{"id":422,"date":"2011-01-29T06:08:34","date_gmt":"2011-01-29T06:08:34","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/?p=422"},"modified":"2011-01-29T20:12:57","modified_gmt":"2011-01-29T20:12:57","slug":"4%c2%aa-semana-de-2011","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/taismachado\/2011\/01\/29\/4%c2%aa-semana-de-2011\/","title":{"rendered":"4\u00aa semana de 2011"},"content":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 por que ter medo da laicidade. Reconhecer o direito de voz \u00e0s lideran\u00e7as religiosas na pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 o mesmo que conceder-lhes passe livre para a participa\u00e7\u00e3o na delibera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Estado. A liberdade de express\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 um direito inalien\u00e1vel para as pessoas religiosas ou n\u00e3o. A laicidade n\u00e3o silencia a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A cl\u00e1ssica separa\u00e7\u00e3o entre Estado e igreja n\u00e3o \u00e9 o afastamento das religi\u00f5es da vida pol\u00edtica, mas seu devido distanciamento das institui\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas do Estado. [&#8230;] Todos devem igualmente respeitar o princ\u00edpio da neutralidade religiosa do Estado em suas atua\u00e7\u00f5es pol\u00edticas oficiais. N\u00e3o h\u00e1, portanto, incompatibilidade moral entre a mulher de f\u00e9 e a mulher de Estado. S\u00f3 elegemos a mulher de Estado.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Debora Diniz, professora da Unviersidade de Bras\u00edlia e Pesquisadora da ANIS \u2013 Instituto de Bio\u00e9tica, Direitos Humanos e G\u00eanero \u2013 <em>O Estado de S.Paulo<\/em>, 23\/01\/2011<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO estupro na guerra \u00e9 t\u00e3o antigo quanto a pr\u00f3pria guerra. [&#8230;] Para os soldados, h\u00e1 muito tem sido um esp\u00f3lio de guerra. Antony Beevor, historiador que escreveu sobre estupros durante a ocupa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica da Alemanha, em 1945, diz que a viola\u00e7\u00e3o pode ocorrer na guerra tanto por obra de soldados indisciplinados quanto como arma estrat\u00e9gica para humilhar e aterrorizar, como no caso das For\u00e7as Regulares de marroquinos que lutaram sob as ordens de Franco na Guerra Civil Espanhola. [&#8230;] Teoricamente, as conven\u00e7\u00f5es de Genebra sobre tratamento dos civis durante a guerra s\u00e3o respeitadas por pol\u00edticos e generais na maioria dos pa\u00edses civilizados. Mas no caos da guerra irregular, com ex\u00e9rcitos privados ou mil\u00edcias indisciplinadas, essas normas t\u00eam pouco peso.<\/p>\n<p>A parte oriental do Congo tem sido ca\u00f3tica desde o genoc\u00eddio em Ruanda, em 1994. Em 2008, o grupo humanit\u00e1rio Comit\u00ea de Resgate Internacional (IRC, em ingl\u00eas) estimou que 5,4 milh\u00f5es de pessoas j\u00e1 tinham morrido na \u2018guerra mundial da \u00c1frica\u2019. Apesar dos acordos de 2003 e 2008, a viol\u00eancia ainda n\u00e3o cessou. H\u00e1 muitos n\u00fameros sobre quantas mulheres foram violadas, nenhum conclusivo. Em outubro de 2010, Roger Meece, chefe das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Congo, disse ao Conselho de Seguran\u00e7a da ONU que 15 mil mulheres tinham sido estupradas em todo o pa\u00eds em 2009. O Fundo para a Popula\u00e7\u00e3o da ONU estimou 17,5 mil v\u00edtimas no mesmo per\u00edodo. O IRC diz que tratou de 40 mil sobreviventes somente na prov\u00edncia de Kivu Meridional, entre 2003 e 2008. Hillary Margolis, que dirige o programa de viol\u00eancia sexual do IRC, diz que esse dado representa um piso. Os verdadeiros n\u00fameros podem ser muito maiores. [&#8230;] Um estudo recente da Iniciativa Humanit\u00e1ria de Harvard e da Oxfam examinou sobreviventes no Hospital Panzi, em Bukavu, cidade de Kivu Setentrional. Com idades de 3 a 80 anos, solteiras, casadas ou vi\u00favas, de todas as etnias, foram estupradas em casas, campos e florestas, na frente dos maridos e dos filhos; quase 60% violadas por grupos. Filhos foram obrigados a violar as m\u00e3es ou seriam mortos. [&#8230;]<\/p>\n<p>Mesmo quando as guerras terminam, o estupro continua. Ag\u00eancias humanit\u00e1rias no Congo relatam altos n\u00edveis de viola\u00e7\u00f5es em \u00e1reas hoje pac\u00edficas, mas \u00e9 dif\u00edcil avaliar cifras. N\u00e3o h\u00e1 n\u00fameros de antes de guerra e uma maior disposi\u00e7\u00e3o para relatar viola\u00e7\u00f5es pode explicar o aparente aumento.<\/p>\n<p>Os esfor\u00e7os para integrar ex-combatentes na sociedade foram superficiais e malsucedidos, com pouca avalia\u00e7\u00e3o de resultados. Some-se o prec\u00e1rio sistema judici\u00e1rio e a previs\u00e3o \u00e9 sombria. \u00c9 ainda mais in\u00f3spita quando se v\u00ea como os efeitos do estupro s\u00e3o duradouros. Rebeldes tomaram a aldeia de Angelique, em 1994. Degolaram seu marido, depois a amarraram entre duas \u00e1rvores com os bra\u00e7os e as pernas afastados. Sete homens a estupraram antes que ela desmaiasse. Ela n\u00e3o sabe quantos outros a violaram em seguida. Depois eles enfiaram galhos em sua vagina. O tecido entre sua vagina e o reto foi rasgado e ela desenvolveu uma f\u00edstula. Durante 16 anos vazou urina e fezes. Agora recebe tratamento m\u00e9dico, mas a justi\u00e7a \u00e9 um sonho distante.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>The Economist\/Carta Capital<\/em>, 26\/01\/2011<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cFoi com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial que o trabalho atingiu o seu apogeu, sendo celebrado como motor da moderniza\u00e7\u00e3o e da transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Hoje, a nossa sociedade tem outros deuses: cultua mais o consumo do que a produ\u00e7\u00e3o, valoriza mais a imagem do que o fato, celebra mais o cargo do que o batente.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Thomaz Wood Jr., <em>Carta Capital<\/em>, 26\/01\/2011<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cQuase 200 anos depois da Independ\u00eancia, ainda temos do Estado uma vis\u00e3o colonial. Trata-se de uma entidade arrecadat\u00f3ria, nascida de algum reino estrangeiro que inventa novas coisas para nos infernizar e que cumpre enganar do mesmo modo com que nos tapeia. A corros\u00e3o \u00e9tica da coisa toda nasce, a rigor, da pol\u00edtica, e n\u00e3o o contr\u00e1rio: por se tratar de uma cidadania imperfeita, de um autoritarismo latente, de uma democracia sem participa\u00e7\u00e3o e de um Estado, afinal, sem dono, mas com muitos gerentes e coron\u00e9is, \u00e9 que corromper ou obedecer s\u00e3o as sa\u00eddas que conhecemos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Marcelo Coelho, <em>Folha de S.Paulo<\/em> \u2013 26\/01\/2011<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cNo Brasil, onde uma mulher acaba de assumir a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, apenas 5 das 100 maiores companhias em receita com vendas t\u00eam mulheres na presid\u00eancia.<br \/>\nO n\u00famero \u00e9 baixo, mas o cen\u00e1rio era ainda menos favor\u00e1vel \u00e0s mulheres em 2009, quando n\u00e3o havia nenhuma presidente nas cem maiores companhias. [&#8230;] S\u00f3 3% das cadeiras de presidentes, em m\u00e9dia, ficam com as mulheres, segundo a DMRH, consultoria em recursos humanos, que atende mais de 450 empresas. [&#8230;] De acordo com a consultoria, 9% dos diretores e vice-presidentes das companhias s\u00e3o mulheres; elas s\u00e3o cerca de 35% dos gerentes e 50% dos trainees e analistas. [&#8230;]<\/p>\n<p>Em empresas que possuem conselho de administra\u00e7\u00e3o -\u00f3rg\u00e3o que aprova decis\u00f5es estrat\u00e9gicas da companhia, como a nomea\u00e7\u00e3o do presidente-executivo (CEO, na sigla em ingl\u00eas)-, mulheres t\u00eam menos chances de chegar ao topo. [&#8230;] Na Noruega, \u00e9 obrigat\u00f3rio, desde 2008, que 40% dos conselhos de administra\u00e7\u00e3o sejam compostos por mulheres. Na Espanha, foi aprovada uma lei semelhante, com a mesma cota, mas s\u00f3 entra em vigor em 2015.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Carolina Matos, <em>Folha de S.Paulo<\/em> \u2013 28\/01\/2011<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cUm estudo publicado neste m\u00eas no peri\u00f3dico \u2018Archives of General Psychiatry\u2019, reacende o debate em torno do car\u00e1ter gen\u00e9tico da depress\u00e3o. A pesquisa, das universidades de Michigan, EUA, e W\u00fcrzburg, Alemanha, conclui que pessoas com uma varia\u00e7\u00e3o mais curta do que a normal do gene 5-HTTLPR s\u00e3o mais propensas a ter depress\u00e3o depois de situa\u00e7\u00f5es estressantes. [&#8230;] Segundo Srijan Sen, professor de psiquiatria da Universidade de Michigan e um dos autores novo trabalho, esses resultados j\u00e1 mudam a forma de encarar a depress\u00e3o. \u2018Ainda h\u00e1 muito estigma associado a ela. Ao identificarmos um fator gen\u00e9tico, podemos compreender que \u00e9 uma doen\u00e7a biol\u00f3gica\u2019, diz. O psiquiatra Andr\u00e9 Brunoni concorda: \u2018Ainda h\u00e1 pais que n\u00e3o compreendem a depress\u00e3o dos filhos e acham que eles podem superar isso sozinhos\u2019. E completa: \u2018Pensar na depress\u00e3o como uma doen\u00e7a com causa biol\u00f3gica, que n\u00e3o \u00e9 pregui\u00e7a ou mera insatisfa\u00e7\u00e3o com a vida, ajuda\u2019.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Guilherme Genestreti, <em>Folha de S.Paulo<\/em> \u2013 28\/01\/2011<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEm 2010, o n\u00famero de doadores de \u00f3rg\u00e3os foi 11% maior do que em 2009, segundo a ABTO (Associa\u00e7\u00e3o de Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os). Foram 1.842 doadores com \u00f3rg\u00e3os transplantados. \u00c9 a maior m\u00e9dia da hist\u00f3ria. O n\u00famero total de transplantes feitos no Brasil teve um aumento de 6,5%. Os tipos que mais tiveram aumento foram os transplantes de rim e de f\u00edgado. Segundo a ABTO, S\u00e3o Paulo \u00e9 o Estado com maior propor\u00e7\u00e3o de doadores. A regi\u00e3o Norte \u00e9 a que tem menos doa\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Folha de S.Paulo<\/em> \u2013 28\/01\/2011<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cPa\u00eds mais populoso do mundo \u00e1rabe, o Egito ostenta a segunda maior economia da regi\u00e3o, atr\u00e1s somente da Ar\u00e1bia Saudita. Comparado aos vizinhos, no entanto, seus \u00edndices socioecon\u00f4micos est\u00e3o entre os piores. Dos 80 milh\u00f5es de habitantes, dois ter\u00e7os s\u00e3o jovens abaixo de 30 anos, dos quais 90% est\u00e3o desempregados.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Folha de S.Paulo<\/em> \u2013 29\/01\/2011<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSomos incorrigivelmente vorazes. Queremos o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00f5es no m\u00ednimo de tempo. Desafiamos, a cada momento, as barreiras do espa\u00e7o. Reduzimos as dist\u00e2ncias com telefones celulares e opera\u00e7\u00f5es digitais. Ainda que no tr\u00e2nsito ou no aeroporto, no trabalho ou no clube, a \u2018coleira eletr\u00f4nica\u2019 impede que nos percam de vista. Entre uma marcha e outra, uma flex\u00e3o abdominal e outra, uma opini\u00e3o e outra no trabalho, controlamos os filhos, as aplica\u00e7\u00f5es financeiras, os neg\u00f3cios geograficamente distantes. Como Prometeu, queremos arrebatar o fogo dos deuses, fazendo de conta que n\u00e3o somos fr\u00e1geis e mortais.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Frei Betto, <em>Caros Amigos<\/em> \u2013 janeiro\/2011<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 por que ter medo da laicidade. 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