{"id":4716,"date":"2015-01-05T08:00:37","date_gmt":"2015-01-05T11:00:37","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/?p=4716"},"modified":"2014-12-19T09:34:34","modified_gmt":"2014-12-19T12:34:34","slug":"equilibrio-emocional-sua-falta-pode-nos-levar-ao-fundo-do-poco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/2015\/01\/05\/equilibrio-emocional-sua-falta-pode-nos-levar-ao-fundo-do-poco\/","title":{"rendered":"Equil\u00edbrio emocional: sua falta pode nos levar ao fundo do po\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p>Fazer algo bom n\u00e3o garante que o agente social esteja imune aos revezes da vida. A id\u00e9ia de que \u00e9 poss\u00edvel conviver diariamente com o sofrimento e a dor sem se deixar tocar por eles \u00e9 como achar que voc\u00ea pode passar por um lama\u00e7al sem se sujar. E no lama\u00e7al pode acontecer de j\u00e1 n\u00e3o se conseguir avan\u00e7ar, ficar atolado. Como pessoas dedicadas, capazes, sinceras no seu desejo de servir a Deus, v\u00e3o parar no fundo do po\u00e7o emocional? Vamos descobrir acompanhando Mara, uma educadora crist\u00e3 muito entusiasmada e fiel.<\/p>\n<div id=\"attachment_4717\" style=\"width: 276px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2014\/12\/Equil\u00edbrio-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4717\" class=\"wp-image-4717 size-full\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2014\/12\/Equil\u00edbrio-1.jpg\" alt=\"Equil\u00edbrio 1\" width=\"266\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2014\/12\/Equil\u00edbrio-1.jpg 266w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2014\/12\/Equil\u00edbrio-1-227x300.jpg 227w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2014\/12\/Equil\u00edbrio-1-113x150.jpg 113w\" sizes=\"auto, (max-width: 266px) 100vw, 266px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4717\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Sua falta pode nos levar ao fundo do po\u00e7o.&#8221;<\/p><\/div>\n<p><span style=\"color: #808000;\"><strong>Estresse: o in\u00edcio da queda<\/strong><\/span><br \/>\nMara est\u00e1 a caminho do trabalho. Antes mesmo de descer do \u00f4nibus, recebe a not\u00edcia de que T\u00f3, abusador da filha (aluna de Mara), foi solto e jurou se vingar da pessoa que o denunciara. \u00c9 pouco prov\u00e1vel que ele cumpra suas amea\u00e7as. \u00c9 valent\u00e3o apenas dentro de casa ou na roda de amigos. Mas Mara preocupa-se: ser\u00e1 que ele soube que partiu dela a den\u00fancia que o levara \u00e0 pris\u00e3o? Ela estremece.<\/p>\n<p>Ao chegar \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o ela descobre que dona Irene ainda n\u00e3o chegou e por isso as crian\u00e7as est\u00e3o sem caf\u00e9 da manh\u00e3. Mara respira fundo. Os atrasos freq\u00fcentes da cozinheira est\u00e3o come\u00e7ando a incomodar (e muito!).<\/p>\n<p>Quando a coordenadora do projeto vai resolver isso? Mara j\u00e1 se convenceu de que n\u00e3o deve contar nada para a sua chefe, ou ser\u00e1 tida como encrenqueira. Mas os atrasos geram um grande transtorno. Suspirando, ela entra na cozinha para ver o que pode fazer. N\u00e3o s\u00e3o nem nove horas da manh\u00e3 e Mara j\u00e1 est\u00e1 com dor de cabe\u00e7a. A dor \u00e9 um sinal de estresse, um alarme que seu corpo apresenta frente aos est\u00edmulos externos.<!--more--><\/p>\n<p>A mente de Mara interpreta os acontecimentos para dizer ao seu corpo como reagir a eles. Sempre que a mente detecta uma amea\u00e7a, um perigo, ela prepara o corpo para lutar ou fugir. Ent\u00e3o quantidades maiores de adrenalina s\u00e3o liberadas no sangue \u2014 que \u00e9 desviado de v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os para se concentrar no c\u00e9rebro e m\u00fasculos \u2014, as pupilas se dilatam para melhorar a vis\u00e3o, os p\u00e9s e m\u00e3os a suam, a respira\u00e7\u00e3o e as batidas card\u00edacas aceleram. O corpo fi ca em estado de alerta. Esse alarme pode ser bom porque a leva \u00e0 a\u00e7\u00e3o, a tomar provid\u00eancias necess\u00e1rias para a manuten\u00e7\u00e3o da vida. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se viver sem estresse. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel se viver em estado de alerta o tempo todo. Uma vida de estresse freq\u00fcente e intenso pode causar s\u00e9rios danos \u00e0 sa\u00fade emocional e f\u00edsica.<\/p>\n<p>Parece que Mara j\u00e1 est\u00e1 esgotada. O dia mal come\u00e7ou e ela j\u00e1 est\u00e1 emocionalmente alterada, ansiosa, com dor de cabe\u00e7a, achando que ele vai ser ruim, sentindo que n\u00e3o vai dar conta do recado.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808000;\"><em><strong>Burnout:\u00a0o fundo do po\u00e7o<\/strong><\/em><\/span><br \/>\nO pior de tudo \u00e9 o sentimento de ter sido usada pela institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil admitir, mas Mara est\u00e1 magoada com o pessoal do projeto. Antes ela era elogiada pela sua dedica\u00e7\u00e3o, pelo sacrif\u00edcio, mas agora s\u00f3 recebe cr\u00edticas e cobran\u00e7as. Sente que nos onze anos de envolvimento integral no projeto, nunca teve tempo para si mesma, para os amigos para a fam\u00edlia. Os problemas na sua vida pessoal parecem ter-se multiplicado ultimamente. Mara se sente vazia, desgastada, sem nada a oferecer.<\/p>\n<p>Nesse estado, Mara n\u00e3o est\u00e1 apenas sob os efeitos do estresse, a coisa fi cou mais s\u00e9ria. Ela chegou ao que os especialistas t\u00eam chamado de s\u00edndrome do esgotamento profi ssional ou s\u00edndrome de\u00a0burnout. Se n\u00e3o houver preven\u00e7\u00e3o, o estresse acumulado em dias, semanas, meses, anos, levar\u00e3o Mara a uma completa exaust\u00e3o emocional. Ela pode desenvolver problemas digestivos, ins\u00f4nia, dores, um estado depressivo e at\u00e9 ataques de p\u00e2nico, entre outros. \u00c9 prov\u00e1vel que evite se relacionar com as pessoas, que comece a se sentir uma observadora, algu\u00e9m que olha de fora a situa\u00e7\u00e3o. Seu sentimento de realiza\u00e7\u00e3o pessoal cair\u00e1 de forma not\u00e1vel. Coisas que ela fazia com facilidade parecer\u00e3o imposs\u00edveis. O entusiasmo e a alegria que sentia se evaporar\u00e3o. Tudo parecer\u00e1 in\u00fatil, repetitivo, irritante. E este \u00e9 um estado t\u00e3o debilitante que provavelmente levar\u00e1 a um pedido de licen\u00e7a, ou at\u00e9 \u00e0 sa\u00edda de Mara da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que a s\u00edndrome de\u00a0burnout\u00a0seja respons\u00e1vel pela grande rotatividade de profi ssionais ligados ao cuidado com pessoas em situa\u00e7\u00f5es adversas, com o professores, enfermeiros, agentes penitenci\u00e1rios, policiais, atendentes de telemarketing que trabalham ouvindo as reclama\u00e7\u00f5es dos clientes. O dia promete ser muito longo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior para quem trabalha com crian\u00e7as que sofreram traumas importantes. Ao se identificar com o sofrimento do outro (da crian\u00e7a, de um adolescente, de sua m\u00e3e), o profi ssional acaba internalizando essa dor, vendo-a como sua. Se o profi ssional n\u00e3o observar per\u00edodos de restaura\u00e7\u00e3o pessoal, ele pode chegar ao ponto de passar a experimentar todos os sintomas emocionais e f\u00edsicos\u00a0 resultantes de um trauma, mesmo n\u00e3o tendo passado pela experi\u00eancia traumatizante. A este fen\u00f4meno d\u00e1-se o nome de trauma secund\u00e1rio ou fadiga da compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>Apenas um encontro com o sofrimento humano n\u00e3o surte esse efeito. Ele \u00e9 produzido por um contato di\u00e1rio e plural (v\u00e1rios casos ao mesmo tempo) com a dor de pessoas inocentes diante da viol\u00eancia, do abuso, dos maus-tratos, da neglig\u00eancia e do descaso. E agora que Mara chegou ao fundo do po\u00e7o, o que ela pode fazer? Infelizmente muito pouco. O que levou Mara a esse po\u00e7o foi acreditar que podia fazer tudo sozinha. O seu lema era \u201ctudo posso naquele que me fortalece\u201d. Mas h\u00e1 muito tempo ela deixara de lado o \u201caquele que me fortalece\u201d e ficara apenas com o \u201ctudo posso\u201d. No momento, ela n\u00e3o pode nada.<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o de Mara vai exigir um esfor\u00e7o coletivo: a compreens\u00e3o da fam\u00edlia, o apoio dos amigos, o amor incondicional da igreja, o respeito e toler\u00e2ncia da institui\u00e7\u00e3o. Ela precisa ser encaminhada a algum profi ssional da \u00e1rea da sa\u00fade (m\u00e9dico, psic\u00f3logo) e ao cuidado pastoral. Mara est\u00e1 doente, e sua doen\u00e7a precisa ser levada a s\u00e9rio (tem direito inclusive a licen\u00e7a m\u00e9dica). E, fi nalmente, o que Mara mais precisa \u00e9 saber que n\u00e3o est\u00e1 abandonada. O po\u00e7o pode dar in\u00edcio a um novo jeito de conduzir a vida, com os mesmos ideais de antes, mas com uma nova sabedoria. O fundo do po\u00e7o pode ser escuro, contudo, l\u00e1 ela pode achar \u00e1gua cristalina.<\/p>\n<p>_ _ _ _ _ _\u00a0_ _ _ _ _ _\u00a0_ _ _ _ _ _\u00a0_ _ _ _ _ _\u00a0_ _ _ _ _ _\u00a0_ _ _ _ _ _\u00a0_ _ _ _ _ _\u00a0_ _ _ _ _ _\u00a0_ _ _ _ _ _<\/p>\n<p>Artigo publicado originalmente na <a href=\"http:\/\/www.redemaosdadas.org\/maos-dadas\/ed-19-equilibrio-emocional\/capa\/equilibrio-emocional-sua-falta-pode-nos-levar-ao-fundo-do-poco\/\" target=\"_blank\">Revista M\u00e3os Dadas &#8211; Edi\u00e7\u00e3o 19<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazer algo bom n\u00e3o garante que o agente social esteja imune aos revezes da vida. A id\u00e9ia de que \u00e9 poss\u00edvel conviver diariamente com o sofrimento e a dor sem se deixar tocar por eles \u00e9 como achar que voc\u00ea pode passar por um lama\u00e7al sem se sujar. 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