{"id":264,"date":"2009-09-29T14:46:05","date_gmt":"2009-09-29T17:46:05","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/blogs\/paralelo10\/?p=264"},"modified":"2009-10-29T15:46:44","modified_gmt":"2009-10-29T18:46:44","slug":"igreja-relevante-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2009\/09\/igreja-relevante-parte-i\/","title":{"rendered":"Igreja relevante (parte I)"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" hspace=\"10\" height=\"250\" align=\"left\" width=\"184\" alt=\"\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/blogs\/paralelo10\/wp-content\/blogs.dir\/paralelo10\/image\/09_09\/cruz_luz-1.jpg\" \/>Por Mauricio J. S. Cunha*<\/p>\n<p>&ldquo;Ent&atilde;o, lhes perguntou Jesus: Que &eacute; isso que vos preocupa e de que ides tratando &agrave; medida que caminhais? E eles pararam entristecidos. Um por&eacute;m, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: &Eacute;s o &uacute;nico, porventura, que, tendo estado em Jerusal&eacute;m, ignoras as ocorr&ecirc;ncias destes &uacute;ltimos dias? Ele lhes perguntou: Quais? E explicaram: O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era var&atilde;o profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo&rdquo;<\/p>\n<p>Lucas 24: 17-19<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: larger;\"><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o: uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica acerca da relev&acirc;ncia da Igreja nas comunidades<\/strong><\/span><\/p>\n<p>O texto dos disc&iacute;pulos no caminho de Ema&uacute;s nos ajuda a compreender a percep&ccedil;&atilde;o que eles tiveram da vida e minist&eacute;rio de Jesus. Neste encontro, o Senhor j&aacute; havia cumprido o seu minist&eacute;rio na terra, j&aacute; havia ressuscitado e preparava-se para manifestar-se aos disc&iacute;pulos. Podemos entender a descri&ccedil;&atilde;o que Cleopas fez do Mestre como uma esp&eacute;cie de &ldquo;resumo&rdquo; da vis&atilde;o que tinha acerca dele, do legado por ele deixado.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>E como foi que os disc&iacute;pulos definiram Jesus? Quais os aspectos da sua vida e minist&eacute;rio, depois de tudo dito e feito, ficaram evidentes?<br \/>Jesus foi definido como &ldquo;var&atilde;o profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo&rdquo;.<br \/>Como deve ser reconhecida a Igreja, Corpo de Cristo na terra? Da mesma forma que Jesus, a Igreja, tanto na sua dimens&atilde;o universal quanto nas suas mais diversas manifesta&ccedil;&otilde;es locais, deve tamb&eacute;m ser reconhecida como poderosa em obras e em palavras, diante de Deus e de todo o povo. Isso traz implica&ccedil;&otilde;es ministeriais de servi&ccedil;o tanto na esfera das disciplinas espirituais e de uma forte devo&ccedil;&atilde;o (&ldquo;diante de Deus&rdquo;), quanto no servi&ccedil;o comunit&aacute;rio e testemunho atrav&eacute;s da proclama&ccedil;&atilde;o, sinais, atos de justi&ccedil;a e obras (&ldquo;e de todo o povo&rdquo;). Nosso chamado &eacute; servir aos homens, em nome de Deus.<\/p>\n<p>Por diversas raz&otilde;es hist&oacute;ricas que culminaram numa leitura espec&iacute;fica e equivocada das Escrituras e numa missiologia reducionista, a Igreja tem se restringido, muitas vezes, a ser &ldquo;poderosa em palavras&rdquo;. Valorizamos o p&uacute;lpito, o evangelismo, a proclama&ccedil;&atilde;o, e defendemos a verdade absoluta que expressamos verbalmente, mas nem tanto o servi&ccedil;o comunit&aacute;rio, a milit&acirc;ncia social, a ministra&ccedil;&atilde;o &agrave;s necessidades f&iacute;sicas. Descremos num engajamento social e pol&iacute;tico e desconfiamos de qualquer forma de alian&ccedil;a ou parceria com outros atores sociais com vistas &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o. Na vida pessoal, separamos o servi&ccedil;o &ldquo;sagrado&rdquo;, eclesi&aacute;stico, espiritual, da atua&ccedil;&atilde;o na vida profissional e comunit&aacute;ria, chamando-a de &ldquo;secular&rdquo;.<\/p>\n<p>Nesta vis&atilde;o, que limita a miss&atilde;o &agrave; proclama&ccedil;&atilde;o apenas, o nosso alvo final &eacute; a salva&ccedil;&atilde;o de almas rumo a uma eternidade com Deus e a evid&ecirc;ncia de &ecirc;xito &eacute; uma igreja cheia de gente. Uma pr&aacute;tica missiol&oacute;gica estreita &eacute; um dos fatores que contribuem para uma igreja cada vez mais irrelevante: <br \/>&#8211; n&atilde;o h&aacute; servi&ccedil;o comunit&aacute;rio; <br \/>&#8211; a igreja se torna um grupo de pessoas voltado para si; <br \/>&#8211; as manifesta&ccedil;&otilde;es de compromisso p&uacute;blico e posicionamentos institucionais s&atilde;o apenas no sentido de defender os seus pr&oacute;prios interesses e n&atilde;o envolvem a sociedade como um todo, muito menos a den&uacute;ncia das injusti&ccedil;as; <br \/>&#8211; os minist&eacute;rios s&atilde;o desenhados para manter as estruturas da igreja e fazer com que elas funcionem bem, com pouca repercuss&atilde;o comunit&aacute;ria; <br \/>&#8211; a express&atilde;o vocacional dos membros &eacute; consumida internamente nos minist&eacute;rios eclesi&aacute;sticos. Quase n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para uma milit&acirc;ncia social e um engajamento transformacional ao n&iacute;vel de sociedade.<\/p>\n<p>Quando muito, s&atilde;o iniciativas individuais dos membros, pulverizadas e com pouco impacto efetivo;<br \/>&#8211; posicionamentos e a&ccedil;&otilde;es de cunho social s&atilde;o considerados &ldquo;menos importantes&rdquo; ou secund&aacute;rios, muitas vezes tolerados e n&atilde;o empoderados pelas lideran&ccedil;as, e quando existem, est&atilde;o desconectados do sentido da pr&oacute;pria Miss&atilde;o da igreja, o cerne e o sentido a sua exist&ecirc;ncia.<br \/>&#8211; o testemunho social e as obras de servi&ccedil;o comunit&aacute;rio s&atilde;o vistos como um &ldquo;gancho&rdquo; para o que &ldquo;realmente interessa&rdquo;: o evangelismo e a salva&ccedil;&atilde;o das almas. O resultado desta incompreens&atilde;o acerca da integralidade da mensagem evang&eacute;lica gera uma s&eacute;rie de conseq&uuml;&ecirc;ncias, como: projetos com resultados fracos, equ&iacute;vocos na condu&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o dos programas de interven&ccedil;&atilde;o, manipula&ccedil;&atilde;o da comunidade, falta de prioridade estrat&eacute;gica e or&ccedil;ament&aacute;ria, etc.<\/p>\n<p>Uma pergunta que cabe a todos n&oacute;s, especialmente aos l&iacute;deres eclesi&aacute;sticos &eacute;: se sua igreja, num piscar de olhos, desaparecesse da comunidade onde est&aacute; inserida, o que a comunidade ao redor ia achar disso?<br \/>Infelizmente, a resposta sincera a esta pergunta denunciaria a quase completa irrelev&acirc;ncia de grande parte das comunidades crist&atilde;s, quando n&atilde;o um testemunho comunit&aacute;rio negativo.<br \/>Ser&aacute; esta a nossa voca&ccedil;&atilde;o? Devemos nos contentar com esta situa&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p>Uma igreja relevante &eacute; assim reconhecida pela comunidade onde est&aacute; inserida.<\/p>\n<p>*Maur&iacute;cio J. S. Cunha &eacute; diretor de programas da Vis&atilde;o Mundial e autor do livro <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/?pg=show_livros&amp;util=1&amp;registro=176\" target=\"_blank\">O Reino entre N&oacute;s<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\" target=\"_blank\">Editora Ultimato<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mauricio J. S. Cunha* &ldquo;Ent&atilde;o, lhes perguntou Jesus: Que &eacute; isso que vos preocupa e de que ides tratando &agrave; medida que caminhais? E eles pararam entristecidos. Um por&eacute;m, chamado Cleopas, respondeu, dizendo: &Eacute;s o &uacute;nico, porventura, que, tendo estado em Jerusal&eacute;m, ignoras as ocorr&ecirc;ncias destes &uacute;ltimos dias? Ele lhes perguntou: Quais? 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