{"id":2888,"date":"2013-10-16T13:24:08","date_gmt":"2013-10-16T16:24:08","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/?p=2888"},"modified":"2017-01-25T13:09:13","modified_gmt":"2017-01-25T16:09:13","slug":"fala-mestre-e-brincando-que-se-aprende","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/2013\/10\/16\/fala-mestre-e-brincando-que-se-aprende\/","title":{"rendered":"Fala mestre: \u00e9 brincando que se aprende"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #ff9900;\"><strong><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/10\/e-brincando-que-se-aprende.jpg\" class=\"lightview\" data-lightview-group=\"group-2888\" data-lightview-options=\"skin: 'dark', controls: 'relative', padding: '10', shadow: { color: '#000000', opacity: 0.08, blur: 3 }\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2889\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/10\/e-brincando-que-se-aprende-300x64.jpg\" alt=\"e brincando que se aprende\" width=\"300\" height=\"64\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/10\/e-brincando-que-se-aprende-300x64.jpg 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/10\/e-brincando-que-se-aprende-150x32.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/10\/e-brincando-que-se-aprende.jpg 453w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O momento mais alegre de qualquer ambiente cheio de crian\u00e7as \u00e9 o da recrea\u00e7\u00e3o. Pedimos a Luis Cesari*, psic\u00f3logo social e diretor de <a href=\"http:\/\/www.juventudparacristo.org.uy\/index2.html\" target=\"_blank\">Juventude para Cristo no Uruguai<\/a>, que nos falasse mais sobre a brincadeira e o seu papel na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Ele, sua esposa, a psiquiatra Al\u00edcia Casas Gorgal, e sua equipe criaram a metodologia Claves para ajudar as crian\u00e7as a se defenderem de situa\u00e7\u00f5es de maus tratos e viol\u00eancia. Um dos pilares da metodologia \u00e9 a brincadeira.<br \/>\n<\/strong><\/span><br \/>\nMD &#8211;\u00a0<strong>O que a brincadeira tem de diferente das outras formas de comunica\u00e7\u00e3o? Por que ela \u00e9 importante?<br \/>\n<\/strong>CESARI &#8211;\u00a0Creio que a brincadeira sintetiza e integra diferentes formas de comunica\u00e7\u00e3o. Tem o potencial de trabalhar com todos os nossos sentidos, emo\u00e7\u00f5es e pensamentos. Ela \u00e9 inerente ao ser humano. Somos\u00a0homo ludens, \u201cbrincalh\u00f5es\u201d. Desde a mais tenra inf\u00e2ncia nos integramos ao mundo que nos rodeia por meio da brincadeira. Mas \u00e9 tamb\u00e9m por meio dela que criamos outros mundos poss\u00edveis.<br \/>\nA brincadeira \u00e9 um fator fundamental de desenvolvimento do ser humano ajudando no desenvolvimento social, emocional e espiritual. Quando uma crian\u00e7a n\u00e3o brinca, acende-se uma luz vermelha: estamos diante de um problema de sa\u00fade, de desenvolvimento inadequado, de crise ou de sofrimento. Diante de tais circunst\u00e2ncias, a brincadeira \u00e9 uma ferramenta poderosa nas m\u00e3os de profissionais, educadores e familiares tanto para o diagn\u00f3stico, como para a terapia.<\/p>\n<p>MD \u2013\u00a0<strong>Pensando assim, Deus brinca conosco ou com a sua cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nCESARI &#8211;\u00a0Gosto de pensar que essa capacidade dos seres humanos para brincar vem de Deus, que ele \u00e9 um Deus criador, que brinca, se diverte, ri, canta, desenha, colore, corre, nada e caminha conosco. Sim, creio que Deus n\u00e3o mudou. Ele \u00e9 um Deus que brinca.\u00a0<!--more--><\/p>\n<p>MD &#8211;\u00a0<strong>A brincadeira \u00e9 mais importante ainda quando trabalhamos com crian\u00e7as mais vulner\u00e1veis?<\/strong><br \/>\nCESARI &#8211;\u00a0\u00c9 isso mesmo. Devemos integrar a brincadeira em nossa pr\u00e1tica educativa, j\u00e1 que esta \u00e9 a ferramenta educativa mais poderosa, capaz de ajudar essas crian\u00e7as. Muitas situa\u00e7\u00f5es roubam delas o tempo que deveria ser dedicado para brincar. Tem aquelas que trabalham fora, outras s\u00e3o cheias de \u201cobriga\u00e7\u00f5es\u201d em casa, e ainda muitas cujos contextos familiares e comunit\u00e1rios n\u00e3o proporcionam um espa\u00e7o adequado para brincarem. \u00c9 brincando que nos divertimos e prendemos. As brincadeiras s\u00e3o portadoras de valores, de c\u00f3digos de conviv\u00eancia. Brincando eu aprendo a compartilhar com os outros, a respeitar normas, a conhecer minhas habilidades, a descobrir do que gosto e do que n\u00e3o gosto. Aprendo a ser paciente, a esperar a minha vez, a trocar de pap\u00e9is. Irrito-me quando o outro passa na minha frente e aprendo a lidar com a irrita\u00e7\u00e3o. Aprendo a resolver conflitos, a ceder e a reivindicar justi\u00e7a. \u00c9 brincando que me animo a comunicar coisas que n\u00e3o podem ser ditas de nenhuma outra forma. Envolvo-me de corpo e alma e isso me marca. A brincadeira gera o riso, o bom humor e outros fatores protetores que nos ajudam frente a situa\u00e7\u00f5es mais complexas; ela nos faz mais resilientes.<\/p>\n<p>MD &#8211;\u00a0<strong>O que tem na brincadeira que beneficia n\u00e3o somente as crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m os adultos?<br \/>\n<\/strong>CESARI &#8211;\u00a0Com certeza ela beneficia tanto adultos como crian\u00e7as, no entanto h\u00e1 brincadeiras para diferentes etapas e momentos da vida. Um aspecto importante a destacar \u00e9 essa capacidade que a brincadeira tem de integrar, de construir espa\u00e7os em que v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es diferentes podem interagir de forma prazerosa e divertida.<\/p>\n<p>MD &#8211;\u00a0<strong>Voc\u00ea acha que os adultos resistem \u00e0 brincadeira em suas intera\u00e7\u00f5es com as crian\u00e7as? Por qu\u00ea?<br \/>\n<\/strong>CESARI &#8211;\u00a0Creio que muitos adultos v\u00e3o perdendo a capacidade de brincar. Tenho a impress\u00e3o que o mundo adulto tem cada vez menos tempo para a recrea\u00e7\u00e3o. A vida gira em torno da produ\u00e7\u00e3o. Perdemos a pr\u00e1tica. Certas situa\u00e7\u00f5es ou condi\u00e7\u00f5es que a brincadeira nos imp\u00f5e come\u00e7am a nos incomodar. Mesmo assim, ela continua sendo uma forma privilegiada e muitas vezes \u00fanica de relacionamento e comunica\u00e7\u00e3o com as crian\u00e7as. A brincadeira \u00e9 uma oportunidade de reencontro entre as gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>MD &#8211;\u00a0<strong>Em nossas conversas com educadores sociais percebemos uma d\u00favida em rela\u00e7\u00e3o ao tempo para brincar livremente e ao tempo de brincadeira dirigida. \u00c9 importante ter as duas coisas?<br \/>\n<\/strong>CESARI &#8211;\u00a0Sim. Ambas s\u00e3o fundamentais e devem ter espa\u00e7os garantidos na pr\u00e1tica educativa. Usamos a brincadeira dirigida como uma ferramenta que nos permite perseguir um alvo. Podemos brincar para apresentar um conceito, para refletir sobre nossas rea\u00e7\u00f5es, para aumentar a confian\u00e7a do grupo etc. Nesse sentido a brincadeira n\u00e3o \u00e9 neutra, transmite nossos objetivos educacionais e valores. Um objetivo da brincadeira dirigida pode ser inclusive o pr\u00f3prio prazer de se brincar, como tamb\u00e9m a descoberta de outras formas de se relacionar, de novas habilidades etc.<br \/>\nA brincadeira dirigida tem de ser tamb\u00e9m livre e prazerosa. \u00c9 preciso que a crian\u00e7a queira e aceite brincar. N\u00e3o se deve obrig\u00e1-la! Com rela\u00e7\u00e3o ao tempo livre, n\u00e3o podemos deixar vinte meninos \u201csoltos\u201d em um p\u00e1tio por duas horas, sem materiais, op\u00e7\u00f5es e um contexto adequado que os inspire. A presen\u00e7a do educador nesses espa\u00e7os \u00e9 fundamental. N\u00e3o \u00e9 tempo livre para os educadores. Nesse espa\u00e7o o educador precisa mudar de papel; tornar-se um moderador para que o brincar se enquadre dentro das regras da n\u00e3o-viol\u00eancia e dos bons tratos. E \u00e9 durante esse per\u00edodo que o educador pode conhecer melhor o grupo, observando-o atentamente.<\/p>\n<p>MD &#8211;\u00a0<strong>Por onde se deve come\u00e7ar?<br \/>\n<\/strong>CESARI &#8211;\u00a0Fazendo uma nova Reforma. Uma das coisas boas que a Reforma Protestante nos trouxe foi a tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia para a linguagem do povo. Poder ler a Palavra de Deus em linguagem compreens\u00edvel foi fundamental para aquele tempo e suas conseq\u00fc\u00eancias positivas continuam at\u00e9 hoje por toda a humanidade. Brincar nas igrejas, nas escolas, nas organiza\u00e7\u00f5es sociais, na fam\u00edlia \u00e9 a chave para a Reforma que se faz necess\u00e1ria hoje.<\/p>\n<p>Se j\u00e1 n\u00e3o sabemos brincar, ent\u00e3o o primeiro passo \u00e9 pedir para as crian\u00e7as que nos rodeiam que nos ensinem. Acho que encontraremos grandes mestres e mestras no meio delas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>* Com o apoio de Luciana Noya e Lucas Cesari, arte-educadores e recreadores integrantes da JPC do Uruguai.<\/p>\n<p>Artigo publicado originalmente na <a href=\"http:\/\/biblioteca.maosdadas.org\/?pg=show_artigos&amp;area=revista&amp;util=1&amp;artigo=301&amp;sec=172&amp;num_edicao=18&amp;palavra=luis%20cesari\" target=\"_blank\">Revista M\u00e3os Dadas, Edi\u00e7\u00e3o 18, em novembro de 2007<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O momento mais alegre de qualquer ambiente cheio de crian\u00e7as \u00e9 o da recrea\u00e7\u00e3o. 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