{"id":288,"date":"2009-10-23T15:02:20","date_gmt":"2009-10-23T18:02:20","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/blogs\/paralelo10\/?p=288"},"modified":"2009-10-29T15:45:45","modified_gmt":"2009-10-29T18:45:45","slug":"igreja-relevante-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2009\/10\/igreja-relevante-parte-ii\/","title":{"rendered":"Igreja Relevante (parte II)"},"content":{"rendered":"<p>Por Maur&iacute;cio J. S. Cunha *<\/p>\n<p><span style=\"font-size: larger;\"><strong>Uma igreja prof&eacute;tica, em palavras e obras<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Al&eacute;m da quest&atilde;o da n&atilde;o-dualidade do minist&eacute;rio de Jesus (o poder das palavras e das obras), o texto de Lucas nos traz a reflex&atilde;o acerca da natureza do &ldquo;prof&eacute;tico&rdquo;. Ainda que reconhe&ccedil;amos em Jesus a plenitude da manifesta&ccedil;&atilde;o dos dons ministeriais (ap&oacute;stolo, profeta, evangelista, pastor e mestre), o fato &eacute; que, aqui, ele &eacute; reconhecido como &ldquo;var&atilde;o profeta&rdquo;.<\/p>\n<p>O que caracteriza o prof&eacute;tico? Muitas respostas poderiam ser dadas a esta pergunta, mas gosto de pensar o prof&eacute;tico como a proclama&ccedil;&atilde;o do des&iacute;gnio de Deus, a sua plena vontade. Profetizar &eacute; anunciar a antecipa&ccedil;&atilde;o da chegada do Reino, o pleno Governo do Pai.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Temos a tend&ecirc;ncia de pensar o profetizar apenas como um ato de proferir palavras. Mas Jesus foi reconhecido como profeta de obras e palavras. Assim como a palavra prof&eacute;tica &eacute; aquela que anuncia o des&iacute;gnio de Deus, a a&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica &eacute; aquela que, por meio de uma interven&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica, faz cumprir a sua vontade. E Jesus fez isso in&uacute;meras vezes. O seu agir revelava a vontade de Deus, antecipando a chegada da plenitude do Reino. Ao alimentar os famintos, Jesus sinalizava o Reino onde h&aacute; provis&atilde;o para todos; ao curar os enfermos, mostrava que no Reino h&aacute; sa&uacute;de plena; ao tocar o leproso e falar com a mulher ad&uacute;ltera, corajosamente descortinava um Reino de equidade, justi&ccedil;a e solidariedade; ao denunciar a corrup&ccedil;&atilde;o das autoridades religiosas, apontava para um Reino de verdade e justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>Podemos derivar o conceito de &ldquo;a&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica&rdquo; como a a&ccedil;&atilde;o intencional da Igreja em anunciar e fazer cumprir, de forma pr&aacute;tica, o des&iacute;gnio de Deus para o homem e a sua cria&ccedil;&atilde;o. A meu ver, toda a&ccedil;&atilde;o de interven&ccedil;&atilde;o social crist&atilde; deve ser prof&eacute;tica, ou seja, deve refletir aquilo que Deus quer e o seu car&aacute;ter. O conceito de a&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica &eacute; muito importante para definirmos o papel de uma igreja relevante na comunidade. Esta &eacute; uma igreja que entende e discerne as inten&ccedil;&otilde;es plenas de Deus para um determinado contexto, e trabalha para v&ecirc;-las cumpridas. &Eacute; uma igreja ativa, atenta, serva, pr&aacute;tica, contextualizada, corajosa, encarnada e que busca a excel&ecirc;ncia.  <\/p>\n<p>Uma igreja relevante, portanto, discerne o seu contexto e sinaliza o Reino de Deus na comunidade. Cabe a cada comunidade de f&eacute;, a cada lideran&ccedil;a que esteja seriamente comprometida com a sinaliza&ccedil;&atilde;o do Reino, perguntar:<br \/>&#8211; em meu contexto, e em minha gera&ccedil;&atilde;o, quais s&atilde;o as quest&otilde;es que precisam ser enfrentadas e denunciadas e que ferem a santidade de Deus?<br \/>&#8211; o que significa ser &ldquo;sal e luz&rdquo; nesse contexto?<br \/>&#8211; quais s&atilde;o as quest&otilde;es que quebrantam o cora&ccedil;&atilde;o de Deus? Quais as injusti&ccedil;as sociais e estruturais que contrariam sua vontade? <br \/>&#8211; quais s&atilde;o as principais necessidades do povo a quem fomos chamados a servir?<br \/>&#8211; quais valores comunit&aacute;rios e culturais precisam ser afirmados? Quais contrariam a cosmovis&atilde;o crist&atilde; e precisamos atuar para transformar? Ou seja, o que precisa e o que n&atilde;o precisa ser transformado? <br \/>&#8211; quais seriam poss&iacute;veis programas e projetos da igreja que, &ldquo;indo muito al&eacute;m do politicamente correto&rdquo;, manifestariam uma interven&ccedil;&atilde;o a partir de uma cosmovis&atilde;o crist&atilde; em determinadas esferas da vida social?<\/p>\n<p>Ser uma igreja relevante na comunidade implica em ter respostas espec&iacute;ficas para estas perguntas, e, a partir delas, focalizar naquilo que &eacute; mais impactante, ou seja, que est&aacute; relacionado &agrave;s quest&otilde;es cruciais vividas em cada gera&ccedil;&atilde;o, em cada contexto. Isso n&atilde;o &eacute; uma tarefa f&aacute;cil e requer um esfor&ccedil;o intencional, um di&aacute;logo cr&iacute;tico com a cultura, uma constante reflex&atilde;o cr&iacute;tica da nossa pr&aacute;tica e acima de tudo uma decis&atilde;o, baseada numa leitura missiol&oacute;gica das Escrituras centrada no Reino de Deus, com toda a sua abrang&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Nesse esfor&ccedil;o, &eacute; necess&aacute;rio muita ora&ccedil;&atilde;o e discernimento. Somos chamados, n&atilde;o a fazer &ldquo;as coisas do jeito certo&rdquo;, mas a &ldquo;fazer a coisa certa&rdquo;. Nesta caminhada, &eacute; fundamental utilizar ferramentas que podem auxiliar cada igreja no exerc&iacute;cio do seu servi&ccedil;o &agrave; comunidade: modelos de diagn&oacute;stico comunit&aacute;rio, desenhos de projetos, ferramentas de monitoramento e avalia&ccedil;&atilde;o, defini&ccedil;&atilde;o de indicadores, etc. Mas nada disso substitui a ess&ecirc;ncia da Miss&atilde;o: o amor de Deus manifesto de forma pr&aacute;tica e incondicional. Amamos simplesmente porque Deus nos amou primeiro, e n&atilde;o para que as pessoas aceitem a nossa mensagem e se convertam.<\/p>\n<p>* Maur&iacute;cio J. S. Cunha &eacute; diretor de programas da Vis&atilde;o Mundial e autor do livro <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/?pg=show_livros&amp;util=1&amp;registro=176\" target=\"_blank\">O Reino entre N&oacute;s<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\" target=\"_blank\">Editora Ultimato<\/a>.<\/p>\n<p>Leia o texto anterior sobre esse assunto:<br \/><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/blogs\/paralelo10\/2009\/09\/igreja-relevante-parte-i\/\" target=\"_blank\">Igreja Relevante (parte I)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Maur&iacute;cio J. S. Cunha * Uma igreja prof&eacute;tica, em palavras e obras Al&eacute;m da quest&atilde;o da n&atilde;o-dualidade do minist&eacute;rio de Jesus (o poder das palavras e das obras), o texto de Lucas nos traz a reflex&atilde;o acerca da natureza do &ldquo;prof&eacute;tico&rdquo;. 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