{"id":1943,"date":"2013-05-13T15:42:44","date_gmt":"2013-05-13T18:42:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/?p=1943"},"modified":"2017-01-25T13:11:42","modified_gmt":"2017-01-25T16:11:42","slug":"uma-oracao-de-mae-70-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/2013\/05\/13\/uma-oracao-de-mae-70-anos-depois\/","title":{"rendered":"Uma ora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e, 70 anos depois!"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1958\" style=\"width: 236px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/05\/Mam\u00e3e-Tio-Saulo-e-Tia-Dalva.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1958\" class=\"size-medium wp-image-1958\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/05\/Mam\u00e3e-Tio-Saulo-e-Tia-Dalva-226x300.jpg\" alt=\"Da esquerda para a direita: Diva, 3 anos, Dalva 2 anos, Saulo 5 anos, alguns anos antes de perderem a m\u00e3e.\" width=\"226\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/05\/Mam\u00e3e-Tio-Saulo-e-Tia-Dalva-226x300.jpg 226w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/05\/Mam\u00e3e-Tio-Saulo-e-Tia-Dalva-772x1024.jpg 772w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/05\/Mam\u00e3e-Tio-Saulo-e-Tia-Dalva-113x150.jpg 113w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/05\/Mam\u00e3e-Tio-Saulo-e-Tia-Dalva.jpg 1193w\" sizes=\"auto, (max-width: 226px) 100vw, 226px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1958\" class=\"wp-caption-text\">Da esquerda para a direita: Diva, 3 anos, Dalva 2 anos, Saulo 5 anos, alguns anos antes de perderem a m\u00e3e.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No dia 07 de julho de 1943, uma jovem senhora de 32 anos vivia o maior drama que qualquer m\u00e3e pode experimentar: dar adeus definitivo aos seus filhos. A hora era chegada e Sebastiana Franco Bueno reconhecia que o mal desconhecido que a devastava vencera a batalha. Era hora de dizer adeus.<\/p>\n<p>Sebastiana liderava com seu esposo Jo\u00e3o Manuel Bueno (Seu Zico), 52 anos, um lar composto por 10 pessoas. Al\u00e9m do marido, viviam com Sebastiana: sua enteada Isa, 20 anos, uma das 4 filhas da primeira esposa de Seu Zico que falecera h\u00e1 muito tempo; Nino, 50 anos, um agregado da fam\u00edlia; a bab\u00e1, Ana Am\u00e9lia, com 14 anos; e seus pr\u00f3prios filhos, Saulo, 8 anos, Diva, 6 anos, Dalva, 5 anos, Manoel, 2 anos, e a pequena Din\u00e1, 7 meses de idade.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia n\u00e3o era rica mas tamb\u00e9m n\u00e3o era pobre. Viviam numa pequena cidade do noroeste paulista que se chama Palestina. Esta servia de entreposto comercial para uma economia rural de um Brasil que n\u00f3s n\u00e3o conhecemos mais. Em plena Segunda Guerra Mundial, o com\u00e9rcio local sentia os revezes econ\u00f4micos resultantes deste conflito global, sem contudo chegar \u00e0 escassez vivida nos pa\u00edses europeus. Havia racionamento de \u00f3leo, farinha de trigo, a\u00e7\u00facar e outros produtos.<\/p>\n<p>Seu Zico era dono de 3 mercearias, sendo uma delas localizada na Rua 1\u00ba de Maio, na esquina em frente \u00e0 rodovi\u00e1ria da cidade. Seus empreendimentos lhe permitiam abrigar sua fam\u00edlia numa casa espa\u00e7osa, manter alguns empregados, enviar seus filhos para a escola, ter um r\u00e1dio na sala onde v\u00e1rios vizinhos se congregavam para ouvir as not\u00edcias da guerra veiculadas pelo <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=O51qmZeJh4g\" target=\"_blank\">Rep\u00f3rter Esso<\/a> da R\u00e1dio Nacional, a r\u00e1dio oficial do governo brasileiro sob o comando do ent\u00e3o ditador Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>Em Palestina tinha apenas uma Igreja Cat\u00f3lica, uma <a href=\"http:\/\/www.1ipisjrp.org.br\/site\/php\/index.php\" target=\"_blank\">Igreja Presbiteriana Independente<\/a> \u2014\u00a0na qual Sebastiana participava ativamente\u2014duas escolas com ensino at\u00e9 4\u00aa s\u00e9rie, uma delegacia, um cinema, uma pra\u00e7a com coreto, nenhuma ag\u00eancia banc\u00e1ria e nenhum atendimento de sa\u00fade a n\u00e3o ser aquele oferecido pelo Dr. Bento Ferraz. O m\u00e9dico, apesar de v\u00e1rias tentativas, n\u00e3o conseguiu diagnosticar o mal que fazia com que Sebastiana definhasse a cada dia levando-a at\u00e9 a vomitar sangue. A viagem para S\u00e3o Paulo, em busca de recursos mais modernos, tamb\u00e9m fracassou. Sebastiana tinha piorado, e agora, de volta ao lar, sabia que a hora da partida tinha chegado.<br \/>\nNo dia 07 de julho de 1943, ela pediu para a bab\u00e1, Ana Am\u00e9lia, dar banho nos filhos, colocar roupas de domingo e ensaiar com eles um hino, o Hino 403 do Cantor Crist\u00e3o. O t\u00edtulo do Hino \u00e9 \u201cAlegre\u201d e o seu refr\u00e3o diz:<\/p>\n<p>Eu alegre vou na sua luz,<br \/>\nPois Jesus agora me conduz.<br \/>\nDesde que me achou<br \/>\nDa morte me livrou;<br \/>\nAndo sempre alegre,<br \/>\nCristo me salvou!<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>As crian\u00e7as foram at\u00e9 ao quarto e cantaram o hino. Ao terminar, Sebastiana orou por cada uma delas, aben\u00e7oando-as, pediu a Deus que as mantivesse nos seus caminhos e agisse de forma que elas permanecessem na f\u00e9. Por fim, ela pegou a beb\u00ea Din\u00e1 no colo, e chorando disse \u201cEsta aqui nem vai se lembrar de mim.\u201d Ana Am\u00e9lia conta que ela orou novamente pela menininha dedicando-a ao Pai.<br \/>\nNaquela noite Sebastiana foi, usando as palavras do hino cantado pelas crian\u00e7as, \u201candar na luz de Deus, que doce comunh\u00e3o!\u201d E uma nova era se inaugurou na vida das crian\u00e7as. Uma das estrofes do hino cantado dizia:<\/p>\n<p>No caso de se escurecer<br \/>\nDe nuvens todo o c\u00e9u,<br \/>\nJesus, bendito Salvador,<br \/>\n\u00c9 luz que rasga o v\u00e9u!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como negar o fato de que a inf\u00e2ncia destas crian\u00e7as passou a ter mais momentos escuros onde o c\u00e9u parecia se encher de nuvens. Seu Zico logo se casou de novo, e em tempo o novo matrim\u00f4nio lhe deu mais tr\u00eas filhos. O amor incondicional do pai pelos 12 filhos dos tr\u00eas casamentos entrava em conflito frequente com o amor inconstante e territorial de uma madastra jovem e, quem sabe, insegura. A mem\u00f3ria da m\u00e3e nos menores foi se dissipando, sua influ\u00eancia espiritual se enfraquecendo. Embora as crian\u00e7as ainda frequentassem a pequena igreja, o v\u00ednculo n\u00e3o era o mesmo. O pai n\u00e3o frequentava e a madastra, apesar de ser membro, n\u00e3o tinha o mesmo entusiasmo e firmeza que a m\u00e3e tivera. Ao longo dos anos foram se formando feridas da alma destas crian\u00e7as, e em seus cora\u00e7\u00f5es a saudade da m\u00e3e se mesclou com a m\u00e1goa da madastra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Setenta anos depois&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Deus foi fiel \u00e0 ora\u00e7\u00e3o de uma m\u00e3e. Um a um seus filhos foram se apropriando das palavras do Hino 403 do Cantor Crist\u00e3o. Diva e Dalva nunca se afastaram da comunh\u00e3o da igreja. Diva se tornou mission\u00e1ria, Dalva professora e apoiadora fiel do trabalho mission\u00e1rio da irm\u00e3. Este ano, Diva completou 50 anos de minist\u00e9rio ininterrupto com a <a href=\"http:\/\/www.novastribosdobrasil.org.br\/\" target=\"_blank\">Miss\u00e3o Novas Tribos do Brasil<\/a>. Destes, 13 dos quais foram dedicados aos Pancararus, ind\u00edgenas do agreste Pernambucano. Saulo, o mais velho, voltou para o Senhor na sua segunda d\u00e9cada de vida, e atuou como presb\u00edtero em sua igreja por muitos anos.<br \/>\nA hist\u00f3ria da pequena Din\u00e1 prova que o prazo de validade de uma ora\u00e7\u00e3o pode ser muito longo. Ela voltou a ser conduzida pelo Bom Pastor em 2009, aos 67 anos, alguns meses antes de visitar a ex-bab\u00e1, Ana Am\u00e9lia, j\u00e1 com 81 anos, e pela primeira vez ouviu a hist\u00f3ria de como sua m\u00e3e a tinha aben\u00e7oado antes de morrer. Foi o primeiro relato em sua vida de um gesto de sua m\u00e3e dirigido a ela.<\/p>\n<p>E o pequeno Manoel? Ele foi o \u00fanico a permanecer na Palestina at\u00e9 hoje, escolheu, a seu modo, o caminho do Seu Zico: crist\u00e3o sim, igreja s\u00f3 de vez em quando. Se Sebastiana ainda fosse viva, n\u00e3o desistiria de interceder por ele bem como por todos os seus netos e bisnetos, em especial por aqueles que ainda n\u00e3o entregaram suas vidas nas m\u00e3os daquele que nos conduz de forma a podermos cantar \u201cEu alegre, vou na sua luz!\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em id=\"__mceDel\"> Elsie Bueno Cunha Gilbert, neta de Dona Sebastiana Franco Bueno e m\u00e3e de 4 de seus bisnetos.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/maosdadas.org\/rede\/mmo\/\" target=\"_blank\">Interceda pelos os seus!\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; No dia 07 de julho de 1943, uma jovem senhora de 32 anos vivia o maior drama que qualquer m\u00e3e pode experimentar: dar adeus definitivo aos seus filhos. A hora era chegada e Sebastiana Franco Bueno reconhecia que o mal desconhecido que a devastava vencera a batalha. Era hora de dizer adeus. 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