{"id":566,"date":"2012-02-12T14:20:25","date_gmt":"2012-02-12T14:20:25","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=566"},"modified":"2012-02-12T14:30:13","modified_gmt":"2012-02-12T14:30:13","slug":"0a-semana-de-2012-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2012\/02\/12\/0a-semana-de-2012-2\/","title":{"rendered":"06\u00aa semana de 2012"},"content":{"rendered":"<p>\u201cNossa cultura tem sido a oposta (\u00e0 preven\u00e7\u00e3o): esperamos que os problemas n\u00e3o aconte\u00e7am ou que se resolvam por si s\u00f3. Temos dificuldades em pensar e agir de modo sist\u00eamico: entendendo que as partes da cidade se afetam entre si.\u201d<br \/>\nVinicius M. Netto &#8211; O Estado de S. Paulo, 05\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cSomos criaturas limitadas pelo tempo, com um in\u00edcio e um fim. O medo do fim, ao menos em parte, vem da falta de controle sobre a passagem do tempo. N\u00e3o sabemos quando o nosso fim pessoal chegar\u00e1. Ent\u00e3o tentamos manter nossa presen\u00e7a mesmo ap\u00f3s n\u00e3o estarmos mais presentes fisicamente. Isso porque s\u00f3 deixaremos de existir quando formos esquecidos. (O que voc\u00ea sabe do seu tatarav\u00f4 ou de outro parente do passado distante?) [&#8230;] O que importa \u00e9 o que se faz com a vida que se tem e n\u00e3o com a vida que um dia n\u00e3o vai existir mais. Se temos sa\u00fade, a coisa mais importante \u00e9 a liberdade. Ser livre \u00e9 poder escolher ao que se prender. Com apocalipse ou n\u00e3o, uma vida bem vivida ser\u00e1 sempre curta demais.\u201d<br \/>\nMarcelo Gleiser \u2013 Folha de S.Paulo, 05\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cSomos criados para vencer. A escola elenca os vencedores: o melhor aluno da classe, o time campe\u00e3o, a mais bonita. Categorias que separam uns poucos vencedores da maioria perdedora. Irm\u00e3os lutam para superar uns aos outros, como se o mundo fosse um gigantesco Coliseu, e cada um de n\u00f3s um gladiador. Amigos, colegas de trabalho, todos disputam. Mesmo no amor. Quantas vezes um homem quer conquistar a mulher mais deseja pelos outros, sem atentar a seus sentimentos mais profundos? O resultado \u00e9 n\u00e3o sabermos aceitar perdas. Mesmo as dolorosas e inevit\u00e1veis da vida. [&#8230;] \u00c9 frequente encontrar pessoas incapazes de aceitar perdas. No ambiente profissional, nem se fale. [&#8230;] A perda necess\u00e1ria pode exercer efeito positivo.\u201d<br \/>\nWalcyr Carrasco, Revista \u00c9poca \u2013 06\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cQuando se fala em compuls\u00e3o sexual, as pessoas levam para a brincadeira ou para o lado moral. Muitos ainda dizem que n\u00e3o existe, mas s\u00f3 quem viveu sabe como \u00e9 ruim\u201d, diz Hugo. [&#8230;] Hugo come\u00e7ou a frequentar com sua mulher um grupo de reflex\u00e3o de casais na igreja. V\u00e1rias vezes chegava atrasado porque n\u00e3o conseguia sair de casa a tempo. Ficava navegando por p\u00e1ginas pornogr\u00e1ficas.\u201d<br \/>\nLet\u00edcia Sorg, Revista \u00c9poca \u2013 06\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cA pergunta que fica \u00e9: as pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta de suas contradi\u00e7\u00f5es? E a resposta \u00e9 \u2018muito pouco\u2019. O psic\u00f3logo Drew Westen mostrou que, na pol\u00edtica, emo\u00e7\u00f5es falam mais alto que a l\u00f3gica. Ele monitorou os c\u00e9rebros de militantes partid\u00e1rios enquanto viam seus candidatos favoritos caindo em contradi\u00e7\u00e3o. Como previsto, eles n\u00e3o tiveram dificuldade para perceber a incongru\u00eancia do \u2018inimigo\u2019, mas foram bem menos cr\u00edticos em rela\u00e7\u00e3o ao \u2018aliado\u2019. Segundo Westen, quando confrontados com informa\u00e7\u00f5es amea\u00e7adoras \u00e0s nossas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, redes de neur\u00f4nios associadas ao estresse s\u00e3o ativadas. O c\u00e9rebro percebe o conflito e tenta desligar a emo\u00e7\u00e3o negativa. Circuitos encarregados de regular emo\u00e7\u00f5es recrutam, ent\u00e3o, cren\u00e7as capazes de eliminar o estresse. A contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas fracamente percebida. A surpresa foi constatar que esse processo de relativiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita a desligar as emo\u00e7\u00f5es negativas. Ele tamb\u00e9m dispara sensa\u00e7\u00f5es positivas, acionando circuitos do sistema de recompensa, que coincidem com as \u00e1reas ativadas quando viciados em drogas tomam uma dose. Em suma, pol\u00edticos e simpatizantes sentem prazer ao ignorar suas contradi\u00e7\u00f5es.\u201d<br \/>\nH\u00e9lio Schwartsman \u2013 Folha de S.Paulo, 07\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cO ser humano \u00e9 cheio de camadas e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 racional. O ser humano mente, inclusive para si mesmo. O ser humano fala uma coisa com a boca e outra com os olhos. Um n\u00e3o pode ser um N\u00c3O. Ou um naaa\u00e3o!\u201d<br \/>\nNizan Guanaes \u2013 Folha de S.Paulo, 07\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cOlhe para nossas crian\u00e7as menores de seis anos. Voc\u00ea percebe que h\u00e1 uma diferen\u00e7a enorme entre meninos e meninas? Meninos s\u00e3o moleques: se vestem e se comportam como moleques, t\u00eam interesses de moleques e brincam como tal. J\u00e1 as meninas&#8230; Ah&#8230;. Elas s\u00e3o pequenas mulheres. Vestem-se como mulheres, se interessam por assuntos de mulheres feitas e gostam de brincar de ser mulher. Sem uma interven\u00e7\u00e3o firme dos adultos, as meninas pulam a fase da inf\u00e2ncia com a maior facilidade. E por falar em interven\u00e7\u00e3o firme dos adultos, temos feito isso, sim, mas no sentido contr\u00e1rio ao que dever\u00edamos fazer. Meninas de nove anos s\u00e3o levadas pelos pais -pelas m\u00e3es em especial- a comemorar o anivers\u00e1rio em sal\u00f5es de beleza. Elas ganham roupas provocantes e sapatos de salto precocemente, t\u00eam seu pr\u00f3prio arsenal de maquiagem etc.\u201d<br \/>\nRosely Say\u00e3o \u2013 Folha de S.Paulo, 07\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil, o corpo \u00e9 um capital. A cren\u00e7a de que o corpo jovem, magro e perfeito \u00e9 uma riqueza produz uma cultura de enorme investimento na forma f\u00edsica e, tamb\u00e9m, de profunda insatisfa\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria apar\u00eancia. Quase 100% das brasileiras se sentem infelizes com o pr\u00f3prio corpo.\u201d<br \/>\n Mirian Goldenberg \u2013 Folha de S.Paulo, 07\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cParece que a possibilidade de respeitar a diferen\u00e7a passa pelo reconhecimento de que essa diferen\u00e7a constitui uma patologia ou uma esp\u00e9cie de malforma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita. Alguns perguntar\u00e3o: &#8220;n\u00e3o \u00e9 melhor assim?&#8221;. Sem essa &#8220;inje\u00e7\u00e3o&#8221; de patologia (ou de teratologia), os diferentes seriam apenas julgados em nome de um moralismo qualquer: os drogados seriam vagabundos, os homossexuais, sem-vergonhas, e etc.\u201d<br \/>\nContardo Calligaris \u2013 Folha de S.Paulo, 09\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cO que ningu\u00e9m conseguiu foi prever a incr\u00edvel dimens\u00e3o atingida pela internet. O que hoje n\u00e3o est\u00e1 na rede parece nem fazer parte da realidade. Tudo precisa ter um p\u00e9 -quando n\u00e3o todo o corpo- na internet. E ter acesso a ela hoje passa a ser direito, a ter rela\u00e7\u00e3o com cidadania, a ser uma nova forma de alfabetiza\u00e7\u00e3o e de inclus\u00e3o. Toda essa for\u00e7a e velocidade de comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, impens\u00e1vel h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, parece ter vida pr\u00f3pria, o que resulta em gigantesca din\u00e2mica de transforma\u00e7\u00e3o cultural. \u00c9 uma m\u00eddia coletiva e an\u00e1rquica, que soma esfor\u00e7os e inventividade de um sem n\u00famero de pessoas -a maioria delas an\u00f4nima. [&#8230;] A quest\u00e3o \u00e9: que mudan\u00e7as ela traz nas estruturas e nos valores j\u00e1 cristalizados nas sociedades, a ponto de confront\u00e1-los para que da\u00ed surjam novas qualidades?\u201d<br \/>\nMarina Silva \u2013 Folha de S.Paulo, 10\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero de livros lidos pelo brasileiro por ano \u00e9 mais baixo do que mostrou a \u00faltima pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada em 2007 pelo Instituto Pr\u00f3-Livro (IPL), associa\u00e7\u00e3o privada composta por entidades do livro. Na ocasi\u00e3o, a m\u00e9dia de livros lidos por ano era de 1,3 (sem contar os escolares) e 4,7 (incluindo os escolares). \u00c9 certo que os dois \u00edndices tiveram decr\u00e9scimo na nova pesquisa, cujos n\u00fameros s\u00f3 ser\u00e3o divulgados em 28 de mar\u00e7o.\u201d<br \/>\nRaquel Cozer \u2013 Folha de S.Paulo, 11\/02\/2012<\/p>\n<p>\u201cO cuidado dos doentes e a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade das pessoas sempre fizeram parte do cristianismo. O pr\u00f3prio Jesus Cristo deu o exemplo, sempre atencioso com os doentes, que o procuravam em grande n\u00famero (cf. Mt 9,35), assumindo sobre si as dores e os sofrimentos da humanidade (cf. Mt 8,17). Ao enviar os disc\u00edpulos em miss\u00e3o, recomendou com insist\u00eancia que tamb\u00e9m eles cuidassem dos doentes (cf. Mt 10,1). [&#8230;] Se a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes de sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma incumb\u00eancia dos governantes, n\u00e3o deixa de ser tarefa tamb\u00e9m dos cidad\u00e3os. Para quem tem f\u00e9 religiosa, o caminho que leva a Deus nunca pode desviar da vias dolorosas em que jazem tantos irm\u00e3os&#8230; E para quem n\u00e3o tem f\u00e9, a pr\u00f3pria sensibilidade humana desautoriza a ficar indiferente diante do sofrimento do pr\u00f3ximo e da sua qualidade de vida diminu\u00edda.\u201d<br \/>\nDom Odilo P. Scherer &#8211; O Estado de S. Paulo, 11\/02\/2012<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNossa cultura tem sido a oposta (\u00e0 preven\u00e7\u00e3o): esperamos que os problemas n\u00e3o aconte\u00e7am ou que se resolvam por si s\u00f3. Temos dificuldades em pensar e agir de modo sist\u00eamico: entendendo que as partes da cidade se afetam entre si.\u201d Vinicius M. Netto &#8211; O Estado de S. 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