masculino, diminuindo o limite pela metade. A explica\u00e7\u00e3o: analisando o hist\u00f3rico de cr\u00e9dito de rec\u00e9m-separados, matem\u00e1ticos a servi\u00e7o dessas empresas cruzaram os dados e notaram que n\u00e3o muito tempo depois de mudar seu status de relacionamento para \u2018solteiro\u2019 no Facebook os homens, principalmente, come\u00e7am a ter problemas para pagar suas d\u00edvidas. \u00c0 primeira vista, pode parecer um exagero &#8211; al\u00e9m de uma intromiss\u00e3o indevida na vida dos clientes -, mas um estudo recente conduzido pelos departamentos de psicologia das Universidades de Harvard e Columbia, nos Estados Unidos, mostrou que h\u00e1 uma l\u00f3gica emocional por tr\u00e1s dessa situa\u00e7\u00e3o: estar triste pode ter um custo financeiro. \u2018Uma pessoa triste n\u00e3o \u00e9 necessariamente uma pessoa s\u00e1bia quando se tratam das escolhas financeiras\u2019, afirma Ye Li, professor da Universidade Riverside, na Calif\u00f3rnia, que participou do estudo como p\u00f3s-doutorando do Centro de Ci\u00eancias da Decis\u00e3o de Columbia. \u2018Descobrimos que as pessoas tristes s\u00e3o mais impacientes e frequentemente irracionais\u2019.&#8221;<br \/>\nAlexandre Rodrigues, \u201cValor\u201d &#8211; 18\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cNossa vida cotidiana tornou-se quase inteiramente regida por princ\u00edpios utilit\u00e1rios, pragm\u00e1ticos, instrumentais, lamenta o poeta e fil\u00f3sofo carioca Antonio Cicero, de 67 anos. &#8216;Sempre foi assim, por\u00e9m hoje as novas tecnologias eletr\u00f4nicas potencializaram essa subordina\u00e7\u00e3o da vida ao princ\u00edpio do desempenho.&#8217; Ele reconhece que elas mudaram a vida de todos n\u00f3s, que houve um avan\u00e7o e uma transforma\u00e7\u00e3o. Mas isso ser\u00e1 apenas bom? &#8216;Ao inv\u00e9s de economizarem nosso tempo, as novas tecnologias o consomem.&#8217; A tecnologia do s\u00e9culo XXI devora o tempo. Devora o pr\u00f3prio s\u00e9culo XXI. Resta-nos pouco tempo para meditar e contemplar. Para viver.\u201d<br \/>\nJos\u00e9 Castello, \u201cValor\u201d &#8211; 18\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cA obesidade \u00e9 a nova epidemia. \u00c9 uma condi\u00e7\u00e3o cara de tratar, est\u00e1 associada com muitas doen\u00e7as. E tem efeitos ruins sobre as pessoas que sofrem dela, porque n\u00e3o podem trabalhar tanto etc. Nos pa\u00edses emergentes, sobretudo na China, \u00e9 onde est\u00e1 crescendo mais rapidamente a obesidade. Quando o n\u00edvel de vida sobe e as pessoas t\u00eam mais dinheiro para gastar, a primeira coisa que fazem \u00e9 mudar sua dieta. Cada vez mais, comem coisas processadas ou ricas em gordura.\u201d<br \/>\nMauro Guill\u00e9n, \u201cFolha de S.Paulo\u201d \u2013 19\/01\/2013<\/p>\n<p>\u201cA eterna vacila\u00e7\u00e3o do sujeito diante de si: \u2018Diga-me quem sou?\u2019 \u00e9 uma pergunta que a gente endere\u00e7a frequentemente ao outro. Esse desconhecimento de si, que gera o sentimento de incompletude e consequentemente tamb\u00e9m o desejo de reencontrar uma completude imaginariamente perdida, impele \u00e0s buscas amorosas como tentativa de preenchimento do vazio constitutivo do ser.\u201d<br \/>\nSilvia Raimundi Ferreira, \u201cLe Monde Diplomatique\u201d \u2013 janeiro de 2013<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO mundo das redes sociais, ao mostrar os melhores momentos de cada um de seus bilh\u00f5es de integrantes, bombardeia-os com um ambiente superlativo, em que a cada instante surgem v\u00eddeos em que pessoas e bichos aparentemente comuns realizam feitos inacredit\u00e1veis. 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