{"id":548,"date":"2011-12-30T22:28:06","date_gmt":"2011-12-30T22:28:06","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=548"},"modified":"2011-12-30T23:30:12","modified_gmt":"2011-12-30T23:30:12","slug":"52%c2%aa-semana-de-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2011\/12\/30\/52%c2%aa-semana-de-2011\/","title":{"rendered":"52\u00aa semana de 2011"},"content":{"rendered":"<p>\u201cNesta \u00e9poca \u00e9 comum ver, al\u00e9m das retrospectivas, os apelos piegas ao tal esp\u00edrito natalino, abusos de express\u00f5es como &#8220;renovar esperan\u00e7as&#8221;, previs\u00f5es furadas de astr\u00f3logos, tar\u00f3logos e outros loucos, textos que lamentam onde est\u00e3o os natais d&#8217;antanho, mensagens de boas festas com listas de virtudes. Meu impulso \u00e9 perguntar por que as pessoas n\u00e3o procuram ser assim o ano todo, e n\u00e3o apenas no solst\u00edcio que foi apropriado pela religi\u00e3o e pelo folclore para se tornar uma data paradoxal em que se discursa sobre bons sentimentos enquanto se consome em ritmo febril. E ent\u00e3o me ponho a pensar em como generosidade e respeito, para ficar s\u00f3 nesses dois itens, andam em falta nos tempos atuais, especialmente nas grandes cidades, e em como a tecnologia que deveria nos aproximar nos tem dispersado. Mas lembro os Natais de inf\u00e2ncia, comparo com o dos meus filhos e as diferen\u00e7as se tornam irrelevantes, porque os prazeres e as quest\u00f5es s\u00e3o muito parecidos. E os dias deliciosamente desocupados, desacelerados, convidam ao balan\u00e7o do ano, ainda que tenha tido tantas tristezas em meu caso, e sem balan\u00e7o n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7o.<br \/>\nSomos carne e pensamento, um n\u00e3o se dissocia do outro, e do mesmo modo o Natal \u00e9 ficar feliz em dar e receber presentes, \u00e9 ver as crian\u00e7as alegres com o que ganham e pronto, sem m\u00edsticas nem melancolias.\u201d<br \/>\nDaniel Piza, O Estado de S. Paulo, 25\/12\/2011<\/p>\n<p>\u201cNatal \u00e9 festa poliss\u00eamica. De certo modo, desconfort\u00e1vel. Para os crist\u00e3os, comemora\u00e7\u00e3o do nascimento de Jesus. Para o com\u00e9rcio, ocasi\u00e3o de promissoras vendas. Para uns tantos, minif\u00e9rias de fim de ano. Para o Peru, dia de finados. O desconforto resulta da obrigatoriedade de dar presentes a quem n\u00e3o amamos, mal conhecemos ou fingimos amizade. Transferido o pres\u00e9pio de Bel\u00e9m para o balc\u00e3o das lojas, a festa perde progressivamente car\u00e1ter religioso. O Menino da manjedoura, que evoca o sentido da exist\u00eancia, cede lugar ao velho barbudo e barrigudo, que simboliza o fetiche da mercadoria. Proliferam-se novas modalidades de aspirar ao Transcendente, da aer\u00f3bica lit\u00fargica \u00e0s medita\u00e7\u00f5es orientais. Nunca houve, na express\u00e3o de Rimbaud, tanta \u2018gula de Deus\u2019. I Ching, astrologia, b\u00fazios, tar\u00f4 etc., s\u00e3o vias pelas quais se tenta encontrar-se seguran\u00e7a diante do futuro imprevis\u00edvel. [&#8230;] Isso \u00e9 Natal. Uma festa rara no mais profundo de si mesmo, na qual as pessoas se fazem presentes umas \u00e0s outras e entre as quais o amor refulge como uma estrela. Essa festa n\u00e3o tem data e \u00e9 celebrada cada vez que h\u00e1 encontro em clima de afeto e sabor de comunh\u00e3o.\u201d<br \/>\nFrei Betto \u2013 Revista Caros Amigos, dezembro de 2011<\/p>\n<p>\u201cMuita gente vive sem crise sem acreditar em coisa nenhuma \u2018do outro mundo\u2019. Isso n\u00e3o significa que ela seja sempre feliz (tampouco os religiosos o s\u00e3o), a (in)felicidade depende de in\u00fameros fatores.\u201d<br \/>\nLuiz Felipe Pond\u00e9 \u2013 Folha de S.Paulo, 26\/12\/2011<\/p>\n<p>\u201cQueria ficar sozinho para pensar que o mundo est\u00e1 cheio de mortos que ainda n\u00e3o sabem que morreram.\u201d<br \/>\nCarlos Heitor Cony \u2013 Folha de S.Paulo, 27\/12\/2011<\/p>\n<p>\u201cO parlamentar (Jean Wyllys) reconhece que n\u00e3o se pode proibir religiosos de pregar de seus p\u00falpitos contra o homossexualismo e que seria rid\u00edculo at\u00e9 mesmo tentar vetar improp\u00e9rios como &#8220;veado&#8221; numa partida de futebol. [&#8230;]Por alguma raz\u00e3o, por\u00e9m, militantes preferem alocar suas energias na cria\u00e7\u00e3o de novas leis, em vez de empenhar-se em exigir o cumprimento das normas j\u00e1 existentes. Eles parecem esquecer-se da s\u00e1bia li\u00e7\u00e3o do marqu\u00eas de Beccaria, que j\u00e1 no s\u00e9culo 18 ensinava que multiplicar leis penais significa apenas multiplicar viola\u00e7\u00f5es \u00e0 lei, n\u00e3o evitar crimes.\u201d<br \/>\nH\u00e9lio Schwartsman \u2013 Folha de S.Paulo, 27\/12\/2011<\/p>\n<p>\u201cUma pesquisa feita com mil pessoas entre setembro e outubro pela consultoria OThink, de gest\u00e3o de neg\u00f3cios, apontou que 18% dos entrevistados acreditam que os filhos, netos e bisnetos ter\u00e3o a mesma religi\u00e3o que eles em 2050. Para 27%, os descendentes ter\u00e3o uma religi\u00e3o diferente. E 55% responderam n\u00e3o saber se seus herdeiros seguir\u00e3o a mesma f\u00e9. As mulheres s\u00e3o mais confiantes que os homens de que seus filhos e netos seguir\u00e3o a religi\u00e3o que elas adotaram: 22%, contra 16% dos homens. A chamada \u2018classe A\u2019 \u00e9 a que menos acredita que a religi\u00e3o de seus descendentes continuar\u00e1 a mesma da deles: 16%, contra 21% da faixa de popula\u00e7\u00e3o definida como \u2018classe C\u2019.\u201d<br \/>\nM\u00f4nica Bergamo \u2013 Folha de S.Paulo, 27\/12\/2011<\/p>\n<p>\u201cA capacidade de comunicar \u00e9 a base de nossa exist\u00eancia coletiva. Quando ela evolui, tudo evolui. Pela primeira vez na hist\u00f3ria da humanidade todos temos a capacidade de nos comunicar com todos o tempo todo, de qualquer lugar. O poder dessa comunica\u00e7\u00e3o total \u00e9 total. Vai mudar tudo, est\u00e1 mudando. Olhe para si e veja como sua vida mudou de uns anos para c\u00e1. Ent\u00e3o sonhe, prepare-se, isso \u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o. [&#8230;] O Brasil nunca nos deu tantas oportunidades. O mundo nunca nos deu tantas oportunidades. A tecnologia nunca nos deu tantas oportunidades. A revolu\u00e7\u00e3o continua.\u201d<br \/>\nNizan Guanaes \u2013 Folha de S.Paulo, 27\/12\/2011<\/p>\n<p>\u201cA crise das rela\u00e7\u00f5es modernas est\u00e1, como o t\u00edtulo indica, nas &#8220;expectativas extravagantes&#8221; que os americanos -e, desconfio, os ocidentais em geral- transportam para o matrim\u00f4nio. Na conjugalidade, o casal n\u00e3o conhece limites em seus desejos contradit\u00f3rios. Reclama doses hom\u00e9ricas de paix\u00e3o e de raz\u00e3o; de aventura permanente mas tamb\u00e9m de seguran\u00e7a permanente; de estabilidade emocional e de excita\u00e7\u00e3o emocional; de beleza f\u00edsica e de intelecto apurado. Haver\u00e1 rela\u00e7\u00e3o que aguente o peso dessas expectativas? [&#8230;]Hoje, os ocidentais desejam que as rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas possam suprir todas as exig\u00eancias que anteriormente estavam repartidas por v\u00e1rias esferas da sociedade. O casamento n\u00e3o comporta essas exig\u00eancias m\u00faltiplas e contradit\u00f3rias. A pessoa com quem casamos n\u00e3o consegue reunir as qualidades perfeitas de amante, amigo, confessor, professor, guia tur\u00edstico, est\u00e1tua grega e terapeuta. No Ocidente p\u00f3s-moderno, a taxa de div\u00f3rcio n\u00e3o para de subir. Brasil incluso. Um c\u00ednico diria que o fen\u00f4meno tem explica\u00e7\u00e3o simples: as pessoas divorciam-se porque podem. Mas \u00e9 poss\u00edvel oferecer uma explica\u00e7\u00e3o alternativa: as pessoas divorciam-se porque casam. E n\u00e3o h\u00e1 casamento que resista quando se exige dele tudo e o seu contr\u00e1rio.\u201d<br \/>\nJo\u00e3o Pereira Coutinho \u2013 Folha de S.Paulo, 27\/12\/2011<\/p>\n<p>\u201cAcreditar faz parte da aventura humana na qual nenhum de n\u00f3s entra por querer.\u201d<br \/>\nRoberto Damatta, O Estado de S. Paulo, 28\/12\/2011<\/p>\n<p>\u201c \u2018Para o ingl\u00eas, tudo \u00e9 permitido, exceto o proibido. Para o alem\u00e3o, tudo \u00e9 proibido, exceto o permitido. E, para o italiano, tudo o que \u00e9 proibido \u00e9 permitido.\u2019 Ao coment\u00e1rio do matem\u00e1tico John von Neumann (1903-57), poder\u00edamos acrescentar que, para os franceses, o bom talvez seja o proibido e que, para os gregos, permitido e proibido s\u00e3o s\u00f3 palavras que dependem de muitas coisas.\u201d<br \/>\nFernando Canzian \u2013 Folha de S.Paulo, 28\/12\/2011<\/p>\n<p>\u201cApesar dos avan\u00e7os registrados na d\u00e9cada passada, mais de 1 milh\u00e3o de crian\u00e7as de 10 a 14 anos, ou 6% do total, ainda trabalhavam no Brasil em 2010. Tabula\u00e7\u00f5es feitas pela Folha no Censo do IBGE mostram que o problema \u00e9 mais grave no Norte, onde praticamente uma em cada dez crian\u00e7as exerce atividade econ\u00f4mica remunerada ou n\u00e3o.<br \/>\nEspecialistas afirmam que, para cumprir a meta assumida internacionalmente de erradicar o trabalho infantil do pa\u00eds at\u00e9 2020, ser\u00e1 necess\u00e1rio um esfor\u00e7o adicional. [&#8230;] A pesquisa revela tamb\u00e9m que as ocupa\u00e7\u00f5es mais comuns de crian\u00e7as est\u00e3o na agricultura e na pecu\u00e1ria.\u201d<br \/>\nAnt\u00f4nio Gois, Luiza Abndeira e Matheus Magenta \u2013 Folha de S.Paulo, 28\/12\/2011<\/p>\n<p>\u201cSegundo o economista Andr\u00e9 Gamerman, da Opus Investimentos, \u00e9 o crescimento menor da renda do que das d\u00edvidas. Neste ano, a d\u00edvida das fam\u00edlias cresceu 17%. A renda, 6%. O economista Wermeson Fran\u00e7a, da LCA Consultores, observa que o cr\u00e9dito tamb\u00e9m ficou mais caro.\u201d<br \/>\nFolha de S.Paulo, 28\/12\/2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNesta \u00e9poca \u00e9 comum ver, al\u00e9m das retrospectivas, os apelos piegas ao tal esp\u00edrito natalino, abusos de express\u00f5es como &#8220;renovar esperan\u00e7as&#8221;, previs\u00f5es furadas de astr\u00f3logos, tar\u00f3logos e outros loucos, textos que lamentam onde est\u00e3o os natais d&#8217;antanho, mensagens de boas festas com listas de virtudes. 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