{"id":2384,"date":"2012-06-18T11:07:06","date_gmt":"2012-06-18T14:07:06","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/?p=2384"},"modified":"2012-06-18T11:07:06","modified_gmt":"2012-06-18T14:07:06","slug":"igrejas-gueto-uma-analise-do-perfil-missionario-brasileiro-1a-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/2012\/06\/igrejas-gueto-uma-analise-do-perfil-missionario-brasileiro-1a-parte\/","title":{"rendered":"Igrejas gueto &#8211; Uma an\u00e1lise do perfil mission\u00e1rio brasileiro (1\u00aa parte)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2012\/06\/cerca.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-2384\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\" data-lightview-title=\"cerca\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-2385\" title=\"cerca\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2012\/06\/cerca.jpg\" alt=\"\" width=\"336\" height=\"252\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2012\/06\/cerca.jpg 480w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2012\/06\/cerca-300x225.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/paralelo10\/files\/2012\/06\/cerca-150x112.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 336px) 100vw, 336px\" \/><\/a>O censo de 2010 apresenta um novo perfil religioso brasileiro, que progressivamente vem sendo marcado pelo contexto evang\u00e9lico. H\u00e1 30 ou 40 anos atr\u00e1s a imagem que se tinha de &#8220;crente\u201d, era a pessoa que n\u00e3o faz isto, aquilo, etc. Tal percep\u00e7\u00e3o foi o resultado da prolifera\u00e7\u00e3o dos grupos pentecostais (Assembleia de Deus, principalmente) que a partir da d\u00e9cada de 1950 passaram a evangelizar maci\u00e7amente a nossa gente (e gl\u00f3ria a Deus por ainda fazerem isto). O momento recente, por\u00e9m, tem sido marcado pela maior e lament\u00e1vel ascend\u00eancia dos grupos neopentecostais (igrejas como a Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo, Mundial do Poder de Deus, etc.) que possuem uma teologia distorcida e, por esta raz\u00e3o, difundem uma pr\u00e1tica deturpada, e n\u00e3o raro, her\u00e9tica. Se por um lado eles falam da salva\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 em Jesus, por outro fazem vergonhosa barganha de b\u00ean\u00e7\u00e3os, quando n\u00e3o escandalizam com a ostenta\u00e7\u00e3o e mal uso de riquezas1 materiais em um pa\u00eds com milh\u00f5es de miser\u00e1veis.<\/p>\n<p>Notoriamente, as denomina\u00e7\u00f5es do grupo conhecido como \u201ctradicionais\u201d t\u00eam experimentado uma estagna\u00e7\u00e3o e diminui\u00e7\u00e3o do percentual em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento populacional nacional, como se verifica no caso dos presbiterianos.<!--more--> A hist\u00f3ria eclesi\u00e1stica registra amplamente que nossa p\u00e1tria foi inicialmente evangelizada por evang\u00e9licos reformados, e que a costa do Nordeste, por um curto per\u00edodo, teve a forte influ\u00eancia da igreja reformada holandesa durante o tempo do pr\u00edncipe Maur\u00edcio de Nassau, influ\u00eancia que foi fortemente perseguida e banida com o retorno do catolicismo do governo portugu\u00eas. Lan\u00e7ando um pouco mais de luz sobre o caso do presbiterianismo, em 1959, no centen\u00e1rio da Igreja Presbiteriana do Brasil, Juscelino, ent\u00e3o presidente da rep\u00fablica, esteve presente ao culto de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as na catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. Naquela \u00e9poca, os presbiterianos eram o maior grupo denominacional do pa\u00eds. Um pouco mais de 50 anos depois, os presbiterianos do Brasil, em termos num\u00e9ricos, apresentam uma representatividade nacional acentuadamente diminu\u00edda. Talvez com uma menor proporcionalidade, praticamente o mesmo ocorreu com a maioria das denomina\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, com algumas exce\u00e7\u00f5es regionalmente localizadas.<\/p>\n<p>Isto nos leva a perguntar: O que aconteceu com as igrejas hist\u00f3ricas (Batistas, Presbiterianas, Metodistas, Congregacionais)? Por que n\u00e3o foram elas as comunidades evang\u00e9licas que se expandiram e influenciaram mais amplamente o nosso povo? N\u00e3o estavam elas estabelecidas no in\u00edcio mission\u00e1rio nacional, e n\u00e3o foram bem estruturadas entre n\u00f3s? O que aconteceu com a teologia de qualidade que n\u00e3o produziu evangeliza\u00e7\u00e3o de quantidade? Dever\u00edamos interpretar este fato como uma a\u00e7\u00e3o soberana de Deus ou como uma in\u00e9rcia de nossas igrejas face \u00e0s outras que cresceram? Ser\u00e1 que a pr\u00e1tica mission\u00e1ria de igreja local deixou de refletir a obedi\u00eancia \u00e0 ordem de pregar o evangelho? Nossa proposta aqui n\u00e3o \u00e9 a de fazer uma avalia\u00e7\u00e3o do crescimento denominacional, mas, com sinceridade, avaliarmos o que aconteceu para n\u00e3o repetimos os erros ao pastorearmos a igreja que em primeiro lugar \u00e9 do Senhor, e com humildade e santidade podermos planejar a\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias. Para tanto, o nosso enfoque ser\u00e1 o de buscar orienta\u00e7\u00e3o na Palavra de Deus, nossa \u00fanica regra de f\u00e9 e pr\u00e1tica, para conhecermos o papel da igreja e do crente no mundo e n\u00e3o apenas sua atua\u00e7\u00e3o dentro da igreja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O perfil evangel\u00edstico-teol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>Necessitando estabelecer os trilhos teol\u00f3gicos os quais orientam as nossas reflex\u00f5es, se faz preciso, al\u00e9m de fincar s\u00f3lidas e profundas estacas nas Sagradas Escrituras e observ\u00e1-las unicamente atrav\u00e9s da hermen\u00eautica da inten\u00e7\u00e3o autoral e da interpreta\u00e7\u00e3o sincr\u00f4nica, a qual reconhece que h\u00e1 a necessidade de compatibilizar o tempo do autor e nosso tempo atual, deixo claro que opto pela doutrin\u00e1ria reformada calvinista para explicitar a linha diretriz na confec\u00e7\u00e3o de uma proposta teol\u00f3gica-pr\u00e1tica de miss\u00e3o. Tendo como ponto de partida a posi\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea adotada por v\u00e1rios missi\u00f3logos que classificam a teologia de miss\u00e3o, a grosso modo, em dois grandes grupos: os evangelicais e os ecum\u00eanicos, 2 parece-nos mais coerente e adequado classificar, pelo menos, tr\u00eas grandes posi\u00e7\u00f5es teol\u00f3gicas quanto a a\u00e7\u00e3o da igreja no mundo: \u201cigrejas de gueto\u201d, \u201cigrejas de absor\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cigrejas peregrinas\u201d. Essas op\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas produzem uma linha de a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, mas definem como a igreja age. A terceira posi\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela que servir\u00e1 como pr\u00e1tica mission\u00e1ria que abra\u00e7amos e propomos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Igreja gueto<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 o tipo de comunidade crist\u00e3 que abra\u00e7a a teologia do \u201csaia do meio deles\u201d. Agem se fechando em um casulo e encarando todo o resto como externo e desconexo \u00e0 realidade e responsabilidade do crente. Podemos dizer que algumas igrejas hist\u00f3ricas se enquadram neste perfil, se fechando sem assumir deturpa\u00e7\u00f5es doutrin\u00e1rias. Ao se analisar as posi\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias que produzem o gueto, se faz necess\u00e1rio observ\u00e1-las por dois \u00e2ngulos.<\/p>\n<p><strong>a) O gueto isolacionista tradicional<\/strong><\/p>\n<p>Este grupo abra\u00e7a uma proposta que tem levado crist\u00e3os a produzirem uma cidade-igreja dentro da cidade-secular. Ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, foram criados \u201cguetos de artistas, superestrelas e apresentadores, com vers\u00f5es crist\u00e3s de tudo que h\u00e1 no mundo\u201d3, para assim ser permitido o envolvimento do crist\u00e3o em tais atividades. A maior incid\u00eancia desta postura diz respeito \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o tradicionalista (que \u00e9 diferente de preservar uma tradi\u00e7\u00e3o \u2013 1 Co 11.16) produzida na maioria das igrejas evang\u00e9licas hist\u00f3ricas e principalmente nas pentecostais mais antigas, onde o descompasso com a realidade da cidade \u00e9 frequentemente grande e conflitante. Prega-se, por exemplo, que o convertido, de imediato \u00e0 convers\u00e3o, deve proceder um completo rompimento das amizades com incr\u00e9dulos. Tal postura, al\u00e9m de ser antimission\u00e1ria, lan\u00e7a fora os elos para o testemunho, impondo que o novo crist\u00e3o imediatamente se desfa\u00e7a das amizades com os de fora-da-igreja por amor do evangelho. Afinal de contas, dizem eles, \u201cseus amigos-irm\u00e3os\u201d agora est\u00e3o apenas na igreja. Descontextualizando as Escrituras, os defensores do gueto questionam: \u201cque uni\u00e3o pode haver entre o crente e o incr\u00e9dulo?\u201d (2 Co 6.16). Mesmo reservando o espa\u00e7o da igreja peregrina para fazer a proposta da f\u00e9 reformada da participa\u00e7\u00e3o evangel\u00edstica da igreja no mundo e estabelecer os seus limites, \u00e9 preciso registrar aqui que o gueto religioso n\u00e3o reflete o ensino b\u00edblico do agir de Jesus, nem t\u00e3o pouco a estrat\u00e9gia de evangeliza\u00e7\u00e3o e o ensino da participa\u00e7\u00e3o social do ap\u00f3stolo Paulo4, nem muito menos satisfaz os requisitos da hermen\u00eautica reformada. N\u00e3o advogando a parceria ou cumplicidade para com o mal, nem a comunh\u00e3o ou associa\u00e7\u00e3o com pecadores para a pr\u00e1tica do pecado, reiteramos a afirma\u00e7\u00e3o do ap\u00f3stolo Paulo: \u201cJ\u00e1 em carta vos escrevi que n\u00e3o vos associeis com os impuros; refiro-me, com isso n\u00e3o propriamente aos impuros deste mundo, ou aos avarentos, ou roubadores, ou id\u00f3latras; pois, neste caso, ter\u00edeis que sair do mundo. Mas agora, vos escrevo que n\u00e3o vos associeis com algu\u00e9m que, dizendo-se irm\u00e3o, for impuro, ou avarento, ou id\u00f3latra, ou maldizente, ou beberr\u00e3o ou roubador; com esse tal, nem ainda comais.\u201d (1 Co 5.9-10)<br \/>\nA a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria de gueto adotada pelo grupo \u201ctradicional\u201d apresenta fortes cores especialmente em duas \u00e1reas: na participa\u00e7\u00e3o social e na vida cultural. Na primeira \u00e1rea o envolvimento \u00e9 aceito s\u00f3 se for com entidades sociais evang\u00e9licas e com a finalidade de evangelizar. No que se refere \u00e0s parcerias com a comunidade citadina ou com o governo civil para a\u00e7\u00f5es de cunho social, a igreja \u00e9 levada a n\u00e3o participar, verificando-se exce\u00e7\u00f5es quando um l\u00edder do governo pertencer \u00e0 igreja. John Stott bem qualificou este tipo de isolacionismo ao rejeitar a a\u00e7\u00e3o social praticada como meio de evangelismo do tipo \u201ca\u00e7\u00facar para formiga, isca no anzol\u201d5. Para Stott, a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria biblicamente coerente consiste de \u201ca\u00e7\u00e3o social parceira da evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d6.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 quest\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o cultural ou utiliza\u00e7\u00e3o de seus itens na vida cotidiana, a dist\u00e2ncia se torna quase intranspon\u00edvel. Bem pertinente ao enfoque urbano \u00e9 a abordagem feita por Michael Horton no seu livro \u201cCristo e a Cultura\u201d 7. Ele tem como ponto de partida a avalia\u00e7\u00e3o de Reinhold Niebuhr 8, sendo a primeira das cinco classifica\u00e7\u00f5es, \u201cCristo contra a cultura\u201d, a que melhor define as atitudes da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria de gueto tradicional. A forma\u00e7\u00e3o de guetos \u201ccrist\u00e3os contra a cultura\u201d n\u00e3o \u00e9 coisa nova e pode ser sublinhada em quatro per\u00edodos. Logo nos primeiros crist\u00e3os, pode-se identificar uma forte rea\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura, afinal \u201c\u00e9 dif\u00edcil ter uma vis\u00e3o otimista do impacto sobre a cultura quando se est\u00e1 sendo jogado aos le\u00f5es, e as persegui\u00e7\u00f5es intensificavam as experi\u00eancias de deserto desses crist\u00e3os primitivos que almejavam uma cidade melhor\u201d.9 Embora n\u00e3o fosse a posi\u00e7\u00e3o adotada por todos os Pais da igreja, Tertuliano pregava uma franca rejei\u00e7\u00e3o da cultura e at\u00e9 \u00e0 filosofia ao dizer: \u201cO que tem Atenas a ver com Jerusal\u00e9m?\u201d10, expondo um descompasso do viver crist\u00e3o proposto pela cidade de Jerusal\u00e9m em contradi\u00e7\u00e3o \u00e0 idolatria praticada em Atenas.<\/p>\n<p>Posteriormente, o segundo momento apresentou o surgimento dos mosteiros. Por crerem que o afastamento do mundo era fator de crescimento espiritual, a pr\u00e1tica da clausura tornou-se formadora de guetos por excel\u00eancia. O monasticismo surgiu com a grande marca da ordem beneditina, tamb\u00e9m como uma rea\u00e7\u00e3o ao engessamento eclesi\u00e1stico. O clericalismo (acessos espirituais e privil\u00e9gios exclusivo dos cl\u00e9rigos) havia abra\u00e7ado quase que totalmente o estilo e valores mundanos, tornando a proposta crist\u00e3 praticamente indissol\u00favel com a cultura. Contudo, o gueto n\u00e3o foi total; esse movimento mon\u00e1stico marcou definitivamente o trabalho mission\u00e1rio por s\u00e9culos tanto nas cidades quanto nas \u00e1reas rurais. Os monges foram, praticamente, os grandes mission\u00e1rios da Igreja Cat\u00f3lica Romana11, e os respons\u00e1veis pelo an\u00fancio da f\u00e9 cat\u00f3lica em quase todo continente europeu, tendo atingido tamb\u00e9m cidades da \u00c1sia.12<\/p>\n<p>O terceiro \u201cavivamento\u201d do gueto crist\u00e3o tradicional se deu com os grupos anabatistas na \u00e9poca da Reforma do s\u00e9culo 16. Eles reagiram n\u00e3o apenas contra Roma, mas tamb\u00e9m contra a \u201ctoler\u00e2ncia\u201d dos reformadores com a igreja romana. Eles rejeitaram qualquer semelhan\u00e7a com os rituais e pr\u00e1ticas cat\u00f3licas, tais como o batismo por aspers\u00e3o, formas de culto, vestimentas, rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com o estado, etc. Tal postura produziu uma vis\u00e3o separatista da igreja e sua rela\u00e7\u00e3o com a sociedade n\u00e3o crist\u00e3. O gueto mais uma vez se instalou. O quarto movimento diz respeito \u00e0 \u00e9poca de hoje e tem se instalado nas cidades sem produzir barreiras geogr\u00e1ficas. Para a \u201cigreja gueto\u201d do s\u00e9culo 21 a expans\u00e3o do Reino de Deus \u00e9, via de regra, interpretada como a constru\u00e7\u00e3o de um imp\u00e9rio crist\u00e3o dentro da cidade pag\u00e3. No contexto urbano atual, grupos de igrejas evang\u00e9licas de tend\u00eancia exclusivista, abra\u00e7am o gueto mission\u00e1rio que a Reforma procurou desfazer13. Alguns chegam ao extremo de recusar servir o ex\u00e9rcito ou participar de cargos p\u00fablicos, como fizeram os anabatistas separando-se fisicamente da cidade-do-homem, ao tempo que estabeleciam utopias espirituais dentro e fora dos limites das cidades.14 Nas palavras de Horton: \u201cEventualmente, chegamos ao ponto de possuir nossas pr\u00f3prias esta\u00e7\u00f5es de r\u00e1dio e televis\u00e3o, cinemas, \u2018show de entrevistas\u2019, cruzeiros, estrelas de rock, divertimentos e outros apetrechos do hedonismo moderno, sem ter que se preocupar com deixar o gueto. Chamamos isto de evangelismo e talvez at\u00e9 intencion\u00e1ssemos que fosse evangelismo, mas acabou criando apenas mais uma igreja que \u00e9 do mundo, mas n\u00e3o est\u00e1 no mundo, ao inv\u00e9s de estar no mundo e n\u00e3o ser do mundo.\u201d15.<\/p>\n<p><strong>b) O gueto isolacionista radical<\/strong><\/p>\n<p>O outro grande grupo da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria de gueto \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o, pois defende o \u201cisolacionismo radical\u201d. Ele \u00e9 formado por aqueles que defendem e radicalizam a posi\u00e7\u00e3o da igreja como o \u201cporto seguro\u201d e ao mesmo tempo o quartel general divino das opera\u00e7\u00f5es da \u201cbatalha espiritual\u201dcontra o dom\u00ednio territorial de Satan\u00e1s. Radicalismo \u00e9 o termo que melhor define este tipo de a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria. A cidade \u00e9 vista como dominada por principados e potestades demon\u00edacos que s\u00e3o chamados de \u201cgovernadores espirituais territoriais\u201d. O contexto urbano \u00e9 entendido como lugar maldito, a cidade \u00e9 toda perversa, diab\u00f3lica e odiosa. Ela \u00e9 o palco de uma guerra entre Deus e Satan\u00e1s, onde a igreja \u00e9 o ex\u00e9rcito divino e os habitantes da cidade os \u201cfilhos de Magogue\u201d16.<\/p>\n<p>Os que defendem esta \u201cmissiologia de guerra\u201d reduzem a pr\u00e1tica mission\u00e1ria \u00e0 tarefa de levar a igreja a fazer incurs\u00f5es de sobreviv\u00eancia para si mesma na cidade e planejar uma estrat\u00e9gia para \u201camarrar\u201d e \u201cdestronar\u201d os dem\u00f4nios que governam a cidade, antes de efetuar embates e resgates que produzam \u201cliberta\u00e7\u00e3o espiritual\u201d. Claramente \u00e9 pregado, embora d\u00ea-se \u00eanfase no poder do Esp\u00edrito Santo, que a salva\u00e7\u00e3o de muitas pessoas na cidade depender\u00e1 de como a igreja age contra os principados urbanos do mal. O m\u00e9todo assume maior poder do que a pr\u00f3pria soberania de Deus. Paradoxalmente, verifica-se que tal posi\u00e7\u00e3o priva a igreja da participa\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica na cidade, a\u00e7\u00e3o que \u00e9 vista como associar-se ao inimigo ou conceder-lhe tr\u00e9gua. Por outro lado, aceitam-se participa\u00e7\u00f5es e doa\u00e7\u00f5es mundanas que venham a beneficiar a &#8220;cidade-igreja&#8221;, afinal \u201cguerra \u00e9 guerra\u201d.<\/p>\n<p>O gueto crist\u00e3o radical, ao abra\u00e7ar o dualismo entre o secular e o sagrado, torna quase que impercept\u00edvel a doutrina da gra\u00e7a comum, limita a extens\u00e3o da vit\u00f3ria de Jesus sobre o reino de trevas ao contexto da igreja e confere a esta uma miss\u00e3o que difere da Missio Dei (Miss\u00e3o de Deus). N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o missi\u00f3logo M. A. C. Warren constata: \u201cNossa teologia de miss\u00f5es tem sido muito, demasiadamente, relacionada com o resgate de almas e fazer continuar flutuando a pequena arca de salva\u00e7\u00e3o, e muito, muito pouco com a seguran\u00e7a dos direitos da Cruz do Redentor em todas as partes do seu dom\u00ednio. Temos tido uma pobre vis\u00e3o da gra\u00e7a e limitad\u00edssima percep\u00e7\u00e3o do pecado.\u201d17.<\/p>\n<p>Seja qual for o tipo de isolacionismo, a op\u00e7\u00e3o pelo gueto mission\u00e1rio produz na igreja um grande distanciamento do seu campo mission\u00e1rio e rejeita a proposta do Cristo que se fez gente e viveu a sua realidade urbana. Ao viver e apreciar a sua \u201costra mission\u00e1ria\u201d, a igreja volta-se tanto para si mesma que deixa de perceber e praticar sua natureza mission\u00e1ria de ir ao mundo e produzir um encontro com uma mensagem de boas not\u00edcias. Ecoa para n\u00f3s ainda hoje a observa\u00e7\u00e3o feita por Hendrick Kraemer: \u201cNo exato momento em que uma igreja principia a afastar-se da introvers\u00e3o em que est\u00e1 imersa, por aceitar que basicamente \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o estruturada, e olha para o verdadeiro campo, o mundo, um novo realismo se desperta. Um sem-n\u00famero de perguntas imediatamente assalta tal igreja, perguntas como: O que sou? Para que fim existo? Estou alcan\u00e7ando plenamente esse objetivo? Onde e como vivo? Num gueto ou em contato com o mundo? O mundo escuta quando lhe falo; em caso negativo, por que n\u00e3o? Estou ou n\u00e3o proclamando de fato o evangelho? Por que se levantou esse muro de separa\u00e7\u00e3o entre o mundo e aquilo que devo representar? Conhe\u00e7o ou n\u00e3o o mundo em que as pessoas vivem? Por que visivelmente me consideram vest\u00edgios de um mundo que pertence irrevogavelmente ao passado?\u201d 18.<\/p>\n<p>A teologia de gueto pode produzir pelo menos cinco graves conseq\u00fc\u00eancias para a igreja, e podem ser identificadas como verdadeiras f\u00e1bricas de crist\u00e3os defeituosos.<\/p>\n<p>1. Os Et\u2019s do C\u00e9u<br \/>\nAlegando que o crente \u201cn\u00e3o \u00e9 deste mundo\u201d, este tipo de gueto desenvolve um estilo de vida que produz uma verdadeira aliena\u00e7\u00e3o do contexto onde a igreja est\u00e1 inserida. S\u00f3 se tem amigos na igreja, as pessoas do mundo s\u00e3o inimigas. Na verdade, acreditamos que o afastamento do mundo \u00e9 b\u00edblico e correto quando se refere ao sistema diab\u00f3lico e a n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o do crente nas suas corrup\u00e7\u00f5es, viol\u00eancias, injusti\u00e7as e imoralidades. Contudo, o gueto mission\u00e1rio torna-se inaceit\u00e1vel quando prega a total exclus\u00e3o de qualquer participa\u00e7\u00e3o social; quando incentiva a ruptura de relacionamentos, mesmo que \u00edntegros, com os incr\u00e9dulos; quando n\u00e3o se crer que Deus tamb\u00e9m \u00e9 Deus das cidades tipo \u201cBabil\u00f4nia\u201d; quando se vive esperando apenas o \u201cir para o c\u00e9u\u201d e em quanto isto vive como um \u201calien\u00edgena celeste\u201d entre os humanos da terra que n\u00e3o se compadece nem chora os seus pecados.<\/p>\n<p>2. Quase tudo \u00e9 do Diabo<br \/>\n\u00c9 frequente encontrar na igreja tipo gueto uma forte \u00eanfase no poder e a\u00e7\u00e3o de Satan\u00e1s. Apenas a igreja \u00e9 a \u201cilha de paz e seguran\u00e7a\u201d. Fora da igreja \u00e9 \u201cbatalha espiritual\u201d. H\u00e1 grupos que chegam ao extremo de ver dem\u00f4nios em quase tudo (plantas, locais da casa, pneus de carro, doen\u00e7as), ou ent\u00e3o se dedicam a descobrir quais s\u00e3o as \u201centidades\u201d que governam um estado, uma cidade ou um bairro. Parece que o Salmo 24 n\u00e3o faz parte da B\u00edblia, e que Jesus na Cruz e por sua ressurrei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o destruiu de vez o poder de Satan\u00e1s (Cl 2.13-15; Hb 2.14-14; 1 Pe 3.22).<\/p>\n<p>3. A igreja \u00e9 a ilha de salva\u00e7\u00e3o<br \/>\nAo fechar-se como comunidade isolada do mundo, a igreja que abra\u00e7a o gueto se posiciona como uma esp\u00e9cie de \u201c\u00fanica ilha de salva\u00e7\u00e3o\u201d, e os crentes v\u00e3o ao mundo para \u201csalvar alguns perdidos\u201d e traz\u00ea-los para dentro da ilha e, geralmente, quando chegam, lhes s\u00e3o exigidas penosas regras do tipo \u201cpode-n\u00e3o-pode\u201d que, frequentemente, v\u00e3o al\u00e9m das recomenda\u00e7\u00f5es b\u00edblicas.<\/p>\n<p>4. Paranoia espiritual<br \/>\nN\u00e3o raro encontramos crentes que por \u201cfraqueza espiritual\u201d ou fragilidade de sua base doutrin\u00e1ria, n\u00e3o conseguem dizer \u201csim\u201d plenamente \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es que o gueto faz, e por isso vivem uma vida dupla. No mundo eles s\u00e3o e agem com o padr\u00e3o semidiab\u00f3lico (n\u00e3o se entregam de todo), na igreja vestem a \u201cfarda que todos usam\u201d. \u00c9 o famoso \u201cum p\u00e9 no mundo e outro na igreja\u201d. Essa duplicidade produz uma tens\u00e3o t\u00e3o violenta e destrutiva que, mais cedo ou mais tarde, termina se rompendo e a enfermidade espiritual fica exposta.<\/p>\n<p>5. Separa\u00e7\u00e3o do que \u00e9 sagrado e do que \u00e9 secular<br \/>\nGeralmente o gueto gera coisas que s\u00e3o sagradas (s\u00f3 para Deus ou propriedade de Deus), e coisas que s\u00e3o profanas ou seculares (propriedade de Satan\u00e1s ou do mundo). Produzem conceitos tais como o local (templo) onde a igreja se re\u00fane \u00e9 sagrado, mas a sala da casa e o carro do crente n\u00e3o. Coisas e roupas que n\u00e3o podem ser usadas nas reuni\u00f5es das igrejas, podem em reuni\u00f5es equivalentes no mundo, etc. Esta divis\u00e3o, em parte, \u00e9 a consequ\u00eancia de uma cren\u00e7a err\u00f4nea que o Diabo \u00e9 propriet\u00e1rio da cria\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>Notas:<br \/>\n1. Em fevereiro de 2001, a l\u00edder da igreja Renascer em Cristo, foi foco de uma reportagem onde a l\u00edder ostentou carros importados e at\u00e9 o casamento suntuoso de sua filha com uma festa para mais de 1000 convidados, e tudo isto como conseq\u00fc\u00eancia de sua \u2018fidelidade\u201d e \u201csantidade\u201d diante de Deus. Ver Revista Veja de fev\/2001, S\u00e3o Paulo: Editora Abril, 2001.<br \/>\n2. Na verdade n\u00e3o se pode fazer uma distin\u00e7\u00e3o muito rigorosa, pois para a classifica\u00e7\u00e3o &#8220;evangelical&#8221; h\u00e1 pelo menos 4 ou 5 outras sub-classifica\u00e7\u00f5es. Ver David Bosch, Witness to the World, 28-9.<br \/>\n3. Michael Scott Horton, O Crist\u00e3o e a Cultura. S\u00e3o Paulo: Editora Cultura Crist\u00e3, 1998, p. 10.<br \/>\n4. Este aspecto da participa\u00e7\u00e3o da igreja evangelizando o ambiente urbano \u00e9 abordado mais amplamente por Joseph Aldrich, que advoga para a igreja na cidade a quebra do paradigma do uso de campanhas de evangeliza\u00e7\u00e3o do tipo \u201cvenha e ou\u00e7a o pastor fulano de tal\u201d. Aldrich alerta que tal abordagem necessita ser trocada pela forma\u00e7\u00e3o de relacionamentos \u00edntegros com os n\u00e3o evang\u00e9licos de tal forma a proporcionarem testemunho crist\u00e3o relevante, abrindo as portas para a evangeliza\u00e7\u00e3o por amizade. Ver Joseph C. Aldrich, Amizade: A Chave para a Evangeliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Vida Nova, 1987.<br \/>\n5. John R.W. Stott, Christian Mission on the Modern World. Langdom: InterVarsity, 1975, p. 26. Em portugu\u00eas, publicado pela Editora Ultimato com o t\u00edtulo <a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/loja\/produtos\/a-missao-crista-no-mundo-moderno\" target=\"_blank\">\u201cA Miss\u00e3o Crist\u00e3 no Mundo Moderno\u201d<\/a>.<br \/>\n6. Ibid., p. 27.<br \/>\n7. Horton, O Crist\u00e3o e a Cultura, p.10.<br \/>\n8. Ibid., 41-7. O autor mesmo n\u00e3o concordando integralmente com a classifica\u00e7\u00e3o de Niebuhr, a considera \u00fatil para organizar as id\u00e9ias. As cinco classifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o: Cristo contra a cultura; O Cristo da cultura; Cristo acima da cultura; Cristo e cultura em paradoxo; e por fim Cristo o transformador da cultura.<br \/>\n9. Ibid. Grifo nosso.<br \/>\n10. Ibid.<br \/>\n11. Kenneth C. Latourette, A History of Christianity. New York: Harper Collins, 1975, vol 1, p. 233.<br \/>\n12. Joseph Cullen Ayer, A Source Book for Ancient Church History: From The Apostolic Age To The Close Of The Councilar Period. NY, Charles Scribner\u2019s Sons, 1948, p.585.<br \/>\n13. Horton, O Crist\u00e3o e a Cultura, 139. O autor afirma que o catolicismo medieval sagrou o monge que rejeitava a atividade mundana, por\u00e9m o protestantismo, em especial o calvinismo, chamava o crente para uma a\u00e7\u00e3o dentro do mundo.<br \/>\n14. Ibid., p.42.<br \/>\n15. Ibid., p.141-2.<br \/>\n16. No contexto brasileiro, quem melhor reflete esta vis\u00e3o da cidade, s\u00e3o os grupos neo-pentecostais. Contudo, h\u00e1 grupos evang\u00e9licos tradicionais influenciados pela doutrina belicosa de &#8220;Batalha espiritual&#8221; a qual possui expoentes como o conhecido te\u00f3logo norte-americano Peter Wagner, e no Brasil destacam-se, entre outros, Walnice Milhomes e Neusa Itioka no seu artigo \u201cA Miss\u00e3o da Igreja e o Confronto com a Opress\u00e3o Espiritual e as Pr\u00e1ticas Demon\u00edacas\u201d em A Miss\u00e3o da Igreja, Valdir Raul Steuernagel, Org., Belo Horizonte: Miss\u00e3o Editora, 1994, p.197-212. Ver tamb\u00e9m Augustus Nicodemus Lopes, O Que Voc\u00ea Precisa Saber Sobre Batalha Espiritual. S\u00e3o Paulo: SOCEP, 1998.<br \/>\n17. M. A. C. Warren, The Christian Mission and the Cross em Mission Under the Cross, Norman Goodall, Org., London: Edinburg Press, 1953, p.36.<br \/>\n18. Hendrick Kraemer no seu livro The Communication of The Christian Faith citado por David J. Hesselgrave, A Comunica\u00e7\u00e3o Transcultural do Evangelho: Comunica\u00e7\u00e3o, Miss\u00f5es e Cultura, vol. 1, S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Vida Nova, 1996, p. 21. Destaques em it\u00e1lico nosso.<\/p>\n<p>_________________<br \/>\n<strong>S\u00e9rgio Paulo Ribeiro Lyra<\/strong> \u00e9 pastor e coordenador do Cons\u00f3rcio Presbiteriano para A\u00e7\u00f5es Mission\u00e1rias no Interior. Autor do livro \u201cCidades para a Gl\u00f3ria de Deus\u201d (Vis\u00e3o Mundial). \u00c9 missi\u00f3logo e professor do Semin\u00e1rio Presbiteriano em Recife (PE).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O censo de 2010 apresenta um novo perfil religioso brasileiro, que progressivamente vem sendo marcado pelo contexto evang\u00e9lico. 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