{"id":10289,"date":"2026-03-23T14:34:34","date_gmt":"2026-03-23T17:34:34","guid":{"rendered":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/?p=10289"},"modified":"2026-03-23T14:34:34","modified_gmt":"2026-03-23T17:34:34","slug":"a-armadilha-de-querer-resolver-tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/2026\/03\/23\/a-armadilha-de-querer-resolver-tudo\/","title":{"rendered":"A armadilha de querer resolver tudo"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10288 size-medium alignright\" src=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2026\/03\/capa_blog-13-980x551-1-e1774281622654-300x263.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2026\/03\/capa_blog-13-980x551-1-e1774281622654-300x263.png 300w, https:\/\/ultimato.com.br\/sites\/maosdadas\/files\/2026\/03\/capa_blog-13-980x551-1-e1774281622654.png 627w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p>Quando uma crian\u00e7a ou adolescente que aprendemos a amar est\u00e1 passando por uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica,&nbsp;\u00e9 natural querer ajudar e ver caminhos para sanar o problema o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. A gente pensa, se envolve,&nbsp;tenta encontrar meios, solu\u00e7\u00f5es e respostas. E se isso j\u00e1 aconteceu com voc\u00ea, voc\u00ea deve lembrar e saber que, quem se envolve de verdade logo percebe que as quest\u00f5es que \u00e0s vezes parecem \u00f3bvias demais normalmente t\u00eam o \u201cburaco mais embaixo\u201d; t\u00eam outras circunst\u00e2ncias e pessoas envolvidas na complica\u00e7\u00e3o \u2013 quest\u00f5es estas que geralmente se percebem fora do alcance de quem est\u00e1 tentando ajudar. Problemas s\u00e3o multifacetados. E envolvem pessoas.&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje quero falar sobre essa \u201cengrenagem de funcionamento\u201d do processo de ajudar uma crian\u00e7a ou adolescente que precisa. Essa \u00e9 a realidade dos pais que leem esse blog e dos tantos educadores que temos aqui, certo? Vamos falar desse lugar em que a preocupa\u00e7\u00e3o com a crian\u00e7a amada est\u00e1 ali, por\u00e9m pode come\u00e7ar a dividir espa\u00e7o com outra coisa delicada: a necessidade de querer resolver o problema. Parecem a mesma coisa, mas a diferen\u00e7a sutil muda todo o quadro. A preocupa\u00e7\u00e3o com quem sofre me faz buscar entender melhor as circunst\u00e2ncias, procurar enxergar melhor o que ainda n\u00e3o consigo ver, quero ouvir mais, explorar. \u201cQuerer resolver\u201d a coisa, implica em \u201cpensar o problema do meu ponto de vista\u201d, em \u201cprecisar me perceber ouvido pelos envolvidos\u201d, em \u201cser considerado para resolver a quest\u00e3o\u201d, em \u201cacertar\u201d, em fazer \u201cdo jeito certo\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>Aqui o foco-problema da quest\u00e3o vai se deslocando.&nbsp;Aquilo que antes era&nbsp;<i>\u201cComo eu posso ajudar?\u201d&nbsp;<\/i>vai virando, quase sem se perceber,&nbsp;&nbsp;<i>\u201cComo eu&nbsp;<\/i><i>me posiciono aqui?\u201d, \u201cComo eu mostro que estou certo?\u201d, \u201cComo eu n\u00e3o fico de fora da decis\u00e3o final?\u201d<\/i>&nbsp;Algo parecido aconteceu com os disc\u00edpulos de Jesus e um grupo de escribas, diante de um&nbsp;menino endemoniado:<\/p>\n<blockquote><p><b>\u00b9\u2074 E, quando se aproximou dos disc\u00edpulos, viu ao redor deles grande multid\u00e3o, e alguns escribas que disputavam com eles.<\/b><\/p>\n<p><b>\u00b9\u2075 E logo toda a multid\u00e3o, vendo-o, ficou espantada e, correndo para ele, o saudaram.<\/b><\/p>\n<p><b>\u00b9\u2076 E perguntou aos escribas: Que \u00e9 que discutis com eles?<\/b><\/p>\n<p><b>\u00b9\u2077 E um da multid\u00e3o, respondendo, disse: Mestre, trouxe-te o meu filh<\/b><b>o, que tem um esp\u00edrito mudo;<\/b><\/p>\n<p><b>\u00b9\u2078 E este, onde quer que o apanhe, despeda\u00e7a-o, e ele espuma, e ra<\/b><b>nge<\/b><b>&nbsp;os dentes, e vai definhando; e eu disse aos teus disc\u00edpulos que o expulsassem, e n\u00e3o puderam.<\/b><\/p>\n<p><b>\u00b9\u2079 E ele, respondendo-lhes, disse: \u00d3 gera\u00e7\u00e3o incr\u00e9dula! At\u00e9 quando estar<\/b><b>ei convosco? At\u00e9 quando vos sofrerei ainda? Trazei-mo.&nbsp;<\/b><\/p>\n<p><b>Marcos 9:14-19<\/b><\/p><\/blockquote>\n<p>Percebe? Os disc\u00edpulos de Jesus disputaram com os escribas para ajudar o menino, mas nenhum dos dois grupos ajudou o garoto de fato. E, infelizmente, essa situa\u00e7\u00e3o de \u201cdisputa ineficaz\u201d acaba sendo bem comum entre educadores e familiares. Como dizer que os dois grupos da passagem b\u00edblica n\u00e3o se importavam com a crian\u00e7a? Provavelmente se importavam e queriam provar seu pr\u00f3prio ponto para resolver a quest\u00e3o. E normalmente \u00e9 assim, queremos fazer o melhor. Por\u00e9m, o que Jesus quis mostrar com muita firmeza, principalmente aos seus disc\u00edpulos, \u00e9 que \u00e9 preciso reconhecer que situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis fazem n\u00e3o s\u00f3 quem sofre sentir dor, mas tamb\u00e9m revelam os limites de quem poderia ajudar. Problemas nos desorganizam por dentro \u2013 sofredores e cuidadores. S\u00f3 Deus tem todas as solu\u00e7\u00f5es em si. N\u00f3s precisamos busc\u00e1-las fora de n\u00f3s mesmos, mesmo que tenhamos as melhores inten\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>Por\u00e9m, quando estou muito ocupado em sustentar meu lugar de \u201csolucionador do problema\u201d, a minha escuta diminui. Estou me esfor\u00e7ando pra raciocinar na resolu\u00e7\u00e3o, na solu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o, minha energia est\u00e1 em meu pr\u00f3prio pensar. Minha aten\u00e7\u00e3o ao mundo externo naturalmente tende a diminuir. E o problema \u00e9 que sem escuta da realidade o cuidado come\u00e7a a falhar. Aqui, conversas ficam mais tensas. Pessoas se interrompem mais. Cada um que se envolve pra resolver passa a defender o seu ponto de vista e \u00e0s vezes at\u00e9 com bons argumentos, mas com pouco espa\u00e7o para o outro. E a coisa n\u00e3o sai do lugar, pois: quem est\u00e1 realmente ouvindo e enxergando as demandas daquele que precisa de ajuda?<\/p>\n<p>Nessas situa\u00e7\u00f5es, enquanto adultos tentam organizar as situa\u00e7\u00f5es complexas, n\u00e3o \u00e9 raro que aquele que est\u00e1 sofrendo comece a se sentir cada vez mais sozinho. O sofrimento que deveria diminuir pode mudar de forma, e ainda aumentar, como se agora precisasse encontrar meios de ser visto, ouvido e compreendido. Sim, os cuidadores podem cair na armadilha de dificultar o pr\u00f3prio&nbsp;cuidado. N\u00e3o por falta de capacidade e boa inten\u00e7\u00e3o. Mas por falta de espa\u00e7o interno para buscar respostas fora de si, para escutar o outro lado. At\u00e9 mesmo espa\u00e7o para a f\u00e9 Naquele que pode trazer solu\u00e7\u00f5es mais claras. Talvez, nesses momentos, o mais dif\u00edcil \u2013 e tamb\u00e9m mais necess\u00e1rio \u2013 seja diminuir um pouco o volume da nossa pr\u00f3pria voz para conseguir escutar de verdade. Escutar o outro. O Outro. E escutar o processo. Escutar at\u00e9 aquilo que ainda n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p>Nem sempre vamos concordar. Nem sempre vamos ter a melhor resposta. Mas, muitas vezes, o que mais ajuda n\u00e3o \u00e9 ter raz\u00e3o, mas estar mais presente, de um jeito mais aberto, mais dispon\u00edvel. Pois, no fim, o que&nbsp;realmente importa n\u00e3o \u00e9 quem conduziu melhor, quem acertou mais ou quem teve raz\u00e3o. Mas sim se, no meio de todo o problema, aquele que precisava de suporte \u2013 que \u00e9 mais novo e inexperiente da vida \u2013 conseguiu enfrentar a quest\u00e3o menos sozinho e percebendo o amor Daquele que pode solucionar todas as coisas, a Seu tempo e do Seu modo.<\/p>\n<p>&nbsp;<i>D\u00e9bora Vieira \u00e9 psic\u00f3loga parental e editora da Rede M\u00e3os Dadas.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando uma crian\u00e7a ou adolescente que aprendemos a amar est\u00e1 passando por uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica,&nbsp;\u00e9 natural querer ajudar e ver caminhos para sanar o problema o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. A gente pensa, se envolve,&nbsp;tenta encontrar meios, solu\u00e7\u00f5es e respostas. 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