{"id":529,"date":"2011-11-12T19:38:34","date_gmt":"2011-11-12T19:38:34","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=529"},"modified":"2011-12-06T19:42:53","modified_gmt":"2011-12-06T19:42:53","slug":"45%c2%aa-semana-de-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2011\/11\/12\/45%c2%aa-semana-de-2011\/","title":{"rendered":"45\u00aa semana de 2011"},"content":{"rendered":"<p>\u201cDe vez em quando \u00e9 bom parar e refletir sobre coisas que pensamos ser triviais. Com frequ\u00eancia, descobrimos que o que tomamos como simples \u00e9 bem mais complicado do que parece.\u201d<br \/>\nMarcelo Gleiser \u2013 Folha de S.Paulo, 06\/11\/2011<\/p>\n<p> \u201cAumentamos o n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes na escola, sim. Os anos de escolaridade tamb\u00e9m. Falta muito. Mas j\u00e1 descobrimos que sete anos de escola no Brasil n\u00e3o ensinam o mesmo que na Argentina ou no Chile. N\u00e3o garantem que a crian\u00e7a aprenda a ler e a escrever direito ou a fazer contas simples de matem\u00e1tica.\u201d<br \/>\nRuth de Aquino &#8211; Revista \u00c9poca, 07\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201cAntigamente, oito anos de escolaridade bastavam. Mas, na sociedade do conhecimento, voc\u00ea precisa de 11 anos para ter alguma chance. At\u00e9 2006, a exig\u00eancia de ensino fundamental e m\u00e9dio no mercado de trabalho empatava. Depois, a exig\u00eancia de empresas pelo ensino m\u00e9dio triplicou. O pa\u00eds coloca 97% das crian\u00e7as no ensino fundamental, mas s\u00f3 50% dos que t\u00eam de 15 a 17 anos est\u00e3o no ensino m\u00e9dio. E n\u00e3o t\u00eam bom desempenho. S\u00f3 metade deles termina. Vai ser uma gera\u00e7\u00e3o perdida \u2013 e o apag\u00e3o de m\u00e3o de obra vai piorar.\u201d<br \/>\nWanda Engel, educadora &#8211; Revista \u00c9poca, 07\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201cO c\u00e9rebro dos pequenos se adapta \u00e0s t\u00e9cnicas e \u00e0s tecnologias dispon\u00edveis. Nada tem a ver com aumento de capacidade intelectual. Certamente o ser humano \u00e9 t\u00e3o esperto ou modorrento quanto o foi no ano 1000 e n\u00e3o tem l\u00f3gica achar os alunos de hoje mais capazes. [&#8230;] Alunos t\u00eam aprendido a linguagem escrita em dois mundos paralelamente. Come\u00e7am a brincar com o teclado, que segue um racioc\u00ednio de QWERT (do teclado) e n\u00e3o de ABCDE. Aprendem a linguagem com o dedinho estendido, em vez de curv\u00e1-lo em torno de um l\u00e1pis. Mas o que aconteceria se uma crian\u00e7a de quatro anos aprendesse a ler e escrever apenas digitalmente, para, depois, refor\u00e7ar esse conhecimento com caligrafia manual? N\u00e3o h\u00e1 estudo algum no mundo sobre isso, o que \u00e9 curioso.<br \/>\nH\u00e1 experi\u00eancias de aprendizado paralelo digital-manual, mas ningu\u00e9m sabe que sinapses se formariam, durante essa fase indel\u00e9vel dos circuitos mentais, em termos de cogni\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 que a forma de perceber o mundo seria alterada se a alfabetiza\u00e7\u00e3o inicial fosse feita apenas com est\u00edmulos digitais? \u00c9 poss\u00edvel que esse processo desemboque em uma maneira diferente de apreender sequ\u00eancias. O digital estimula mais cedo e se veste de moderno, mas isso \u00e9 progresso? Ou apenas atraso no l\u00fadico?\u201d<br \/>\nRicardo Semler \u2013 Folha de S.Paulo, 07\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201cTodos sabemos que a educa\u00e7\u00e3o brasileira tem problemas s\u00e9rios de qualidade e acesso. Sabemos tamb\u00e9m que t\u00eam havido melhoras importantes desde a d\u00e9cada de 90.<br \/>\nA d\u00favida \u00e9 se essas melhoras caracterizam um avan\u00e7o cont\u00ednuo que, em poucos anos, nos colocar\u00e1 no mesmo n\u00edvel dos pa\u00edses mais desenvolvidos ou se estamos diante de um impasse. Se h\u00e1 um &#8216;teto de vidro&#8217; que temos dificuldade em enxergar, mas que nos impede de avan\u00e7ar com a velocidade e a qualidade que precisamos, fazendo uso adequado dos recursos dispon\u00edveis. [&#8230;] O pa\u00eds precisa come\u00e7ar a aprender, em vez de continuar tentando fazer sempre mais do mesmo de sempre, que \u00e9 o que tem sido a pr\u00e1tica dominante at\u00e9 agora.\u201d<br \/>\nSimon Schwartzman \u2013 Folha de S.Paulo, 07\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201c- O que leva algu\u00e9m a vazar informa\u00e7\u00f5es do exame fundamental para milh\u00f5es de jovens? -Por que espancar o diferente faz algu\u00e9m se sentir melhor ou mais aliviado?<br \/>\n-Por que dinheiro ou status social fazem as pessoas se sentirem inating\u00edveis? -At\u00e9 que ponto penso no outro quando assumo riscos? -Por que t\u00e3o pouca gente &#8220;paga&#8221; por seus erros? De um lado, muita gente sai por a\u00ed achando que pode fazer o que der na telha.<br \/>\nBater no outro, guiar sob efeito de bebida, se considerar acima de tudo e de todos, n\u00e3o enxergar os riscos e olhar apenas para o pr\u00f3prio umbigo s\u00e3o alguns dos sentimentos que existem por tr\u00e1s de uma sociedade que anda pra l\u00e1 de individualista, mas segue imatura, incapaz de pesar seus atos. [&#8230;] Danem-se os outros! Eu fa\u00e7o o que quero e n\u00e3o estou nem a\u00ed para quem paga essa conta. E a\u00ed? Seguimos de bra\u00e7os cruzados?\u201d<br \/>\nJairo Bouer \u2013 Folha de S.Paulo, 07\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201cUm fen\u00f4meno que ocorre na internet: v\u00eddeos que exibem crian\u00e7as em situa\u00e7\u00f5es diversas, feitos e postados por seus pais, se transformam em fen\u00f4menos de audi\u00eancia.<br \/>\nUm dos \u00faltimos mostra a rea\u00e7\u00e3o de uma garotinha quando seus pais d\u00e3o a ela uma surpresa de anivers\u00e1rio: uma viagem \u00e0 Disney. O que deveria ser um acontecimento \u00edntimo entre pais e filha, olho no olho, com afeto e v\u00ednculo, ganhou a intermedia\u00e7\u00e3o de uma c\u00e2mera, j\u00e1 com o intuito de exibir ao mundo a rea\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. Um espet\u00e1culo.\u201d<br \/>\nRosely Say\u00e3o \u2013 Folha de S.Paulo, 08\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201cUma crise psicol\u00f3gica significa aumento insuport\u00e1vel do sofrimento ps\u00edquico devido \u00e0 desestrutura\u00e7\u00e3o de nossas categorias de a\u00e7\u00e3o e de orienta\u00e7\u00e3o do desejo.<br \/>\nO soci\u00f3logo Alain Ehrenberg havia cunhado uma articula\u00e7\u00e3o consistente entre a atual epidemia de depress\u00e3o e um certo \u2018cansa\u00e7o de ser si mesmo\u2019. Por sua vez, boa parte dos transtornos ps\u00edquicos mais comuns (como os transtornos de personalidade narc\u00edsica e de personalidade borderline) s\u00e3o, na verdade, as marcas da impossibilidade dos limites da personalidade individual darem conta de nossas expectativas de experi\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel que, longe de serem meros desvios patol\u00f3gicos, estes sejam alguns exemplos de uma crise em nossos modelos de conduta que crescer\u00e1 cada vez mais.\u201d<br \/>\nVladimir Safatle \u2013 Folha de S.Paulo, 08\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201cO mundo est\u00e1 dividido entre os milh\u00f5es abaixo da linha da mis\u00e9ria, que n\u00e3o t\u00eam nada, e os que t\u00eam. Mas todos sonham com abund\u00e2ncia. Falo dos que t\u00eam, mas isso inclui os que sonham em ter o m\u00ednimo e, depois, bastante. [&#8230;] O v\u00edcio da acumula\u00e7\u00e3o pode ser visto tamb\u00e9m entre pessoas de estilo e recursos mais modestos. [&#8230;] Vivendo neste mundo em que os bens mais caros s\u00e3o o sil\u00eancio e o espa\u00e7o, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil arrumar lugar para tudo. E a\u00ed ca\u00edmos num terr\u00edvel c\u00edrculo vicioso.\u201d<br \/>\nAnna Veronica Mautner \u2013 Folha de S.Paulo, 08\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201cA matura\u00e7\u00e3o das estruturas ocorre de tr\u00e1s para a frente, de modo que a \u00faltima regi\u00e3o a &#8220;ficar pronta&#8221; \u00e9 o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, \u00e1rea respons\u00e1vel por planejar o futuro, tomar decis\u00f5es complexas e controlar a impulsividade, entre outras fun\u00e7\u00f5es essenciais para a vida em sociedade. O pr\u00e9-frontal n\u00e3o amadurece antes da terceira d\u00e9cada de vida, l\u00e1 pelos 25 anos. Isso significa que jovens podem se parecer e at\u00e9 falar como adultos, mas n\u00e3o agem como eles. [&#8230;] Ser\u00e1 que, quanto mais aprendemos sobre o c\u00e9rebro, menos espa\u00e7o sobra para a responsabilidade individual? H\u00e1 neurocientistas, como David Eagleman, que afirmam que avan\u00e7os nessa \u00e1rea exigir\u00e3o uma revolu\u00e7\u00e3o no Direito.\u201d<br \/>\nH\u00e9lio Schwartsman \u2013 Folha de S.Paulo, 09\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201cA insensatez e o corporativismo jogaram a imagem do Judici\u00e1rio no balc\u00e3o da defesa de causas perdidas. N\u00e3o se pode criar um crit\u00e9rio para decidir o que engrandece ou apequena a magistratura. Pode-se, contudo, seguir a recomenda\u00e7\u00e3o subjetiva do juiz Potter Stewart, da Corte Suprema americana, tratando de outra agenda: &#8220;Eu n\u00e3o sei definir pornografia, mas reconhe\u00e7o-a quando a vejo\u201d<br \/>\nElio Gaspari \u2013 Folha de S.Paulo, 09\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201cIsrael n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds. \u00c9 uma discuss\u00e3o calorosa de 8 milh\u00f5es de primeiros-ministros.\u201d<br \/>\nAm\u00f3s Oz \u2013 Folha de S.Paulo, 10\/11\/2011<\/p>\n<p>\u201cOs dez anos mais quentes da hist\u00f3ria da Terra foram de 1998 para c\u00e1. O aumento m\u00e9dio da temperatura tem sido de 0,2 grau por d\u00e9cada. No extremo norte do planeta, a eleva\u00e7\u00e3o \u00e9 maior (3 graus) por causa do derretimento de gelos polares. O n\u00edvel das \u00e1guas oce\u00e2nicas tem aumentado 2,5 mil\u00edmetros por ano (1992-2011). A concentra\u00e7\u00e3o de CO tem deixado a \u00e1gua mais \u00e1cida \u2013 o que pode afetar biodiversidade, a pesca, o turismo. Outra quest\u00e3o s\u00e9ria est\u00e1 na redu\u00e7\u00e3o de geleiras nas montanhas, j\u00e1 que um sexto da popula\u00e7\u00e3o mundial depende da \u00e1gua que delas escorre. E que se vai fazer, lembrando que 1,44 bilh\u00e3o de pessoas ainda n\u00e3o contam com energia el\u00e9trica e o suprimento depender\u00e1 (principalmente na \u00cdndia e na China) da queima de petr\u00f3leo e carv\u00e3o? As energias renov\u00e1veis ainda s\u00e3o apenas 13% do total, apesar do investimento de US$ 211 bilh\u00f5es no ano passado.\u201d<br \/>\nWashington Novaes \u2013 O Estado de S. Paulo, 11\/11\/2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDe vez em quando \u00e9 bom parar e refletir sobre coisas que pensamos ser triviais. Com frequ\u00eancia, descobrimos que o que tomamos como simples \u00e9 bem mais complicado do que parece.\u201d Marcelo Gleiser \u2013 Folha de S.Paulo, 06\/11\/2011 \u201cAumentamos o n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes na escola, sim. 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