{"id":4627,"date":"2015-09-04T11:27:41","date_gmt":"2015-09-04T14:27:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/?p=4627"},"modified":"2015-09-04T11:28:45","modified_gmt":"2015-09-04T14:28:45","slug":"a-saga-das-familias-de-nazare-contra-lampiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2015\/09\/a-saga-das-familias-de-nazare-contra-lampiao\/","title":{"rendered":"A saga das fam\u00edlias de Nazar\u00e9 contra Lampi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Com o curioso t\u00edtulo de &#8220;David Jurubeba &#8211; Um her\u00f3i nazareno&#8221;, o livro de Jos\u00e9 Malta de S\u00e1 Neto conta hist\u00f3rias de algumas fam\u00edlias de Nazar\u00e9 do Pico, Pernambuco, e seus combates sem tr\u00e9guas contra o grupo de Lampi\u00e3o. O personagem principal \u00e9 David Gomes Jurubeba, um cabra de coragem que se tornou inimigo ferrenho de Lampi\u00e3o, quando se alistou nas For\u00e7as Volantes da Pol\u00edcia Militar de Pernambuco. Jurubeba e Lampi\u00e3o travaram alguns combates violentos pela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Leia uma das hist\u00f3rias que o livro narra:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Telhado<\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2015\/09\/Leandro-Prado_Freeimages.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-4627\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-4632\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2015\/09\/Leandro-Prado_Freeimages-300x200.jpg\" alt=\"Leandro Prado_Freeimages\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2015\/09\/Leandro-Prado_Freeimages-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2015\/09\/Leandro-Prado_Freeimages-150x100.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2015\/09\/Leandro-Prado_Freeimages.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/strong>Um dia estava meu irm\u00e3o Jo\u00e3o em companhia de meu tio Gomes, ajudando-o a cobrir uma casa, a casa da fazenda Genipapo, na ribeira da Ipueira. Jo\u00e3o estava em baixo, passando ao tio o material requerido. Ambos estavam entretenidos no trabalho sem ver o que se passava em redor.<\/p>\n<p>Na volta do caminho, surge, de repente, Virgulino*, que se aproximava acompanhado dos irm\u00e3os, todos armados, montados a cavalo. Meu tio estava em cima do telhado. Virgulino tirou o chap\u00e9u e falou:<\/p>\n<p>&#8211; Ben\u00e7\u00e3o, meu tio&#8230; no costume que os rapazes sertanejos t\u00eam de pedir a b\u00ean\u00e7\u00e3o aos mais velhos, costume esse que recua a tempos coloniais.<\/p>\n<p>O velho Gomes, numa atitude enfezada e de cara fechada, nada respondeu. Virgulino riu-se e um dos irm\u00e3os falou baixinho, conforme contou meu irm\u00e3o que estava em baixo, junto aos Ferreira:<\/p>\n<p>&#8211; Derrubemos esse velho com um tiro que \u00e9 melhor que fazemos.<!--more--><\/p>\n<p>Virgulino respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o adianta matar um s\u00f3, deixando os outros vivos e comovidos para nos perseguirem. Vamos ver se poderemos pegar todos reunidos para fazermos uma limpeza completa.<\/p>\n<p>Levantando a voz, Virgulino continuou: &#8211; Meu tio, parece que est\u00e1 com raiva. Vejo que est\u00e1 com a cartucheira cheia de balas. D\u00ea-me umas balinhas que estou com poucas.<\/p>\n<p>Desta vez meu tio respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o dou bala a bandidos. Se quiser balas trabalhe como eu trabalhei, ganhe dinheiro e compre; disse e ficou entretido a pregar os caibros l\u00e1 em cima do telhado.<\/p>\n<p>Lampi\u00e3o retrucou, mal disfar\u00e7ando o despeito:<\/p>\n<p>&#8211; O senhor vai morrer mo\u00e7o, meu tio, porque \u00e9 muito genioso e n\u00e3o tem calma. Fui criado respeitando o senhor e quero ser seu amigo.<\/p>\n<p>O velho respondeu sem pressa:<\/p>\n<p>&#8211; Se quiser ser meu amigo, deixe essa vida de bandido e venha para a nossa sociedade. Hoje voc\u00ea vive de fazer mal por estas terras, que o viram nascer. Nada tenho contra os homens de bem. Sou autoridade e n\u00e3o posso aprovar sua m\u00e1 conduta de uns tempos para c\u00e1.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o me contou que esperou a qualquer momento que Virgulino e os irm\u00e3os atirassem no tio. Contudo, Virgulino retirou-se de cabe\u00e7a baixa, naturalmente ruminando vingan\u00e7as e planos funestos para um futuro talvez pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Meu tio era teimoso e tinha dignidade soberana que n\u00e3o admitia humilha\u00e7\u00e3o, jamais se deixando levar por amea\u00e7as. Nunca soube que tivesse feito alguma coisa ou que tivesse deixado de fazer algo por impulso exterior. Jamais o vi ceder a n\u00e3o ser \u00e0 boa raz\u00e3o, ao que era justo e correto. Era de atitudes nobres, no lar e na sociedade dos homens. Quando embirrava, a nada cedia porque de seu lado estava a raz\u00e3o. Era homem cordato, na sua conviv\u00eancia di\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>* Lampi\u00e3o \u00e9 nome pelo qual Virgulino ficou conhecido mais tarde.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foto: Leandro Prado\/freeimages.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o curioso t\u00edtulo de &#8220;David Jurubeba &#8211; Um her\u00f3i nazareno&#8221;, o livro de Jos\u00e9 Malta de S\u00e1 Neto conta hist\u00f3rias de algumas fam\u00edlias de Nazar\u00e9 do Pico, Pernambuco, e seus combates sem tr\u00e9guas contra o grupo de Lampi\u00e3o. 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