{"id":4425,"date":"2015-07-08T12:06:41","date_gmt":"2015-07-08T15:06:41","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/?p=4425"},"modified":"2015-07-08T12:06:41","modified_gmt":"2015-07-08T15:06:41","slug":"tirando-o-paleto-e-a-gravata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2015\/07\/tirando-o-paleto-e-a-gravata\/","title":{"rendered":"Tirando o palet\u00f3 e a gravata"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2015\/07\/P10_08_07_15_Palet\u00f3_gravata_PQ.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-4426\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2015\/07\/P10_08_07_15_Palet\u00f3_gravata_PQ.jpg\" alt=\"P10_08_07_15_Palet\u00f3_gravata_PQ\" width=\"348\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2015\/07\/P10_08_07_15_Palet\u00f3_gravata_PQ.jpg 348w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2015\/07\/P10_08_07_15_Palet\u00f3_gravata_PQ-300x225.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2015\/07\/P10_08_07_15_Palet\u00f3_gravata_PQ-150x113.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><\/a>Uma das quest\u00f5es que tanto o pastor como a Igreja que servem \u00e0 cidade precisam considerar \u00e9 quanto ao estilo de vida. Se adotarmos como postura teologicamente verdadeira que o Deus que pregamos \u00e9 o Deus dos pobres e que Jesus \u00e9 o Messias dos pobres, ent\u00e3o a Igreja e, por conseguinte, seus pastores, devem existir em fun\u00e7\u00e3o dos pobres. Constitui um esc\u00e2ndalo o fato de a Igreja n\u00e3o ser a festa dos pobres na celebra\u00e7\u00e3o da salva\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo e na supera\u00e7\u00e3o da pobreza, fruto de injusti\u00e7a e opress\u00e3o.<\/p>\n<p>A imagem do pastor \u00e9 representada pelo uso de palet\u00f3 e gravata, vestes que indicam uma s\u00e9rie de identifica\u00e7\u00f5es e uma aliena\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Ao vestir o palet\u00f3 (numa cidade quente como Macei\u00f3), o pastor est\u00e1 adotando um estilo de roupa estrangeira, que o identifica com uma cultura estranha. Trata-se tamb\u00e9m de uma roupa cara, o que o identifica com a classe dominante, e uma roupa distintiva, o que o identifica com uma teologia clerical.<\/p>\n<p>Esse costume \u00e9 t\u00e3o arraigado em nossas igrejas que muitas s\u00e3o duramente criticadas por seus pastores deixarem de usar palet\u00f3 e gravata. Por\u00e9m a quebra desse s\u00edmbolo constitui uma verdadeira liberta\u00e7\u00e3o para muitos pastores, principalmente nas cidades quentes do Nordeste.<!--more--><\/p>\n<p>O ato de tirar o palet\u00f3 e a gravata \u00e9 uma tarefa que conduz a uma progressiva identifica\u00e7\u00e3o da Igreja com a cidade e com seu povo, especialmente com os mais pobres. Esse processo, que teologicamente chamamos de encarna\u00e7\u00e3o, processa-se primeiro interiormente, mas deve ser exteriorizado para se tornar cada vez mais eficaz. Em outras palavras, a identifica\u00e7\u00e3o deve ocorrer prioritariamente no <em>ser<\/em>, mas com desdobramentos inevit\u00e1veis no <em>agir <\/em>e no <em>ter<\/em>.<\/p>\n<p>Nessa linha de reflex\u00e3o, \u00e9 bom lembrar que a pobreza n\u00e3o \u00e9 um bem. Ao contr\u00e1rio, ela \u00e9 um mal, e ao tomar o partido do pobre, Deus est\u00e1 lutando contra a pobreza, suas causas e consequ\u00eancias. A fartura, a opul\u00eancia, o luxo e o excesso, s\u00f3 constituem esc\u00e2ndalo diante da pobreza, da mis\u00e9ria e da escassez. Isso coloca al\u00e9m da quest\u00e3o do <em>ter<\/em>, as quest\u00f5es do <em>tenho para que <\/em>ou <em>para quem<\/em>.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o com os pobres atrav\u00e9s da ado\u00e7\u00e3o de um estilo de vida mais simples n\u00e3o significa a busca pela pobreza, mas a busca da miss\u00e3o e da solidariedade. Sobre isto, vejamos as palavras de J\u00falio de Santa Ana, aplicadas a determinados crist\u00e3os:<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o foram pessoas que buscaram a pobreza material porque nela houvesse caracter\u00edsticas de virtude, mas tamb\u00e9m n\u00e3o se sentiram grandes ou elevados espiritualmente. Foram, antes, pobres dispostos a partilhar com outros o pouco que tinham (e, portanto, estavam prontos ao exerc\u00edcio da caridade fraterna), n\u00e3o tornando motivo de orgulho sua condi\u00e7\u00e3o humilde, mas tamb\u00e9m n\u00e3o sendo \u00e1vidos de riquezas. Na realidade, sua pobreza era correlativa a uma esperan\u00e7a total e absoluta em Deus e se manifestava numa disponibilidade sem limites diante do Senhor<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ao buscar uma identifica\u00e7\u00e3o com os pobres colocando-se a favor deles, a Igreja inicia um di\u00e1logo inevit\u00e1vel com os movimentos populares. Ali, onde se busca a justi\u00e7a de forma organizada e insistente, se faz necess\u00e1ria a presen\u00e7a crist\u00e3 como sal e luz.<\/p>\n<p>*Trecho retirado do livro <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/um-jumentinho-na-avenida\">Um jumentinho na avenida \u2013 a miss\u00e3o da igreja e as cidades<\/a>, de Marcos Monteiro (p. 21).<\/p>\n<p>Imagem: freeimages.com\/browse.phtml?f=download&amp;id=861513<\/p>\n<p>Nota:<br \/>\n<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> BARRO, Jorge Henrique. A\u00e7\u00f5es pastorais da igreja com a cidade. Londrina, PR: Descoberta, 2000.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das quest\u00f5es que tanto o pastor como a Igreja que servem \u00e0 cidade precisam considerar \u00e9 quanto ao estilo de vida. 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