{"id":6454,"date":"2016-12-07T13:10:43","date_gmt":"2016-12-07T16:10:43","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/?p=6454"},"modified":"2016-12-14T14:26:18","modified_gmt":"2016-12-14T17:26:18","slug":"3-semana-a-igreja-e-o-empoderamento-das-mulheres-emergindo-da-marginalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/2016\/12\/07\/3-semana-a-igreja-e-o-empoderamento-das-mulheres-emergindo-da-marginalidade\/","title":{"rendered":"3\u00b0 Semana &#8211; A Igreja e o empoderamento das mulheres: emergindo da marginalidade"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Sandra Duarte de Souza<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Historicamente testemunhamos o sexismo da sociedade brasileira, levado a cabo por meio da organiza\u00e7\u00e3o patriarcal das rela\u00e7\u00f5es sociais. O estatuto social diferenciado de homens e mulheres se materializa nas desigualdades de g\u00eanero observadas no pa\u00eds. Essa desigualdade est\u00e1 presente tamb\u00e9m em muitos outros lugares do mundo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-6455\" title=\"Foto: DH3RE\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2016\/12\/17354411936_bbfc923809_c.jpg\" alt=\"17354411936_bbfc923809_c\" width=\"416\" height=\"279\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2016\/12\/17354411936_bbfc923809_c-300x200.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2016\/12\/17354411936_bbfc923809_c-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 416px) 100vw, 416px\" \/>Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, a industrializa\u00e7\u00e3o, as mudan\u00e7as pol\u00edticas, n\u00e3o foram suficientes para erradicar o abismo existente entre os sexos. As mulheres constituem a maioria das pessoas empobrecidas, sendo consequentemente a maioria das pessoas famintas da terra, estando mais expostas a doen\u00e7as e epidemias. As mulheres t\u00eam menos acesso ao direito \u00e0 terra e ao cr\u00e9dito. No campo da educa\u00e7\u00e3o, a maioria das pessoas n\u00e3o alfabetizadas do mundo s\u00e3o mulheres. O mercado formal de trabalho \u00e9 menos perme\u00e1vel \u00e0 presen\u00e7a feminina do que \u00e0 masculina, obrigando as mulheres a se submeterem a subempregos e a sal\u00e1rios inferiores aos dos homens. A viol\u00eancia dom\u00e9stica acomete majoritariamente meninas e mulheres adultas, e o feminic\u00eddio \u00e9 realidade no mundo todo. Tamb\u00e9m s\u00e3o as mulheres as que est\u00e3o mais expostas ao ass\u00e9dio e a abusos sexuais. Anualmente milh\u00f5es de mulheres de distintas idades s\u00e3o traficadas e submetidas ao trabalho escravo e \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o. Menos de 20% das mulheres do mundo s\u00e3o legisladoras, e isso tem implica\u00e7\u00f5es diretas sobre a afirma\u00e7\u00e3o e garantia de seus direitos.<\/p>\n<p>Todos os dados acima apresentados podem ser ainda mais problematizados se considerarmos tamb\u00e9m o dado da ra\u00e7a\/etnia, da regionalidade, da idade e muitos outros. Existe uma expl\u00edcita articula\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o das diferentes formas de domina\u00e7\u00e3o. As desigualdades de g\u00eanero est\u00e3o articuladas com as desigualdades de classe, de ra\u00e7a\/etnia, de idade e assim por diante. No Brasil, por exemplo, uma mulher negra ou ind\u00edgena, pobre e idosa, tem menos probabilidade de acessar direitos b\u00e1sicos se comparada a uma mulher jovem, branca, de classes mais favorecidas. Isso significa que h\u00e1 mulheres que est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es ainda mais marginais do que outras, e essa situa\u00e7\u00e3o precisa ser denunciada e combatida.<!--more--><\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o de subumanidade e opress\u00e3o das mulheres foi denunciada e repudiada por Jesus, que anunciou a sua humanidade plena. \u00c9 o que podemos ler em nosso texto de refer\u00eancia, que trata de Maria e Isabel, mas que tamb\u00e9m pode ser visto em Lc 13,10-17, quando o mestre curou a mulher encurvada; ou em Jo 4, 6-30, quando conversou longamente com a mulher samaritana; ou em Mt 9,20-22, quando curou a mulher que vivia h\u00e1 anos com hemorragia; ou ent\u00e3o em Lucas Lc 7,11-17, quando devolveu \u00e0 vida o filho da vi\u00fava da cidade de Naim.<\/p>\n<p>Essas e tantas outras passagens dos Evangelhos indicam o empenho de Jesus na luta contra a opress\u00e3o das mulheres. Mais do que a cura f\u00edsica, Jesus\u00a0devolveu a elas a humanidade e a dignidade. De sua parte, as mulheres n\u00e3o ficaram paradas. Elas inquiriram o mestre. Elas o tocaram. Elas confrontaram os padr\u00f5es sociais estabelecidos. Elas se autorreconheceram como humanas, como sujeitos de direitos, como imagem e semelhan\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p>Diante de tudo isso, perguntamos: em que medida a Igreja tem denunciado a nega\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres? De que forma a Igreja tem contribu\u00eddo para afirmar a sujeiticidade feminina? \u00c9 preciso que a Igreja seja um espa\u00e7o de den\u00fancia do mal, bem como um espa\u00e7o de solidariedade, de cumplicidade, de reconhecimento dos direitos das mulheres e de empoderamento.<\/p>\n<p>Assim como a interven\u00e7\u00e3o de Deus nas vidas de Isabel e Maria libertou-as da opress\u00e3o patriarcal de sua \u00e9poca, outras mulheres podem ser empoderadas para sair da marginalidade. H\u00e1 muitas mulheres na expectativa da visita libertadora de Deus, e \u00e9 miss\u00e3o da Igreja anunciar a boa nova da sua salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Sandra Duarte de Souza Historicamente testemunhamos o sexismo da sociedade brasileira, levado a cabo por meio da organiza\u00e7\u00e3o patriarcal das rela\u00e7\u00f5es sociais. O estatuto social diferenciado de homens e mulheres se materializa nas desigualdades de g\u00eanero observadas no pa\u00eds. Essa desigualdade est\u00e1 presente tamb\u00e9m em muitos outros lugares do mundo. 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