{"id":6869,"date":"2018-02-16T09:26:16","date_gmt":"2018-02-16T12:26:16","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/?p=6869"},"modified":"2018-02-16T09:26:16","modified_gmt":"2018-02-16T12:26:16","slug":"nao-transforme-sua-viagem-missionaria-em-um-passeio-divertido-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2018\/02\/nao-transforme-sua-viagem-missionaria-em-um-passeio-divertido-2\/","title":{"rendered":"N\u00e3o transforme sua viagem mission\u00e1ria em um passeio divertido"},"content":{"rendered":"<h6><span style=\"color: #808000;\"><strong>Por Stephanie Lira<\/strong><\/span><\/h6>\n<blockquote>\n<h4><span style=\"color: #339966;\"><em>N\u00e3o deixemos que esse trabalho, que exige tanto esfor\u00e7o, se torne apenas um passeio. \u00c9 preciso investir, n\u00e3o s\u00f3 dinheiro, mas a alma naquilo que fazemos.<\/em><\/span><\/h4>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_6854\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6854\" class=\"wp-image-6854 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2018\/02\/P10_15_02_18_stephanie.jpg\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"285\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2018\/02\/P10_15_02_18_stephanie.jpg 380w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2018\/02\/P10_15_02_18_stephanie-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 380px) 100vw, 380px\" \/><p id=\"caption-attachment-6854\" class=\"wp-caption-text\">Comunidade Terra Preta, Amazonas, 2017 (Arquivo pessoal)<\/p><\/div>\n<p>Para quem fazemos, por quem fazemos e porque fazemos. Essas s\u00e3o as tr\u00eas perguntas que devemos responder antes de nos envolvermos em miss\u00f5es. \u00c9 fato de que o chamado de todo crist\u00e3o \u00e9 ser um mission\u00e1rio, seja na fun\u00e7\u00e3o de facilitador ou colocando a m\u00e3o na massa. Mas \u00e9 fato tamb\u00e9m que \u00e9 muito f\u00e1cil se perder nesse caminho, caso n\u00e3o tenhamos bem esclarecidas as respostas a essas tr\u00eas perguntas.<\/p>\n<p>Estamos em uma \u00e9poca em que o trabalho mission\u00e1rio tem sido muito aben\u00e7oado pelo desenvolvimento de novas tecnologias. Poucos anos atr\u00e1s, 1960, por exemplo, a internet ainda n\u00e3o existia e muitos mission\u00e1rios precisavam (sem exce\u00e7\u00f5es) fazer longas viagens para que suas vozes fossem ouvidas. Hoje, a realidade \u00e9 bem diferente. Mas n\u00e3o para todos.<\/p>\n<p>O Amazonas possui um territ\u00f3rio com cerca de 1500 quil\u00f4metros quadrados (18,5% do territ\u00f3rio nacional). Existem nele v\u00e1rias \u00e1reas ainda n\u00e3o exploradas, outras que se tornaram reservas naturais. Por conta destas caracter\u00edsticas, existem muitas regi\u00f5es no Amazonas que nem sequer possuem energia el\u00e9trica, n\u00e3o possuem gerador e nenhum sistema de tratamento da \u00e1gua para o consumo.<\/p>\n<p>Muitos homens e mulheres dedicam grande parte da sua vida para realizar um trabalho relevante, eficaz e consistente nessa regi\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o f\u00e1cil. Requer comprometimento, amor e um entendimento verdadeiro do que precisa ser feito e qual a melhor forma de fazer. N\u00e3o basta vontade, \u00e9 preciso muito esfor\u00e7o.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Passei a conhecer melhor esta realidade quando ingressei no mundo de viagens mission\u00e1rias, promovidas por organiza\u00e7\u00f5es que trazem estrangeiros para comunidades ribeirinhas do interior do Amazonas, a fim de realizar trabalhos como: constru\u00e7\u00e3o de escolas, atendimento odontol\u00f3gico, evangelismo, treinamentos e afins. Nas primeiras vezes eu estava t\u00e3o emocionada em conhecer a realidade que n\u00e3o refleti muito a respeito do que estava acontecendo. Com o passar do tempo aquela experi\u00eancia foi se tornando algo mais comum na minha vida, e, como tudo que se torna comum, deixou de ser extraordin\u00e1rio. Quando uma experi\u00eancia passa de novidade para rotina, passamos a enxergar detalhes que, antes, no calor das emo\u00e7\u00f5es, passavam despercebidos.<\/p>\n<p>Comecei a reconhecer padr\u00f5es em algumas daquelas viagens. T\u00ednhamos um itiner\u00e1rio pronto, sab\u00edamos o que fazer ao descer do barco e ao voltar. Visit\u00e1vamos v\u00e1rias comunidades e faz\u00edamos, muitas das vezes, trabalhos r\u00e1pidos, que n\u00e3o tinham chance de serem t\u00e3o eficazes.<\/p>\n<p>Algumas vezes tive a oportunidade de retornar a algumas comunidades. Sinceramente, n\u00e3o consegui enxergar frutos do trabalho feito anteriormente. \u00c9 claro que, \u00e0s vezes, o trabalho de Deus \u00e9 sutil, \u00e9 no cora\u00e7\u00e3o do homem. Como uma semente que, talvez, demore um pouco a germinar. Eu n\u00e3o quero dizer que a metodologia \u00e9 errada ou ineficaz. T\u00e3o pouco minhas palavras s\u00e3o voltadas para as organiza\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o geridas por pessoas que se dedicam h\u00e1 anos para algo extremamente complexo funcionar.<\/p>\n<p>Na verdade, essas palavras s\u00e3o para mim e voc\u00ea \u2013 n\u00f3s que vamos como visitantes, tradutores, m\u00e9dicos, professores de EDB. Estamos indo com a inten\u00e7\u00e3o de marcar vidas, plantar uma palavra verdadeira, mudar o caminhar de uma comunidade para que se volte em dire\u00e7\u00e3o a Jesus? Ser\u00e1 que conhecemos o povo com quem estamos lidando, e que, definitivamente, possui costumes muito diferentes dos da cidade grande? Ser\u00e1 que entendemos os prop\u00f3sitos daquele por quem estamos fazendo? Ser\u00e1 que sabemos o porqu\u00ea que o nosso trabalho ali \u00e9 t\u00e3o importante?<\/p>\n<p>Se n\u00e3o estivermos preparados com as respostas para as perguntas acima, uma viagem mission\u00e1ria pode se tornar apenas um passeio divertido em uma regi\u00e3o ex\u00f3tica com gente diferente.<\/p>\n<p>Muitos ribeirinhos est\u00e3o t\u00e3o acostumados com estas visitas que tudo o que eles esperam \u00e9 receber uma escova de dentes antes de voltarmos para casa, satisfeitos por termos feito \u201ca nossa parte\u201d. N\u00e3o deixemos que esse trabalho, que exige tanto esfor\u00e7o, em um lugar t\u00e3o complicado, e, muitas vezes, desconhecido, se torne apenas um passeio. \u00c9 preciso investir, n\u00e3o s\u00f3 dinheiro, mas a alma naquilo que fazemos. Estejamos preparados fisicamente e psicologicamente para o que falar e por onde andar. Existem pessoas reais com necessidades reais que, \u00e0s vezes, est\u00e3o cansadas de receber turistas. O que elas precisam \u00e9 de uma mensagem de conforto. Vamos ser essa mensagem?<\/p>\n<p><strong>\u2022 Stephanie Mendon\u00e7a de Lira<\/strong>, 23 anos, estudante de Letras, trabalha no Setor de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa da Reitoria da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), atua em um projeto de educa\u00e7\u00e3o infantil pela organiza\u00e7\u00e3o <span class=\"_5yl5\">Justi\u00e7a e Miseric\u00f3rdia Amazonas<\/span> (JMA) e participa de viagens mission\u00e1rias como tradutora desde 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Stephanie Lira N\u00e3o deixemos que esse trabalho, que exige tanto esfor\u00e7o, se torne apenas um passeio. \u00c9 preciso investir, n\u00e3o s\u00f3 dinheiro, mas a alma naquilo que fazemos. Para quem fazemos, por quem fazemos e porque fazemos. 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