{"id":1282,"date":"2013-03-19T22:54:17","date_gmt":"2013-03-20T01:54:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/?p=1282"},"modified":"2013-03-21T12:12:11","modified_gmt":"2013-03-21T15:12:11","slug":"o-que-acontece-quando-a-rede-de-protecao-a-crianca-nao-funciona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/2013\/03\/19\/o-que-acontece-quando-a-rede-de-protecao-a-crianca-nao-funciona\/","title":{"rendered":"O que acontece quando a rede de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a n\u00e3o funciona&#8230;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1354\" style=\"width: 145px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1354\" class=\" wp-image-1354 \" alt=\"\" src=\"http:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/03\/rope-150x150.jpg\" width=\"135\" height=\"135\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/03\/rope-150x150.jpg 150w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2013\/03\/rope-64x64.jpg 64w\" sizes=\"auto, (max-width: 135px) 100vw, 135px\" \/><p id=\"caption-attachment-1354\" class=\"wp-caption-text\">A corda arrebenta para o lado da crian\u00e7a!<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transcrevemos aqui um relato retirado do livro <a href=\"http:\/\/www.defensoria.sp.gov.br\/dpesp\/Repositorio\/33\/Documentos\/Livro%20Teoria%20e%20Pr%C3%A1tica%20dos%20Conselhos%20Tutelares.pdf\" target=\"_blank\">Teoria e Pr\u00e1tica dos Conselhos Tutelares<\/a>. A pergunta que exige resposta \u00e9: <span style=\"color: #008080;\"><strong>o que fazer para\u00a0<\/strong><\/span><span style=\"color: #008080;\"><strong>que relatos como este se tornem raros ou at\u00e9 inexistentes<\/strong>?<\/span> A Rede M\u00e3os Dadas acredita que os elos mais vulner\u00e1veis em qualquer\u00a0situa\u00e7\u00e3o de crise s\u00e3o as crian\u00e7as. Como cidad\u00e3os com dupla cidadania (cidad\u00e3os brasileiros e cidad\u00e3os do Reino de Deus), cada um de n\u00f3s\u00a0precisa se preocupar e lutar para que as &#8220;vi\u00favas&#8221; e os &#8220;\u00f3rf\u00e3os&#8221; modernos sejam o alvo de medidas protetivas eficazes. Queremos que o choro de mulheres como a Jorgina se transforme em a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7a a um Deus que protege os pequeninos e os livra do mal.<\/p>\n<blockquote>\n<address style=\"padding-left: 30px;\">\u00a0<\/p>\n<address>A hist\u00f3ria da Jorgina aconteceu na chegada do s\u00e9culo XXI (CAVALCANTI, 2002). Ela mora em um\u00a0morro do Rio de Janeiro com dois filhos, uma menina de dois anos e um menino de um ano e tr\u00eas meses. Durante o dia, deixava-os a s\u00f3s dentro de casa e sa\u00eda \u00e0 procura de trabalho e comida.\u00a0<\/address>\n<address>O pai do ca\u00e7ula era traficante e estava preso. O pai da menina, tamb\u00e9m envolvido com drogas e ex-presidi\u00e1rio, morava no morro com a m\u00e3e e a fam\u00edlia.<\/address>\n<address>\u00a0<!--more--><\/address>\n<address>A supervis\u00e3o do Programa M\u00e9dicos de Fam\u00edlia recebeu uma den\u00fancia de neglig\u00eancia e a equipe foi averiguar. A m\u00e9dica encontrou as crian\u00e7as sozinhas em casa. Cadastrou a fam\u00edlia e relatou a situa\u00e7\u00e3o \u00e0 supervisora do servi\u00e7o social. Mobilizaram a comunidade para que ajudasse a fam\u00edlia. A Associa\u00e7\u00e3o de Moradores doou um fog\u00e3o e alimentos. As crian\u00e7as continuaram a ficar sozinhas enquanto Jorgina sa\u00eda \u00e0 procura de subsist\u00eancia e emprego. O conselho tutelar foi imediatamente informado; fez um relat\u00f3rio e solicitou vagas para as crian\u00e7as em uma creche. Dessa forma, a m\u00e3e poderia trabalhar enquanto os filhos ficariam assistidos e seguros. H\u00e1 poucas creches na regi\u00e3o; algumas delas s\u00e3o pagas e nas gratuitas dificilmente encontram-se vagas. Al\u00e9m disso, as creches s\u00f3 aceitam crian\u00e7as a partir de quatro anos completos e com a certid\u00e3o de nascimento. O conselho tutelar conseguiu as vagas, mas as crian\u00e7as n\u00e3o eram registradas. Elas s\u00f3 poderiam freq\u00fcentar a creche mediante a apresenta\u00e7\u00e3o da certid\u00e3o de nascimento.<\/address>\n<address>\u00a0<\/address>\n<address>A profissional da sa\u00fade, preocupada com a demora na execu\u00e7\u00e3o das medidas de prote\u00e7\u00e3o para as crian\u00e7as, foi ao conselho tutelar junto com a m\u00e3e pedir ajuda para registrar as crian\u00e7as de forma mais r\u00e1pida. Infelizmente, a burocracia emperrou o processo. Passados cerca de tr\u00eas meses, as duas crian\u00e7as, que estavam sozinhas em casa, entraram debaixo do fog\u00e3o\u00a0 e o fundo caiu sobre elas, matando a menor.<\/address>\n<address>\u00a0<\/address>\n<address>O enterro s\u00f3 foi efetuado ap\u00f3s a crian\u00e7a ser registrada (a\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o obstaculizada), tendo em vista a necessidade do atestado de \u00f3bito. Imediatamente a m\u00e3e perdeu a guarda da menina, que foi internada em uma institui\u00e7\u00e3o, por ordem judicial.<\/address>\n<address>\u00a0<\/address>\n<address>A m\u00e9dica e a supervisora do servi\u00e7o social fizeram novo relato ao conselho tutelar e ao juiz, explicando que o conselho havia sido informado das circunst\u00e2ncias antes do epis\u00f3dio fatal. A m\u00e3e estava sofrendo com a perda do filho e afast\u00e1-la da filha seria penaliz\u00e1-la duplamente. Ela era uma mulher trabalhadora e uma m\u00e3e carinhosa. O juiz se disp\u00f4s a suspender a institucionaliza\u00e7\u00e3o, desde que outro adulto se responsabilizasse pela menina. O pai ent\u00e3o recebeu a m\u00e3e e a filha em sua casa, assumindo a guarda da crian\u00e7a. Mais tarde, Jorgina conseguiu emprego e foi morar em outro local, retornando periodicamente para visitar a menina.<\/address>\n<\/address>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #999999;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008080;\"><b>Para pensar<\/b><\/span><\/p>\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea analisa as a\u00e7\u00f5es da rede de institui\u00e7\u00f5es envolvidas no apoio a Jorgina e seus filhos?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea concorda que essa rede de atendimento n\u00e3o se configurou como um atendimento em rede? De que forma as institui\u00e7\u00f5es poderiam ter se organizado para oferecer um atendimento eficaz?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea acha que igrejas evang\u00e9licas locais, aquelas pelas quais a Jorgina possivelmente passava em frente todos os dias, t\u00eam alguma responsabilidade diante de Deus, para com esta fam\u00edlia?<\/li>\n<\/ul>\n<p><span style=\"line-height: 19.200000762939453px;\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transcrevemos aqui um relato retirado do livro Teoria e Pr\u00e1tica dos Conselhos Tutelares. A pergunta que exige resposta \u00e9: o que fazer para\u00a0que relatos como este se tornem raros ou at\u00e9 inexistentes? A Rede M\u00e3os Dadas acredita que os elos mais vulner\u00e1veis em qualquer\u00a0situa\u00e7\u00e3o de crise s\u00e3o as crian\u00e7as. 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