{"id":6773,"date":"2018-01-24T08:00:33","date_gmt":"2018-01-24T11:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/?p=6773"},"modified":"2018-01-23T16:03:22","modified_gmt":"2018-01-23T19:03:22","slug":"vidas-secas-catastrofes-atravessaram-os-seculos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2018\/01\/vidas-secas-catastrofes-atravessaram-os-seculos\/","title":{"rendered":"Vidas secas \u2013 Cat\u00e1strofes atravessaram os s\u00e9culos"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Na plan\u00edcie avermelhada, os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos.<br \/>\nTrecho do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos<\/p><\/blockquote>\n<div id=\"attachment_6774\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6774\" class=\"wp-image-6774 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2018\/01\/P10_24_01_18_vidas-secas.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"241\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2018\/01\/P10_24_01_18_vidas-secas.jpg 360w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2018\/01\/P10_24_01_18_vidas-secas-300x201.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><p id=\"caption-attachment-6774\" class=\"wp-caption-text\">Apesar de um pa\u00eds rico em \u00e1gua, milhares de brasileiros ainda sofrem com a falta dela e com a seca severa (Arquivo\/Ag\u00eancia Brasil)<\/p><\/div>\n<p>Os infelizes est\u00e3o nas primeiras palavras de Vidas Secas e n\u00e3o s\u00e3o apenas personagens do olhar de Graciliano Ramos, em meio ao sert\u00e3o, no ano de 1938. Oito d\u00e9cadas depois da descri\u00e7\u00e3o dura de um dos g\u00eanios da literatura brasileira, o caminho tem outras curvas de dor e de luta em busca de um mesmo bem: a \u00e1gua.<\/p>\n<p>Se o espa\u00e7ar do tempo \u00e9 remontado para presente e futuro, as p\u00e1ginas podem ser reconstru\u00eddas para muito antes da obra cl\u00e1ssica do s\u00e9culo 20, com narrativas de pestes, de doen\u00e7a, de sede e de fome. Fato \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 novidade nesse percurso. Nada acontece pela primeira vez na imensa plan\u00edcie avermelhada brasileira, principalmente a nordestina. Registros de secas brasileiras refazem uma viagem no m\u00ednimo ao s\u00e9culo 16.<\/p>\n<p>As principais secas brasileiras da hist\u00f3ria ocorreram no Nordeste oriental: Alagoas, Pernambuco, Para\u00edba, Rio Grande do Norte e Cear\u00e1. S\u00e3o roteiros repetitivos em cen\u00e1rios sertanejos, agrestinos, semi\u00e1ridos. \u201cEssa \u00e9 a \u00e1rea de maior irregularidade espacial e temporal de chuvas. Nos per\u00edodos de &#8216;manchas solares&#8217;, por exemplo, as secas s\u00e3o mais intensas. Esse fato j\u00e1 vem sendo estudado desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 20. Quando se fala em &#8216;epis\u00f3dios mais graves de secas&#8217;, em geral, nos referimos \u00e0queles anos em que as consequ\u00eancias socioecon\u00f4micas foram mais intensas\u201d, explica o professor de climatologia Luciv\u00e2nio Jatob\u00e1, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A professora da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC) K\u00eania Rios ressalta que a seca n\u00e3o \u00e9 apenas regida por dados pluviom\u00e9tricos. Trata-se de uma rede de rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e culturais. \u201cA gente teve o reconhecimento do imperador Dom Pedro II. Ele veio ao Nordeste para conhecer a situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias \u00e1ridas passadas e t\u00e3o presentes. A rotina das secas e a busca por \u00e1gua \u00e9 enredo de desastres socioambientais, registrado nos livros, em documentos, no n\u00famero incont\u00e1vel de v\u00edtimas e na luta pela sobreviv\u00eancia. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 como contabilizar os personagens gracilianos, \u201cFabianos\u201d e outras tantas fam\u00edlias n\u00e3o nomeadas espalhadas pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Brasileiros retirantes s\u00e3o personagens que sofrem muito mais do que os da fic\u00e7\u00e3o. Formaram colunas de migrantes da seca, fugitivos pela sobreviv\u00eancia numa realidade contada no tecido hist\u00f3rico enrugado pelos s\u00e9culos. \u201cNa maioria das vezes, quando as secas s\u00e3o mais severas e prolongadas, eles precisam migrar para as cidades ou para outras regi\u00f5es do Brasil, como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Bras\u00edlia ou a Amaz\u00f4nia. Isso ocorreu in\u00fameras vezes na hist\u00f3ria, em 1877, 1915, 1932, 1958 e 1983\u201d, apontou em artigo o economista Antonio Rocha Magalh\u00e3es, um dos principais pesquisadores em desenvolvimento sustent\u00e1vel do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Nota<\/strong>: Trecho extra\u00eddo da reportagem \u201cVidas secas \u2013 Cat\u00e1strofes atravessaram os s\u00e9culos\u201d, uma s\u00e9rie de reportagens especiais produzidas pela Ag\u00eancia Brasil. <a href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/especiais-agua\/vidas-secas\/\">Clique aqui<\/a> e veja a reportagem na \u00edntegra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na plan\u00edcie avermelhada, os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Trecho do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos Os infelizes est\u00e3o nas primeiras palavras de Vidas Secas e n\u00e3o s\u00e3o apenas personagens do olhar de Graciliano Ramos, em meio ao sert\u00e3o, no ano de 1938. 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