{"id":3441,"date":"2013-12-13T14:50:46","date_gmt":"2013-12-13T17:50:46","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/?p=3441"},"modified":"2013-12-16T07:58:03","modified_gmt":"2013-12-16T10:58:03","slug":"mitos-e-verdades-sobre-a-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2013\/12\/mitos-e-verdades-sobre-a-seca\/","title":{"rendered":"Mitos e verdades sobre a seca"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_3442\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Opi_13_12_13_Mae_filha.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3441\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3442\" class=\"size-medium wp-image-3442\" alt=\"M\u00e3e e filha da Comunidade quilombola de Fonseca, Mana\u00edra (PB). Cr\u00e9dito: John Medcraft.\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Opi_13_12_13_Mae_filha-300x220.jpg\" width=\"300\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Opi_13_12_13_Mae_filha-300x220.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Opi_13_12_13_Mae_filha-150x110.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Opi_13_12_13_Mae_filha.jpg 340w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3442\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e3e e filha da Comunidade quilombola de Fonseca, Mana\u00edra (PB). Cr\u00e9dito: John Medcraft.<\/p><\/div>\n<p><strong>Portal Ultimato &#8211; Qual o n\u00edvel de gravidade desta seca no Nordeste?<\/strong><\/p>\n<p><em>John Medcraft &#8211;<\/em> Esta seca \u00e9 grav\u00edssima. \u00c9 a pior que vi em 41 anos de trabalho aqui.<\/p>\n<p><em>Marcos Sal da Terra &#8211;<\/em> Esta \u00e9, sem d\u00favida, a maior seca que se tem registro no sert\u00e3o. A fauna e flora s\u00e3o as maiores v\u00edtimas desta estiagem.<\/p>\n<p><em>Ita Porto &#8211;<\/em> A falta de chuvas em per\u00edodos prolongados como o dos \u00faltimos 3 anos \u00e9 considerado um desastre ambiental, considerado um dos piores dos \u00faltimos 50 anos. Segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) j\u00e1 s\u00e3o cerca de 1.200 cidades espalhadas em nove Estados que j\u00e1 declararam situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. S\u00e3o 22% dos munic\u00edpios do Brasil e quase 10 milh\u00f5es de pessoas afetadas pelas secas na regi\u00e3o. Todos os estados que comp\u00f5e o semi\u00e1rido nordestino est\u00e3o passando por grandes dificuldades. Pernambuco, por exemplo, \u00e9 o estado com maior n\u00famero de munic\u00edpios atingidos. Segundo a Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento), dos 185 munic\u00edpios do Estado, 151 est\u00e3o com algum tipo de d\u00e9ficit no abastecimento. Desses, 16 est\u00e3o em colapso, sendo abastecidos por carros-pipa.<\/p>\n<p><strong>Portal Ultimato &#8211; Que tipo de sofrimento as pessoas est\u00e3o vivendo?<\/strong><\/p>\n<p><em>John Medcraft &#8211;<\/em> A falta de \u00e1gua \u00e9 cr\u00edtica. Patos (100.000 habitantes) sobrevive, gra\u00e7as a uma adutora do a\u00e7ude de Coremas (60 km ao oeste) que foi uma luta nossa de dez anos atr\u00e1s. Mesmo assim temos \u00e1gua tr\u00eas dias sim, um dia n\u00e3o. Muitas cidades est\u00e3o em colapso total de \u00e1gua e dependem de caminh\u00f5es-pipa do Ex\u00e9rcito. Imaculada, onde ACEV tem uma igreja, est\u00e1 sem \u00e1gua desde janeiro. Nos s\u00edtios, quem n\u00e3o tem po\u00e7o, precisa andar cada vez mais longe para conseguir \u00e1gua.<\/p>\n<p><em>Marcos Sal da Terra<\/em> &#8211; A economia quase que entrou em colapso em algumas regi\u00f5es, principalmente nas bacias leiteiras. As not\u00edcias d\u00e3o conta, por exemplo, que Pernambuco perdeu mais de 600 mil cabe\u00e7as de gado (mortos, abatidos antes do tempo ou enviados para outros estados da Federa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o est\u00e3o padecendo com a seca).<\/p>\n<p><em>Ita Porto &#8211;<\/em> Al\u00e9m da falta de \u00e1gua, algumas regi\u00f5es tamb\u00e9m enfrentam a contamina\u00e7\u00e3o dos mananciais pelos restos dos animais mortos pela seca, o que provoca doen\u00e7as diarreicas agudas, com registro de mortes de crian\u00e7as e idosos. Outro problema \u00e9 o aumento dos pre\u00e7os dos alimentos, sobretudo aqueles oriundos da agricultura. Com a morte de plantas frut\u00edferas e dos rebanhos de animais, h\u00e1 perda da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e diminui\u00e7\u00e3o do fornecimento de alimentos. Na pecu\u00e1ria, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Municipalista de Pernambuco (AMUPE), a seca j\u00e1 provoca preju\u00edzos da ordem de R$ 1,5 bilh\u00e3o na pecu\u00e1ria.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Portal Ultimato &#8211; Os Governos t\u00eam ajudado, de verdade, a enfrentar a seca deste ano?<\/strong><\/p>\n<p><em>John Medcraft &#8211;<\/em> Aqui na Para\u00edba tem sido a seca melhor administrada que j\u00e1 vi. O Ex\u00e9rcito administra a distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nos s\u00edtios, com fiscaliza\u00e7\u00e3o transpar\u00eancia. Os governos federal, estadual e municipal est\u00e3o reativando po\u00e7os velhos e perfurando novos. O governo estadual tem distribu\u00eddo ra\u00e7\u00e3o animal subsidiada para, pelo menos, ajudar os pequenos produtores. A bolsa fam\u00edlia pelo menos ajuda o sertanejo a sobreviver.<\/p>\n<p><em>Marcos Sal da Terra &#8211;<\/em> Esperar que os governos ajudem de verdade \u00e9 uma atitude infantil. A gente sabe que existe a \u201cind\u00fastria da seca\u201d, a barganha eleitoral (voto por \u00e1gua, por exemplo), que situa\u00e7\u00f5es de calamidades e emergenciais favorecem a corrup\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m n\u00e3o se pode negar que a\u00e7\u00f5es pontuais t\u00eam minorado os flagelos que s\u00e3o comuns \u00e0 estiagem no sert\u00e3o (caminh\u00f5es-pipa, Bolsa Fam\u00edlia etc).<\/p>\n<p><em>Ita Porto &#8211;<\/em> Algumas atitudes emergenciais t\u00eam sido realizadas pelo Governo Federal como o fornecimento de \u00e1gua atrav\u00e9s da Opera\u00e7\u00e3o Carro-Pipa. S\u00e3o 835 cidades, em nove estados, totalizando quase quatro milh\u00f5es de pessoas. Existem investimentos para constru\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios de \u00e1gua como barragens, cisternas, perfura\u00e7\u00f5es de po\u00e7os, dentre outras a\u00e7\u00f5es emergenciais de enfrentamento \u00e0 seca (confira no <a href=\"http:\/\/www.brasil.gov.br\/observatoriodaseca\/index.html\" target=\"_blank\">Observat\u00f3rio da Seca<\/a>. Da mesma forma os governos estaduais e municipais t\u00eam contribu\u00eddo de acordo com a sua capacidade de recursos.<\/p>\n<p><strong>Portal Ultimato &#8211; No imagin\u00e1rio brasileiro, a seca est\u00e1 muito ligada \u00e0 regi\u00e3o Nordeste. E junto com ela, h\u00e1 toda uma \u201ccultura da seca\u201d. Que mitos ou ideias falsas o brasileiro tem da seca e de suas v\u00edtimas? O que \u00e9 verdade e o que \u00e9 mentira?<\/strong><\/p>\n<p><em>John Medcraft \u2013 <\/em><\/p>\n<p>1. \u201cOs nordestinos s\u00e3o coitadinhos ou pregui\u00e7osos\u201d. O nordestino sertanejo que eu conhe\u00e7o e com convivo h\u00e1 mais de 40 anos levanta ainda no escuro e trabalho num sol escaldante durante longas horas cada dia. N\u00e3o h\u00e1 mais pregui\u00e7osos aqui de que em outros lugares \u2013 acredito muito menos. Quanto a coitadinhos, esta imagem vem da explora\u00e7\u00e3o de imagens de mis\u00e9ria por organiza\u00e7\u00f5es, inclusive evang\u00e9licas, que faturam com isso para si.<\/p>\n<p>2. \u201cDeus \u00e9 um culpado pela seca\u201d. A seca \u00e9 um fen\u00f4meno natural. Alguns dizem que ela \u00e9 causada por um pecado espec\u00edfico; outros que \u00e9 causada pela idolatria (como se apenas no Nordeste houvesse idolatria). Se chove tanto no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo, ningu\u00e9m deve pecar por l\u00e1 ent\u00e3o!<\/p>\n<p>3. \u201cA seca \u00e9 a maior inimiga do sertanejo\u201d. Que a seca complica a vida, \u00e9 verdade. Mas aprendemos cada vez mais a conviver com ela cada e a nos organizar para enfrentar a pr\u00f3xima. Lutamos para uma melhor distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e que a transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco chegue \u00e0s pessoas certas e aos centros que mais precisam.<\/p>\n<p><em>Marcos Sal da Terra &#8211;<\/em> O grande mito \u00e9 tentar \u201ccombater a seca\u201d. Seca n\u00e3o se combate. O sert\u00e3o \u00e9 seco e continuar\u00e1 com \u00edndices de precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9tricas muito baixos; este \u00e9 o nosso clima. O que tem que ser feito \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e de conviv\u00eancias com a seca. A transposi\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco \u00e9 um grande exemplo desta realidade. O que era para ser um grande benef\u00edcio para tanta gente, virou uma vergonha nacional.<\/p>\n<p><em>Ita Porto &#8211;<\/em> A seca est\u00e1 realmente ligada \u00e0 regi\u00e3o Nordeste do Brasil; isso \u00e9 fato, consequ\u00eancia de um fen\u00f4meno ambiental natural, considerada uma cat\u00e1strofe natural. Com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, no entanto, essa realidade vem deixando de ser um &#8220;privil\u00e9gio&#8221; apenas da regi\u00e3o Nordeste. No nosso caso, temos percebido que a maioria do nosso povo, devido a forma dos l\u00edderes governar os munic\u00edpios, tem abandonado a cultura da conviv\u00eancia a partir do conhecimento acumulado de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido pelos nossos antepassados. Esses conhecimentos foram (ou est\u00e3o sendo) esquecidos por esse povo. Por exemplo, diminu\u00edmos a capacidade de plantio, migramos para as cidades, aumentamos o consumo de \u00e1gua como se viv\u00eassemos em uma regi\u00e3o que tem muita oferta de \u00e1gua. A seca est\u00e1 tendo um impacto maior, pois perdemos essa resili\u00eancia. Antigamente as pessoas guardavam queijo nas paredes para comer, hoje \u00e9 melhor comprar do que produzir o alimento. Perdemos essa capacidade de conviv\u00eancia. T\u00ednhamos animais adaptados ao ambiente. Nossos rios n\u00e3o eram devastados, hoje os rios n\u00e3o tem a capacidade de guardar \u00e1gua como antigamente. Para n\u00f3s, perdemos a capacidade de viver nessa regi\u00e3o, pois colocaram na nossa cabe\u00e7a que o bom \u00e9 viver na cidade.<\/p>\n<div id=\"attachment_3445\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Painel_seca_acervo_Diaconia.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3441\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3445\" class=\"size-medium wp-image-3445\" alt=\"O gado tamb\u00e9m sofre com a seca. Cr\u00e9dito: Acervo Diaconia.\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Painel_seca_acervo_Diaconia-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Painel_seca_acervo_Diaconia-300x225.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Painel_seca_acervo_Diaconia-150x112.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Painel_seca_acervo_Diaconia.jpg 340w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3445\" class=\"wp-caption-text\">O gado tamb\u00e9m sofre com a seca. Cr\u00e9dito: Acervo Diaconia.<\/p><\/div>\n<p><strong>Portal Ultimato &#8211; Como expressar o amor de Jesus no meio de tanto sofrimento?<\/strong><\/p>\n<p><em>John Medcraft &#8211;<\/em> H\u00e1 tantas maneiras! O essencial \u00e9 trabalhar com comunidades perfurando po\u00e7os e, onde for poss\u00edvel, criando hortas onde a \u00e1gua for suficiente e de qualidade. Demonstrar o amor de Jesus em coisas pr\u00e1ticas assim torna a f\u00e9 vis\u00edvel. Ainda se pode ensinar comunidades a criar abelhas, melhorar cria\u00e7\u00e3o de cabras e coisas assim. O melhor \u00e9 ajudar as comunidades a criar sua pr\u00f3pria renda e cultivar seu pr\u00f3prio alimento, mas quando isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel as cestas b\u00e1sicas devem ser distribu\u00eddas, de forma emergencial, dentro das possibilidades de cada institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Marcos Sal da Terra &#8211;<\/em> \u00c9 simples, fa\u00e7amos o que Jesus ensinou: \u201cDai-lhe v\u00f3s de comer\u201d (Lc 9.13). O problema \u00e9 convencer uma igreja j\u00e1 acostumada a pedir, que tamb\u00e9m assuma a responsabilidade de dar.<\/p>\n<p><em>Ita Porto &#8211;<\/em> Jesus Cristo, em toda sua trajet\u00f3ria de vida e miss\u00e3o, nos ensinou (e ainda ensina) a enxergar os problemas da sociedade atrav\u00e9s da conviv\u00eancia (discipulado) com as pessoas. Seus milagres s\u00e3o relatados sempre do ponto de vista de algu\u00e9m que se deu ao trabalho de sentir o sofrimento alheio, se misturando na multid\u00e3o de pessoas que o seguiam. O amor de Jesus pode ser expresso por meio do envolvimento das pessoas com a problem\u00e1tica que estamos vivenciando nos \u00faltimos tr\u00eas anos. Somos convidados e convidadas a nos solidarizarmos com as pessoas e, em um contexto de emerg\u00eancia que estamos vivendo com essa seca. Isso pode significar envolver-se na luta por melhoria da qualidade de vida das pessoas que enfrentam o desafio de conviver com esse fen\u00f4meno clim\u00e1tico. Envolver-se nos espa\u00e7os de pol\u00edticas p\u00fablicas e cobrar a melhor aplica\u00e7\u00e3o dos recursos tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de lutar junto de quem precisa e revelar o amor de Jesus, proporcionando justi\u00e7a social.<\/p>\n<p><strong>Portal Ultimato &#8211; Voc\u00ea v\u00ea com bons olhos a participa\u00e7\u00e3o das igrejas evang\u00e9licas na luta contra a seca?<\/strong><\/p>\n<p><em>John Medcraft &#8211;<\/em> Igrejas evang\u00e9licas que n\u00e3o participam desta luta v\u00e3o ter que responder diante de Deus. Deus nos coloca em nossas comunidades para sermos \u201csal e luz\u201d. Pregar \u00e9 bom, \u00e9 essencial, mas fazer vista grossa quanto ao sofrimento do pr\u00f3ximo \u00e9 pecado grave. As igrejas evang\u00e9licas grandes e ricas de outras regi\u00f5es precisam entender que estamos no meio de uma cat\u00e1strofe lenta e discreta; n\u00e3o chama aten\u00e7\u00e3o como uma enchente, mas tem efeitos devastadores. Estas igrejas precisam trabalhar junto com institui\u00e7\u00f5es s\u00e9rias e transparentes que fazem auditorias independentes e t\u00eam experi\u00eancia em agir no sert\u00e3o. Todo cuidado \u00e9 pouco com os exploradores do momento.<\/p>\n<p><em>Marcos Sal da Terra &#8211;<\/em> Como na hist\u00f3ria do aleijado que foi colocado na presen\u00e7a de Jesus, por alguns homens, atrav\u00e9s de um buraco feito no telhado da casa (Mc 2), vivemos a mesma realidade no sert\u00e3o. Apenas a exce\u00e7\u00e3o se envolve, de forma pr\u00e1tica, com a nossa gente.<\/p>\n<p><em>Ita Porto &#8211;<\/em> Nosso grande desafio \u00e9 fazer com que as igrejas evang\u00e9licas compreendam sua import\u00e2ncia e grande potencial no contexto do desenvolvimento social. Nosso convite \u00e9 que as igrejas se sintam desafiadas a, junto conosco, ocuparmos os espa\u00e7os de controle social, propondo a\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a social e ambiental e, nesse caso, colaborando com as a\u00e7\u00f5es de transforma\u00e7\u00e3o cultural de enfrentamento dos efeitos da seca no Nordeste. J\u00e1 temos tido bons resultados junto a igrejas parceiras que tem se levantado para lutar em favor de a\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido, envolvendo-se em audi\u00eancias p\u00fablicas, conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade, numa vis\u00e3o de miss\u00e3o integral.<\/p>\n<div id=\"attachment_3443\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Opi_13_12_13_Crianca_bricando.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-3441\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3443\" class=\"size-medium wp-image-3443\" alt=\"Menino brinca em regi\u00e3o seca de Pernambuco. Cr\u00e9dito: Alison Worrall.\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Opi_13_12_13_Crianca_bricando-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Opi_13_12_13_Crianca_bricando-300x225.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Opi_13_12_13_Crianca_bricando-150x112.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2013\/12\/Opi_13_12_13_Crianca_bricando.jpg 341w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3443\" class=\"wp-caption-text\">Menino brinca em regi\u00e3o seca de Pernambuco. Cr\u00e9dito: Alison Worrall.<\/p><\/div>\n<p><strong>Portal Ultimato &#8211; A seca tem um \u201clado positivo\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><em>John Medcraft &#8211;<\/em> O lado positivo da seca \u00e9, como dizia Dom Helder C\u00e2mera, que ela \u00e9 um desafio que faz a vida interessante. Ela nos estica a buscar solu\u00e7\u00f5es novas como, por exemplo, dessalinizar \u00e1gua salobra de po\u00e7os com o m\u00ednimo poss\u00edvel de preju\u00edzo ao meio ambiente.<\/p>\n<p><em>Marcos Sal da Terra &#8211;<\/em> Vemos nela a soberania de Deus. Apesar dos nossos pecados, Ele nos permite &#8220;continuar vivos pra contar a hist\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p><em>Ita Porto &#8211;<\/em> Sim. As fam\u00edlias tem se preocupado em se precaver com armazenamento de alimentos a partir do aprendizado das dificuldades enfrentadas pelos anos de seca. Essa pode ser uma oportunidade para, em longo prazo, voltarmos \u00e0 cultura de conviv\u00eancia com a seca.<\/p>\n<p><strong>Portal Ultimato &#8211; Conte-nos alguma hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o que voc\u00ea viu ou ouviu.<\/strong><\/p>\n<p><em>John Medcraft &#8211;<\/em> A ACEV fez um po\u00e7o nesta seca com uma comunidade quilombola em Mana\u00edra (PB). Era uma comunidade isolada que, al\u00e9m de sofrer com o grave problema da falta de \u00e1gua, ainda sofria terr\u00edveis preconceitos raciais. Na terceira tentativa, conseguimos ajudar a comunidade a perfurar um po\u00e7o que deu \u00e1gua e ent\u00e3o bombear a \u00e1gua do vale onde fica o po\u00e7o para o alto da serra onde a comunidade reside. Presenciei todo este processo e luta. Vi as l\u00e1grimas de alegria, a esperan\u00e7a renovada e a autoestima do povo come\u00e7ando a ser restaurada. \u201cSe algu\u00e9m est\u00e1 em Cristo \u00e9 verdadeiramente livre\u201d!<\/p>\n<p><em>Marcos Sal da Terra<\/em> &#8211; Uma comunidade caminhava 18 quil\u00f4metros a p\u00e9 para buscar \u00e1gua (barrenta e salobra), apesar de dispor de cisternas em suas casas, mas que nunca haviam sido abastecidas pelo governo. L\u00e1, uma igreja cavou um po\u00e7o que custou R$ 7.900. Hoje a comunidade tem 36 mil litros d&#8217;\u00e1gua por hora.<\/p>\n<p><em>Ita Porto &#8211;<\/em> Seu Antonio Magalh\u00e3es \u00e9 agricultor e mora na Comunidade Carna\u00fabinha, na cidade de Afogados da Ingazeira, Sert\u00e3o do Paje\u00fa (PE). Ele e sua fam\u00edlia s\u00e3o assessorados por Diaconia h\u00e1 cerca de 10 anos e desenvolvem estrat\u00e9gias de conviv\u00eancia com a seca, como a reutiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua usada no trabalho dom\u00e9stico, o uso inteligente da silagem para armazenar alimento humano e animal. Seu Antonio tamb\u00e9m gerencia um Banco de Sementes Comunit\u00e1rio que existe h\u00e1 13 anos com sementes nativas que beneficiam a fam\u00edlia dele e a comunidade. Ele cultiva um banco de prote\u00ednas com variedades de plantas forrageiras como gliric\u00eddia, leucena, palma, feij\u00e3o guandu, sorgo forrageiro, dentre outras. Essas estrat\u00e9gias fazem parte do resultado da a\u00e7\u00e3o de Diaconia junto as fam\u00edlias, estimulando-as a aplicarem t\u00e9cnicas de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido. Os silos s\u00e3o feitos em mutir\u00f5es comunit\u00e1rios estimulando a organiza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias como forma de fortalecimento pol\u00edtico.<\/p>\n<p><strong>Portal Ultimato &#8211; Como os leitores podem ajudar seu minist\u00e9rio e organiza\u00e7\u00e3o na luta contra a seca?<\/strong><\/p>\n<p><em>John Medcraft &#8211;<\/em> A ACEV s\u00f3 n\u00e3o faz mais po\u00e7os (j\u00e1 fez mais de 200), s\u00f3 n\u00e3o inicia mais planta\u00e7\u00f5es no meio do deserto, e s\u00f3 n\u00e3o cria mais cabras, abelhas e galinhas por falta de mais recursos financeiros. A resposta \u00e9 simples assim. J\u00e1 temos uma equipe maravilhosa, dedicada e experiente que deseja e precisa fazer mais. O sertanejo ama o sert\u00e3o e n\u00e3o quer sair daqui. Temos que facilitar isso e fortalecer a igreja evang\u00e9lica sertaneja no processo.<\/p>\n<p><em>Marcos Sal da Terra &#8211;<\/em> O samaritano em (Lc 10) fez o que a grande maioria (representada na mesma hist\u00f3ria pelo sacerdote e levita) hoje n\u00e3o faz. Ele prestou aten\u00e7\u00e3o na situa\u00e7\u00e3o daquele que havia sido salteado, aproximou-se dele e, cheio de \u00edntima compaix\u00e3o, p\u00f4s \u201ca m\u00e3o na massa\u201d.<\/p>\n<p>Precisamos mais do que dinheiro (o samaritano n\u00e3o se limitou a dar dois den\u00e1rios ao dono da estalagem), precisamos de gente que disponha dos seus dons e talentos, do seu tempo e do seu esfor\u00e7o. Precisamos menos de discurso e mais de a\u00e7\u00f5es. Temos uma \u201cteologia refinada\u201d (tantas vezes), mas uma pr\u00e1tica crist\u00e3 p\u00edfia, que n\u00e3o acompanha o discurso (tantas vezes). Temos um ex\u00e9rcito que tenta em v\u00e3o defender a f\u00e9 em Cristo, mas que n\u00e3o vive o que ele ensinou (e acha que isto \u00e9 defesa).<\/p>\n<p>&#8220;Grande \u00e9, em verdade, a seara (sertaneja e toda a sua problem\u00e1tica), mas os obreiros s\u00e3o poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara.&#8221;<\/p>\n<p><em>Ita Porto &#8211;<\/em> Ocupar os espa\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas como f\u00f3runs e conselhos de desenvolvimento. Que os l\u00edderes evang\u00e9licos possam estimular os debates sobre o poder da cidadania de seus membros junto \u00e0s comunidades em que vivem.<br \/>\n***<\/p>\n<p><strong>Entrevistados:<\/strong><\/p>\n<p><em>John Medcraft<\/em> \u00e9 ingl\u00eas, naturalizado brasileiro, e mora em Patos (PB). \u00c9 o presidente da A\u00e7\u00e3o Evang\u00e9lica (ACEV), uma igreja que neste ano completou 75 anos. A ACEV trabalha em todo sert\u00e3o paraibano, e tamb\u00e9m em regi\u00f5es de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Cear\u00e1.<\/p>\n<p><em>Marcos Sal da Terra<\/em> \u00e9 o vocalista da banda Sal da Terra, um projeto mission\u00e1rio que leva a m\u00fasica, o servi\u00e7o (alimento, \u00e1gua, ora\u00e7\u00e3o, volunt\u00e1rios) e a Palavra de Deus para o sert\u00e3o pernambucano.<\/p>\n<p><em>Ita Porto<\/em> trabalha na Diaconia, uma organiza\u00e7\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3, sem fins lucrativos, que promove a justi\u00e7a e o desenvolvimento social no Nordeste. A institui\u00e7\u00e3o enfrenta a seca com a\u00e7\u00f5es estruturantes que ajudam a popula\u00e7\u00e3o, de forma sustent\u00e1vel, a conviver com as condi\u00e7\u00f5es de semiaridez. Marcelino Lima e Adilson Viana tamb\u00e9m colaboraram com as respostas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atualizado em 16\/12\/2013, \u00e0s 08:57.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portal Ultimato &#8211; Qual o n\u00edvel de gravidade desta seca no Nordeste? John Medcraft &#8211; Esta seca \u00e9 grav\u00edssima. \u00c9 a pior que vi em 41 anos de trabalho aqui. Marcos Sal da Terra &#8211; Esta \u00e9, sem d\u00favida, a maior seca que se tem registro no sert\u00e3o. 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