{"id":1732,"date":"2013-04-29T13:54:30","date_gmt":"2013-04-29T16:54:30","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/?p=1732"},"modified":"2013-05-06T09:52:55","modified_gmt":"2013-05-06T12:52:55","slug":"ah-se-o-caso-da-juliana-fosse-raro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/2013\/04\/29\/ah-se-o-caso-da-juliana-fosse-raro\/","title":{"rendered":"Ah se o caso da Juliana fosse raro&#8230;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1736\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.mp.mg.gov.br\/portal\/tpc\/arquivos\/miolo_conselho_tutelar.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"attachment wp-att-1736\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1736\" class=\"size-medium wp-image-1736\" alt=\"TP Juliana\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/04\/TP-Juliana-300x297.png\" width=\"300\" height=\"297\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/04\/TP-Juliana-300x297.png 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/04\/TP-Juliana-150x148.png 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/04\/TP-Juliana-64x64.png 64w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/04\/TP-Juliana.png 329w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1736\" class=\"wp-caption-text\">O conselho tutelar e o atendimento em rede.<\/p><\/div>\n<p><strong>Transcrevemos aqui um relato retirado do livro<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.defensoria.sp.gov.br\/dpesp\/Repositorio\/33\/Documentos\/Livro%20Teoria%20e%20Pr%C3%A1tica%20dos%20Conselhos%20Tutelares.pdf\" target=\"_blank\">Teoria e Pr\u00e1tica dos Conselhos Tutelares<\/a>. Nesse caso, a interven\u00e7\u00e3o do conselho tutelar n\u00e3o \u00e9 descrita porque ele come\u00e7ou a funcionar na cidade da menina um ano ap\u00f3s a sua morte. Mesmo assim, a situa\u00e7\u00e3o ilustra a extrema relev\u00e2ncia de um trabalho integrado entre as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e a sociedade civil, deixando antever o importante papel que os conselhos dos direitos e tutelares precisam assumir na rede de atendimento.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong><b style=\"line-height: 19px; font-size: 13px;\">Nome<\/b><\/p>\n<p>Juliana Silva, nascida em 21\/12\/1990, filha de Rosilda e Jos\u00e9 Dias, m\u00e3e diarista e pai falecido.<\/p>\n<p><b>Relat\u00f3rios do SOS Crian\u00e7a de Curitiba<\/b><\/p>\n<p>Juliana (um ano)<br \/>\nM\u00e1rcia (dois anos)<br \/>\nElaine (quatro anos)<\/p>\n<p><b>25 de Dezembro de 1991<\/b><\/p>\n<p>O SOS Crian\u00e7a foi chamado por vizinhos que relataram que as tr\u00eas crian\u00e7as, que viviam com a m\u00e3e e cujo pai havia falecido, estavam sem receber cuidados m\u00ednimos, inclusive sem alimenta\u00e7\u00e3o. Na visita foi observado que a m\u00e3e encontrava-se embriagada e, segundo os vizinhos, havia batido nas crian\u00e7as por elas terem ido pedir alimento na casa dos vizinhos. A m\u00e3e foi orientada e a fam\u00edlia passou a ser acompanhada pelo SOS crian\u00e7a.<!--more--><\/p>\n<p><b>18 de janeiro de 1992<\/b><\/p>\n<p>Ap\u00f3s contato do SOS Crian\u00e7a com a unidade de sa\u00fade e a creche, a m\u00e3e foi orientada a levar as filhas para consulta m\u00e9dica, visto que apresentavam v\u00e1rias feridas pelo corpo e sinais de desnutri\u00e7\u00e3o. Priorizou-se o ingresso das irm\u00e3s na creche do bairro.<\/p>\n<p><b>11 de fevereiro de 1992<\/b><\/p>\n<p>P\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de higiene. Os vizinhos disseram que a m\u00e3e, Rosilda, cheirava cola, bebia muito e deixava as crian\u00e7as sozinhas nos finais de semana. Al\u00e9m disso, estava gr\u00e1vida. Foi constatado que as crian\u00e7as n\u00e3o haviam sido levadas \u00e0 consulta, na unidade de sa\u00fade, nem \u00e0 creche.<\/p>\n<p><b>06 de mar\u00e7o de 1992<\/b><\/p>\n<p>As irm\u00e3s foram afastadas da m\u00e3e pelo Juizado da Inf\u00e2ncia e da Juventude, permanecendo no educand\u00e1rio at\u00e9 setembro de 1996, quando, por ordem judicial, foram devolvidas \u00e0 m\u00e3e, agora com um novo companheiro (sr. H\u00e9lio Mariano, mec\u00e2nico) e dois filhos.<!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><span style=\"color: #008080;\"><b>Para pensar<\/b><\/span><\/h6>\n<ul>\n<li>Voc\u00ea pode observar que, apesar do contato do SOS Crian\u00e7a com a unidade de sa\u00fade e a creche, esses servi\u00e7os n\u00e3o estabeleceram entre si uma comunica\u00e7\u00e3o efetiva, que repercutisse em uma aten\u00e7\u00e3o conjunta e resultados mais favor\u00e1veis.<\/li>\n<li>Reflita sobre a perspectiva do atendimento em rede e as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 sua efetiva\u00e7\u00e3o, com base nesse caso.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Outubro de 1996<\/b><\/p>\n<p><b>Na escola<\/b> \u2013 Juliana come\u00e7ou a frequentar a escola, mas faltava com muita freq\u00fc\u00eancia e n\u00e3o conseguia acompanhar as outras crian\u00e7as. Estava sempre desatenta e dormia durante as aulas. A m\u00e3e foi chamada v\u00e1rias vezes para conversar sobre a crian\u00e7a, sem resultados. Nesse m\u00eas, foi chamada novamente para justificar as faltas de Juliana. Compareceu para informar que a filha havia ca\u00eddo da bicicleta e quebrado a perna, motivo da sua aus\u00eancia. Disse, tamb\u00e9m, que a filha fica freq\u00fcentemente doente, por isso falta \u00e0s aulas; acrescentou, ainda, que Juliana sempre foi muito pregui\u00e7osa, tem problemas na cabe\u00e7a e n\u00e3o gosta de estudar.<\/p>\n<p><b>Na unidade de sa\u00fade<\/b> \u2013 a crian\u00e7a apresentava dor intensa na regi\u00e3o da coxa esquerda, n\u00e3o conseguindo caminhar. A m\u00e3e disse que a filha caiu da escada h\u00e1 tr\u00eas dias. Informou que a filha vive se machucando e fica doente com freq\u00fc\u00eancia, tendo sido hospitalizada duas vezes, uma por pneumonia e outra por ter quebrado a perna. Relatou que, quando estava gr\u00e1vida da Juliana, sofreu v\u00e1rias amea\u00e7as de aborto. Segundo ela, \u201cJuliana sempre me deu dor de cabe\u00e7a\u201d. No exame f\u00edsico, amenina pesava 16,5 kg e media 1,10 m, indicando desnutri\u00e7\u00e3o grave. Tamb\u00e9m apresentava palidez de pele e mucosas, face revelando dor, higiene prec\u00e1ria, hematomas arroxeados na regi\u00e3o do dorso e pernas, edema no ter\u00e7o inferior da coxa esquerda e suspeita de fratura de f\u00eamur. A crian\u00e7a foi encaminhada para um hospital.<\/p>\n<p><b>No hospital<\/b> \u2013 constatada fratura do f\u00eamur esquerdo. A crian\u00e7a foi encaminhada \u00e0 unidade de sa\u00fade para acompanhamento da desnutri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><b><br \/>\n20 de fevereiro de 1997<\/b><\/p>\n<p>Juliana foi encontrada na rua, de madrugada, ap\u00f3s telefonema an\u00f4nimo para a delegacia informando que uma crian\u00e7a havia sido atropelada naquele local. Foi levada ao hospital, onde faleceu tr\u00eas dias depois.<\/p>\n<p><b>Necropsia<\/b> \u2013 foram encontradas diversas les\u00f5es de pele em v\u00e1rios est\u00e1gios de cicatriza\u00e7\u00e3o, compat\u00edveis com espancamento. Queimaduras em bra\u00e7os e coxas, provavelmente por ponta de cigarro; les\u00f5es de pele circulares em punhos e tornozelos, demonstrando que a crian\u00e7a havia sido mantida amarrada. Fratura recente de perna esquerda, al\u00e9m de sinais de v\u00e1rias fraturas antigas consolidadas, algumas delas sem tratamento. Morte por traumatismos m\u00faltiplos e hemorragia\u00a0 cerebral.<\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6><span style=\"color: #008080;\"><strong>Para pensar<\/strong><\/span><\/h6>\n<ul>\n<li>Voc\u00ea reparou que Juliana passou por v\u00e1rios servi\u00e7os (SOS Crian\u00e7a, Juizado da Inf\u00e2ncia e da Juventude, escola, unidade de sa\u00fade e hospital)? Como voc\u00ea avalia a conduta dos servi\u00e7os que atenderam a menina?<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transcrevemos aqui um relato retirado do livro\u00a0Teoria e Pr\u00e1tica dos Conselhos Tutelares. Nesse caso, a interven\u00e7\u00e3o do conselho tutelar n\u00e3o \u00e9 descrita porque ele come\u00e7ou a funcionar na cidade da menina um ano ap\u00f3s a sua morte. 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