{"id":6357,"date":"2016-10-17T14:06:33","date_gmt":"2016-10-17T17:06:33","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/?p=6357"},"modified":"2016-10-17T14:06:33","modified_gmt":"2016-10-17T17:06:33","slug":"as-criancas-e-a-insuportavel-sensatez-dos-adultos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/2016\/10\/17\/as-criancas-e-a-insuportavel-sensatez-dos-adultos\/","title":{"rendered":"As crian\u00e7as e a insuport\u00e1vel sensatez dos adultos"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-6358 size-full\" title=\"Ilustra\u00e7\u00e3o: Liz Valente\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2016\/10\/imag_opi_12_10_crianca.jpg\" alt=\"imag_opi_12_10_crianca\" width=\"340\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2016\/10\/imag_opi_12_10_crianca.jpg 340w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2016\/10\/imag_opi_12_10_crianca-300x221.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2016\/10\/imag_opi_12_10_crianca-150x110.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><span style=\"color: #3366ff;\">Por Kl\u00eania Fassoni<\/span><\/em><\/strong><\/p>\n<p>&#8211; Uma hist\u00f3ria sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a, do in\u00edcio ao fim divertida, \u2018sem\u2019 prop\u00f3sito e \u2018sem\u2019 coer\u00eancia. Tinha ritmo e figuras. Um mundo de impossibilidades que parecia real por suas cores t\u00e3o n\u00edtidas!<\/p>\n<p>&#8211; Uma menina dan\u00e7ando, rodopiando, como se estivesse de olhos fechados sem notar ningu\u00e9m. T\u00edmida, naquele momento estava solta, feliz. Estava em outro mundo, devaneando. Eu a invejei.<\/p>\n<p>&#8211; Uma pedra alta no caminho de casa, que virou monumento, onde sempre voltava e reafirmava pequenas certezas de crian\u00e7a, teologia difusa, mas sincera. Eu o acompanhava com o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Uma alegria \u201cque do\u00eda\u201d, de t\u00e3o intensa, por causa de uma m\u00fasica \u201ctriste\/alegre\u201d. Ouvia de olhos fechados para senti-la melhor. Neste momento n\u00e3o estava ali, estava em outro lugar invadido por felicidade.<\/p>\n<p>&#8211; Uma ora\u00e7\u00e3o &#8211; o Pai Nosso orado como se de fato o Reino de Deus pudesse vir para todos os espa\u00e7os da vida. Se na escola ensinavam sobre reciclar o lixo, o menino suplicava que \u201ctodo mundo do mundo\u201d aprendesse a cuidar do lixo; se tinha dificuldade de dormir, pedia a Deus um bom sono e que isto se estendesse a \u201ctodo mundo do mundo\u201d.<!--more--><\/p>\n<p>&#8211; Um prato de comida que era tamb\u00e9m a sua ilha onde guerreiros e dinossauros duelavam.<\/p>\n<p>&#8211; Bolhas de sab\u00e3o podiam ser tudo, nuvens no c\u00e9u tamb\u00e9m. Vagalumes mensageiros. Bichos voadores. Que del\u00edcia de absurdos!<\/p>\n<p>S\u00e3o algumas das rel\u00edquias que guardo da minha conviv\u00eancia com os filhos crian\u00e7as. D\u00e1divas do c\u00e9u, eles tiraram um pouco da minha excessiva sobriedade, desorganizaram meu espa\u00e7o e meu tempo e emprestaram novos significados a minha vida. Pouco imaginativa, recebi deles este precioso presente, que me permitiu uma inoc\u00eancia infantil que v\u00ea al\u00e9m do rigor racional.<\/p>\n<p>Ainda hoje preciso das crian\u00e7as para desenvolver esta habilidade. Os filhos cresceram; vieram as netas que \u00e0 dist\u00e2ncia me oferecem pequenas doses de imagina\u00e7\u00e3o. Recorro aos filhos dos amigos e a outras crian\u00e7as. N\u00e3o nego! Roubo deles um pouco de sua imagina\u00e7\u00e3o. E recomendo que outros o fa\u00e7am.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos rascunhei a hist\u00f3ria de um personagem caricaturado, com o qual me identificava parcialmente. A hist\u00f3ria est\u00e1 s\u00f3 esbo\u00e7ada; ao final h\u00e1 uma anota\u00e7\u00e3o de que ele se redimiria de sua insuport\u00e1vel sensatez, e que isso aconteceria por meio de sua conviv\u00eancia com as crian\u00e7as.<\/p>\n<p><em>Amaro era gr\u00e1vido de ideias, dono de uma l\u00f3gica impec\u00e1vel. Argumentava, especulava, questionava: a respeito de tudo e todos, de si para si. Respondia o que ningu\u00e9m perguntava. Inferia inten\u00e7\u00f5es, pesquisava causas, pressagiava efeitos, antecipava ju\u00edzos, vaticinava destinos. Desde que se conhece por gente \u00e9 assim. Achava que era um dom, e houve \u00e9poca que at\u00e9 se gabava disto. Depois passou a ser um peso. Percebeu que a aridez de imagina\u00e7\u00e3o lhe empobrecia a vida, e, de uns tempos para c\u00e1, deu para se autoexaminar: investigava a si mesmo, acusava-se, defendia-se, replicava. Fora de controle, o autotagarela, o tiranizou. Exausto e infeliz, procurou ajuda.<\/em><\/p>\n<p>Ainda bem que podemos contar com as crian\u00e7as para nos levar de volta pelo caminho da imagina\u00e7\u00e3o. Que podem nos ajudar a desenvolver a habilidade e a usufruir a liberdade para imaginar, um dom dado por Deus!<\/p>\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Liz Valente<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Publicado originalmente (<a href=\"http:\/\/www.ultimato.com.br\/conteudo\/as-criancas-e-a-insuportavel-sensatez-dos-adultos\" target=\"_blank\">Aqui!<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Kl\u00eania Fassoni &#8211; Uma hist\u00f3ria sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a, do in\u00edcio ao fim divertida, \u2018sem\u2019 prop\u00f3sito e \u2018sem\u2019 coer\u00eancia. Tinha ritmo e figuras. Um mundo de impossibilidades que parecia real por suas cores t\u00e3o n\u00edtidas! &#8211; Uma menina dan\u00e7ando, rodopiando, como se estivesse de olhos fechados sem notar ningu\u00e9m. 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