{"id":6235,"date":"2017-07-10T07:31:24","date_gmt":"2017-07-10T10:31:24","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/?p=6235"},"modified":"2017-07-10T07:33:50","modified_gmt":"2017-07-10T10:33:50","slug":"existe-esperanca-para-o-sertao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2017\/07\/existe-esperanca-para-o-sertao\/","title":{"rendered":"Existe esperan\u00e7a para o Sert\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<h6><span style=\"color: #808000;\"><strong>Por Jos\u00e9 Carlos Brito<\/strong><\/span><\/h6>\n<div id=\"attachment_6236\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2017\/07\/P10_10_07_17_esperanca.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-6235\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6236\" class=\"wp-image-6236 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2017\/07\/P10_10_07_17_esperanca.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2017\/07\/P10_10_07_17_esperanca.jpg 450w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2017\/07\/P10_10_07_17_esperanca-300x213.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6236\" class=\"wp-caption-text\">Flor do Mandacaru (Rog\u00e9rio Avelino)<\/p><\/div>\n<p>Sou natural de S\u00e3o Paulo e h\u00e1 10 anos moro no nordeste, onde desenvolvo projetos mission\u00e1rios e de desenvolvimento comunit\u00e1rio. Trabalho diretamente no sert\u00e3o h\u00e1 5 anos. Geralmente, quando recebemos equipes que vem nos apoiar a curto prazo ou quando viajo para divulgar o trabalho que estamos realizando, uma pergunta sempre surge nas rodas de conversa: \u201cEm meio \u00e0 seca severa, tanta pobreza e injusti\u00e7a, existe esperan\u00e7a para o Sert\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<p>Sei que para os crist\u00e3os mais fervorosos, questionar isso seria uma prova de pouca f\u00e9. Claro que existe esperan\u00e7a, nosso Deus \u00e9 o Deus do imposs\u00edvel! Mas para quem convive com a realidade das mazelas do semi\u00e1rido, por vezes, a percep\u00e7\u00e3o que tenho \u00e9 que o problema n\u00e3o \u00e9 \u201cDeus ser o Deus do imposs\u00edvel\u201d, e sim, nossa justi\u00e7a que \u00e9 comparada a um trapo de imundice!<\/p>\n<p>Comecemos com a realidade sertaneja que nos cerca hoje. De todos os 1.133 munic\u00edpios que comp\u00f5em o semi\u00e1rido nordestino, nenhum tem a m\u00e9dia nacional de IDHM<sup>1<\/sup> brasileira, ou seja, todos os munic\u00edpios do sert\u00e3o est\u00e3o abaixo da media nacional em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento humano. Olhando de forma espec\u00edfica, o munic\u00edpio onde moro, Bet\u00e2nia do Piau\u00ed, cerca de 80% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 vulner\u00e1vel \u00e0 pobreza<sup>2<\/sup>, e cerca de 40% dos jovens acima de 18 anos s\u00e3o analfabetos<sup>3<\/sup>. Esse n\u00famero n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alarmante quando constatamos que cerca de 50% dos analfabetos do Brasil est\u00e3o no nordeste<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos levantar in\u00fameros dados constatando o abismo social que vive o sert\u00e3o, mais como nosso assunto \u00e9 esperan\u00e7a, a pergunta que fazemos \u00e9: o que est\u00e1 sendo feito para mudar esse quadro?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, iniciaram v\u00e1rios programas de distribui\u00e7\u00e3o de renda com o objetivo de beneficiar a popula\u00e7\u00e3o mais carente do nosso pa\u00eds. Sem d\u00favida, o sertanejo \u00e9 um dos grupos que mais atende os requisitos para receber esses benef\u00edcios. S\u00f3 em Bet\u00e2nia do Piau\u00ed, onde moro, 90% da popula\u00e7\u00e3o recebe o benef\u00edcio do programa Bolsa Fam\u00edlia<sup>5<\/sup>. Outro questionamento comum que chega at\u00e9 mim, \u00e9 se esses programas realmente fazem bem as comunidades e se eles transformam a realidade do pobre, como \u00e9 mostrado nas propagadas, minha resposta \u00e9 um sonoro: sim e n\u00e3o.<\/p>\n<p>Sim, porque historicamente a popula\u00e7\u00e3o do semi\u00e1rido sempre foi explorada e colocada a margem da sociedade. Desde o tempo de Brasil Col\u00f4nia, o nordeste \u00e9 palco das mais terr\u00edveis explora\u00e7\u00f5es. No come\u00e7o, pelos senhores de escravos, depois pelo coronelismo e agora por uma ind\u00fastria da seca que impede que o sertanejo tenha acesso a um bem b\u00e1sico, sem se comprometer politica e socialmente com um grupo que comanda a distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. Conceder um benef\u00edcio mensal para essa popula\u00e7\u00e3o, historicamente explorada, que garanta um rendimento para suprir suas necessidades na falta de emprego, \u00e9 garantir o m\u00ednimo de dignidade e autonomia. Desta forma, recebe o dinheiro, que geralmente cai na m\u00e3o da mulher e por sua vez, compra aonde quiser e o que quiser.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o termina nesse ponto e chegamos no \u201cN\u00e3o\u201d. Tais iniciativas n\u00e3o s\u00e3o suficientes para reparar os anos de explora\u00e7\u00e3o e descaso com o sertanejo. Garantir uma renda m\u00e9dia de duzentos e cinquenta e cinco reais por fam\u00edlia<sup>6<\/sup> n\u00e3o faz com que o sertanejo saia das garras da pobreza, ali\u00e1s, a hist\u00f3ria tem mostrado que apenas \u201cdar\u201d um rendimento mensal n\u00e3o tem transformado essas comunidades carentes, ao contr\u00e1rio, tem criado uma gera\u00e7\u00e3o de dependentes do benef\u00edcio governamental.<\/p>\n<p>Diante disso, algumas pessoas podem questionar: qual seria a sa\u00edda? Em um lugar com tanta escassez, t\u00e3o seco, o que poderia ser feito para mudar tal realidade? Na verdade o semi\u00e1rido nordestino \u00e9 o mais chuvoso do planeta<sup>7<\/sup>, se comparado com Israel, onde chove a metade do que chove no sert\u00e3o. Por\u00e9m, em Israel n\u00e3o se ouve falar que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 precisando de carro pipa ou que est\u00e3o passando fome.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre esses dois lugares \u00e9 algo chamado investimento! Atualmente, n\u00e3o existe projetos em longo prazo para mudar a realidade do sert\u00e3o. N\u00e3o existe projeto em longo prazo de combate a seca ou de combate \u00e0 mis\u00e9ria, ao analfabetismo. O que existe s\u00e3o pequenas a\u00e7\u00f5es que simplesmente jogam uma \u201cm\u00e3o de cal\u201d quando se precisa uma reforma completa.<\/p>\n<p>O sert\u00e3o nordestino \u00e9 carente de pessoas, organiza\u00e7\u00f5es e governos que pensem em longo prazo. \u00c9 carente de a\u00e7\u00f5es que gerem um sert\u00e3o diferente e frut\u00edfero hoje e amanh\u00e3. Programas de distribui\u00e7\u00e3o de renda que tirem a popula\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o atual, e n\u00e3o que garantam somente uma pequena mesada para ajuda emergencial, que n\u00e3o provoca mudan\u00e7a nem transforma\u00e7\u00e3o de pensamento \u2013 ao contr\u00e1rio, em longo prazo, geram conformismo e atrofiam o pensamento empreendedor.<\/p>\n<p>Tal desafio tamb\u00e9m precisa ser encarado em nossas igrejas e congrega\u00e7\u00f5es, que, muitas vezes, s\u00f3 olham para o sert\u00e3o ap\u00f3s ver uma reportagem mostrando o ch\u00e3o rachado, a\u00ed t\u00eam a iniciativa de levar cestas b\u00e1sicas para atender uma emerg\u00eancia. O sert\u00e3o n\u00e3o precisa de cestas b\u00e1sicas. O sert\u00e3o n\u00e3o precisa de caminh\u00f5es pipas. O sert\u00e3o precisa de homens e mulheres que coloquem sua f\u00e9 em a\u00e7\u00e3o e trabalhem para que futuras gera\u00e7\u00f5es possam ter condi\u00e7\u00f5es de sair do c\u00edrculo da pobreza que afetam essas comunidades.<\/p>\n<p>Existe esperan\u00e7a para o Sert\u00e3o? \u00c9 claro que sim! Porque Deus \u00e9 um Deus do imposs\u00edvel e porque no sert\u00e3o h\u00e1 pessoas que, independente das injusti\u00e7as e explora\u00e7\u00f5es, continuam crendo naquilo que ainda n\u00e3o viram e pela f\u00e9 sabem que pode se tornar realidade.<\/p>\n<p><strong>Notas:<\/strong><br \/>\n<sup>1 <\/sup>IBGE 2010<br \/>\n<sup>2 <\/sup>PNUD 2010<br \/>\n<sup>3 <\/sup>PNUD 2010<br \/>\n<sup>4 <\/sup>Lyra,Sergio. Cidades do Interior: Editora Ultimato, 2013<br \/>\n<sup>5 <\/sup>MDS (Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Social de combate a fome) 2012<br \/>\n<sup>6 <\/sup>MDS (Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Social de combate a fome) 2012<br \/>\n<sup>7 <\/sup><a href=\"http:\/\/expressaosergipana.com.br\/o-sertao-de-laercio-oliveira-numa-mao-um-copo-dagua-na-outra-um-punhal\/\">Express\u00e3o Sergipana, O sert\u00e3o de Laercio Oliveira: Numa m\u00e3o um copo d\u00b4\u00e1gua, na outra um punhal<\/a>.<\/p>\n<p>Foto: <span id=\"fbPhotoSnowliftCaption\" class=\"fbPhotosPhotoCaption\" tabindex=\"0\" aria-live=\"polite\" data-ft=\"{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}\"><span class=\"hasCaption\"><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/psertao\/posts\/1239083956201755\">Flor do Mandacaru (Rog\u00e9rio Avelino, Cai\u00e7ara\/PB)<\/a>.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jos\u00e9 Carlos Brito Sou natural de S\u00e3o Paulo e h\u00e1 10 anos moro no nordeste, onde desenvolvo projetos mission\u00e1rios e de desenvolvimento comunit\u00e1rio. 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