{"id":310,"date":"2009-11-05T08:31:28","date_gmt":"2009-11-05T11:31:28","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/blogs\/paralelo10\/?p=310"},"modified":"2009-11-09T09:53:14","modified_gmt":"2009-11-09T12:53:14","slug":"como-sera-que-esta-a-maria-sera-que-ela-carrega-o-virus-da-aids-no-seu-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2009\/11\/como-sera-que-esta-a-maria-sera-que-ela-carrega-o-virus-da-aids-no-seu-corpo\/","title":{"rendered":"Como ser\u00e1 que est\u00e1 a Maria? Ser\u00e1 que ela carrega o v\u00edrus da aids no seu corpo?*"},"content":{"rendered":"<p>Por Valdir Steuernagel<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"148\" vspace=\"10\" hspace=\"10\" height=\"133\" align=\"left\" alt=\"\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/blogs\/paralelo10\/wp-content\/blogs.dir\/paralelo10\/image\/Nov_09\/maria.jpg\" \/>O cen&aacute;rio parece demasiado dif&iacute;cil para ser verdadeiro, mas o &eacute;, na sua crueza e no desenho de uma realidade de vida que de t&atilde;o real deveria ser proibida.<\/p>\n<p>O teto da casa havia ca&iacute;do e a &ldquo;fam&iacute;lia&rdquo; se mudou para uma casa emprestada pelo vizinho. Mas tanto a casa ca&iacute;da como a casa em p&eacute; pareciam vazias. As pessoas dormiam no ch&atilde;o, em cima de qualquer pano, e roupa para guardar n&atilde;o havia. A cozinha era do lado de fora de casa, onde se fazia um pequeno fogo no ch&atilde;o. Num dia porque o vizinho trazia alguma coisa. Noutro porque se havia catado algumas bananas. E depois de amanh&atilde;&#8230; quem sabe nem vai se fazer fogo.<\/p>\n<p><!--more--><br \/> A fam&iacute;lia era formada de quatro irm&atilde;os. Maria, ent&atilde;o com 6 anos, era a mais nova. Tenho saudades dela e o meu cora&ccedil;&atilde;o chora quando penso nela: seus olhos pediam acolhimento e seu rosto expressava abandono. Ela n&atilde;o tinha quem cuidasse dela nem de suas roupas. Ambos os pais haviam morrido por complica&ccedil;&otilde;es causadas pelo v&iacute;rus da aids e estavam enterrados no fundo do quintal.<\/p>\n<p>Agora os quatro irm&atilde;os tinham um ao outro, a casa emprestada, algum outro vizinho que se lembrava deles de vez em quando e a pessoa da Vis&atilde;o Mundial que passava por l&aacute; uma vez por semana.<\/p>\n<p>Nem sei o nome do menino<br \/> A fam&iacute;lia j&aacute; havia tentado de tudo e nada dava jeito. O menino parecia um caso sem solu&ccedil;&atilde;o. Desde pequeno tinha convuls&otilde;es. Virava os olhos e espumava pela boca, e isso gerava muitos coment&aacute;rios na vizinhan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Quando isso acontecia, a m&atilde;e do menino ficava muito triste. O pai estava sempre &agrave; procura de ajuda. O fato j&aacute; n&atilde;o era familiar, mas comunit&aacute;rio, p&uacute;blico. Isso se tornou ainda mais claro quando o pai levou o menino a alguns homens que apareceram na vila e de quem as pessoas estavam dizendo coisas boas e impressionantes. Por&eacute;m, colheu apenas decep&ccedil;&atilde;o e muito barulho, s&oacute; conseguindo o que ele n&atilde;o precisava: ser caso de an&aacute;lise.<\/p>\n<p>O evangelho de Marcos (9.14-27) fala dessa cena e de como Jesus foi averiguar o que estava acontecendo e se viu diante de um pai desesperado, segurando pela m&atilde;o um menino cujos olhos pareciam carregar um enorme cansa&ccedil;o. E assim Jesus entra na hist&oacute;ria dessa fam&iacute;lia. Pergunta pelo quadro do menino. Faz um diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Quando, mais tarde, o pai chega em casa segurando o menino pela m&atilde;o, a m&atilde;e olha e chora. &Eacute; o choro de uma m&atilde;e que tem uma profunda ang&uacute;stia aliviada, um choro com cara de riso. Pelo semblante do marido e pelos olhos do menino ela sabe que algo aconteceu, e o que aconteceu lhe devolveu um menino diferente, um menino liberto, curado, tocado por Jesus.<\/p>\n<p>Quando, tarde da noite, os pais ainda sem conseguir dormir come&ccedil;am a conversar, o assunto &eacute; um s&oacute;: esse Jesus que se preocupou com o nosso menino &eacute; &ldquo;coisa de outro mundo&rdquo;.<\/p>\n<p>Ontem foi o menino, agora &eacute; a Maria<br \/> O sexto Objetivo do Mil&ecirc;nio &eacute; &ldquo;combater a aids, a mal&aacute;ria e outras doen&ccedil;as&rdquo;. Com estes objetivos, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas est&aacute; diagnosticando os principais problemas que acometem a vida no e do planeta e convocando todas as na&ccedil;&otilde;es do mundo a se engajarem no alcance de objetivos cujo cumprimento visa melhorar a vida das pessoas e da comunidade humana. O Brasil est&aacute; entre os pa&iacute;ses que se comprometeram a alcan&ccedil;ar estes objetivos e, no combate &agrave; aids, tem ganhado um enorme destaque positivo. &Eacute; o primeiro pa&iacute;s em desenvolvimento a proporcionar acesso universal e gratuito ao tratamento da aids na rede p&uacute;blica de sa&uacute;de. Por&eacute;m, no que diz respeito a &ldquo;outras doen&ccedil;as&rdquo;, o Brasil n&atilde;o vai t&atilde;o bem. Enquanto escrevia este artigo, li a tr&aacute;gica not&iacute;cia de que &ldquo;as for&ccedil;as armadas come&ccedil;am a erguer hospitais para tratar paciente com dengue no Rio&rdquo;. A dengue, a mal&aacute;ria, a febre amarela, machucam e matam muitas pessoas neste Brasil de contradi&ccedil;&otilde;es sociais.<\/p>\n<p>Comecei este artigo preocupado em mostrar dados, abundantes e assustadores. Por&eacute;m, abandonei os n&uacute;meros e voltei a olhar para a Maria e a caminhar em dire&ccedil;&atilde;o a Jesus. &Eacute; significativo o n&uacute;mero de vezes em que Jesus est&aacute; cercado de pessoas doentes, fragilizadas e paralisadas pelas dificuldades da vida. Sua presen&ccedil;a e sua palavra s&atilde;o sempre de esperan&ccedil;a. Esperan&ccedil;a de restaura&ccedil;&atilde;o e de encontro com o shalom de Deus, no qual a sa&uacute;de tem lugar especial. Assim, engajar-se no cumprimento deste objetivo do mil&ecirc;nio &eacute; caminhar com Jesus e em nome de Jesus pelas casas de teto ca&iacute;do e ir ao encontro de pais desesperados com os conflitos dos seus filhos, para que todos &ldquo;tenham vida e a tenham em abund&acirc;ncia&rdquo; (Jo 10.10).<\/p>\n<p>Valdir Steuernagel &eacute; pastor luterano e trabalha com a Vis&atilde;o Mundial International e com o Centro de Pastoral e Miss&atilde;o, em Curitiba, PR. &Eacute; autor de, entre outros, <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/?pg=show_livros&amp;util=1&amp;registro=37\">Para Falar das Flores&#8230; e Outras Cr&ocirc;nicas<\/a>.<\/p>\n<p>* Texto originalmente publicado na Revista <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\">Ultimato<\/a> (n&deg; 312, maio\/junho de 2008)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Valdir Steuernagel O cen&aacute;rio parece demasiado dif&iacute;cil para ser verdadeiro, mas o &eacute;, na sua crueza e no desenho de uma realidade de vida que de t&atilde;o real deveria ser proibida. 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