Elsie B. C. Gilbert

Entre os dias 7 e 9 de março, a Rede Mãos Dadas realizou um retiro para Educadores Sociais Cristãos em Camaragibe, município da região metropolitana de Recife. Para saber mais sobre esta ação visite a notícia publicada aqui. 

O tema do retiro, “Cuide das Raízes, Espere pelos Frutos”, foi inspirado em parte numa fábula registrada no livro de Juízes, capítulo 9, sobre o dia em que as árvores resolveram que precisavam de um rei e acabaram se colocando sob o jugo de um ditador tirano. Três árvores não cederam ao entusiasmo pró-monarquia porque julgaram ser este um movimento tolo e perigoso. As três árvores que permaneceram firmes à sua missão e vocação, o fizeram porque estavam firmemente enraizadas e, portanto, preparadas para resistir com discernimento aos ventos e até às ameaças incendiárias dos amantes do poder. Essa primeira inspiração destaca o aviso: “Não siga o conselho insano, não gaste seu tempo com informações fúteis e duvidosas”.

A segunda inspiração para o tema do retiro, veio de um dos livros escritos por Elben L. Cezar, fundador da Ultimato, cujo título é Cuide das Raízes, Espere pelos Frutos – Meditações Diárias (o livro foi organizado postumamente por sua família). Aqui encontramos um exemplo de vida, praticado pelo autor que, sabidamente, meditava “na sua Lei, de dia e de noite” ( Sl 1). Cada participante do nosso retiro levou para casa um exemplar deste devocionário e isto só foi possível porque a Editora Ultimato tornou o preço deste livro acessível para nós! 

Ao me preparar para o retiro, fui surpreendida pela riqueza de detalhes presentes na Bíblia sobre as metáforas ligadas à árvore, raízes e frutos. Cuidar das raízes significa zelar pelo seu mundo interior, alimentá-lo com os nutrientes apropriados e mantê-lo hidratado a partir da fonte de água viva prometida por Jesus à mulher samaritana. “Se você conhecesse o dom de Deus e quem lhe está pedindo água, você lhe teria pedido e ele lhe teria dado água viva” (Jo 4.10).

Outra surpresa: cuidar das raízes não é observar uma lista de regras ou rituais religiosos que embora úteis podem também se tornarem secos e sem vida. Cuidar das raízes tem a ver mais com o trabalho oculto, interior, de nos mantermos ligados às fontes profundas de águas. É a escolha por uma dependência e confiança radical na fonte de Água Viva que é Jesus.

Veja a seguir a lista de dicas que colhi ao meditar sobre oito passagens na Bíblia que usam a metáfora das raízes como o lugar da alma, um lugar que precisa de cuidado e atenção (veja a lista das passagens bíblicas ao final):

Para cuidar das minhas raízes é preciso deixar de:

  • alimentar o amor ao dinheiro com meus sonhos consumistas que aumentam a minha ingratidão;
  • fugir da disciplina e das exortações do Senhor;
  • se agarrar à mágoa, escolhendo não liberar perdão;
  • exigir que a justiça seja feita imediatamente – desejar a justiça é virtude, o problema é querer que ela aconteça no meu tempo, a meu modo, não no tempo de Deus;
  • alimentar desejos corruptos por meio das influências e do consumo de informações ruins etc.

Para cuidar das minhas raízes é preciso praticar:

  • o prazer pela Palavra de Deus;
  • a esperança baseada nas promessas de Deus para os que permanecerem fieis – promessas que incluem sucesso em meus esforços com frutos de justiça e paz;
  • o exercício de antever a justiça de Deus a partir de suas promessas cultivando a perseverança e não o imediatismo;
  • a gratidão e confiança na provisão de Deus para as minhas necessidades: de sono, de movimento, de boa nutrição, de bons relacionamentos, de lazer, de um trabalho relevante;
  • o perdão, liberando-o para para as pessoas que se relacionam comigo;
  • a atenção especial para que amizades ricas e duradouras estejam presentes em minha vida; 
  • a consciência da presença do Espírito Santo no meu dia a dia, pronto para me encher com a sua plenitude;
  • a submissão às exortações e disciplinas vindas do Senhor acreditando que o fruto desse exercício será justiça e paz;
  • a gestão dos meus afetos, onde devo dedicar mais amor e onde devo diminuir o meu investimento emocional;
  • o acolhimento e celebração do amor de Cristo por  mim;
  • a busca pela justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão em conexão íntima e direta com o amor de Cristo.

Nicole Smith, diretora de missões da Igreja Northbrook, que esteve presente em nosso retiro, resumiu este imperativo de cuidar das nossas raízes assim:

Nutrir o nosso mundo interior envolve examinar a nós mesmos. Certamente existem maneiras prejudiciais de fazer isso, mas reconhecer nossa necessidade de Cristo nos leva a uma dependência mais profunda nele. Isso nos conduz à liberdade que ele nos oferece, na qual nós passamos a nos examinar de forma saudável. É saudável reconhecer nossa necessidade dele e perceber que não podemos caminhar pela vida sozinhos. É saudável entregar essas coisas a ele e convidá-lo para esses movimentos do coração, cercando-nos também de outros membros do corpo de Cristo para nos encorajar. Tudo isso faz parte de como nutrimos nossas raízes, e através desse processo ele nos transforma. À medida que somos transformados, começamos a dar um novo tipo de fruto”.

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