{"id":1414,"date":"2013-03-25T11:28:25","date_gmt":"2013-03-25T14:28:25","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/?p=1414"},"modified":"2013-09-09T08:56:19","modified_gmt":"2013-09-09T11:56:19","slug":"quando-a-rede-de-protecao-a-crianca-funciona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/2013\/03\/25\/quando-a-rede-de-protecao-a-crianca-funciona\/","title":{"rendered":"Quando a rede de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a funciona&#8230;"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #808000;\">Transcrevemos aqui um relato retirado do livro <a href=\"http:\/\/www.defensoria.sp.gov.br\/dpesp\/Repositorio\/33\/Documentos\/Livro%20Teoria%20e%20Pr%C3%A1tica%20dos%20Conselhos%20Tutelares.pdf\" target=\"_blank\">Teoria e Pr\u00e1tica dos Conselhos Tutelares<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1444 alignright\" alt=\"\u00c9 muito mais complexo quando m\u00e3e e filha s\u00e3o portadoras de defici\u00eancia\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/03\/caso-jorgina-199x300.jpg\" width=\"159\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/03\/caso-jorgina-199x300.jpg 199w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/03\/caso-jorgina-99x150.jpg 99w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/03\/caso-jorgina.jpg 299w\" sizes=\"auto, (max-width: 159px) 100vw, 159px\" \/> e Conselhos de Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente<\/a>. \u00c9 um relato importante para a nossa reflex\u00e3o sobre o sofrimento invis\u00edvel das crian\u00e7as com necessidades especiais e a import\u00e2ncia do envolvimento v\u00e1rios atores da sociedade na resolu\u00e7\u00e3o desses problemas. Leia, pense, converse com algu\u00e9m! Voc\u00ea conhece alguma crian\u00e7a que vive situa\u00e7\u00e3o semelhante?<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria ver\u00eddica de Ana e Jane (nomes fict\u00edcios), ocorrida no Rio de Janeiro, sinaliza as peculiaridades de um atendimento a uma fam\u00edlia com uma pessoa com defici\u00eancia (CAVALCANTE et al., 2007a; 2007b).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana \u00e9 uma mulher de 30 anos que sofre de transtorno mental e tem uma filha de nove anos, Jane, com paralisia cerebral desde o nascimento. O pai \u00e9 usu\u00e1rio de drogas e a m\u00e3e usou drogas durante a gravidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inf\u00e2ncia de Jane foi marcada por neglig\u00eancia desde os quatro anos, quando a av\u00f3 paterna deixou de prestar cuidados diretos. Como Ana tem transtorno bipolar (doen\u00e7a em que h\u00e1 pertuba\u00e7\u00e3o do afeto, caracterizada por altera\u00e7\u00f5es do humor que pode oscilar entre uma fase man\u00edaca e outra depressiva), as fases depressivas eram ponto nevr\u00e1lgico do cuidado de Jane, quando a m\u00e3e n\u00e3o tinha \u00e2nimo de levantar da cama e a filha ficava sem alimenta\u00e7\u00e3o, banho ou cuidados. Nessas ocasi\u00f5es, Ana perdia a no\u00e7\u00e3o do tempo e necessitava, ela pr\u00f3pria, de cuidados. A medica\u00e7\u00e3o era usada de forma descontrolada ou era simplesmente abandonada, o que deixava Ana muito mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00e3e e filha residiam em uma casa de fundos, quarto e sala (sem divis\u00f3ria), cozinha e banheiro, num local perigoso. O telhado, feito de telha, tinha um buraco, que demandava o uso de balde em dias de chuva, e algumas janelas estavam quebradas, sendo fechadas com pl\u00e1stico. Embora o sogro e o irm\u00e3o fossem pedreiros, esse problema persistiu por longo tempo e, simbolicamente, ele parecia refletir a mente &#8220;vazada&#8221; de Ana, sem um &#8220;telhado&#8221; de &#8220;conten\u00e7\u00e3o emocional&#8221; que lhe amparasse e sem janelas para barrar os ventos e as tempestades interiores. &#8211; &#8220;Ah , eu queria tanto que minha m\u00e3e cuidasse de mim&#8221; &#8211; dizia Ana, demandante de cuidados. Jane \u00e9 acompanhada com regularidade num Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o Social.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #800080;\"><br \/>\n<\/span><\/strong><span style=\"color: #800080;\"><em><strong>Para pensar<\/strong><\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #800080;\"><em>Como ajudar Jane e Ana, em meio a tantas vulnerabilidades?<\/em><\/span><br \/>\n<em><span style=\"color: #800080;\"> Em sua opini\u00e3o esse caso deveria ser notificado ao conselho tutelar? O que o conselho poderia (ou deveria) fazer nessa situa\u00e7\u00e3o?<\/span><br \/>\n<\/em><strong><span style=\"color: #800080;\"><br \/>\n<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a m\u00e3e doente e o pai e a av\u00f3 ausentes, o <span style=\"color: #800080;\"><strong>ciclo de viol\u00eancia<\/strong><\/span> (neglig\u00eancia) a que Jane estava submetida precisava ser interrompido. Os fatores de risco combinados violavam os direitos de cuidado e prote\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a: a doen\u00e7a da m\u00e3e, a falta de apoio da fam\u00edlia ampliada, a desorganiza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, impedindo a regulariza\u00e7\u00e3o da documenta\u00e7\u00e3o e dificultando o acesso a benef\u00edcios, perpetuando a falta de recursos e a pobreza. A equipe do Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o fez v\u00e1rias tentativas para sensibilizar os demais integrantes da fam\u00edlia, conseguindo que o pai viesse poucas vezes para uma conversa; a av\u00f3 paterna continuava sem assumir um amparo maior, alegando ter outros netos para cuidar; a av\u00f3 materna foi localizada e aparentemente se comprometeu em colaborar. Na pr\u00e1tica , no entanto, essa ajuda n\u00e3o foi adiante. Esgotadas todas as possibilidades, a equipe fez uma <strong><span style=\"color: #800080;\">notifica\u00e7\u00e3o ao conselho tutelar<\/span><\/strong>, que agiu em conson\u00e2ncia com as alternativas pensadas pela equipe: acionou a participa\u00e7\u00e3o direta do pai e das av\u00f3s. A av\u00f3 materna ficou com a responsabilidade de garantir a continuidade do tratamento de Ana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cuidada pela m\u00e3e (av\u00f3 materna de Jane) e tendo permanecido em tratamento regular, Ana estabilizou seu quadro psiqui\u00e1trico, conseguiu se organizar para ter acesso a benef\u00edcios sociais, dentre eles o Bolsa Fam\u00edlia, Passe-livre e Vale G\u00e1s. Conseguiu, ainda, consertar o telhado e as janelas de sua casa. Gerenciar essa renda passou a ser uma conquista importante para Ana. O pai de Jane, vendo a esposa estabilizada, arrumou um emprego e voltou para casa. A qualidade de vida da fam\u00edlia ampliou-se e Jane passou a ser cuidada de forma segura, retomando o seu n\u00edvel de desenvolvimento. Atualmente, Jane participa de terapia ocupacional, fonoaudiologia, oficina de trabalhos manuais, faz tratamento neurol\u00f3gico e est\u00e1 em acompanhamento medicamentoso. A melhora de sua m\u00e3e repercutiu positivamente nela. Suas \u00e1reas cognitivas e perceptivas est\u00e3o avan\u00e7ando e sua linguagem se expandiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #800080;\"><strong><br \/>\nPara pensar<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"color: #800080;\">Que fatores protetores voc\u00ea identifica no caso de Ana e Jane? Ser\u00e1 que a equipe do Centro de Reabilita\u00e7\u00e3o demorou a notificar o caso ao conselho tutelar ou, ao contr\u00e1rio, ser\u00e1 que ela agiu corretamente esgotando primeiro todas as alternativas? Como voc\u00ea avalia a estrat\u00e9gia da equipe e do conselho?<\/span><\/em><br \/>\n<em><span style=\"color: #800080;\"><strong><br \/>\n<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transcrevemos aqui um relato retirado do livro Teoria e Pr\u00e1tica dos Conselhos Tutelares e Conselhos de Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente. \u00c9 um relato importante para a nossa reflex\u00e3o sobre o sofrimento invis\u00edvel das crian\u00e7as com necessidades especiais e a import\u00e2ncia do envolvimento v\u00e1rios atores da sociedade na resolu\u00e7\u00e3o desses problemas. 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