{"id":3902,"date":"2014-08-06T10:21:14","date_gmt":"2014-08-06T13:21:14","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/?p=3902"},"modified":"2014-08-06T10:21:14","modified_gmt":"2014-08-06T13:21:14","slug":"o-pioneirismo-de-daniel-kidder-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2014\/08\/o-pioneirismo-de-daniel-kidder-no-nordeste\/","title":{"rendered":"O pioneirismo de Daniel Kidder no Nordeste"},"content":{"rendered":"<p>Um dos pioneiros do protestantismo no Nordeste foi o mission\u00e1rio congregacional Daniel Parish Kidder. Tendo como sua base a cidade do Rio de Janeiro, ele realizou viagens mission\u00e1rias ao Norte e Nordeste brasileiro, entre 1830 e 1840. N\u00e3o se pode afirmar que ele tinha como estrat\u00e9gia a planta\u00e7\u00e3o de igrejas, mas a de evangelizar as pessoas, atrav\u00e9s da venda e distribui\u00e7\u00e3o de folhetos e Novos Testamentos em portugu\u00eas. Essa proposta n\u00e3o tem em Kidder o pioneirismo. Como ele mesmo registrou, os 50 primeiros Novos Testamentos foram distribu\u00eddos por um profissional ingl\u00eas no Recife, em 1823, j\u00e1 impressos na l\u00edngua portuguesa, tendo o bispo de Pernambuco, posteriormente, condenado tanto essa tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas, quanto a que depois foi distribu\u00edda pela Sociedade B\u00edblica.<\/p>\n<p>Sendo o trabalho evangel\u00edstico de Kidder caracteristicamente itinerante, dos seus registros das viagens que fez ao Recife, salientaremos apenas cinco aspectos missiol\u00f3gicos:<\/p>\n<p>1. Apesar da liberdade dos estrangeiros poderem adotar a sua religi\u00e3o em solo brasileiro, existia uma forte e arraigada intoler\u00e2ncia cat\u00f3lica contra os emigrantes protestantes e de outras f\u00e9s.<\/p>\n<p>2. Instalou-se entre os religiosos da Igreja Cat\u00f3lica uma tend\u00eancia \u00e0 \u201ccultura da ignor\u00e2ncia\u201d, a ponto de padres afirmarem gostar mais de jogar do que de ler livros.<\/p>\n<p>3. Havia severas cr\u00edticas \u00e0 a\u00e7\u00e3o do clero por parte dos pol\u00edticos republicanos, os quais defendiam um Estado separado da Igreja. Tais pol\u00edticos alegavam que nada conseguiriam fazer ou realizar sem a ajuda de um clero moralizado e inteligente. Kidder registra um relat\u00f3rio do Ministro da Justi\u00e7a e dos Neg\u00f3cios Eclesi\u00e1sticos datado de 1843, onde os padres s\u00e3o responsabilizados pelo desleixo para com o sacerd\u00f3cio. Eis alguns trechos do relat\u00f3rio:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 not\u00f3rio o estado de decad\u00eancia em que se encontra o nosso clero. \u00c9 tamb\u00e9m evidente a necessidade de se tomarem medidas capazes de remediar o mal. A 9 de setembro de 1842, o gov\u00earno consultou, sobre \u00easse assunto, os bispos e os vig\u00e1rios capitulares. Conquanto n\u00e3o tenham sido completas as respostas de todos eles, n\u00e3o resta a menor d\u00favida sobre os seguintes pontos. \u00c9 verdadeiramente alarmante a falta de cl\u00e9rigos que se dediquem com afinco aos trabalhos espirituais. Na prov\u00edncia do Par\u00e1, par\u00f3quias existem que h\u00e1 doze anos e mais n\u00e3o t\u00eam vig\u00e1rio [&#8230;]. No Maranh\u00e3o, vinte e cinco igrejas foram, em \u00e9pocas diversas, dadas como vagas, sem que jamais aparecesse um candidato&#8230; Mesmo os padres que se ordenam, poucos se dedicam ao sacerd\u00f3cio propriamente dito. Uns voltam suas vistas para atividades seculares, em busca de maiores vantagens e posi\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d<\/p>\n<p>4. Kidder identificou que o primeiro programa adotado para a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica em Pernambuco possu\u00eda pouqu\u00edssimos recursos financeiros comparados com a renda da prov\u00edncia. Tal desproporcionalidade, aos olhos daquele mission\u00e1rio, produziu graves preju\u00edzos \u00e0s cidades do interior, onde o programa raramente chegava e, quando chegava, era deficiente.<\/p>\n<p>5. Por fim, Kidder destacou a marcante e inconfund\u00edvel presen\u00e7a e forte influ\u00eancia da Igreja Cat\u00f3lica Romana n\u00e3o apenas na vida religiosa e pol\u00edtica, mas na pr\u00f3pria forma de construir as cidades em torno da Matriz. Textualmente Kidder declarou: \u201cTodas as cidades dos brasileiros t\u00eam duas particularidades: em primeiro lugar as casas s\u00e3o em geral, caiadas de branco; depois, todas as emin\u00eancias ou pontos altos [perto das cidades] t\u00eam, para adorn\u00e1-las, uma igreja [Cat\u00f3lica] de constru\u00e7\u00e3o antiga.\u201d Assim, atualmente, em toda e qualquer cidade do interior nordestino, por menor que ela seja, h\u00e1 sempre uma igreja cat\u00f3lica constru\u00edda na pra\u00e7a central da cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8212; Trecho do livro <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/cidades-do-interior\" target=\"_blank\">Cidades do Interior<\/a> (S\u00e9rgio Lyra), da Editora Ultimato em parceria com o Betel Brasileiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos pioneiros do protestantismo no Nordeste foi o mission\u00e1rio congregacional Daniel Parish Kidder. 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